Esta
última década do século registra entre as inovações
tecnológicas do período uma espécie de redescobrimento
do rádio, meio de comunicação de massa que desde
o seu lançamento, há mais de 70 anos, continua atraindo
e mantendo audiências diversificadas em praticamente todas as
partes do mundo.
Depois da generalização das transmissões via
satélite entre emissoras geradoras de programação
e suas afiliadas regionais (no final dos anos 80) e da disponibilidade
de transmissões radiofônicas em escala global por meio
da Internet (iniciada na metade da década de 90), anuncia-se
agora "um novo tipo de rádio portátil, capaz de
captar programas radiofônicos diretamente de satélites".
A sucessão de avanços sugere que, a médio prazo,
a evolução natural da tecnologia (em especial na área
de informática) deve resultar em alterações significativas
não apenas no modo de o ouvinte relacionar-se com o veículo
como também nas formas de linguagem desse meio essencialmente
oral.
Assim, a proposta deste trabalho é tentar delinear o contexto
(incluindo aspectos globais e tecnológicos) em que ocorre o
desenvolvimento do rádio na segunda metade da década
de 90, utilizando como elementos de análise estudos teóricos
e informações presentes nos próprios meios de
comunicação de massa.
Uma Única AldeiaAo tratar do tema sociedade global, Octávio
Ianni afirma que a globalização tende a desenraizar
as coisas, as gentes e as idéias.
De acordo com o cientista social, "sem prejuízo das suas
origens, marcas de nascimentos, determinações primordiais,
[coisas, gentes e idéias] adquirem algo de descolado, genérico,
indiferente. A despeito das marcas originais, da ilusão da
origem, tudo tende a deslocar-se além das fronteiras, línguas
nacionais, hinos, bandeiras, tradições, heróis,
santos, monumentos, ruínas.
Aos poucos, predomina o espaço global em tempo principalmente
presente".
Para Ianni, é dessa forma que se desenvolve o "novo e
surpreendente" processo de desterritorialização,
característica importante da sociedade global em formação,
no qual as fronteiras entre países e culturas são redimensionadas
por organizações econômicas, políticas
e culturais que tecem o mundo em vários níveis e diferentes
desenhos.Entre os instrumentos que colaboram para esse estágio
de globalização das relações entre indivíduos,
grupos, classes, movimentos sociais, correntes de opinião pública
e estados nacionais está sem dúvida a informática.
Ao viabilizar, entre outras coisas, a produção de computadores
de dimensão cada vez mais reduzida, com capacidade e velocidade
sempre ampliadas, as novas tecnologias colocadas em prática
pelo setor têm incentivado o desenvolvimento e a rápida
disseminação de redes interligadas de transmissão
de dados, agora completados por som e imagem em tempo real.
No entender do professor do Departamento de Hipermídia da Universidade
de Paris VIII, Pierre Lévy, o crescimento da comunicação
assistida por computador e das redes digitais planetárias representa
uma constituição deliberada de novas formas de inteligência
coletiva, mais flexíveis e democráticas, fundadas na
reciprocidade e no respeito das singularidades.
"Nesse sentido, poder-se-ia definir a inteligência coletiva
como uma inteligência distribuída em toda parte, continuamente
valorizada e sinergizada em tempo real".Para Lévy, entre
os fatores que forçam a existência dessa inteligência
coletiva, algumas tecnologias intelectuais - como os sistemas de comunicação,
de escrita, de registro e de tratamento da informação
- desempenham um papel considerável. E assinala: "as mudanças
de tecnologias intelectuais ou de meios de comunicação
podem indiretamente ter profundas repercussões sobre a inteligência
coletiva", uma vez que as infra-estruturas de comunicação
e tecnologias sempre estabeleceram estreitas relações
com as formas de organização econômicas e políticas.Jean
Paul Jacob executivo da IBM, relaciona o momento atual da informática
a um acontecimento específico, a queda do Muro de Berlim em
1989.
A partir de 1990, dissolve-se o financiamento de projetos por parte
de estabelecimentos militares do mundo ocidental e oriental para dar
suporte à Guerra Fria e surgem novos patrocinadores do desenvolvimento
da informática: as empresas do setor de entretenimento. Em
conseqüência direta da mudança de enfoque, as interfaces
tornam-se mais amigáveis, mais gráficas, e a multimídia
surge como o primeiro fruto desse novo financiamento.
