DE VOLTA À ALEMANHA DE HITLER
Parte I
O Projeto "Time for Angels"
Uma Explicação do Autor:
Vencer a barreira do tempo, permitindo ao Homem se deslocar, fisicamente, ao passado, foi sempre um sonho embalado pelos cientistas. O que será exposto neste livro, não passa de uma ficção, criada pela mente do autor. Porém, uma viagem a outras épocas, hoje apenas um desejo, talvez venha a ser, no futuro, uma realidade. Impossível? Talvez,, contudo.... Quem diria, dois séculos atraz, que, na atualidade, disporíamos de televisões, computadores, aviões à jato, artefatos nucleares, visitaríamos a Lua, realizaríamos transplantes de órgãos e possuiríamos naves, tripuladas ou não, percorrendo o sistema solar ?
Por outro lado, conquanto evidências circunstanciais nos levem a crer que, no final da segunda guerra mundial, no teatro europeu, Adolf Hitler e Eva Braun morreram no Bunker de Berlim, nunca isso foi comprovado de forma insofismável. E há muita gente que acredita que o Fuhrer e sua esposa-amante escaparam, na penúltima hora, da semi-destruida capital do Terceiro Reich. Aonde repousa a verdade? Em um dos enígmas da História!
Introdução
Na zona californiana do deserto do Mojave, existe uma uma área de cerca de 100.000 m2, constituindo uma espécie de "campus", totalmente cercada por muralhas e protegida por uma imensa parafernália de detecção, além de guarnecido por um batalhão da polícia especial da força aérea norte-americana. Quem chega ao seu portão de entrada depara com os dizeres: INSTITUTO DE PESQUISAS CLIMÁTICAS DA FORÇA AÉREA DOS ESTADOS UNIDOS - ENTRADA PROIBIDA.
A proibição se materializa através de um portão de ferro maciço tendo, do lado de dentro, em um dos cantos, uma guarita ocupada por dois soldados e um sargento, portando armas automáticas e prontos para, se necessário, disparar um alarme que logo trará, à entrada do perímetro, carros blindados e veículos, com dezenas de soldados munidos dos mais sofisticados armamentos. O topo do muro contínuo, formado por espessas camadas de cimento, é eletrificado de ponta a ponta e quem quer que se atreva a escalá-lo, se não estiver adequadamente protegido com uma roupagem especial, será instanteamente fulminado pela descarga de alguns milhares de volts.
Dentro do "campus" existem escritórios, gabinetes, um centro de controle de vôo, salas de conferência, alojamentos, um posto de saúde, dois mercados, um minishopping, áreas de lazer, um bairro residencial - com pequenas mas confortáveis casas para cientistas e militares, um naveporto, um heliporto, oficinas e laboratórios de diversas naturezas, supridos do que há de mais moderno em termos de física quântica e mecânica, química, biologia, engenharia espacial e outras especialidades científicas. Existe, ainda, uma escola, onde duas professoras da aeronáutica ensinam as matérias do primeiro e segundo graus aos filhos dos profissionais que vivem no complexo. Aqueles já na fase de terceiro grau, moram em suas próprias universidades, passando parte das férias no instituto, residindo com seus pais, durante esses períodos.
Diferentemente do que indica o nome que o complexo ostenta em sua entrada, o local não se destina a estudos climáticos. Seu escopo vai muito além. Na verdade, a razão fundamental da sua existência consiste na elaboração e execução do mais fantástico, pretencioso e audacioso projeto, jamais concebido pelo homem: a construção de um módulo capaz de romper, simultaneamente, as barreiras do tempo e do espaço. Dito de uma forma mais simples, uma nave com a capacidade de se deslocar para qualquer época do passado, em qualquer lugar do planeta terra e, depois, retornar ao seu local de origem, no tempo presente. Com a finalidade de executar viagens um tanto parecidas com aquela que J.J.Benitez imaginou, em seu livro "Cavalo de Troia", porém dela diferindo em dois pontos essenciais:
1o) O deslocamento concebido pelo escritor espanhol foi de caráter parcial, já que seu imaginário módulo se deslocava no tempo, mas não no espaço - a fictícia ida à Jerusalém do século I partiu da Jerusalém do século XX.
2o) O Projeto "Time for Angels" não se situa no contexto do imaginário - a viagem, que terá como ponto de partida o deserto do Mojave e, por destino, um tempo e local a serem ainda definidos, será real, tão real quanto o módulo que a realizará. Isto é, se os testes que começaram a ser iniciados, comprovarem a sua viabilidade.
Uma explicação detalhada de como uma tal nave pode ser construida e de como ela funciona, exige um grau tão profundo de conhecimento das especialidades científicas inerentes ao processo que, com a exceção dos planejadores do projeto, ninguém no mundo - atrevo-me a dizer - conseguiria compreender. Basta que se diga que as maiores inteligências científicas dos Estados Unidos, trabalhando em conjunto e dispondo de uma verba superior a um trilhão de dólares, bem como de todos os recursos tecnológicos existentes, levaram vinte e um anos para dar início aos primeiros testes. Limitar-nos-emos, portanto, a enunciar que a construção e funcionamento da nave envolvem o emprego de inúmeros fatores, como a teoria da relatividade de Einstein, a propulsão nuclear, a energia solar, a força gravitacional, o movimento de rotação da terra, o número de kms que nosso planeta percorre numa volta completa em torno do sol e, principalmente, a criação de um campo eletro-magnético, acionado a partir do Centro de Controle ou da própria nave, levando a uma simultânea e total inversão da polaridade dos elementos subatômicos do módulo e de todas as coisas e seres no seu interior. Algo assim como a formação de uma anti-matéria que, depois, volta à condição de matéria, cada uma das etapas acontecendo numa velocidade superior à da luz no vácuo absoluto.
