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Murray
Schafer fala de paisagens sonoras e do rádio
como arte,
educação e política, numa
entrevista a Mauro Sá Rego
Costa.
Mauro:
- Como surgiu este projeto mundial das paisagens sonoras das cidades?
Schafer:
- Este projeto começou na Universidade Simon Frazer, em Vancouver
na British Columbia. Eu ensinava, desde 1965, no Departamento de Comunicação;
era responsável por todos os cursos que tratavam de comunicação
acústica. Então ensinávamos um pouco sobre rádio,
um pouco sobre acústica, psicoacústica, fonética,
tudo que tivesse a ver com som. E a partir deste curso, desenvolveu-
se gradualmente um interesse pelo ambiente acústico total.
Não havia palavra para descrever isso, na época. Então
criei esta palavra "paisagem sonora" (soundscape), que quer
dizer a totalidade do ambiente sonoro em que vivemos, todos os sons
ambientes; não só os sons musicais, os sons do nosso
cotidiano. E uma paisagem acústica é algo dinâmico,
está sempre mudando. Decidi que devíamos fazer alguns
estudos do ambiente acústico para verificar como a paisagem
sonora está mudando e como estas mudanças afetam o nosso
comportamento. Assim, o primeiro estudo que fizemos foi da própria
cidade de Vancouver. Produzimos dois discos e um livro sobre os sons
de Vancouver. Assim, gradualmente, desenvolvemos uma metodologia para
estudar o ambiente acústico. Ninguém havia feito isto
antes. O segundo projeto que fizemos foi um estudo comparativo de
cinco cidades na Europa: uma na Suécia, uma na Alemanha, uma
na Itália, uma na França e outra na Escócia.
Eram todas mais ou menos do mesmo tamanho, e o que eu queria tentar
provar era que, embora a população dessas cidades fosse
comparável, suas paisagens sonoras eram extremamente diferenciadas.
Estes estudos foram a parte básica do projeto mundial de paisagens
sonoras. Eu tinha cinco assistentes, pesquisadores jovens, trabalhando,
coletando informação. Cada um dos estudos envolvia não
somente gravar os sons mas também medi- los e assim fizemos
estudos acústicos. Mas também fizemos pesquisa social,
entrevistando as pessoas, perguntando sobre tipos de sons que lembravam,
tipos de sons que gostavam e que não gostavam, para ter uma
idéia de como as pessoas reagiam ao ambiente acústico.
Estes estudos enfocavam muitos aspectos diferentes do som e das reações
aos sons. Foi assim que reuni material para o livro The Tuning of
the World, que escrevi depois dessa pesquisa. The Tuning of the World
ainda é um livro útil pois descreve uma metodologia
e uma terminologia própria para se lidar com a paisagem sonora,
coisa que não existia antes. Assim, acho que muita gente o
usou para estende- lo a outros ambientes e fazer outros tipos de pesquisa.
O projeto mundial de paisagens sonoras, na verdade, não existe
mais. Nunca pretendi ser o proprietário exclusivo deste projeto.
Seria absurdo. Você estuda o seu próprio ambiente sonoro
e pode fazer visitas a outros lugares, mas na verdade, a paisagem
sonora é para ser estudado por quem vive no local, porque fala
a língua, e sabe os tipos de sons com que está lidando.
Assim, enquanto o livro teve influência, ele estimulou muitas
pesquisas. No momento, várias pesquisas estão sendo
realizadas, em diferentes países... Eu mencionaria, particularmente,
o Japão. No Japão há uma associação
de pesquisa da paisagem sonora, com 500 sócios, que estão
todos fazendo pesquisa... Pelo menos, é o que dizem. É
difícil acreditar, mas eu vi os projetos de pesquisa: alguns
são de coleta de informação sobre paisagem sonora;
outros são dirigidos para a educação pública
das crianças, e ainda há os que tratam do que chamamos
de design de paisagens sonoras... tentando mudar a palheta de sons
de um lugar determinado, trabalhando com arquitetos, alguns são
bastante criativos. Outra área do mundo em que há muita
atividade hoje é a Escandinávia: Finlândia e Suécia...
