ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 50

            Scott sentia-se estranho. Estava deitado na cama, com os olhos abertos e a sensação de estar dormindo. Um pressentimento preenchia sua cabeça. Ele tinha que fazer algo. Levantou-se, vestiu uma roupa, pegou a arma.

            John dormia e nem percebeu quando o colega saiu do quarto.

 

 

            -Nem um pio... – dizia a figura que acabara de quebrar a janela – Fique quieta!

            Katie, nervosa, não conseguia dizer nada. Era um mascarado, igual ao que tentara mata-la anteriormente. Será que viera concluir o serviço? Era o que parecia. Katie teve ímpetos de levantar, mas o assassino aproximava-se, mandando ela ficar calada.

            -Quem...Quem é você? – perguntou ela.

            -A última pessoa que você vai ver em vida! – disse ele, retirando um punhal das vestes.

            -Por que estão fazendo isso? – perguntava Katie, muito nervosa.

            -Não matamos pessoas à toa. Mas odiamos quando se metem em nosso serviço. Vocês...Essa equipe metida...Estão nos incomodando bastante. E o Yuri...O Yuri nos incomoda ha bastante tempo. Sorte que temos um meio de mantê-lo afastado de nós. – respondeu o assassino, com a voz misteriosa.

Ele chegou bem perto, colocou o punhal no pescoço da garota.

            Katie chorou. Sentia-se indefesa, incapaz de fazer algo. Por que era assim? Queria ser mais forte, mais determinada. Queria ter a coragem de seus colegas de equipe. Mas...Era apenas uma garota, que sofrera muito para sua idade, perdera uma perna em um acidente, que entrara para uma equipe de espiões, sem nenhum conhecimento de espionagem ou de como usar uma arma. E agora, estava prestes a morrer. Era como se soubesse que aquele momento chegaria, mais cedo ou mais tarde.

            -Você é fraca! – disse o assassino, afastando um pouco o punhal. – Não é uma espiã de verdade. Nunca pensou em ser como aquela sua coleguinha? Aquela...Que a salvou? Ela sim...É bastante forte e corajosa.

            Katie sentiu-se queimar por dentro. Não gostava muito de Amanda e admitia que às vezes invejava seu jeito de ser, mas agora, sendo comparada a ela, percebeu que um orgulho, vindo de dentro dela, falava mais alto. Não queria ser chamada de fraca, de incompetente...Sabia que tinha um valor. John já lhe dissera: Cada um tem seu valor próprio, por mais distinto que seja.

            Foi esse orgulho que deu força e coragem a Katie para empurrar o assassino, enfiando um travesseiro no punhal, quando ele tentou acerta-la. A garota estava ferida, mas levantou-se da cama, disposta a enfrentar o inimigo. Jogou o abajur, que se encontrava ao lado da cama, na cabeça do mascarado. Ele caiu, um pouco desacordado...Um pouco que Katie desejava ser muito, pois logo o assassino levantou-se e foi em direção a ela. O que faria agora?

            -Katie! – gritou alguém, que acabara de chegar.

           

 

            John abrira levemente os olhos. Deu uma olhada ao redor do quarto, passando pela cama de casal. Mas...Ela estava vazia.

            -Onde está o Scott? –perguntou, agora já acordado.

 

 

            -Scott? – exclamou Katie, olhando o colega, que estava à porta, com o cabelo estranhamente desarrumado e olheiras.

            O assassino ficou paralisado por um breve momento, afinal, a visita do japonês não era esperada.

            -Mais um assassino para nossa coleção... – dizia Scott, com uma voz estranhíssima.

            -O que você está falando, seu panaca? Quem morrerá serão vocês. – disse o mascarado, que partiu, em seguida, para cima de Scott. Mas o japonês reagiu, com seus golpes (estranhíssimos) de karatê. Jogou o assassino no chão, num piscar de olhos e apontou o revólver para ele. Pegou algemas para prende-lo. Katie observava tudo, de um canto do quarto.

