Biografia -- Nasceu na Praça da Alagoa em 12 de Janeiro de 1894
Isidoro Pires foi notável jornalista e fundador do Povo Algarvio.
No Jardim de São Francisco há duas pedras com versos de sua autoria.
No Jardim Municipal um busto e uma quadra recordam a sua excepcional veia poética
Maria, toma cuidado
Vê como pisas o chão!...
Se dás um passo mal dado
Pisas o meu coração
1961 -- Publicação do livro "Versos"
História -- Como Presidente de Câmara tomou muitas iniciativas culturais nomeadamente a criação da Banda Musical de Tavira (1925) e a construção do Parque Municipal
--recinto de recreio e cultura-- no Alto de Santa Maria (Palácio da Galeria).
Roteiro -- Igreja/Convento de São Francisco; Hospital da Misericórdia, Quartel de Tavira (Pombalino)
QUARTEL DE TAVIRA
Tavira tem sido ao longo dos séculos uma cidade com largas tradições militares.
Para não recuar muito no tempo recordamos aqui a enorme importância estratégica da cidade do Gilão durante toda a época gloriosa da Expansão Marítima no apoio que prestava às caravelas que demandavam o Atlântico bem como o facto de ser uma importantíssima base de apoio na conquista e socorro às praças do Norte de África.
Militarmente, Tavira, passa a dispor de primeiras tropas regulares no tempo de D. João I com a criação de um conto de besteiros -- soldados armados de béstas --
A partir do séc. XVIII, Tavira passa a ter de forma permanente um Regimento, mas há notícias de albergar tropas regulares a partir das Guerras da Restauração.
No início do século XVIII, Tavira, recebe uma Companhia de Infantaria e outra de Cavalaria.
D. Afonso V nomeia Eanes Corte Real, coudel (capitão de cavalaria) para Tavira vindo a ser nomeado pelo mesmo rei para alcaide-mor da cidade.
Em 1755 transfere-se para a cidade o mais alto cargo militar e civil da época com a deslocação de forma permanente do Governador e Capitão General do Algarve que se foi instalar no Alto de Santana no edifício que até há pouco tempo esteve ocupado pela PSP ficando o resto do aquartelamento nas casas que ainda actualmente estão ocupadas pela Secção da
GNR.
São muitas, portanto, as tradições militares da cidade e que ganharam redobrada importância com a presença do Capitão General do Algarve.
Foi por isso que em 1795, o então Governador General, Conde de Vale de Reis, obteve do príncipe regente D. João (futuro D.João VI que assumira em 1792 a regência por enlouquecimento de sua mãe, a rainha D. Maria I) o assentimento para a construção de um novo quartel para alojamento do Regimento de Infantaria e que seria construído no sítio da
Atalainha.
Em 1807 aquartela-se na cidade o Regimento de Infantaria 14. Este Regimento com o de Infantaria 2 de Lagos forma a Brigada do Algarve na Guerra Peninsular.
Em 1826 (Lutas Liberais) o Regimento de Infantaria 14 subleva-se e proclama um governo provisório, em nome de D. Miguel. Está à frente do Batalhão, a que se juntaram as forças do Regimento de Caçadores 4 de Castro
Marim, o Visconde de Molelos, que é derrotado sem combate no Sítio do Almargem pelas tropas do Duque da Terceira desembarcadas em Cacela para submeter
os apoiantes algarvios do absolutismo. Na sequência disto o Regimento de Tavira é extinto e pouco depois (1834) o Governo do Reino do Algarve é transferido para Faro
Uma placa colocada sobre a porta de armas recorda o nascimento deste quartel e diz:
"No anno de 1795 a Fidelíssima D. Maria Primeira Nossa Senhora mandou edificar este quartel para se alojar o regimento que guarnece esta praça a instâncias e por direcção do Conde de Val de Reis Nuno José Fulgencio de Mendonça Moura Barreto do Conselho de Sua Magestade Governador e Capitão General d´este Reino do Algarve deputado da Junta dos Tres Estados
do Reino e nomeado Presidente do Tribunal da Mesa de Consciencia e Ordens"
É pois este o actual edifício que fica no caminho de Santa Luzia, com a fachada principal (Porta de Armas) virada para a Rua Poeta Isidoro Pires.
É uma construção rectangular com ampla parada no interior.
Na ala norte fica a porta de armas cuja fachada obedece ao mais puro estilo pombalino com águas furtadas e dois torreões a rematar a fachada, de inegável beleza.
No segundo piso fica a área de comando e no primeiro, a porta de armas e a Sala do Sargento e do Oficial de Dia. Em frente fica a Sala da Guarda e a Sala de Visitas.
A ala sul tem um único piso
A ala poente, fronteira à Rua Dr. Fausto Cansado (Estrada de Santa Luzia) tem dois pisos e as janelas do rez do chão são gradeadas.
Na ala nascente, também de dois pisos, estão as casernas e o refeitório.
No interior há uma vastíssima parada onde se faz a instrução e as cerimónias militares como por exemplo o Juramento de Bandeira.
O Quartel da Atalaia, cuja construção se iniciou em pleno reinado de D. Maria I, não foi logo concluído, nem recebeu de imediato o alojamento de tropas regulares.
Em 1837 estava o novo quartel a servir de hospital de coléricos na tentativa de debelar a epidemia que grassava na região.
Estava nessa altura o Regimento de Infantaria envolvido, nas guerras que opunham miguelistas e liberais, no cerco à cidade do Porto.
Serviu também de apoio ao Quartel do Convento da Graça pois há notícias referentes ao ano de 1837, quando o Batalhão de Caçadores 5, se instalou no Convento da Graça, ter o novo quartel da
Atalainha, servido de dormitório aos seus oficiais.
O comando da Unidade Militar só passou para este quartel no início do actual século.
Paralelamente a estes dois aquartelamentos tinha a instituição militar um campo de treino militar na Atalaia e a Carreira de Tiro no lugar da Senhora da Saúde para além de um armazém da Manutenção Militar
A completar as instalações no edifício do antigo Hospital Militar passou a funcionar a Messe de Oficiais e Sargentos que nos anos 80 sofreu uma completa reconstrução mantendo-se todavia a traça anterior.
E ao longo destes anos foi sofrendo alterações:
Em 1939 o Regimento de Infantaria dá lugar ao Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria
(CISMI) e com a chegada deste novo corpo de soldados, oriundos de estratos sócio-culturais mais elevados, muito vai beneficiar a cidade.
Teve por outro lado que haver novas adaptações e remodelação das instalações.
Assim em:
1950 --É construído o refeitório ao fundo da parada;
1954 --Faz-se o calcetamento da parada;
1964 --Constrói-se o acesso aos torreões da área de comando;
1970 --Construção do segundo piso na área das casernas ( ala nascente e poente );
1979 --Reconstrução da área de comando (ala norte) respeitando-se a traça original.
1989.-- Extinção do CISMI
1989 -- Passa a funcionar como Centro de Instrução para Oficiais
1991 --Desactivação do RIF (Faro)
Actualmente (1999) as suas instalações funcionam como residencial para famílias do pessoal militar.