A partir de um aspecto político, portanto, "mudou o mundo
e a tecnologia".Pierre Lévy também argumenta que,
assim como as gráficas representaram a primeira indústria
de massa, que favoreceu o desenvolvimento tecnocientífico e
contribuiu para a revolução industrial, "as mídias
audiovisuais do século XX (rádio, televisão,
discos e filmes) participaram da emergência de uma sociedade
do espetáculo que subverteu as regras do jogo tanto na vida
política quanto no mercado (publicidade, economia da informação
e da comunicação).
Entre as características manifestadas pelos meios de comunicação
eletrônicos e audiovisuais estaria a capacidade de gerar simulacros,
estabelecidos por meio de uma linguagem comum que se traduziria em
imagens de mundo compartilhadas. Hoje, a Internet aparece como um
espaço privilegiado de trocas (simbólicas ou virtuais)
e apresenta-se entre as principais tendências de um mundo centrado
em redes, com o microcomputador funcionando como uma espécie
de janela para esse mesmo mundo.Nesse contexto, a mídia eletrônica
prevalece, como diz Ianni, como um poderoso instrumento de comunicação,
informação, compreensão, explicação
e imaginação sobre o que acontece no planeta.
Juntamente com a imprensa, a mídia eletrônica passa a
desempenhar o singular papel de intelectual orgânico dos centros
mundiais de poder, ainda que mediatizada, influenciada ou assimilada
em âmbito local, nacional e regional."A verdade é
que a indústria cultural também adquiriu alcance global.
Atravessa fronteiras de todo o tipo - geográficas, políticas,
culturais, religiosas, lingüísticas e outras. Transformou-se
em um poderoso setor de produção, no sentido de produção
de mercadoria, lucro ou mais-valia. (... ) Transfigura o jornalista,
o escritor, o cientista social, o publicitário, o locutor,
o âncora, o cenógrafo, o técnico de som, o especialista
em efeitos visuais coloridos e sonoros, o artífice da estética
eletrônica e muitos outros em um vasto trabalhador coletivo,
um intelectual orgânico ainda pouco conhecido. Simultaneamente,
a indústria cultural produz e reproduz signos, símbolos,
imagens, sons, formas, cores, movimentos, tudo isso nas mais inovadoras
ou inócuas, prosaicas ou surpreendentes combinações,
povoando o imaginário de muitos em todo o mundo".Apesar
da globalização ter se transformado em quase um clichê
nas discussões atuais sobre as recentes tecnologias dos meios
de comunicação, não há como negar que
os novos recursos de mídia possuem capacidade de penetração
e impacto globais.Alguns estudiosos da rede global acreditam que o
fenômeno Internet, por exemplo, "em sua súbita interposição
na Babel cultural contemporânea, libera um interagir de inteligência
e intuição capaz de avivar percepções.
Descobrimos um estiramento da noção de totalidade: no
ciberuniverso, as partes são fragmentos não-totalizáveis".Para
outros pesquisadores da área, a Internet aparece como o meio
eficaz de feedback, já que cada usuário estabelece uma
nova contribuição ao selecionar um tema ou indicar um
itinerário de busca, e permite a utilização de
categorias-chave da comunicação: a interpessoal, tanto
sincrônica (imediata) como anacrônica (caso do correio
eletrônico), e a comunicação de massa, transmitida
por um editor a uma audiência.Como pode ser notado, um longo
caminho separa o início da Internet - criada em caráter
experimental pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos na década
de 70 para servir de apoio a pesquisas militares envolvendo a construção
de redes que poderiam continuar operando mesmo em caso de ataques
a bomba - da configuração atual da macrorrede mundial
de informação e entretenimento.