E há atualmente um Fórum Mundial para Ecologia Acústica,
uma organização internacional que nós começamos,
no Canadá, há uns cinco ou seis anos... Há um
"site" na Internet, onde você pode ler sobre as diferentes
pesquisas que estão sendo realizadas em diversos países...
M.:
- A maior parte das ações que vem sendo tomadas para
afetar ambientes sonoros são responsabilidade de instâncias
governamentais; há as que se estendem pela educação
pública, como falamos ontem, muito importantes nesta busca
de mudança de mentalidade... Como você vê o papel
das rádios nestas ações? Você conhece projetos
que usaram o rádio para produzir este tipo de influência?
Sch.:
- Bom, o rádio é, na verdade, um dos grandes poluidores
da paisagem sonora. Eu gostaria que fosse diferente, mas as rádios,
na nossa situação, hoje, só fazem somar à
confusão, amplificando sons, multiplicando sons. O rádio
não tem sido tratado muito como um instrumento educacional.
Se ele fosse entendido assim, poderia ser muito útil. Poderia
ser útil para instruir o público sobre como ouvir. Tem
havido tentativas de fazer isso. Eu mesmo fiz alguns programas sobre
ouvir e usei o rádio como meio. Umas estações
nos EUA, por exemplo, criaram jogos... a cada dia mostravam uma pequena
capsula de sons e perguntavam aos ouvintes o que era aquilo... onde
é que tinha sido gravado... e davam prêmios para quem
era capaz de identificar os sons. Coisas assim poderiam ser interessantes...
só, por exemplo, para lembrar as pessoas das marcas sonoras
de suas próprias comunidades... tocar certos sons que são
muito característicos de um lugar, no rádio, assim só
para te lembrar que você tem alguma coisa que é tão
singular na tua cidade... Há certas marcas sonoras conhecidas
mundialmente: o som do Big Ben [o relógio da torre do Parlamento
de Londres] seria um exemplo óbvio.... todo mundo conhece esse
som... ele tem um enorme perfil, um ego enorme, por assim dizer...
porque todo mundo sabe, assim que o ouve ... ah, Londres! .... Mas,
eu acredito que há provavelmente sons no Rio de Janeiro e em
outros lugares, que devem ser característicos somente desta
cidade. O rádio podia descobrir esse tipo de coisa e apresentá-
lo às pessoas e torná- las orgulhosas de suas marcas
sonoras, da sonoridade característica da sua cidade, da sua
comunidade...
M.:
- Perguntei pelo rádio, porque li em algum lugar sobre trabalhos
que você desenvolveu com estudantes nesta área. Você
tem realizado projetos experimentais com rádio?
Sch.:
- Sim. Não sou especialmente um produtor de rádio, mas
realizei alguns programas, desde uns trinta anos atrás, suponho...
Aliás, exatamente há duas semanas, ganhei um prêmio
na Alemanha por um programa de rádio chamado "Diário
de Inverno". Foi um estudo que fiz dos sons da parte norte de
Manitoba, uma província do Canadá, no centro das pradarias,
durante o inverno. Fui para lá com gravadores. Viajamos por
dez dias e gravamos sons diversos. Mas o que é especialmente
característico daquela parte do mundo, nesta época do
ano, é que tudo é muito quieto. Você pode ter
uma experiência sonora inacreditável, por exemplo, se
ficar à beira da estrada; num dia calmo, no inverno, talvez
a uns trinta graus abaixo de zero, e um carro vem à distância...
você pode ouví- lo por cinco minutos enquanto ele se
aproxima, e nenhum outro som... só o som daquele carro... e
então ele passa à frente do microfone iiiiiiiiinnnhaaauuuuuuuuummmmm
e continua no horizonte acústico na outra direção
até cinco minutos depois... Você não ouve nada
durante dez minutos além daquele som... Onde, no mundo, você
poderia encontrar um som assim? Em nenhum lugar. Só em Manitoba,
no inverno. Então, isto é um som característico
dali e muito interessante de ouvir, porque é um som singular...