O primeiro módulo construído é relativamente pequeno, um pouco maior do que a cabine da nave espacial Columbus da NASA. Para iniciar e terminar a jornada são utilizados propulsores nucleares que fazem o módulo subir verticalmente, antes de se "desmaterializar" e descer até o solo, também na vertical, após sua "rematerialização"
Prólogo
14 de Junho de 2005
Nesta manhã será realizado o primeiro teste de campo (teste alfa) do Projeto "Time for Angels", objetivando efetuar um deslocamento espaço-temporal do módulo: com a nave estacionada no naveporto do Instituto, os computadores do Centro de Controle foram ajustados de modo a deslocar o módulo para30 0 kms à oeste e para setenta e duas horas antes. No dia 11 de junho, câmeras de vídeo foram colocadas em uma área remota, situada, precisamente, a 300 kms à oeste do naveporto e monitorizadas por computadores localizados nesse mesmo Centro de Controle.
Capítulo 01
Paul Mordush, nascido 67 anos antes, na pequena localidade de Painsville, situada alguns quilômetros à leste da cidade de Cleveland, no estado de Ohio, era filho único de um casal que migrou para os Estados Unidos no início do século XX. Seu avô, Jonathan Mordush, iugoslavo de nascimento, havia se formado em física pela Universidade de Moscou, fora depois morar em Paris, trabalhou por muitos anos na Sorbonne, e acabou por se tornar um dos mais respeitados físicos "newtonianos" da Europa de então.
Seu único filho, George, seguiu a carreira do genitor e, conquanto católico por batismo, casou-se com uma jovem colega, Sara Brownstein, órfã e de origem israelita. Logo após a morte dos pais de George, começou a se desenvolver, no continente europeu, um forte sentimento anti-semita. Temeroso pelas dificuldades que Sara poderia vir a passar, George decidiu emigrar com ela para a América.
***
George e Sara estabeleceram-se no estado de Ohio e, graças a bagabem científica que trouxeram da Europa, logo conseguiram emprego na Western Reserve University, em Cleveland. Foram morar numa cidade próxima, a pequena Painsville, onde, um ano após a chegada deles à America, Sara deu a luz a um menino, Paul, o primeiro e único filho do casal.
George viria a ser um eminente especialista em física nuclear, tornando-se assistente de Oppenheimer, exatamente quando, durante a segunda guerra mundial, os Estados Unidos iniciaram o Projeto Manhattan, visando a construção da bomba atômica. Na companhia de seu chefe, de Fermi e de outros cientistas e militares, George participou da experiência que, num êrmo vale do Novo México, fez explodir, em 16 de julho de 1945, o primeiro artefato nuclear da história. Alguns anos mais tarde, o jovem Paul, seguindo os passos do pai e do avô, ingressou no Instituto de Estudos Avançados de Princeton, para estudar física. Ainda em tempo de ter, entre seus professores, um homem chamado Albert Einstein, de quem Paul se tornaria amigo e assistente e que o inspiraria a se especializar em mecânica quântica.
O esguio. elegante e brilhante cientista foi se destacando, cada vez mais, em seu campo de trabalho, até que, quinze anos depois de formado, deixou Princeton para aceitar um importante cargo no Centro de Comando e Controle da NASA, em Houston, Texas. Quis o destino ou o acaso que, não muito mais tarde, Paul se apaixonasse e viesse a desposar uma jovem da elite da cidade, Barbara Thompson, filha de J.R.Thompson, senador republicano pelo Estado do Texas e futuro presidente da Comissão de Defesa do Senado dos Estados Unidos.
*****
Capítulo 02
Quando o genial Carl Sagan criou o "Clube do Cosmos", o qual viria a ser popularmente conhecido na comunidade científica norte-americana como "The Team of the Seven Nuts" - "O Grupo dos Sete Loucos", Paul e seu colega de turma em Princeton, o também físico quântico Alan Smith, foram convidados por Sagan para ingressar no Clube e fazer companhia a ele e aos também eminentes cientistas, Bruce Richardson, Joseph Madox, Newton Ehrlich e David Kennedy.
Durante anos, debateram e discutiram. Os tópicos mais comumente abordados eram a origem do universo, as viagens espaciais e a possibilidade de se construir uma nave capaz de vencer a barreira do tempo.
***
16 de julho de 1984
J.J. Benitez publicara, recentemente, seu maior 'best seller', uma ficção chamada "Operação Cavalo de Troia". Na reunião do Clube, naquele dia, comentando a respeito do livro, Kennedy disse aos colegas:
- Bem "bolado", mas um sonho impossivel de ser realizado, pelo menos durante nosso tempo de vida.
Carl Sagan sacudiu a cabeça, sorriu e contestou:
- Discordo, meu amigo. Eu acho que, se pudéssemos começar a trabalhar, agora, na elaboração de um projeto nesse sentido, contando com os recursos necessários e com uma super-equipe, dentro de uns vinte a vinte e cinco anos, a gente conseguiria realizar, de verdade, a ficção imaginada pelo Benitez.
- Carl, você está mesmo falando sério? Já pensou na fortuna que um tal projeto custaria? Seriam necessários dezenas ou mesmo centenas de bilhões de dólares...e sem nenhuma garantia de sucesso. Quem bancaria uma quantia dessa ordem? - argumentou Madox.