Completada pelo World-Wide Web (ou WWW) - recurso de informação
desenvolvido por um centro europeu de pesquisa na área de Física,
capaz de transmitir documentos na forma de hipertextos - a Internet
está conseguindo unir meios de comunicação distintos,
com conteúdos variados e destinados a audiências em qualquer
ponto do globo, bastando para tanto ter um endereço eletrônico
(esse cartão de visita virtual que abre as portas de uma realidade
ainda recente) e um leitor, ouvinte, espectador interessado - agora
simplesmente usuário conectado - na outra ponta do sistema.Mídia
e TecnologiaDesde a invenção por Gutenberg da imprensa
com tipos móveis no século XV, que decretou o fim do
scriptorium dos copistas medievais e gerou o desenvolvimento industrial
da produção de livros, as descobertas subseqüentes
de outras tecnologias de comunicação foram recebidas
com um certo temor de que o meio novo eliminaria o antigo.Alguns exemplos:
poucos anos depois da afirmação da linotipo e da rotativa
para impressão (que contribuíram para diminuir o tempo
de veiculação da notícia), o rádio era
inventado e dizia-se que, em algumas décadas, seria o veículo
alternativo aos meios impressos. Da mesma forma, o surgimento da televisão
parecia que, sob vários aspectos, iria decretar o lento mas
definitivo declínio do rádio e, por tabela, da revista
ilustrada (que atuava como suporte visual, publicando imagens dos
fatos e personagens difundidos pelos programas radiofônicos).Nenhum
desses temores, é claro, se concretizou. Cada meio de comunicação
encontrou formas de se adaptar aos novos tempos e conviver com outros
cenários estabelecidos para a circulação de informação
e de entretenimento. Mesmo assim, os meios nunca deixaram de competir
entre si. As novidades tecnológicas no campo das telecomunicações,
por exemplo, foram rapidamente absorvidas pela tríade imprensa-rádio-TV,
cada qual articulando processos distintos de diversificação
mas todos atentos aos recursos de produção assimilados
pelos concorrentes para conquistar audiência.Entre os meios
de comunicação de massa tradicionais, o rádio
manteve uma característica que sempre o distinguiu dos demais:
a portabilidade.
A invenção do transístor, em 1947, tornou o rádio
acessível, de fácil manuseio e preço reduzido.
Depois dos anos 60, os aparelhos transistores miniaturizados, portáteis
e baratos invadiram o mercado ocidental e assinalaram o início
da massificação do rádio em países do
Terceiro Mundo onde, na falta de energia elétrica, funcionava
a bateria. "Fortalecido com esse 'salto' tecnológico,
o rádio reagiu com extrema elasticidade ao predomínio
televisivo, transformando-se de meio de atenta audiência familiar
para meio de distraída audiência individual, meio de
comunicação ao alcance de qualquer pessoa, que pode
ser levado para qualquer lugar - em viagem, no carro, no trabalho".
Ao explorar novos hábitos junto ao público, o rádio
consolida sua agilidade para informar e investe em um estilo de programação
com forte componente musical: em parte para reforçar a parceria
rentável com a indústria fonográfica (a música,
como o som, não tem fronteiras, o que representa a existência
de um mercado global) e também para adaptar-se à concorrência
com a televisão. (Copiando modelos radiofônicos a TV
conseguiu, desde o início, assimilar gêneros como novelas,
humorísticos e programas de auditório, conquistando
boa parcela da audiência antes cativa do rádio.)O uso
generalizado da freqüência modulada (FM), o sistema de
transmissão AM em stereo, o walkman e o áudio digital
são alguns produtos da tecnologia que pontuam a evolução
do rádio e reforçam um dos papéis desempenhados
pelo meio na vida das pessoas: o de trilha sonora do cotidiano.
É nesse contexto, agregando música e informação
para audiências cada vez mais segmentadas, que o rádio
se depara com as novas possibilidades de uso e de relacionamento com
o ouvinte apresentadas pela lnternet.Dados divulgados em abril de
1996 pelo Ministério das Comunicações mostram
que 2.961 emissoras de rádio estavam em operação
no Brasil - a grande maioria concentrada nas faixas AM (1.574) e FM
(1.275), 80 em ondas tropicais e 32 em ondas curtas.
Além de registrar a política na distribuição
de concessão de canais, o quadro confirma outra particularidade
do meio: o rádio tradicional tende a ser um veículo
essencialmente local, voltado para audiências específicas,
com ênfase em programas centrados na realidade imediata em que
se inserem ouvintes e emissoras.Mídia Emergente: O Rádio
na TelaEm 1996, mais de mil estações de rádio
de todo o tipo (rock, clássico, country, notícias, esportes,
entrevistas, entre inúmeros outros) criaram sites Web nos Estados
Unidos.