Acho que foi por isso que os alemães deram o prêmio a
esse programa... eles disseram: ele expressa um tipo de paisagem através
do som; você realmente tem a sensação da distância
e do frio e daquela calma, que não é mais parte da experiência
de um europeu, por exemplo. É impossível na Europa...
Então, eu fiz alguns programas de rádio... Eu tenho
também uma teoria, não sei se você conhece esse
artigo, intitulado "Radical Radio", em que eu falo do rádio
fenomenológico...
M.:
- Acho que li sim... você fala de dois tipos de rádio:
um rádio político e um rádio iluminado, ou sagrado...?
Sch.:
- Não exatamente... quer dizer, o rádio sempre existiu.
Existia na Bíblia, porque a voz de Deus era rádio...
Moisés ouvia a voz de Deus, Moisés ouvia uma voz invisível...
M.:
- Todos os povos antigos ouviam os deuses...
Sch.:
- Exatamente. O rádio é uma voz invisível, e
como é uma voz invisível, tem poder e tem influência
sobre as pessoas... influência que pode ser amigável
ou aterrorizante... Às vezes, como sabemos da Bíblia
e de outras mitologias, a voz invisível pode ser bastante assustadora...
a voz invisível pode ordenar algumas coisas... assim. É
um conceito muito antigo. As vezes, essa voz invisível é
como a voz do ditador, ou de uma autoridade implacável, que
governa, que está ordenando que você faça alguma
coisa... E eu acho que isso acontece, por exemplo, no rádio
comercial. Quando ouço rádio comercial, eles estão
constantemente me dizendo para fazer alguma coisa... para comprar
isso, comprar aquilo, para ir ver aquele show ou este filme, fazer
isso ou aquilo... então isto é um tipo de rádio
ditatorial. O que eu estava tentando sugerir era o que eu chamei de
rádio fenomenológico, isto é, um rádio
não- mediado, sem interferência, ou com a menor interferência
possível pela pessoa com o microfone. Se o microfone está
na sua mão e você está fazendo a pergunta, então
você está controlando a entrevista; você só
está me pedindo para responder as perguntas que você
faz. Isso não me dá a liberdade de discutir, ou fazer
ruídos, ou fazer o que eu quiser... Um rádio não-
mediado seria colocar o microfone em qualquer lugar na cidade, num
parque, num restaurante e gravar o que está lá mas não
interferir com o que está lá... Tivemos a idéia,
por exemplo, de colocar microfones na selva, gravar a selva e transmitir
isso no centro da cidade... o que é o contrário do que
fazemos normalmente... quando o rádio está sempre no
centro e transmitindo para as margens, os horizontes distantes...
Assim, só faríamos retomar os horizontes distantes e
transmiti- los para o centro... Tivemos essa idéia muitos anos
atrás, mas agora isso é possível... Isso poderia
mudar a função do rádio... Acho que o rádio
mesmo mudou muito, nos últimos vinte anos... Durante algum
tempo, o rádio era estatal, e portanto um rádio que
dirigia as pessoas de uma certa maneira. Ele também tinha programas...
o que nós chamávamos de programas, quer dizer, ele decidia
que você ia ouvir um determinado concerto, uma seleção
de canções ou uma peça teatral determinada. Então
você ficava em casa e ouvia o rádio. Isso não
acontece mais. Hoje, as pessoas ouvem rádio enquanto estão
em movimento de um lugar para outro, no carro, ou em outro meio de
transporte... E o que isso fez foi acabar com a idéia de programa,
algo que tem um começo, tem um desenvolvimento e uma conclusão...