- Claro que estou falando sério. - respondeu Sagan - E pouco importa se o projeto pode custar bilhões ou trilhões de dólares. Diante do que isso representaria para a ciência e para o destino da humanidade, o custo é irrelevante. Um avanço científico dessa natureza não tem preço, Joseph. E quanto ao "quem bancaria", estou pensando no Pentágono. Se os militares entenderem que um módulo capaz de vencer a barreira do tempo pode vir a ser usado para fins bélicos, eles não só aprovarão, como também lutarão pela execução do projeto.
Alan Smith falou pela primeira vez:
- Bem, que a idéia parece absurda, parece. Mas, na verdade, a gente vive falando a respeito disso há muito tempo. Logo...
A voz sonora de Bruce Richardson se fez ouvir:
- A idéia do Carl é um sonho maravilhoso demais para ser deixado de lado. Se é ou não possivel, .é cedo para se dizer. Mas acho que devemos ao menos tentar. Já imaginaram o que significaria caminhar no tempo, ser testemunha ocular dos fatos e re-escrever a história como ela realmente aconteceu? Afinal de contas, não somos considerados, por muitos, um bando de lunáticos sonhadores? Pois bem, é gente como a gente que faz a civilização marchar para a frente.
Bruce calou, emocionado com suas próprias palavras. Seguiu-se um longo silêncio, interrompido por Newton Ehrlich, que se manifestou pela primeira vez:
- OK, pesssoal. - disse ele - Mas antes de começarmos a fundir nossas cabeças, imaginando como conseguir os recursos necessários para iniciar esse maravilhosamente adoidado projeto, que tal votarmos sobre a questão da sua viabilidade? Quem achar que ele tem, pelo menos, cinquenta por cento de possibilidade de dar certo, diga "sim". Quem julgar o contrário, diga "não". Um de cada vez. Eu fico por último.
Sete "sim" foram ouvidos em sucessão. A proposta havia sido unanimemente aprovada pelo "Team of the Sevem Nuts".
Com o entendimento de que nenhuma palavra do que haviam discutido poderia ser passada a quem quer que fosse, a reunião foi encerrada
*****
Capítulo 03
23 de julho de 1964
Uma semna depois, o "Clube" voltou a se reunir. Dessa vez, Paul Mordush assumiu, expontaneamente, a direção dos trabalhos. Ele começou perguntando:
- Alguém mudou de opinião em relação a gente tocar para diante a idéia do Carl ?
Recebeu um uníssono "não" como resposta.
- Ótimo - prosseguiu Paul - Como pensei muito sobre o assunto, durante os últimos sete dias, concluí que existem três pontos essenciais a serem logo estabelecidos. Primeiro: com exceção das pessoas que deverenos abordar para tentar obter os recursos necessários para iniciar o projeto, ninguém deverá tomar conhecimento sobre o que estamos pretendendo realizar. De acordo ?
Seis cabeças fizeram o mesmo gesto de aprovação. Paul continuou:
- Segundo : precisamos sondar alguém de pêso no Pentágono e vender a ele o nosso peixe. Algum de vocês conhece esse "alguém"?
Sagan ergueu o braço.
- Carl tem a palavra.
- Sou amigo pessoal do general-brigadeiro George Lambert. Ele tem mestrado em física, uma mente aberta, é muito inteligente e está, no momento, ocupamdo o cargo de representante da Força Aérea no Estado-Maior Conjunto. Estou certo de que, mesmo que não queira ou não possa nos ajudar, guardará segredo sobre o que viermos a conversar. Se vocês aprovarem, estou pronto a ir falar com o general, o mais cêdo possível.
Mordush gesticulou para os outros membros do grupo e perguntou:
- Todos concordam que o Carl entre em contato com o general ?
Todos assentiram favoravelmente. Paul prosseguiu:
- Ainda dentro desse segundo ponto: embora o apoio dos militares seja fundamental, precisamos também do endosso do Presidente e do Congresso. Afinal, quando tivermos definido o que vamos precisar para elaborar e executar o projeto, vai caber ao executivo e ao legislativo aprovar a verba necessária. E como o projeto certamente deverá ser considerado secreto e confidencial, ela terá de ser inserida dentro de orçamentos não especificados. Provavelmente nos da Força Aérea, a quem, certamente, caberá a direção administrativa do projeto. Dai a proxima pergunta: como vamos abordar a Casa Branca e a Colina* ?
Sagan soltou uma garghalhada e disse:
- Paul, meu caro Paul, quem melhor do que você, que é casado com a filha do presidente da Comissão de Defesa do Senado ?
Mordush enrubesceu. Sorriu um tanto sem jeito e falou:
- Você está certo, Carl. Barbara e eu vamos passar o próximo fim de semana na fazenda de meus sogros. Estão de acordo que eu aproveite a ocasião para revelar ao senador James Thompson os nossos planos e pedir a ajuda dele ?
Todos estavam.
Mordush respirou fundo e prosseguiu:
- Muito bem. Antes de entrarmos no terceiro ponto, que tal darmos um nome para o projeto? Carl, você é o "pai da criança". Que nome sugere?
Sagan não se fez de rogado:
- Já andei pensando nisso. Minha escolha é "Time for Angels". Alguém quer sugerir outra denominação?
Após algum tempo de silêncio, Madox falou:
- Parece que a ninguém está ocorrendo outra sugestão. Logo, sugiro que o nome apresentado pelo Carl seja aprovado por unanimidade. Concordam?