Na mesma época, o total de emissoras brasileiras com endereço
disponível na lnternet chegava a cerca de 20. Mesmo que o rádio
tenha sido concebido para ser ouvido e não necessariamente
para ser lido, é crescente o número de canais radiofônicos
centrados em entrevistas e bate-papos na Internet. Embora a maioria
ofereça apenas informações sobre a estação
de rádio acessada e links para outros sites, há cada
vez mais emissoras tirando proveito da tecnologia de áudio
em tempo real para transmissões ao vivo.
Nos sites lançados até agora, as estações
se autopromovem, anunciam concursos e listas de músicas mais
tocadas, recebem pedidos de músicas, comentários dos
ouvintes e organizam arquivos de programas.
Alguma semelhança com o relacionamento tradicional entre o
público de emissoras AM e FM? Muitas, como se percebe, apesar
de algumas diferenças: o microcomputador, que serve como canal
entre os dois elos comunicacionais, ainda custa caro, é considerado
recurso tecnológico requintado para uma fatia expressiva da
audiência, exige um mínimo de familiaridade com o manejo
da informática e, por enquanto, não oferece o contato
direto simultâneo (viva voz) entre comunicador e ouvinte.
Esse mesmo ouvinte/usuário, no entanto, começa agora
a estabelecer outro tipo de relação com as estações
de rádio: praticamente todos os sites dispõem de uma
home page contendo informações textuais sobre a programação
(com horários, destaques, chamadas para atrações
do dia ou da semana) e dados sobre o funcionamento da própria
emissora.
Entre as emissoras brasileiras que podem ser "lidas" e ouvidas
na lnternet, algumas - como as rádios Jovem Pan e Bandeirantes
(de São Paulo), Gaúcha (de Porto Alegre) e Imprensa
(do Rio de Janeiro) - mantêm à disposição
do usuário home page com histórico, serviços
(tempo, estradas, etc), textos atualizados de notícias, equipe,
lista dos valores vigentes para comerciais e informação
sobre outras emissoras que funcionam em rede (caso da Jovem Pan e
da Gaúcha, entre as rádios citadas), além de
um botão para acionar a programação ao vivo e
em tempo real.Para ouvir qualquer emissora com programação
disponível via Internet, o navegador precisa possuir um micro
equipado com placa de áudio e modem com velocidade de 28.8kbps.
Essa configuração básica é suficiente
para acessar e copiar no disco rígido do equipamento pessoal,
diretamente do endereço das empresas que fornecem (de graça)
esse tipo de recurso, o software desenvolvido especialmente para reproduzir
transmissões radiofônicas com bom padrão de qualidade
sonora.
A maioria das rádios atualmente no ar via lnternet utiliza
o sistema Real-Audio, desenvolvido pela empresa norte-americana Progressive
Networks, apesar de softwares similares, como o Streamworks da Xing
Technology Corp., também estarem disponíveis.Plugado
na Internet, o microcomputador consegue sintonizar emissoras baseadas
em qualquer cidade, país ou continente.
Nas transmissões internacionais, a tecnologia peculiar aos
sistemas de áudio permite que o som, transmitido por meio de
linhas telefônicas, chegue ao usuário sem os chiados
e interferências tão comuns nas transmissões convencionais
em ondas curtas, por exemplo. Dessa forma, o ouvinte internauta pode
escutar música e ouvir entrevistas, debates ou notícias
pelo rádio com qualidade sonora bastante superior ao sistema
convencional, independente do país de origem da emissora.De
alcance ilimitado, o rádio na Internet ultrapassa alguns limites
das transmissões radiofônicas normais. Superposição
de emissoras no dial ou sinais fracos deixam de existir. Uma pesquisa
superficial encontra sites radiofônicos na Malásia, Irlanda,
Argentina, lndonésia e Hungria.
A home page da CBC (Canadian Broadcasting Corporation), o serviço
de rádio público do Canadá, mantém disponível
programação com notícias, esportes, música
e dramatizações, com opção para o ouvinte
entre transmissões em francês ou inglês.Nos Estados
Unidos, o Real-Audio instalado no micro está assumindo outras
funções-. uma delas é a possibilidade que o programa
oferece "de sintonizar emissoras estações da cidade
de origem do usuário.