O rádio tende agora então a ser nada além de
um continuo movimento, sem nenhum começo e sem nenhum fim...
M.:
- Há um movimento político atualmente no Brasil, contra
a maneira como se organiza o controle dos meios de comunicação
- incluindo as rádios - ; um movimento contra a legislação
que regula as telecomunicações, que é muito rígida
e proíbe a multiplicação das vozes. Já
há em torno de 200 rádios livres e comunitárias
funcionando no Rio de Janeiro, a maioria, clandestina, mas o sistema
policial para reprimir esse "comportamento ilegal" não
conta com equipamento suficiente, e as rádios também
mudam de lugar, quando é necessário. Pertencem a favelas,
bairros populares, grupos populares de baixa renda. Tenho ouvido algumas
dessas rádios e o que me impressiona é que, no seu estilo,
elas acabam imitando as rádios comerciais. Na locução,
na maneira de falar dos locutores e apresentadores, e na organização
sonora dos programas... Isso me chocou: freqüentemente o conteúdo
de seu texto é "revolucionário" mas a forma
é uma repetição sem imaginação.
Comentei isso com um dos organizadores- militantes desse movimento
das rádios e sobre a possibilidade de intervir, de ajudar aí,
esteticamente, nesse trabalho... Sei que no Canadá há
uma rede de rádios comunitárias, financiadas pelo governo,
com essa preocupação de uma democratização
das comunicações... como é que isso funciona
lá?
Sch.:
- Às vezes, é financiada pelo governo. Nem sempre. Existem
sim, rádios comunitárias. Há uma rádio
Cooperativa em Vancouver, é uma das mais antigas: foi iniciada
por um grupo de alunos meus. Recebem algum dinheiro do governo, não
muito. E operam assim... alguns programas são bons, outros
não muito bons... eu gostaria que eles fossem mais políticos.
Há um bom número de estações de rádio
universitárias... que recebem dinheiro das Universidade onde
estão. Transmitem numa potência muito baixa, só
se pode ouvi- las num raio de três ou quatro quilômetros.
Há algumas com intenções educativas, algumas
mais intelectuais, mas a maioria só fica tocando música
pop, para encher o tempo. Acho que demora para que se possa desenvolver
sua própria voz no rádio; é incrivelmente importante
que um tipo diferente de rádio tenha um tipo de retórica
diferente, um tipo de voz diferente, como você disse, mas isso
é um processo lento... Se você ouve o presidente dos
Estados Unidos falando no rádio, ou na televisão, o
microfone está sempre muito perto... ele fala com muita intimidade...
como se você fosse amigo dele...você está sentado
no mesmo quarto... vocês estão tendo uma conversa e ele
está te assegurando que o que ele está fazendo é
o que está mais próximo do teu interesse. Sua voz é
muito calma, ele não está gritando com você...
É muito diferente, por exemplo, de quando você ouve um
político russo, ou uma liderança latino- americana...
Eles gritam, o microfone está mais distante, tem mais reverberação
em volta da voz... é como se estivesse falando numa grande
praça, para cem mil pessoas... e ele está tentando excitá-
las com as suas idéias, com o seu governo... Eles precisam
desse tipo de reflexo...
M.:
- Não é mais assim, no Brasil, hoje. Está mais
para Clinton... Tanto o presidente da república quanto os caras
da economia, área estratégica, falam calmamente, com
segurança, próximo de você, como se estivessem
te acariciando...