Todos concordaram. Mordush retomou a palavra:
- Muito, bem, Uma vez que o projeto já tem nome, passemos ao terceiro ponto: a relação dos cientistas que, caso a idéia vá adiante, deverão compor a equipe. Quero lembrar que trata-se de um projeto a longo prazo: no mínimo uns vinte anos. Logo, a idade e o estado de saúde são dois fatores a serem levados em conta. O ideal é que todos os que iniciarem o projeto vivam o tempo suficiente para vê-lo completado. Assim, sugiro que nenhum dos participantes tenha mais de cinquenta anos e que cada um passe por um rigoroso exame médico, antes de ser incluido no grupo. Submeto, agora, essa proposição a todos vocês. Quem estiver de acordo, diga "sim".
Mais uma vez, sete "sim" foram ouvidos em sucessão.
Mordush tinha ainda algo a acrescentar:
- Carl, você é o pai da ideia e conhece bem o "set" científico nacional. Pense no tipo de gente que vamos precisar, definindo suas especialidades e levando em conta o fator etário. Óbviamente, os que vierem a ser convidados e aceitarem, terão de passar por um exame médico e, mais adiante, se, como desejamos, o Projeto "Time for Angels" for em frente, pelo inevitável crivo do FBI. Tenha tudo isso em mente, quando fizer a seleção, certo? Quanto tempo acha que necessita para nos trazer uma relação?
Sagan ficou pensativo por alguns minutos e disse:
- Nossa, passei raspando. Estou fazendo cinquenta este ano. - abriu um largo sorriso e prosseguiu - Bem, escolher a quem convidar, não levará muito tempo. O mais demorado será descobrir por onde andam e conseguir entrar em contato com eles. Direi a cada um apenas o mínimo necessário para despertar o interesse, informando que, se aceitar, ainda terá de aguardar algum tempo para ser convocado. Acho que posso trazer uma lista preliminar, para a gente discutir sobre os nomes, dentro de...digamos, dois meses. Nesse ínterim, vou procurar o general. Está bem assim?
Mordush fez um gesto de concordância, no que foi acompanhado pelos demais.
E, assim, terminou a segunda reunião de debates sobre o Projeto "Times for Angels". A próxima ficou marcada para sessenta dias depois.
* - A Colina ou 'The Hill" - expressão pela qual são conhecidas as duas casas (senado e câmara dos representantes) que compõem o congresso norte-americano
*****
Capítulo 04
No dia seguinte ao da reunião do "Clube", Carl Sagan ligou para o Pentágono e disse ao general-brigadeiro George Lambert que precisava conversar com ele, com certa urgência. O militar perguntou ao seu amigo cientista se este poderia ir jantar em sua casa, no elegante bairro de Georgetown, em Washington D.C., no dia seguinte. Recebeu um "claro que sim" como resposta.
***
Após o jantar, os dois homens pediram licença à Sra. Christine Lambert e dirigiram-se ao escritório privativo do general. Após estarem acomodados em confortáveis poltronas, o oficial disse:
- Muito bem, Carl, que história urgente e confidencial é essa que você tem para me contar?
Sagan sorriu e respondeu:
- É exatamente isso que ela é, George, urgente e confidencial.
O outro ergueu o sobrolho e ordenou:
- Se é assim, então desembucha logo.
Carl curvou-se ligeiramente para a frente, soltou um discreto pigarro e começou a falar. Contou, detalhadamente, tudo a respeito do Projeto "Time for Angels". Quando o cientista terminou, o general se ergueu, foi até um pequeno bar e voltou trazendo dois copos com cerveja. Entregou um ao visitante, serviu-se de um amplo gole do outro e falou:
- Se outra pessoa me contasse o que você contou, eu chamaria a polícia e mandaria que essa pessoa fosse imediatamente internada num hospício. Mas, em se tratando do genial Sagan, só me resta fazer uma pergunta: Carl, você acredita mesmo ser possivel construir e fazer funcionar uma nave capaz de romper a barreira do tempo?
Sagan contemplou seriamente o seu interlocutor e respondeu:
- Sim, George, acredito piamente.
- E quer o meu auxílio ?
- Sim.
- Pode me dar uma razão para que eu o faça ?
Sagan tomou um gole da cerveja e disse:
- George, a nave que queremos construir irá se mover tanto no tempo qusnto no espaço. Já imaginou a força aéra norte-americana dispondo de um módulo capaz de se deslocar, na hora que desejar, para qualquer local que escolher e, chegado ao alvo, desembarcar espiões ou "comandos" e voltar à base, em questão de segundos, sem ser detectado por nenhum sistema de radar deste mundo ?
George Lambert ficou um longo tempo olhando perplexo para o cientista, procurando digerir a informação que acabara de receber. Finalmente, piscou os olhos, foi até Sagan, pôs a mão em seu ombro e disse, agora sorridente:
- Nossa, Carl, a posse de módulos com essa capacidade daria aos Estados Unidos uma superioridade tática e estratégica, muito acima da de qualquer outra potência deste planeta..
Lambert fez uma pausa e concluiu:
- Comprei o seu "peixe", Carl. Pode tratar de arrumar o encontro com o senador Thompson. Depois a gente pensa a maneira de vender nosso "peixe" para o Presidente.
