<%@ Language=VBScript %> PÁGINA DA FAMÍLIA TAQUES

      

 

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Esta página é dedicada à Família Taques de todo o Brasil. Esta foto é do meu bisavô de Pernambuco, do período de 1890-1920. Aqui temos uma lista com nomes de pessoas no Brasil com sobrenome TAQUES. Se o seu nome estiver entre estes da lista, preencha o Livro de Visitas, informando seu Estado de origem. Aqui você tem uma pequena amostra dos Taques que já localizei com seus prováveis locais de origem 

ORIGEM DA FAMÍLIA TAQUES

Sr. Adolfo TAQUES Falcão 

HISTÓRIA DOS TAQUES NO BRASIL

 

 

HISTÓRIA DOS TAQUES NO BRASIL

 

(Este texto foi extraído do Livro A CAPITAL DA SOLIDÃO - Uma história de São Paulo das origens a 1900, de Roberto Pompeu de Toledo)

 

Capítulo XI

 

RUAS EM POLVOROSA

 

PEDRO TAQUES pertencia à segunda geração de uma família cujo patriarca, do mesmo nome, chegara ao Brasil em 1591, na comitiva do governador-geral, D. Francisco de Sousa. Para se ter idéia de onde se originam algumas das famílias coloniais brasileiras, este nome Taques é na origem Tacks, ou Tassis, e deita raízes na região de Flandres, ter­ritório da atual Bélgica. Não é o único sobrenome da época cujas ori­gens remetem àquelas paragens. O nome Leme, aportuguesamento de Lems, igualmente provém de Flandres, cujos comerciantes mantinham freqüente contato com Portugal. Pedro Taques, o primeiro, casou em São Paulo com Ana de Proença, filha de Antônio de Proen­ça, aquele que seqüestrou a freira.1 O segundo Pedro Taques, o que aqui nos interessa, já estava casado — com uma irmã do grande Fernão Dias Pais — e teria entre 30 e 40 anos quando se deu o crucial fato que aqui será narrado. Antes, porém, como no boxe, em que se introduz quem se posta de um e outro lado do ringue, antes de iniciar-se a luta. pois é de luta que se trata, apresentemos seu contendor.

Do outro lado temos Fernando de Camargo, cognominado “o Tigre”, e o apelido já dá idéia do tipo. Fernando de Camargo era tam­bém de uma segunda geração de assentados na vila. O pai era o espa­nhol José de Camargo, chegado a São Paulo na esquadra de Flores de Valdes -— aquela mesma na qual veio o malfadado irmão Diego — e aqui estabelecido entre 1582 e 1583. A mãe era Leonor Domingues Carvoeiro, filha de Domingos Luís, o Carvoeiro, outro personagem já nosso conhecido. Se ainda hoje costuma-se exclamar, com espanto, ”Como o mundo é pequeno!”, imagine-se naquele tempo e naquele lugar. Todos conheciam todos, todas as escassas famílias se imbrica­vam com todas. Fernando de Camargo foi um dos chefes da devastadora expedição que, em 1636/1637, os paulistas desfecharam na região do Tape. Nos períodos em que sossegava das correrias no mato, ocupou diferentes cargos no governo da vila. Neste ano de 1640 em que nos situamos é juiz ordinário, o cargo mais prestigioso do gover­no municipal. Está no auge. Nos confrontos contra os jesuítas, não só dentro da vila, mas também nas ocasiões em que saía para caçar indí­genas sertões afora, o Tigre foi sempre um campeão. Coube-lhe o papel de cabeça do movimento contra a Companhia que, neste ano, no mês de julho, teve seu desfecho na expulsão dos padres.2