            Quando o assassino já estava preso e incapaz de reagir, Scott aproximou-se da cama do hospital, subiu, encostou a cabeça no travesseiro furado pelo punhal e dormiu, profundamente, roncando muito em seguida.

            Katie, olhando aquela cena lastimável, ficou sem saber o que fazer. Decidiu ligar para John.

 

 

            -Então esse idiota é sonâmbulo? – ria Matt, enquanto tomava o café da manhã.

            -Isso mesmo! – respondeu John, passando geléia nas torradas – Katie me ligou ontem à noite, do hospital. O Scott a salvou...Dormindo.

            -Parece que ele é melhor dormindo do que acordado... – comentou Amanda, provocando gargalhadas em Matt.

            -O coitado tá lá, dormindo...Depois que o acordei para me ajudar a trazer o outro assassino para cá, ele reclamou muito. Disse que ninguém o deixava dormir, etc...Só dou um desconto para ele porque ele salvou minha prima.

            -Falando nisso, como ela está? – perguntou Matt.

            -Está melhor. Sai do hospital hoje mesmo. Ontem ela foi muito corajosa, quando enfrentou o assassino. – respondeu John, dando uma olhada para Amanda, que deu um breve sorrisinho. – Estou bobo é com a falta de segurança do hospital... Como um assassino entra assim, no segundo andar, sem ser visto? E ninguém ouviu o barulho do vidro sendo quebrado...

            -Sorte que nada aconteceu a ela. – disse Matt – Quando o “Sushi Sonâmbulo” acordar, temos que investigar as últimas coisas antes da tal reunião hoje à noite. Agora temos três assassinos para substituir. Quem irá?

            -O melhor é que vão vocês três. – disse Amanda – Matt, Scott e John. Porque são homens e ficará mais parecido.

            -Tem razão. Você pode ficar de guarda no lado de fora. – disse John à colega.

            Assim que Scott acordou, combinaram:

            -Scott, eu e você vamos dar mais uma olhada no Atalanta. – disse John.

            -Ei, Scott. Desculpa perguntar, mas...Como você saiu do prédio ontem? – interrompeu Matt. – Escalou o muro de novo? E você não nos contou o que conseguiu.

            -E você acha que eu ainda teria ânimo de contar, depois que quase fiquei preso em cima do muro? – respondeu o japonês – Não consegui nada, nadinha. No terceiro andar, ao contrário dos outros, não há um escritório como o porteiro disse, há um apartamento normal.

            -Por que será?

            -Não sei. – respondeu Scott, nervoso – Só sei que foi terrível ficar em cima daquele muro. Ainda bem que tive coragem e saltei com as ventosas, mas foi difícil.

            -Não vimos você lá, preso, infelizmente... – disse Matt, rindo. – Eu e a Amanda saímos depois, mas seria divertido ver a cena.

            Scott fechou a cara.

            -Como eu ia dizendo – continuou John – Eu e o Scott vamos ao Atalanta. Amanda pode ir ao salão, tentar conseguir algo.

            -Salão? Você não quer que eu me passe por cabeleireira, quer? Vou como cliente mesmo...E...Não quero mudar meu cabelo, então, vou fazer minha unhas...Mas...De que cor eu pinto? – perguntou Amanda, indecisa.

            -Da cor que você quiser! – exclamou Scott, nervoso – E o Matt vai fazer o que?

            -Vou dar uma investigada no local do encontro de hoje à noite. Ver onde é a entrada desse tal teatro...Se alguém reservou hoje à noite...Ver como funciona. – respondeu Matt.

            -A Katie montará o esquema da transmissão do que filmaremos com as micro-câmeras. Ela manterá contato com todos nós. – disse John.

            -Ok. – disse Matt - E então? Estão prontos para começar as investigações finais?

 

NÃO PERCA NO CAPÍTULO SEGUINTE AS DESCOBERTAS NA REUNIÃO, AS INVESTIGAÇÕES E... MUITO SUSPENSE!

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