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Capítulo 05
Paul e Barbara chegaram na fazenda dos Thompsons, situada alguns quilômetros à leste de Dallas, na noite de sexta, ainda a tempo para jantarem com o senador e sua esposa Nancy. Na manhã seguinte, enquanto mãe e filha ficavam na casa, pondo em dia as fofocas e boatos sociais e politicos de Washington e Houston, o senador Jerry e seu genro sairam para uma caminhada pelos arredores da casa, trocando banalidades. Quando já se encontravam a uma distância suficientemente distante para não serem ouvidos por terceiros, Thompson adotou uma expressão grave e disse:
- Seu telefonema ontem pela manhã deixou-me preocupado. Você falou que tinha um assunto muito sério para conversar comigo. O que está acontecendo? Algum problema em relação à Barbara?
Mordush sorriu e respondeu:
- Perdoe-me, senador, ter-lhe causado alguma preocupação. Fique tranquilo, nada tem a ver com a minha mulher. Ela está mais sadia e alegre com a vida do que nunca.
Os músculos no rosto de Jerry Thompson relaxaram.
- De que se trata, então ?
- Tem algum lugar por aqui aonde a gente possa se sentar?
- Claro, logo adiante. Uma espécie de quiosque provido de bancos e cadeiras de ferro. Vamos até lá.
Andaram mais uns cem metros pelo asfalto, entraram num atalho de pedra à direita e foram dar no local. Acomodaram-se em duas cadeiras, um de frente para o outro. Paul começou:
- Senador, inicialmente, preciso da sua garantia de que o tema dessa nossa conversa será mantido no mais absoluto sigilo. Nada deverá ser contado - fez uma pausa e prosseguiu - nem mesmo para sua esposa. Barbara também nada sabe a respeito. Quando eu expôr do que se trata, o senhor entenderá a razão da necessidade de se guardar total segredo sobre o assunto
Thompson respirou fundo.
- Está bem, Paul, dou-lhe a minha palavra, mas acabe de vez com esse mistério ou vou infartar, vitimado por excesso de curiosidade.
- Certo. Semanas atrás, em uma das reuniões do "Clube do Cosmos" ...
E Paul contou tudo sobre o Projeto "Time for Angels", nos mínmos detalhes. E, já tendo sido notificado por Carl, sobre o resultado da conversa que ele tivera com George Lambert, acrescentou essa informação.
Quando terminou, o senador teve uma reação parecida com a do general, após a dissertação de Sagan:
- Paul - indagou ele - você realmente acredita que isso seja possivel ?
O físico encarou o sogro.
- Sim, senador, acredito.
- E vocês querem não só o apoio do Lambert, mas também o meu, certo ?
- Certo.
O senador ficou um longo tempo pensativo. Ele não via no projeto - que lhe parecia uma coisa meio maluca, tendendo mais para a ficção do que para a realidade - nenhuma vantagem política, mas entendeu, de imediato, o que "Time for Angels" poderia significar do ponto de vista militar. E Thompson era um daqueles patriotas que se preocupavam com a ameaça que potências emergentes, como a China ou a India, poderiam representar, no futuro, para os Estados Unidos. Além do que, tendo sido historiador antes de ingressar na política, sentíu-se fascinado com a ideia de uma nave capaz de vencer a barreira do tempo e proporcionar a oportunidade de se voltar ao passado para desvendar a verdade sobre inúmeros fatos obscuros da História.
Thompson afastou o momentâneo devaneio, suspirou e disse:
- Você ganhou, Paul. Ligarei amanhã para o Lambert, a fim de marcarmos um encontro. Possivelmente na próxima semana. Definidos o dia, a hora e o local, eu lhe comunicarei e você passa a informação para seu amigo Carl Sagan. Acho que, se o encontro contar com nós quatro, será bem mais proveitoso.
Mordush, não conseguindo esconder a alegria estampada em sua fisonomia, disse, entre sorrisos:
- Obrigado, senador, muito obrigado.
Thompson fez um gesto vago com a mão e perguntou:
- Diga-me uma coisa, Paul. Quando é que você e a Barbara vão nos brindar com netos ? É muito bom ter crianças correndo pela casa...
*****
Capítulo 06
02 de agosto de 1984
A reunião teve lugar na residência do general, seis dias após o encontro de Mordush com o sogro. Precisamente às 21:00 horas, Paul e Carl acompanharam Lambert ao seu escritório, onde os três se acomodaram, trocando banalidades e bebericando uisque, enquanto aguardavam a chegada do senador. Um pouco depois das 21:30, Thompson chegou, desculpando-se pelo atrazo:
- Perdão, amigos. Custei a me livrar do meu insistente colega, senador Rowe, e o trânsito também não colaborou.
Acomodou-se, como os demais, aceitou o uisque que o anfitrião lhe serviu e, dirigindo-se a este, disse:
- Meu caro Lambert, parece que esses dois jovens brilhantes cientistas elaboraram, com alguns de seus colegas, uma fantástica idéia e agora querem que eu e você os ajudemos a transformá-la em realidade. Sagan ja lhe pôs a par do projeto que têm em mente. Certamente disse o mesmo que meu genro me contou. O que lhe parece ?