­Indomável Tigre. Num cálculo impreciso, à falta da documenta­ção a respeito, pode-se arriscar que estaria se aproximando dos 40 anos, no momento que nos interessa. Desde 1627 está casado com Mariana do Prado, filha de outro espanhol, João de Santa-Maria. Indomável e insaciável. Passados alguns meses da expulsão dos jesuítas, eis que ele agora se envolverá numa disputa sangrenta com Pedro Taques, evento que, tanto quanto o conflito contra os padres, terá duradouras e profundas conseqüências. O cenário muda, mas muda para perto. Não é mais o pátio do Colégio, onde se deram as concen­trações contra os jesuítas, mas o vizinho largo da Matriz. E o dia seria algum entre fins de agosto e começo de outubro de 1640.3 Encontrando-se ambos, Pedro Taques e Fernando de Camargo, no Largo da Matriz, diante da porta da igreja, eis que se estranharam, se provocam, se inflamam, se insultam - e logo sacam das espadas e adagas. Segue-se uma luta encarniçada, e não só entre os dois. Vai juntando gente, a indiada de cada lado, mais parentes e aliados que acorrem em socorro de um e outro, igualmente inflamados, igualmente provocando-se uns aos outros, insultando-se, lançando-se em mortal assalto uns contra as goelas dos outros. De repente, era Rorneu e Julieta, Ato I, Cena I. A praça de Verona tornada pela fúria de duas gangues rivais, espada tinindo contra espada, braço contra braço, o chão da vila tingindo-se do sangue, só que uma Verona rude, sem castelos, sem nobres, nem duelantes com punho de renda a brandir a espada. Outra diferença é que a Luta não se conteve na praça. Foi se deslocando, invadindo outras ruas, becos e largos. Imagine-se boa parte do que viria a ser o cen­tro velho de São Paulo tomado por uma batalha campal. E o curioso é que os contendores iam percorrendo a vila em circulo, corno que impulsionados pelo rodopio de um carrossel. Ao fim desse “vicioso círculo”, como escreveu o cronista que deixou o relato original do episódio, voltaram ao mesmo lugar onde a luta se iniciara.4  Corpos jaziam pelo chão. Muitos foram os mortos, nesse dia. No entanto. “grande foi a providência oculta de Deus”, segundo o cronista, e poupou os dois principais contendores.5 Não são necessários dotes de adivinho para supor que a grande maioria dos mortos terá sido de índios, os peões das batalhas desse tempo e lugar. Não foi desta vez que rolou o sangue de urna figura de respeito como Pedro Taques, nem de um chefão indômito como Fernando de Camargo.

O  desacerto entre os dois teria estourado naquele momento ou já vinha de longa data? Tudo indica que era antigo. Havia entre eles, como se verá, agudas diferenças, que desaguavam em disputas pelo controle da Câmara. Há ainda historiadores que levantam a hipótese de que esta briga se mistura com a outra, travada em torno dos jesuítas - sendo Pedro Taques aliado dos padres, enquanto Fernando de Ca­margo seria o maior de seus inimigos. O fato é que, com o enfrentamento do largo da Matriz, eclodiu em sua forma armada um conflito que, opondo em dois bandos inconciliáveis as mais ricas e influentes famílias do lugar, iria marcar a história da vila pelas décadas seguintes - a guerra entre os Pires e os Camargos. Pedro Taques não tinha Pires no nome, mas se aparentava e se aliava com essa família. Não é à toa o que se fez, no parágrafo anterior, referência a Verona. Tal qual na cidade dos Capuletos e Montecchios, São Paulo foi tomada por urna guerra de clãs. Guerras de família são tão velhas quanto às sociedades humanas. Tanto mais sangrenta quanto à influência dos clãs se põe acima das leis, elas se desenvolvem em lances tão encadeados quanto um jogo de xadrez, em que o movimento do primeiro jogador embute o convite ao movimento do segundo, e o deste de novo ao do primeiro e assim por diante. Seu locus por excelência são as comunidades rurais, como era a São Paulo do tempo sob nossa atenção. Em certas civilizações, tais guerras originaram rituais macabros, como vingar o assassino sobre o túmulo da vitima, de maneira que compensasse com o próprio sangue o prejuízo causado ao ofendido, e este pudesse enfim descansar em paz.6 No Ceará, em Pernambuco e um pouco por toda parte, no Brasil, há registros de guerras familiares, algumas tão compridas que se prolongaram até o século XX. A de São Paulo é das mais dramáticas. Pedro Taques e Fernando de Camargo. os dois valentões que lhe deram início, acabaram saindo ilesos daquele confronto inicial, mas nem por isso sossegaram. Mais ainda, depois daquele episó­dio, foram-se acumulando os ódios, fermentados no íntimo de cada um ou nos conciliábulos com os parentes e aliados. No ano seguinte, no mesmo largo da Matriz, explodiria o segundo encontro entre os dois - curto, desta vez, rápido, fatal. Estava Pedro Taques a conversar com um amigo, junto à porta lateral da igreja. quando veio Fernando de Camargo. Taques não teve tempo para sacar da arma. Não pôde esboçar reação. A traição, Camargo enterrou-lhe a adaga às costas. Pedro Taques morreu bem ali, junto à matriz, no coração da vila. Para conferir mais ressonância e simbolismo ao sacrifício, não haveria lugar melhor.