Sch.:
- Pois, isso é encontrar sua voz, ou encontrar um tipo diferente
de voz política... Se você ouve alguma coisa no parlamento
britânico ou no canadense, que tem a mesma forma arquitetônica...
são parlamentos em que os dois lados políticos estão
face a face... é como uma confrontação, como
um jogo de futebol... e se você ouve o primeiro ministro falar
e qualquer deputado que está contra ele, os dois gritam e berram
um para o outro. Você se pergunta, são realmente pessoas
sensatas, inteligentes, essas aí berrando como crianças;
são esses os nossos governantes? Mas esse sistema vem desde
os dias antes da imprensa e da leitura... As pessoas se encontravam
e discutiam suas questões e tentavam persuadir os outros que
estavam certas, e havia a platéia que participava, tudo era
decidido localmente... Assim, esse tipo de retórica é
diferente da atual... Porque se você ouve o Clinton, ou qualquer
político americano, eles têm um script... Eles estão
lendo de algum texto que alguém preparou... Eu acho essas coisas
muito interessantes porque elas mudam com o tempo e como você
diz, talvez no Brasil, o novo approach é ser mais direto, e
tentar fingir que você é honesto...
M.:
- É. Houve uma mudança no estilo dos políticos,
talvez por causa da televisão, como nos Estados Unidos... Você
falou que as mudanças na retórica, para construir uma
nova voz no rádio, são muito lentas. Mas isso não
poderia ser ajudado, por algum tipo de educação política,
que levasse em conta os aspectos estéticos da comunicação?
Como se poderia trabalhar com estes agentes políticos, para
facilitar que essas mudanças acontecessem. Você já
viu algum projeto desse tipo ou já pensou sobre isso?
Sch.:
- Honestamente, não vi ainda nada parecido. Eu acho que o rádio
poderia ser um instrumento educacional muito mais forte do que é.
Não entendo porque não é assim. Certamente, você
está falando de um tipo de rádio de agit- prop nas favelas,
no Brasil. Se você olhar o movimento agit- prop dos comunistas,
no início da revolução, era um movimento educacional.
Eles entendiam que estavam falando para uma população
com pouco preparo educacional para as questões contemporâneas
e assim eles promoviam uma aproximação didática
com as idéias, com a filosofia, com as idéias políticas,
mas também com a poesia, com as novas direções
nas artes... estou falando dos anos 20 na Rússia, antes de
Stalin... quando havia muita excitação, e os artistas
contemporâneos faziam parte do movimento socialista... Eu acho
que essa revolução de que você está falando
- se é uma revolução - , ela precisa se nutrir
da força das artes contemporâneas e do pensamento contemporâneo.
Não é só uma coisa de políticos, com seus
motivos para tomar o poder... tirar daqui e botar ali. Acho que isso
deve ser um movimento mais amplo. Como fazer isso, eu não sei.
Você sabe, eu já estou muito velho para isso. Se eu tivesse
trinta anos, adoraria me envolver... mas acho que é alguma
coisa que pode ser desenvolvida porque o rádio ainda é
um meio quente. Marshall McLuhan, que eu ainda considero um mestre,
falava dos meios quentes e os meios frios. A televisão é
fria, o rádio é quente... quer dizer, o rádio
tem mais impacto imediato que a televisão. A televisão
é mais textura e cor, mas não tão forte e imediata
como uma voz súbita no rádio pode ser. Para mim, uma
voz escondida é muito poderosa. Eu usei a palavra esquizofonia
para descrever um alto-falante escondido. Esquizofonia, como esquizofrenia
é uma palavra nervosa, é um pouco louco. E eu ainda
acho que em qualquer lugar em que haja um alto-falante escondido e
que subitamente interrompa o que eu estou fazendo, isto é potencialmente
assustador, mas também potencialmente ampliador da intensidade
da experiência... Antigamente, quando você ia falar com
o rei, dizia- se que você ia ter uma "audiência".
"Audiência" vem de "audire", ouvir, porque
você ouvia o rei mas não o via, você ouvia a voz,
mas estava de joelhos, olhando para baixo. E "obaudire"
quer dizer ouvir a partir de baixo; "obaudire", de onde
vem "obedecer". Eu acho que essas palavras expressam muito
bem como o som era usado para controlar as pessoas, no passado.
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