O general depositou o copo sobre uma mesinha ao lado do poltrona em que se achava sentado, fixou os olhos no senador e respondeu:
- Jerry, conquanto Carl me assegure o contrário, eu tenho uma certa dúvida quanto a ser possível construir uma "máquina do tempo" que, deixando de lado os jargões científicos, é exatamente o que eles estão pretendendo fazer. No entanto, também fico imaginando que, se remontarmos a uns 150 anos atrás, quem ousaria pensar, naquela época, que um dia cindiríamos o átomo, voaríamos em jatos supersônicos, disporíamos de computadores e televisões e o homem passearia no solo lunar? Por outro lado, como o nosso genial Sagan me fez ver, uma máquina, que também se desloca no espaço, significará um tal avanço tecnológico, que o poder militar dos Estados Unidos atingirá um "status"de absoluta e inatingível supremacia, em relação às demais potências do planeta. Logo, considerando-se os prós e os contras, creio que vale a pena tentar. Se, evidentemente, obtivermos a aprovação do Presidente e conseguirmos as verbas necessárias para levar a cabo o projeto
O general calou, aguardando algum comentário à sua marcante peroração. Ele veio da parte do senador:
- George, pelo que entendi, o Projeto "Time for Angels", levará, pelo menos, uns vinte anos para se tornar operacional.
Olhou para os dois cientistas e indagou:
- Não é isso que vocês acham?
Sagan se encarregou de responder:
- Exatamente. Daí para mais.
- O que torna a coisa mais fácil do ponto de vista orçamentário. A gente vai soltando o dinheiro necessário à cada etapa. Assim, se o gasto total atingir, digamos, quinhentos bilhões de dólares, teremos de liberar cerca de 25 bilhões a cada ano. O que não é uma impossibilidade. Se as coisas evoluirem favoravelmente e cada etapa apontar para resultados progressivamente positivos, de certo ninguem, no legislativo ou no executivo, no presente ou no futuro, vai ousar suspender o andamento do projeto.
Mordush fez um gesto com a mão e perguntou:
- Senador, posso lembrar um pequeno, mas importante detalhe?
- Claro.
- A necessidade das verbas não será uniforme, ou seja, haverá períodos em que precisaremos de mais ou menos dinheiro do que em outros. Tomemos a primeira etapa, para exemplificar. Nela reuniremos um grupo de cientistas que se encarregarão de tentar elaborar um modelo físico-matemático para a criação de um módulo, capaz de se tornar uma máquina que se oblitere e se recomponha, sempre levando em conta as duas dimensões envolvidas : tempo e espaço. Essa fase, puramente teórica, envolve, basicamente, pesquisa no âmbito da física quântica e nuclear, da matematica e da engenharia de construção de material físico-quimicamente mutável. O gasto maior será trazer os especialistas, alojá-los, pagar seus honorários e colocar, à disposição deles, fontes de consultas, isto é, trabalhos publicados em revistas ou obtidos via Internet. O resto é "queimar" neurônios, até se encontrar o modelo a que me referi. Esta é, portanto, uma ertapa de custo relativamente pequeno, em relação ao que será necessário nas fases posteriores, quando a gente vai precisar das condições materiais para testar a teoria. Em diversas etapas. E aí sim, o custo vai ser bem mais elevado.
Paul olhou de relance para Sagan, para ver se ele desejava acrescentar algo ou fazer algum comentário.
Carl entendeu e pegou a "deixa" do colega:
- É exatamente isso. Dentro de alguns dias teremos a lista dos "teóricos".
Lambert entrou na conversa:
- Jerry - disse ele - se o Presidente aprovar o projeto, eu sugiro que se crie logo uma comissão composta de economistas e contadores do Pentágono e do Senado, para cuidar dessa parte orçamentária e ir atendendo, a cada passo, as necessidades do projeto. O que acha?
- De pleno acordo - respondeu o senador.
- Ótimo. - retrucou o general - Mas, agora, Jerry, sendo você o único político nesta sala, acho que lhe cabe decidir como é que a gente vai vender o "peixe" para o Presidente. Tem alguma idéia em mente ?
O senador, que já vinha pensando no assunto há dias, explicou para os demais o que tinha em mente.
***
Três dias depois, Thompson ligou para o genro, informando que o Presidente os receberia na Casa Branca, às 10:00 horas do dia 10. Deveriam comparecer, além dele, Jerry, o general Lambert e um cientista representando o Clube do Cosmos. Paul entrou imediatamente em contato com Sagan e, como não seria possivel reunir o grupo em tempo, para escolher quem deveria representá-lo, convenceu Carl a ir, já que, afinal de contas, era ele o mentor da idéia.
*****
Capítulo 07
10 de agosto de 1984
Pontualmente às 10:00 horas, um ajudante-de-ordem conduziu o senador, o general e o cientista ao Salão Oval da Casa Branca. Não chegaram sequer a se sentar. Uma porta lateral se abriu e o Presidente entrou, exibindo seu sorriso cinematográfico. Apertou a mão de cada um e foi sentar-se em uma cadeira giratória. Em seguida, gesticulou para que os visitantes se acomodassem nas poltronas à sua frente. E não perdeu tempo:
- Senhores, - disse ele - infelizmente a agenda presidencial está sempre sobrecarregada, mas creio dispor do tempo necessário para ouvir um sumário do que desejam submeter a minha aprovação. O senador já me falou, por alto, do que se trata. O fato do presidente da Comissão de Defesa do Senado e de um general do Estado Maior Conjunto estarem envolvidos, atesta a seriedade do assunto. Professor Sagan, sem entrar em detalhes técnicos, que, por certo, eu não entenderia, o senhor poderia, por gentileza, explicar-me em que consiste o seu projeto ?