Caso ele tenha se mudado nos últimos anos ou sinta saudades
de uma emissora que fez parte da sua adolescência, existe uma
grande chance de poder encontrá-la na Web. Para isso, deve
digitar o nome da rádio em serviços de busca como o
Yahoo ou o AltaVista, esperar e torcer para que ela já possua
a sua versão eletrônica".AudioNet: Experiência
PioneiraAutonomeada The Broadcast Network on the Internet, a AudioNet,
empresa norte-americana sediada no Texas, proclama-se líder
nas transmissões pela rede global, por ter conseguido reunir
"mais ouvintes do que qualquer outra companhia no mundo".
Boa parte da vantagem conseguida pela empresa nesse setor ainda pouco
explorado deve-se ao seu pioneirismo: foi a primeira companhia a investir
pesado na tecnologia de transmissão de rádio e TV on
line, "agregando o maior volume de recursos multimídia
em um único site da Web e construindo rede e infra-estrutura
necessárias para atingir a maior audiência da Internet".
Alguns números que justificam o entusiasmo da empresa: os visitantes
do site da AudioNet podem escutar transmissões contínuas
de mais de 175 emissoras de rádio, acompanhar a cobertura de
centenas de competições esportivas, ouvir música
ao vivo (inclusive concertos e shows em casas noturnas), escolher
músicas de um arquivo contendo mais de mil CDs e selecionar
transmissões ao vivo ou gravadas de eventos produzidos exclusivamente
para usuários da lnternet.A história da AudioNet é
recente: tem início em setembro de 1995, quando colocou no
ar, em parceria com a rádio KLIF de Dallas, no Texas, a primeira
transmissão contínua e ao vivo de uma emissora comercial
na Internet.
Desde então, navegantes de todas as partes do mundo já
visitaram ou visitam com freqüência o endereço da
empresa, que se transformou em consulta quase obrigatória das
pessoas que desejam ter acesso facilitado a rádios de estilo,
origem e formato diversificados.A variedade de opções
oferecida pela AudioNet impressiona quem não está acostumado
ao estilo de segmentação que caracteriza o rádio
nos Estados Unidos.
No site da empresa, o usuário pode escolher a partir de uma
lista de emissoras localizadas em 65 cidades (em praticamente todos
os estados americanos) qualquer um dos 21 formatos radiofônicos
listados da seguinte forma: adulto alternativo, adulto contemporâneo,
alternativo, negócios, cristão, rock, rock clássico,
música erudita, country, dance, serviços internacionais
de notícias, jazz, notícias, oldies, público,
esporte, talk show, urbano, Top 40, transmissões especiais
e televisão.Além disso, a empresa oferece um guia de
programação radiofônica ao vivo (com predomínio
da cobertura de jogos de futebol americano); audiobook (programas
musicais ou especiais gravados, que o usuário pode escolher
e transferir para o seu arquivo pessoal), entrevistas (arquivo com
25 tipos de entradas, entre os quais política, religião,
celebridades, comédia, informática, etc); programas
regulares (alguns de grande audiência em redes nacionais de
rádio dos Estados Unidos - como o do polêmico e conservador
Rush Limbaugh - além de esporte, meio ambiente, música,
educação, etc) e jukebox (que reúne cerca de
1.300 CDs, entre lançamentos e parada de sucessos).O site da
AudioNet oferece ainda links para três canais de TV (C-SPAN,
KTVT e AIN) e funciona como janela para outras modalidades de uso
das ondas sonoras, entre as quais o PoliceScanner (que permite acompanhar
a movimentação da polícia e do corpo de bombeiros
nas cidades de Los Angeles e Dalas); o Simufíite (transmissão
do controle de tráfego aéreo na área de Dallas
e Fort Worth, produzida por um serviço de treinamento de pilotos)
e o DeadRadio (para os aficionado do Greatfui Dead, com transmissão
de músicas do grupo vinte e quatro horas diárias).A
segmentação excessiva do rádio norte-americano
foi automaticamente assimilada pela versão Web do meio. Além
disso, novas formas de rádio estão ingressando na Internes
e oferecendo uma mistura eclética de conteúdo: a ABC
RadioNet, por exemplo, "recebe clips de notícias em áudio
de estações em rede em Atlanta, Chicago, Los Angeles
e Nova York. (... ) A National PublicRadio (NPR) torna disponível
sua programação via Internet e oferece as últimas
notícias e uma reportagem do dia em áudio. (...) Ter
um site Web é fundamental para estações de entrevistas
e bate-papo cujo enfoque é a indústria de computadores
e a própria Internes. A TechTaik, por exemplo, é um
talk show semanal sobre tecnologia".Emissoras Brasileiras Navegam
na RedeNo Brasil, o rádio na lnternet ainda engatinha, se comparado
a outros países. O Web site Universo Online (UOL), que pertence
aos grupos Abril e Folha, oferece em português - em "mais
de 260 mil páginas, espalhadas em 24 estações
e mais de 200 canais" - acesso a jogos, jornais, novelas e foi
um dos primeiros provedores nacionais a incluir transmissões
radiofônicas em tempo real entre os seus inúmeros links.
