Razões da Infidelidade
O cotidiano desgastado

A idéia de posse, habitualmente associada ao casamento, desencadeia uma série de comportamentos que terminam por afastar o amor do dia a dia do casal. É quando as pessoas se olham e julgam saber tudo sobre o outro, e que outro também sabe tudo a seu respeito, diz Robim. Nesse estágio as conversas limitam-se aos problemas do cotidiano, e as preocupações de pelo menos um dos dois estão focadas no trabalho, na casa, nos filhos ou nos problemas financeiros.

Toma-se por garantida a posse da pessoa com que se está casado, como se o contrato em vigência garantisse que um pertence ao outro e que nada ameaçará essa crença que está ligado ao casamento.

Muitas coisas passam a não serem ditas, surgem as cobranças, a irritação, e os assuntos ficam restritos à empregada, ao colégio das crianças, à oficina do carro ou a roupa na tinturaria. O relacionamento passa a ser aquele prato morno, requentado, feito da mesma maneira todos os dias.

O fato é que o cotidiano é voraz e se o casal não estiver atento, os compromissos vão drenando a energia da pessoa. O marido e/ou a mulher deixam de olhar o outro e percebê-lo como alguém que vibra, que tem sentimentos e desejos.

As pessoas vão se acostumando com os maus humores, com as irritações, e embora vivendo juntos, não se está presente. Um dos dois ou ambos não estão acordados para o que se passa com o outro. Estamos no terreno fértil para a infidelidade.


Descompassos Afetivos

A traição pode ser uma conseqüência de um descompasso afetivo entre o casal. Isso acontece quando um dos dois está com praticamente quase toda a sua energia voltada para alguma coisa externa ao relacionamento.

O homem que se envolve demais com o trabalho, a mulher que dirige toda a sua energia para assuntos ligados à casa e às crianças são exemplos de situações que podem gerar um descompasso afetivo.

Se os dois parceiros têm interesses que os absorvem na mesma intensidade, nenhum problema. A situação se complica quando um dos membros do casal quer atenção e o outro não está disponível para atender ao desejo do parceiro(a).

É fácil compreender as mágoas e ressentimentos que esse descompasso pode ocasionar. A infidelidade pode ser uma saída para o parceiro(a) que sente-se deixado de lado.


A insegurança sobre a auto-imagem

A necessidade de se afirmar e de se testar através da sedução do outro torna-se vital. Ele(a) quer certificar-se de que é desejável e vai à luta para testar. Essa atitude normalmente vem de uma percepção inadequada de que o marido ou a mulher devem suprir todas as suas carências. Quando a convivência mostra que isso não acontece, a pessoa sente-se traída e fica com raiva.

A imagem idealizada de um(a) parceiro(a) que atenda a todas as expectativas cai por terra e aumenta a insegurança de quem se apoiava nesta crença.



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