Carl curvou-se ligeiramente para frente e começou a dissertar, pausadamente, sobre o Projeto "Time for Angels", evitando, como fora solicitado, entrar em detalhes técnicos ou usar jargões científicos pouco conhecidos. A exposição durou uns quinze minutos. Enquanto falava, Sagan olhava atentamente para o rosto do Presidente e teve a impressão de que o olhar dele parecia fixado num ponto indefinido, como se estivesse desinteressado do assunto. Mas essa impressão prontamente se desvaneceu: assim que terminou de falar, o rosto do Presidente se iluminou e ele disse:
- É uma idéia ousada e fantástica, que poderá dar aos Estados Unidos um poder muitíssimo maior do que o Projeto "Guerra nas Estrelas". Se "Time for Angels" vai ou não funcionar, só o tempo dirá. Mas estou apostando nele porque, se há uma nação dotada dos recursos para transformar essa idéia em realidade, de certo é a nossa e se existe gente neste planeta capaz de concretizar esse sonho, eu diria que é o grupo do Dr. Sagan. Já recebi algumas informações a respeito e sei que vocês são conhecidos como a " Equipe dos Sete Loucos". Acho que seria mais apropriada a expressão: "Equipe dos Sete Gênios". Só lamento que, provavelmente, não viverei o suficiente para vêr o sucesso do "Time for Angels".
O Presidente fez uma pausa e depois voltou-se para Jerry Thompson:
- O que acha, Senador?
- É como o senhor disse: uma idéia fantástica, mas também estou apostando nela.
- General ?
- No âmbito da tecnologia, o que é tido como sonho hoje, pode ser realidade amanhã. O passado recente está cheio de exemplos.
- Professor Sagan, em sua opinião, agora, quando as coisas estão ainda apenas na cabeça de vocês, quais são as chances do projeto vir a dar certo ?
- Cinquenta por cento, Sr, Presidente.
- E quanto tempo julga que "o grupo de teóricos" levará para nos dar, ou não, uma garantia de sucesso da ordem de, digamos, setenta e cinco por cento ?
Sagan meditou por alguns segundos e respondeu
- Um ano.
- Muito bem, até lá vamos reunir esse time de gênios em um dos ‘sítios" secretos da Força Aérea. Se a hipótese dos setenta e cinco por cento se confirmar, então a gente manda construir um "campus" exclusivo para o projeto. Concordam?
Três cabeças acenaram positivamente.
- Ótimo. E, professor Sagan, quando acha que terá esse grupo reunido e pronto para começar a "queimar o cérebro"?
- Dentro de mais ou menos uns dois meses.
O Presidente voltou-se para Jerry Thompson:
- Senador, providencie para que sejam logo alocados os recursos necessários para dar a partida no projeto.
O Presidente virou-se agora para Lambert:
- E quanto ao senhor, General, "mexa os pauzinhos" lá no Pentágono. Os cientistas vão necessitar da colaboração dos militares, principalmente os da Força Aérea. Mas façam tudo dentro do mais absoluto sigilo. Este projeto tem a chancela de "estritamente confidencial".
Ronald Reagan consultou o relógio de pulso e se ergueu, sinalizando que a audiência estava encerrada. Os demais fizeram o mesmo. O ex-ator concluiu:
- Boa sorte e mantenham-me informado. Desejo ficar a par de cada avanço do projeto. Larry Colman, meu assistente particular, será a ponte entre nós. Darei a ele as instruções necessárias nesse sentido.
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Capítulo 08
Depois do encontro com o Presidente, Carl Sagan agiu com rapidez e eficiência. Em pouco tempo selecionou - e obteve a aprovação pelo Clube do Cosmos - os nomes dos sete cientistas que iriam compor o "grupo teórico". Três já eram membros da equipe. Em seguida, ele entrou em contato telefônico com os outros quatro e, depois, usando transportes cedidos pela Força Aérea, foi ter, pessoalmente, com cada um deles. Todos aceitaram o convite. A ousadia da idéia era por demais provocativa para não despertar o desafio e a recompensa financeira era demasiadame alta para ser desprezada. Após alguma semanas, em que cuidaram de resolver os problemas inierentes às suas presentes ocupações, os cientistas se transferiram - alguns levando junto esposa e filhos, para uma pequena fazenda nas cercanias do Pentágono. O "Grupo Teórico" ficou constituído por Paul Mordush, Alan Smith, o próprio Carl Sagan - os três oriundos da "Equipe dos Sete Loucos" e pelos "de fora": David Lince, Bruce Richardson, William Berger e Norman Shield, Após terem passsado pelo crivo do FBI - que levantava dados de suas vidas mas ignorava o que iriam fazer - e sido aprovados no exames médicos, cada um assinou um contrato com a Força Aérea, no qual constava, entre outras, uma cláusula estipulando os honorários e uma declaração individual de juramento de sigilo, a qual, caso descomprida, implicaria em grave delito, sujeito à penalidades, após processo pela justiça federal. Em seguida, os cientistas e seus familiares foram levados para um "sitio" secreto.
***
O "sítio", localizado nos arredores de Richmond, na Virgínia, batizado pelos cientistas com o nome de "O Ninho", era uma autêntica mini-cidade, dispondo de casas, pequenas mas bastante confortáveis, um heliporto, áreas para a prática de esportes, uma escola, um cinema para trinta pessoas, um mini-supermercado, uma biblioteca, alguns laboratórios e salas de reunião dotadas de quadros negros, projetores e inúmeros computadores de última geração. Tudo, enfim, que permitisse aos sete gênios trabalhar com conforto e tranquilidade. Alguma coisa que eventualmente faltasse, era logo providenciada por um grupo de apoio da Força Aérea, que cuidava da administração e da segurança do "sítio".
