ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 48

            -Como não percebi antes? Você não é um ladrão de namorada apenas...É um dos assassinos. Quem sabe o chefe? E a Dani...Sua cúmplice! – falava Yuri, com a arma apontada para Matt.

            -Yuri...Olha aqui...

            -É claro! – exclamou Yuri, interrompendo Matt – Afinal, quem conhecia o tal Arthur era a Dani... “Sabe, Yuri, tenho um tio que tem um amigo chamado Arthur... Ele é dono de uma equipe de espionagem muito boa, pelo que dizem... você não quer pedir ajuda a eles?” – disse Yuri, imitando a voz de Daniella – E o tonto aqui aceitou. Estão esperando o que para me matar, hein, Matt? Uma ocasião especial? Ou será que você é o único da equipe que faz parte desse grupo de assassinos? Porque o Scott é uma ótima pessoa. Me abriu os olhos para a realidade...

            -Você está pirado! – disse Matt.

            -Cale a boca! – falou Yuri, num tom alto – E fique quieto, seu assassino...Quieto que o meu trabalho é prender criminosos.

            -Nós nunca devíamos ter vindo ajudar você, seu louco! Eu sou quem mais além de um assassino? Um político corrupto? Um poluidor de rios? – ironizou Matt.

            Yuri apontava a arma para Matt e aproximou-se ainda mais:

            -Se der mais um pio eu não hesitarei em mata-lo... – e pegou algemas para colocar em Matt. O rapaz aproveitou para dar um soco em Yuri e correr para fora do hotel. Yuri, um pouco tonto, correu atrás dele, e alcançou-o na esquina escura do hotel. Colocou o rapaz contra a parede e prendeu-o com as algemas.

            -Eu só não bato em você porque está com as mãos presas e não seria justo. – disse Yuri – Mas vontade não me falta. Lá na delegacia terei oportunidades, caso você se negue a confessar tudo.

            -Pode me bater agora, então. – disse Matt – Porque não tenho nada a confessar e será perda de tempo.

            Yuri ignorou-o e o levou para dentro de seu carro. Enquanto dirigia, o detetive apontava o revólver para Matt, que estava no banco ao lado. Rumava para a delegacia. Parado no sinal vermelho, não percebeu que um vulto com o rosto tampado os observavam e pensava:

            -CAT não achará ruim se eu os matar agora...Que beleza! Yuri e um dos espiões, juntos, prontos para serem mortos...

            A rua estava deserta e ninguém, além dos dois rapazes dentro do carro, ouviu o barulho do vidro sendo quebrado. O vidro do pára-brisa do carro de Yuri. Como fora quebrado, nenhum dos dois detetives reparou, mas a visão de um homem mascarado com um punhal na mão fez com que Yuri saísse correndo do carro, deixando o revólver cair. Matt, que tinha as mãos presas às costas, não foi capaz de pegar a arma, então abriu a porta do carro, com dificuldade e saiu, correndo como podia. Yuri corria olhando para trás, Matt estava atrás dele, mas um pouco distante. As algemas eram um incômodo e o atrapalhavam de correr, por isso logo o mascarado com o punhal na mão o alcançou, quando ele caiu no chão. Como todo assassino que se preza, disse algumas palavras antes de matar Matt:

            -Então...Nem sei quem você é na realidade, mas tem irritado muito CAT. Você e sua equipe. Fico muito honrado em mata-lo, garoto. – e fez um corte no braço esquerdo de Matt. Com o sangue que saiu, escreveu no outro braço o conhecido sinal “CAT”. Preparava-se para enfiar o punhal nas costas do rapaz quando alguém segurou seu braço por trás. Era Yuri, que correra de volta para ajudar e após torcer o braço do mascarado, deu um soco em seu nariz. O assassino caiu, meio atordoado e Matt e Yuri correram de volta para o carro. Sem se importar com os cacos de vidro, Yuri disparou com o carro e após andarem o suficiente para não serem pegos, estacionou no meio-fio. Tirou umas chaves do bolso e soltou as algemas de Matt. Depois disse:

            -Eu não sei se você presta ou não...Mas acho que me enganei ao acusa-lo de assassino.