O biênio 1640-1641 na vila de São Paulo é prenhe de incidentes aos quais a posteridade daria o estatuto de eventos históricos. A expulsão dos jesuítas soma-se à eclosão da guerra entre Pires e Camargo. E a estes dois sorna-se um terceiro, para cujo entendimen­to é preciso lembrar que o ano de 1640 é um marco na história de Portugal. E o ano da Restauração. Depois de 60 anos, Portugal liber­ta-se do domínio espanhol, graças a um movimento que levará ao trono o duque de Bragança, coroado como D. João IV. Voltam a tri­lhar destinos separados as duas potências ibéricas, e isso, como não poderia deixar de ser, terá fundas repercussões nas colônias portugue­sas, O golpe que restaura a situação anterior a 1580 deu-se em Lisboa em 1O. de dezembro de 1640. A noticia chegou à Bahia em 15 de fevereiro do ano seguinte, e ao Rio de Janeiro a 10 de março. A São Paulo, terá chegado cerca de uma semana depois.8 Foi possivelmente em meados do mês seguinte que ocorreu o curioso episódio da acla­mação, na vila, de um rei que não era nem português nem espanhol - mas paulista. E a história de Amador Bueno, o “aclamado”. O homem que não quis ser rei, dizem os admiradores, enaltecendo-lhe a modéstia. O homem que não quis ser rei, replicariam os céticos, porque não havia reino, nem trono ou coroa que valessem o custo de tentar vaibilizá-los.

Amador Bueno era o filho mais velho de um espanhol de Sevilha, Bartolomeu Bueno da Ribeira, chegado a São Paulo logo nos anos, em 1571. Amador Bueno da Ribeira, este o nome comprou, acumulou bens e poder Tinha “debaixo de sua administração muitos centos de índios”, nas palavras do principal cronista das famílias paulistas, índios esses que tinha “convertido à nossa fé pela indústria, valor e força das armas”.9 Que esplêndida reunião de eufemismos, numa unica frase! Os índios não eram escravos - estavam sob sua administração. E haviam sido reduzidos a essa condição pelo motivo piedo­so, tão invocado, no período, de convertê-los à fé católica. O trabalho de seus muitos centos de índios permitia-lhe dirigir um empreendimento agropastoril de porte, para a época e o local, no qual se destaca­va, previsivelmente, a produção de trigo, mas que incluía ainda as cul­turas de milho, feijão e algodão e a criação de vacas e cavalos. Também criava ovelhas, cuja lã servia para a fabricação de um certo tipo de chapéu grosso que era característico de São Paulo.10 “Homem bom” de tão sólidos cabedais e tal poderio em índios sob suas ordens, Ama­dor Bueno não poderia deixar de participar da administração da capi­tania e da vila. Ocupou vários cargos, inclusive o de capitão-mor da capitania de São Vicente, na década de 1630. Foi casado com Bernar­da Luis, filha de Domingos Luís, o Carvoeiro - como esse mundo á pequeno! -, com quem teve nove filhos, e seu quartel-general, onde mantinha seus índios, as plantações e criações, ficava numa extensa fazenda no Mandaqui, bairro situado lá do outro lado do rio Tietê.11 ”Corno descendente de espanhol, suas relações mais estreitas eram com as numerosas famílias dessa extração que habitavam São Paulo. Lembremos que a vila, ponto de partida dos caminhos terrestres que conduziam ao Prata, ao Paraguai e mesmo ao Peru, teve desde a fun­dação intercâmbio significativo com as regiões de colonização espanhola da América do Sul. A isso se acrescenta que, no período de união das coroas ibéricas, intensificou-se o trânsito de súditos espanhóis e sua.....

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