Em junho de 1997, o UOL permitia ao usuário o acesso a duas
rádios instaladas na capital paulista: a Musical FM, anunciada
como "a primeira rádio MPB on line vinte e quatro horas",
e a Trianon 740 AM, no ar diariamente das 6h a 0h15, identificada
como "emissora de prestação de serviços,
sua conexão com a informação", ambas com
características predominantemente locais.O Universo Online
mantém ainda o primeiro programa de rádio da América
Latina criado especialmente para ser veiculado pela rede global -
o Manguetronic lnternet, desenhado para ser uma atração
mensal "de música e informação sobre o que
acontece de mais interessante na cultura pop de Pernambuco, no Brasil
e no mundo".A CBN, Central Brasileira de Notícias, foi
outra rádio nacional que optou por lançar seu Web site
associada a um provedor-. em parceria com a Mandic, a emissora inaugurou
"o primeiro site nacional de net-escuta de notícias em
tempo real", no qual "o usuário pode interagir na
programação através do e-mail, com sugestões
de pauta, comentários e eventuais críticas às
reportagens apresentadas".A tendência das emissoras brasileiras
disponíveis na lnternet, entretanto, é de operar com
endereços próprios. Algumas mantêm apenas uma
home page, sem áudio, com informações gerais
sobre a rádio (caso da Bandeirantes e da Cultura AM e FM em
São Paulo, da Globo FM de Salvador ou da Rádio Imprensa
FM no Rio). Outras, como a própria CBN, a Jovem Pan AM e FM,
a 89 FM (emissora dedicada exclusivamente ao rock, cujo site foi considerado
o melhor de 1996 entre os internautas brasileiros), a Transamérica
FM, ou a Gaúcha de Porto Alegre (que transmite ao vivo via
lnternet vinte e quatro horas de programas como noticiários,
debates, esporte e entrevistas) investem na programação
ao vivo.À parte das emissoras comerciais, a Rádio Senado
(inaugurada em janeiro de 1997) também coloca à disposição
dos usuários da lnternet programas como "Agenda Senado"
e "Voz do Brasil", além dos informativos em linha
direta "Edição Amazônia", "Edição
Nordeste" e "Edição Nacional" - todos
atualizados diariamente pela equipe do serviço de comunicação
do Senado em Brasília. O Futuro Próximo: a Tela do RádioNos
anos 90, recursos tecnológicos distintos pontuam a evolução
do rádio. A década que se iniciou com a sedimentação
das transmissões em rede via satélite e chegou à
metade apresentando novo formato para o veículo com o lançamento
de sites radiofônicos na lnternet deve ser encerrada com o rádio
da era digital. Em junho de 1997, foi acertado em Cingapura, paralelo
ao encontro da Asia Telecom97, um acordo entre as empresas Hitachi,
Panasonic, JVC e Sanyo para desenvolver e produzir em massa um novo
tipo de rádio portátil capaz de receber cem canais de
radiodifusão diretamente de satélites."0 aparelho,
que estará no mercado em meados de 1998, quando o novo sistema
digital será implantado na África, deverá fazer
parte da vida das pessoas, junto com o CD, o videocassete e o computador.