            Matt não respondeu. 

            -Saia daqui. E avise à sua equipe que não irei à reunião hoje. – falou Yuri, por fim.

            Matt saiu, irritado com o detetive, e andou até o hotel, que estava próximo. Ao chegar no quarto, teve que explicar tudo aos companheiros. Scott olhava interessado o “CAT” escrito no braço direito de Matt.

            -Serviço inacabado, hein? – falou.

            -É que estão te esperando para fazer o serviço completo! – retrucou Matt.

            -Mas aquele Yuri é um imbecil mesmo. Achar que nós somos os assassinos... – disse Amanda, inconformada – Será que ele não raciocina?

            -Ele estava nervoso, achando que eu tinha roubado a namorada dele. Ainda disse que o Scott abriu seus olhos para a realidade! – falou Matt, olhando para Scott.

            -Devia estar maluco! – concluiu Scott, evitando encarar o colega.

            Matt levantou-se e segurou o japonês pela gola:

            -O que é que você andou dizendo para ele, hein, Sushi?

            -Eu? Nada. – respondeu Scott, nervoso.

            -Ei, parem com isso! – disse John – Depois nos preocupamos com isso. Agora faremos nossa reunião, mesmo sem Yuri e Brena.

            -Ok! – concordaram, e Matt soltou Scott.

            -Vamos reunir o que temos até agora! – começou John – Sabemos que há um escritório no Condomínio Atalanta onde trabalham assassinos. Deve ser lá que recebem os pedidos de morte. Sabemos que querem matar alguém.

            -Acho que uma mulher e um homem. – completou Amanda – Primeiro ela...Depois ele...Uma morte trágica... – relembrava o que ouvira.

            -Mas quem seriam esses que querem matar? – perguntou John.

            -Talvez o Yuri e a Brena. – sugeriu Scott.

            -Devem estar cansados de suas intromissões e querem acabar com eles, de uma forma trágica. – falou Matt.

            -Não seria o certo prendermos quem faz os pedidos também? – perguntou Scott, desviando um pouco o assunto – Afinal, é como se matassem as pessoas. Pagam para que alguém mate por eles.

            -Mas são muitos. – explicou John – Se acabarmos com o grupo de assassinos, conseqüentemente acabaremos com os assassinatos.

            -Tem razão...

            -O que mais descobrimos? – perguntou Matt.

            -No salão ouvi dizer que se encontrarão amanhã, no Teatro da Paz. Pelo que andei estudando, esse teatro fica na praça principal de Belém. – disse John.

            -Se houvesse um jeito de irmos a essa reunião...

            -E tem! – disse Matt – Se formos com o rosto tampado como os assassinos...

            -Mas deve ter um número certo de pessoas. – lembrou John – Não dá para entrarmos sem sermos notados.

            -Dá, sim senhor. – falou Matt – Não precisa entrar todos, apenas uns dois. Podemos pegar dois assassinos e nos passarmos por ele.

            -Não é tão simples, Matt. Se fosse, já teríamos pegado os assassinos que nos atacaram. – disse Amanda.

            -Mas dessa vez estaremos preparados... – falou o rapaz.

            -Se pegarmos algum assassino, por que não o obrigamos a dizer tudo? A confessar? – perguntou Scott.

            -E perder a oportunidade de descobrir tudo pessoalmente? – disse Matt, sorrindo – Além disso, como teremos certeza se ele dirá toda a verdade?

            -O Matt tem razão! – disse John – Temos que agir rápido. Se estiverem querendo matar Yuri e Brena por eles estarem se intrometendo no caso, certamente querem nos matar também...

 

O PLANO DARIA CERTO? YURI VOLTARIA A CONFIAR NA EQUIPE, MAIS PRECISAMENTE EM MATT? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO...O MISTÉRIO ESTÁ PERTO DE SER RESOLVIDO...

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