ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 47

-Curiosos, hein? – dizia a pessoa por baixo do chapéu, que se aproximava, com a arma apontada para eles. –Pena que não vão durar muito tempo.

            -Por que não atira? – perguntou Matt, em tom desafiador – Seria ótimo o prédio todo ouvir tiros bem aqui...Daria tempo de você escapar?

            -Não só daria como também sobraria. – disse o homem.

            Amanda olhava para o cara do chapéu, esperava um momento de distração dele para poder desarma-lo.

            -O que querem aqui? – perguntou o homem. – Não sabem que é proibido?

            -Não há nenhum aviso! – disse Amanda.

            O homem aproximou-se da garota, encostou a arma bem em cima do seu coração. Ela olhou para ele e sorriu. Um sorriso irônico.

            -Você é durão... – disse ela, calmamente – Por que não tira esse chapéu? Quero ver seu rosto... – e sorriu novamente. Aproximou-se dele e deu-lhe um beijo com tudo. Ele, meio sem saber o que fazer, afrouxou um pouco a arma das mãos e Amanda aproveitou para joga-la no chão, depois deu uma joelhada bem no meio das pernas do homem, que caiu, morrendo de dor.

            -Nojento! – disse ela.

            Matt pegou a arma no chão e apontou para ele.

            -Queremos muito ver seu rosto. – disse o rapaz.

            Matt ia tirar o chapéu do rosto do homem, quando ouviu a porta se abrindo. A porta da sala.

            -Corre! – gritou Amanda, puxando Matt pelo braço.

            Saíram em disparada pelo corredor do prédio, que não era muito grande. O elevador não chegava e pela escada os pegariam. Sentiram que alguém os seguia. Com certeza as pessoas que estavam dentro da sala. Ainda correndo, pegaram as ventosas novamente e pularam uma grande janela, ao fim do corredor. Grudaram-nas na parede do prédio, pelo lado de fora. Ninguém os vira, mas aquela não era a melhor das situações. Estavam grudados na parede de um prédio, no décimo andar, a vários metros do chão.

            -Não olhe para baixo. – recomendou Matt.

            -Como não? Foi a primeira coisa que fiz. – respondeu Amanda.

            -Olha, logo alguém vai ver lá de baixo essas duas lagartixas grudadas na parede, então é melhor subirmos um pouco e entrarmos por outra janela. – disse Matt.

            -Ok. Mas, olha...Que vista linda! – disse Amanda – Dá pra ver toda a cidade...

            -Exagerada! Não estamos tão altos. Mas essa sensação até que não é ruim – admitiu ele – É como se estivéssemos voando... – e balançou um pouco as pernas, brincando.

            Os dois se aproximaram e se beijaram, grudados à parede de um edifício.

            -Esse foi para descontar o beijo no...Nojento. – disse Matt.

            -E esse é para descontar os beijos que você deu na Angélica... – falou Amanda, dando um beijo ainda maior em Matt.

            Depois de um tempo, subiram até o décimo segundo andar. Lá pularam a janela e saíram em um corredor idêntico ao do décimo.

            -Vamos pelo elevador... – disse Amanda, passando as mãos pelos braços que doíam. Seus pulsos ainda estavam machucados e o curativo estava recente. Concluiu que não devia ter feito tanta força, ao escalar o prédio.

 

            -Tem certeza de que esse penteado é moderno? – estranhava a senhora, olhando no espelho o penteado embolado que John fizera.

            -Claro, bem...Sou profissionalérrima! – disse John, fazendo um certo esforço para não rir de sua atuação.

            -Ah, minhas amigas morrerão de inveja... – disse a mulher, satisfeita.

            -Pode crer... – falou John – Ou melhor, esteja certa disso, queridíssima.

            John estava desanimando. Não conseguiria nada no salão. Foi quando escutou:

            -Mick mandou avisar que CAT quer marcar uma reunião amanhã à noite. – era uma cabeleireira que falava.

            -Aonde será? – perguntou outro homem, discretamente.

            -No mesmo lugar de sempre.

-Mas é um pouco perigoso. Yuri já procurou lá, por mais que CAT tentasse impedir. Ele pode...

            -Nunca ouviu que um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar? Se o chato procurou lá e nada achou, não procurará de novo.  – disse a mulher – Hoje à meia noite no Teatro da Paz.

            John gravou as informações na cabeça...Contaria tudo aos colegas.

 

 

            -Yuri... – dizia ela. O telefone estava mudo – Yuri, fala comigo.

            -Dá para desligar isso, Daniella? Está ocupando a linha!

            -Não, Yuri...Por favor, me diga o que houve! E não me chame de Daniella.

            -De que quer que eu a chame, então?

            -Dani... – disse ela, choramingando – Por favor, Yuri...Por favor, acho que eu mereço uma explicação... – falou Dani.