(... ) Os rádios digitais conterão novos chips cuja
produção está estimada em dois milhões
de unidades. O sistema funciona assim: a emissora envia um sinal de
rádio através de uma pequena antena de satélite,
que transmite o sinal para um satélite geoestacionário
que, por sua vez, o envia diretamente aos novos receptores, eliminando
a necessidade de outra antena de satélite para receber o sinal".Os
novos aparelhos foram concebidos para aceitar sinais convencionais
de ondas médias, FM e ondas curtas e terão capacidade
de processar serviços avançados como fax, correio eletrônico
e imagens por meio de uma placa de modem.
A essa altura, será ainda o mesmo rádio tal como o conhecemos
hoje?Na verdade, o rádio (como todos os meios de comunicação
de massa) passa por constantes transformações, na forma
de apresentação ou no conteúdo, adaptando-se
à evolução das tecnologias de mídia e
às mudanças de hábitos da audiência.
O novo rádio digital, por exemplo, colocará à
disposição do ouvinte programação variada
- como música popular, óperas e atrações
esportivas - gerada em qualquer parte do mundo e com uma recepção
livre de ruídos e de perda de sinal. No futuro, um ouvinte
brasileiro poderá viajar para outro país e continuar
sintonizando suas estações preferidas no Brasil com
a mesma qualidade de uma transmissão local.Tudo indica que,
com a constante evolução no setor da comunicação
digital, os consumidores dos produtos dos meios de massa tenderão
a desenvolver novas formas de entendimento dos veículos eletrônicos,
com destaque para a dimensão e a natureza comercial da multimídia
e dos recursos cibernéticas.Ao listar os dez mandamentos que
devem guiar os navegantes do mundo da comunicação digital,
o professor John Pavlík, da San Diego State University, destaca
quatro regras fundamentais a serem observadas pela audiência
dos meios eletrônicos: primeiro, questione tudo que é
visto, ouvido, lido ou assistido no novo ambiente de mídia;
segundo, tenha certeza de que praticamente tudo que está à
disposição nesse novo ambiente foi criado para dar lucro
a alguém; terceiro, considere que toda nova tecnologia pode
representar uma ameaça à privacidade pessoal, pois todo
sistema interativo - da TV a cabo ao telefone - tem a capacidade de
gravar cada atividade de interação realizada por alguém-,
e, finalmente, lembre-se de que não existem limites no ciberespaço
além do pessoal ou da imaginação de qualquer
outra pessoa. Apesar do tom quase fatalista, as regras enumeradas
pelo professor Pavilík apontam com clareza e simplicidade os
principais desafios apresentados para a audiência na sua relação
futura com os meios de comunicação.Referências
BibliográficasGIOVANNINI, Giovanni. Evolução
na comunicação. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987,
374p.HUSTED, Bill. "Cyberscene: use your computer to tune in
radio show". New York Times News Serviceg, 23 de março
de 1997.IANNI, Octávio. A sociedade globaL Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1993, 194p.-. Teorias da globalização.
Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1996, 228p.LÉVY,
Pierre. O que é o virtual? São Paulo: Editora 34, 1996,
160p.-. As tecnologias da inteligência. Rio de Janeiro: Editora
34, 1993, 208p.MACHADO, Arlindo. Máquina e imaginário.
São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1996,
3l3p.MATTIUSSI, Daniela. "Mais informações nas
ondas do rádio". Imprensa, n.º 117, junho 1997.MILLER,
Jonathan. As idéias de McLuhan. São Paulo: Cultrix,
1973, 125p.MORAES, Dênis de (org). Globalização,
mídia e cultura contemporânea. Campo Grande: Letra Livre,
1997, 264p.NEGROPONTE, Nicholas. A vida digital. São Paulo:
Companhia das Letras, 1995, 210 p.NOACK, David C. "Começa
a nova era". Rádio e TV, n.º 117, maio de 1997.PASSOS,
José Meirelles. "Rádio direto por satélite
não vai tocar ruído e captará mais de cem estações".
O Globo, 11/junho/1997.PAVLÍK, John V. New Media and The Information
Superhighway.
Boston: Allyn & Bacon, 1996, 434p.TACHINARDI, Maria Helena. "Surge
o rádio da era
digital". Gazeta Mercantil (Empresas & Negócios),
l l/junho/1997.