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E os cientistas começaram a trabalhar. Foram reuniões e debates que começavam às primeiras horas da manhã e, muitas vezes, continuavam pela noite a dentro. Aos poucos, um modelo físico-matemático foi se formando e, ao cabo de um ano, eles já estavam em condições de afirmar o que lhes havia sido exigido pelo Presidente dos Estados Unidos: o Projeto "Time for Angels" tinha setenta e cinco por cento de probabilidade de sucesso. Isto se aplicava, não só à construção do módulo, mas também ao seu funcionamento como uma autêntica "maquina do tempo" tripulada, capaz de se deslocar, numa velocidade superior à da luz, para qualquer época do passado e para qualquer lugar do planeta.
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Quando essa conclusão chegou ao conhecimento de Ronald Reagan, num dos últimos dias de outubro de 1985, ele enviou uma mensagem de congratulações ao grupo de cientistas, convocou o senador Thompson e o general Lambert à Casa Branca e determinou-lhes que se iniciasse, de imediato, a construção de um "Campus", para onde a equipe do projeto seria transferida, o módulo seria construído e, no devido tempo, testado. E insistiu que o "campus" estivesse pronto antes que ele deixasse o Governo, no final de 1988.
Três semanas mais tarde, o Departamento de Engenharia e Construções da Força Aérea estimava que o "campus", a ser erguido em uma área no deserto do Mojave, estaria concluido dentro de três anos.
Nesse interim, os cientistas continuariam a trabalhar no "Ninho", buscando aumentar, ao máximo possível, o grau de probabilidade de sucesso do projeto. Mas todos estavam conscientes que o 100% só poderia ser alcançado - ou não - quando se passasse da teoria à prática e o módulo fosse testado em termos reais e não virtuais, como vinha sendo feito nos computadores do "Ninho".
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Capítulo 09
No dia 14 de novembro de 1988, Reagan inaugurava, no deserto do Mojave, O INSTITUTO DE PESQUISAS CLIMÁTICAS DA FORÇA AÉREA DOS ESTADO UNIDOS. Oficialmente, ele tinha, por principal finalidade, prever a formação de furacões e tornados, impedir que evoluissem, ou mesmo destruí-los quando já constituidos. O Presidente assinou um decreto público, nomeando o General George Lambert, já agora na reserva, para o cargo de Diretor Administrativo do Instituto. Em outro decreto, este sigiloso, que jamais seria publicado no Diário da União, e ficaria guardado nos inacessíveis arquivos confidenciais da Casa Branca, Ronald Reagan nomeou o Professor Carl Sagan para o cargo de Diretor Científico do Projeto "Time for Angels".
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Fora do Instituto e da Casa Branca, poucos tinham conhecimento da natureza do projeto. O FBI desconfiava que algo mais do que pesquisa climática devia estar se passando. Como o Mojave ficava em território americano, a CIA, pelo menos nos primeiros anos, não tomou conhecimento de nada.
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Sagan nomeou Paul Mordush para o cargo de vice-diretor do projeto e fez contratar, através da Diretoria Administrativa do Instituto, além de inúmeros técnicos, mais alguns cientistas para trabalharem no Instituto: os engenheiros mecânicos Joseph Cohen e David Sosa, os engenheiros de construção espacial, Takeo Yamazata e Benito Santino, os físicos nucleares Edward Levy e Norman Gardner, o matemático Richard Peck, o "expert" em informática Charles Zimermann e o engenheiro de telecomunicações Peter Gray. Posteriormente, após a virada do milênio, viriam a ser incorporados ao grupo, a veterinária Ruth Petrovich e a médica e psicóloga Helen Newman - esta última, oriunda da NASA. Todos foram aprovados pelo FBI e pela comissão médica da Força Aérea e assinaram contrato igual ao dos membros do grupo inicial.
E os cientistas mergulharam fundo no trabalho. Trabalharam intensamente, com momentos de vitórias e momentos de contratempos, mas sempre levando para a frente o Projeto "Time for Angels". Para, na manhã do dia 14 de junho de 2005, quando o primeiro teste de campo do módulo seria realizado, verificarem, finalmente, se os seus esforços tinham sido - ou não - compensados.
Teste que nem todos os responsáveis pela largada do projeto viram acontecer. Carl Sagan, George Lambert, Alan Smith, e Jerry Thompson tinham partido para sempre. Como também haviam falecido, o engenheiro mecânico Joseph Cohen, o físico nuclear Edward Levy e o especialista em informática Charles Zimermann. Norman Shield afastara-se, por ter contraido uma doença neurológica degenerativa e Ronald Reagan, conquanto vivo, passara a uma condição semi-vegetal, com seu cérebro corroído pelo mal de Alzheimer.
"Time for Angels" continuava secreto e uma prioridade de primeira linha do Governo dos Estados Unidos. Assim é que os Presidentes que sucederam Ronald Reagan, mantiveram o mais absoluto apoio ao projeto.
Quando Sagan adoeceu, Paul Mordush tornou-se o diretor científico do projeto e trouxe da Flórida um antigo amigo e colega, o astrofísico Prof. Thomas Kennedy, para ocupar o lugar de Alan Smith. Convocou o Prof. William Costner para consultor de informática e obteve a transferência do Capitão - Aviador Kelvin Martin, da NASA para o Instituto. Ele iria ser treinado, a fim de estar, dentro de alguns poucos anos, em condição de pilotar o módulo, durante as fases de controle manual do aparelho.
Para Administrar o Instituto, o Presidente Bill Clinton nomeou, em 1996, o General-Brigadeiro John Sherman. Seus doia principais assessores eram o Coronel Michel Scott, o elemento de ligação com Washington e o Major Burt Powell, o responsável pela segurança do Instituto.
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