ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 51

Scott e John escalaram o muro. Desta vez, Scott estava mais preparado e subiu com mais facilidade.

            -Você vai novamente no terceiro, Scott. Verifique se é realmente um apartamento comum. – disse John – Eu irei ao décimo andar.

            Scott foi ao terceiro andar, pela escada. Ao chegar lá, surpreendeu-se em ver uma figura conhecida, saindo do apartamento.

            -Brena?

            -Oi, Scott. O que faz aqui? – perguntou ela, sorrindo.

            -O que você faz aqui? – perguntou ele confuso.

            -Ora, que pergunta. Eu moro aqui. – respondeu ela.

            -No terceiro andar?

            -É...Por que? E você? O que está fazendo?

            -Ah...Eu...Vim te visitar, mas...Achei que morava no quarto andar. Fiquei sabendo que morava aqui e...Quis saber porque não foi na reunião ontem à noite. – inventou Scott, meio atrapalhado. Nem imaginava que a Brena morava lá, no mesmo prédio onde trabalhavam criminosos. Ela corria perigo, então. E o pior: ela não sabia das investigações feitas pela equipe, porque de acordo com o combinado, antes de contarem qualquer coisa para Yuri e Brena, teriam que discutir entre si. Ainda mais agora que Yuri estava chateado com a equipe e afastado.

            -O Yuri não avisou a vocês? – perguntou Brena.

            -Não, ele também não foi à reunião. – respondeu o detetive.

            -Eu tinha uns compromissos. Disse a ele que não iria e pedi que lhes avisasse. – disse Brena – Ficaram esperando?

            -Não, deu uma pequena confusão e o Yuri decidiu não ir.

            -Ah...Hoje a noite terá reunião novamente? – quis saber Brena.

            -Não, hoje iremos ao...

            -Ao...?

            Scott pensou melhor se deveria contar a Brena. Afinal, ela e Yuri estavam completamente por fora das investigações. Decidiu não contar.

            -Iremos dar um passeio pela cidade...Descansar um pouco. – respondeu.

            -Que bom, pois hoje eu não poderia ir novamente. – disse Brena.

            -Outro compromisso?

            -É.

            -Ok, Brena. Então é só isso...Já vou.

            -Já estou de saída também. Desço com você.

            Brena e Scott desceram pelo elevador. Passaram pela portaria e Scott sentiu um imenso alívio ao constatar que não era o mesmo porteiro que os vira aquele dia. Alívio maior ainda ao saber que não teria que pular o muro. Andaram um pouco juntos até que Brena tomou um táxi e Scott seguiu a pé até o hotel. Ligou para John e contou o acontecido. Depois de um tempo, John chegou ao hotel.

            -Então o terceiro andar é mesmo de moradia? Isso indica que apenas o décimo andar é o escritório. Dei uma investigada lá e, ao que me pareceu, não havia ninguém. – disse John.

            -É...Será que os outros estão indo bem?

 

            -Gostei dessa cor. – disse Amanda, satisfeita com a cor do esmalte, olhando para as unhas e ao mesmo tempo ao redor do salão a procura de pistas. – Aliás, esse salão é muito bom. Quem é o dono?

            A manicure não respondeu. Continuou limpando os cantinhos da unha da garota com um algodão.

            -Ei...Falei com você. – repetiu Amanda.

            -Não sei quem é o dono. – respondeu a mulher, com má vontade.

            -Algo me diz que você sabe... – disse Amanda, recolhendo as mãos, impedindo a manicure de continuar o serviço.

            -Não sei não. – respondeu ela, puxando a mão da garota de volta – Esse salão é muito estranho. Quando me contrataram deixaram claro que eu não deveria me meter em nada. Apenas fazer meu serviço.

            -Mas você...

            -Nem sei o nome de alguns funcionários. – continuou ela – A maioria está sempre com uma cara estranha, afastada, reservada...

            -Já ouviu algo sobre CAT? – perguntou Amanda.

            -Já sim...Parece que é como chamam o dono, ou a dona daqui. Mas não me intrometo. – respondeu a manicure – Você é daqui? Seu sotaque é diferente. – perguntou.

            -Não, sou de Minas. – respondeu Amanda – Estou aqui a trabalho.

            -É bastante jovem...Trabalha com o que?

            -Com...Eu...Eu sou repórter. – inventou Amanda – Vim fazer umas reportagens na cidade. Sobre...Os crimes acontecidos. Os assassinatos por aluguel.

            -Ah, sabe que corre perigo, não é? – respondeu baixo a manicure – Esses assassinos eliminam quem fuxica sobre eles também.

            -Eu sei. Por isso mantenho segredo. Não vá contar, hein?

            -Claro que não. Pra quem eu contaria?

            -Vai fazer alguma coisa hoje à noite? – perguntou Amanda.

            A manicure estranhou a pergunta, mas respondeu:

            -Vou ficar em casa. O salão fechará hoje à noite, não sei por que. Então estou de folga.

            Amanda decidiu não continuar o assunto. A pergunta fora bastante indiscreta. Já sabia que “CAT” era dono do salão e que se reuniriam à noite. Tentaria conseguir mais pistas.

 

 

-Obrigado. – disse Matt ao recepcionista do Teatro da Paz, quando ele o informou que não havia reservas nem peças pela noite. – Então...Como será que entrarão? – pensava ele.

Foi quando, olhando mais atenciosamente para o teatro, viu um cartaz, com anúncios de espetáculos. Chegou mais perto para examinar e viu que havia uma porta escondia atrás do cartaz. Abriu a tranca e a porta se abriu. Verificou se ninguém olhava, e entrou. Lá dentro, Matt percebeu que se encontrava em um enorme teatro. Poucas luzes, um pouco amareladas, iluminavam o local.

“Todo construído em estilo neoclássico, com colunas gregas na fachada, o teatro possuía vestíbulo e interior do salão nobre com pinturas de temática amazônica.” No alto, havia alguns camarotes.

Era lindo. Matt ficou alguns minutos admirando o local. Até lembrar-se que tinha que ir embora. Então, saiu discretamente e rezou para que ninguém o tivesse visto.

“A reunião deve ser na sala de espetáculos”, pensou. Foi direto para o hotel, onde estavam Scott e John. Amanda chegou em seguida.

-É hoje à noite, pessoal! – disse John – Hoje à noite descobriremos muita coisa sobre os assassinatos e os assassinos...

Todos sentiram um leve frio na barriga.

 

NO PRÓXIMO CAPÍTULO: A AGUARDADA REUNIÃO DOS ASSASSINOS! NÃO PERCA!

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