            -Eu é que mereço. Acha que eu sou bobo? Acha que não fiquei sabendo sobre você e aquele...Aquele detetive metido, canalha e inútil, incompetente...

            -Yuri, do que você tá falando? Por favor, eu te amo. Não há motivos para desconfiar de mim. – explicava Dani, já chorando.

            -Vê se me esquece, Daniella.

            -Olha, quero falar uma coisa, também...Um aviso.

            -Fala logo que não tenho muito tempo. – falou Yuri, nervoso.

            -O Matt...

            -Se é para falar daquele imbecil, me poupe.

            -O Matt mandou avisar que farão uma reunião hoje à noite no quarto do hotel deles.

            -Não vou.

            -Como, Yuri?

            -Quero resolver esse caso sozinho. Sem ajuda dessa equipe ridícula.

            -Yuri, não fale assim...Olhe, não sei por que de uma hora para a outra você ficou assim, mas pelo que eu percebi, a equipe é ótima. Não prejudique o trabalho por causa de bobagens.

            -Não sei porque ainda estou falando com você, sua falsa. Com licença, tenho mais o que fazer... – disse Yuri, desligando o telefone na cara de Dani. A garota estava confusa. Não sabia o que acontecia. “Espero que as coisas melhorem...”, pensava ela.

            Yuri, mais tarde, ligou para Brena. Queria saber se a garota iria ao encontro.

            -Não, Yuri...Tenho umas coisas a fazer. Você pode ir por mim e depois me contar tudo?

            Yuri estava pensando em pedir à colega exatamente o mesmo, mas decidiu aceitar, já que ela devia ter motivos mais sérios para não ir.

            -Ok.

            Já eram umas seis da tarde, quando se encontraram no apartamento. John, Amanda e Scott estavam no quarto. Katie ainda se encontrava no hospital e Yuri devia estar para chegar. Matt descera para espera-lo lá em baixo. Amanda deu o punhal que pegara do assassino ao namorado, para caso precisasse se proteger. Quando Yuri chegou, Matt sorriu para ele, cumprimentando-o, mas o detetive não respondeu. Ficou com uma cara séria.

            -Algum problema, Yuri? – perguntou Matt, ainda na porta do hotel – Notei que você anda um pouco estranho...O que está havendo? Podemos ajudar?

            -É impressionante como certas pessoas são cínicas...Conseguem fingir com essa cara lavada, como se nada acontecesse... – disse Yuri, de cara fechada.

            -Eu não entendi. – disse Matt, sinceramente.

            -Só porque tem essa cara de ingênuo pensa que me engana, Matthew? Já vi muitos como você...Do seu tipo.

            -Cara de ingênuo? Eu não tenho cara de ingênuo! E o que você quis dizer com “Já viu muitos do meu tipo”? – perguntou Matt, irritado.

            -Mentirosos, que mentem e nos enganam com cara de santos. – disse Yuri.

            -Eu não tenho a mínima idéia do que você está falando. Mas não gosto que me chamem de mentiroso, sem motivo.

            -Eu nunca deveria ter pedido ajuda dessa equipe para resolver o caso! Vocês não ajudaram em nada! Pelo contrário, só atrapalharam! – reclamou Yuri.

            -Você é um ingrato. Para o seu governo, estamos muito perto de resolver esse mistério e prender os assassinos. – disse Matt, aumentando um pouco os acontecimentos, afinal, não estavam tão perto assim.

            -Não sei como. Até agora não fiquei sabendo de nada.

            -É claro. Anda sempre sumido, parece que está desinteressado... –falou Matt.

            -Desinteressado? – perguntou Yuri, em um tom de voz alto – Como você diz isso? Sabe o que esse caso tem me custado? Sabe o quanto tenho me desgastado para resolve-lo? E quando começo a achar que está muito difícil e peço uma equipe para ajudar, vem um detetive metido e rouba minha namorada!

            -Como? Você só pode ser maluco. Esse calor afetou sua cabeça, só pode ser. Roubar sua namorada...Quando estiver melhor e quiser subir, suba! Não sou obrigado a ficar aqui em baixo agüentando você. Com licença! – disse Matt, nervoso, subindo para o quarto.

            Yuri ficou lá em baixo, sem saber o que dizer e fazer. Tinha que subir para a reunião, por mais que a companhia da equipe o desagradasse. Foi quando, ao ver Matt indo embora, percebeu que o rapaz tinha um punhal no bolso de trás da calça. Um punhal igual ao dos assassinos.

            -Matthew, espera! – chamou Yuri. Quando Matt virou, surpreendeu-se ao ver que Yuri apontava um revólver para ele.

 

ESTARIA YURI ACHANDO QUE MATT ERA UM DOS ASSASSINOS? O QUE ELE FARIA? O CASO ESTAVA PERTO DE SER RESOLVIDO?

 

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