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| Jornal O Globo 16 de fevereiro - 2004 |
Folha Online 13 de fevereiro - 2004 |
BR Press 28 de janeiro - 2004 |
Disco Digital 13 de janeiro - 2004 |
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| Jornal O Globo Rio, 16 de fevereiro de 2004 A volta das ‘tias fofinhas’ Bernardo Araujo Tears for Fears, como todo mundo sabe, é uma banda pop. Na verdade, são apenas dois caras. Quer dizer, na verdade é um só, que finge que é uma banda inteira. Afinal, de que se trata? Muito simples: dois ingleses, Curt Smith e Roland Orzabal, amigos desde o colégio, que formaram um duo de sucesso e vida curta. Logo um dos dois saiu e o outro ficou escondido atrás do nome, condição na qual até veio ao Brasil, em 1996, lançar o disco “Raoul and the kings of Spain”. Agora a dupla está viva novamente, prestes a lançar “Everybody loves a happy ending” (“Todo mundo adora um final feliz”, brincadeira com “Everybody wants to rule the world”, um dos maiores sucessos do TFF). Juntos, Smith e Orzabal (de ascendência espanhola, nome completo Roland Orzabal de la Quintana), lançaram apenas três discos, entre 1983 e 1989. O segundo, “Songs from the big chair”, de 1985, foi o que estabeleceu o Tears For Fears como um sucesso planetário, com músicas como “Shout”, “Everybody wants to rule the world” e “Head over heels”. Os dois ainda completaram o disco seguinte, “The seeds of love”, mas não se entendiam mais e Curt foi embora. Durante nove anos, enquanto ele gravava discos solo e Roland continuava com o nome do grupo, os dois nem se falaram. — Voltamos a nos relacionar gradualmente, depois que vimos que era ridículo não termos nos falado por tanto tempo — lembra Smith, por telefone, de Los Angeles. — Começamos no telefone, depois jantamos juntos quando fui a Londres, e nos lembramos de todas as nossas afinidades. Daí para voltarmos a compor e gravar juntos foi um processo natural. Natural mas lento, aliás como tudo o que envolve o Tears For Fears. Entre o primeiro telefonema e o fim das gravações passaram-se dois anos e meio, justificados pelo baixista e cantor Smith: — Eu moro em Los Angeles e Roland, em Londres, e cada um tinha o seu projeto na época — lembra ele. — Então mostramos o que tínhamos um ao outro, trocamos opiniões, foi acontecendo aos poucos. Quando começamos a compor, passávamos duas semanas juntos e depois três meses separados. Na hora em que fomos para o estúdio gravamos o CD em cinco meses. O disco mais rápido da carreira do Tears For Fears. “Everybody loves a happy ending” ainda não chegou às lojas, mas um CD com três músicas do disco distribuído à imprensa mostra que o Tears For Fears ainda é aquele dos anos 80: as vozes dobradas de Smith e Orzabal em melodias suaves, com um cheirinho de Beatles, e arranjos sempre flertando com a eletrônica. Os dois gravaram quase toda a parte instrumental do CD, com o baterista Fred Eltringham e o produtor Charles Petrus. — Compusemos todas as músicas no violão e no piano, sem pensar na tecnologia — diz Curt. — Quando fomos gravar, estávamos muito confiantes no material que tínhamos. Cantor acha que anos de separação foram benéficos Ouvindo o CD — que, claro, ele considera o melhor da história do duo, pelo menos até o próximo — Smith se lembra do tempo de separação e acha que foi necessário. — Quando saí do TFF, fui para Nova York, gravei um disco que detesto (“Soul on board”, de 1993) e me desliguei de vez da indústria — conta ele. — Precisei passar alguns anos trabalhando no rádio e na MTV para voltar a compor. Esses 12 ou 13 anos de separação foram muito importantes para nos encontrarmos, cada um a si mesmo. Ele analisa com serenidade os CDs que Roland gravou sem ele, como Tears For Fears. — Como todo disco solo, tem coisas que gosto e outras não — diz. — Acho que, se estivéssemos juntos, algumas entrariam num disco e outras ficariam de fora. A grande vantagem de se gravar um disco solo é que se pode fazer da maneira que se quer, em todos os detalhes. Em dupla, são dois pares de ouvidos para ouvir e criticar o material. Ele garante que, aos 42 anos, os dois voltaram a ser os velhos amigos de sempre. — Tocamos juntos desde que tínhamos 13 anos — lembra. — Apesar da separação, logo voltamos a ser como antes. Cada um de nós agora tem sua família, sabe que é o mais importante. Somos muito menos egoístas do que antes. |
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