
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 46
-Está doendo?
-Não...
O grito de dor que Matt deu comprovava que ele mentira...Amanda acabara de limpar a ferida do rapaz e agora colocava um curativo.
-Por que alguém tentaria mata-los? – perguntava John.
-Não sei...Mas tenho a impressão de que estão atrás da nossa equipe. Ficaram sabendo que estamos tentando prender esses assassinos... Mas, como? – indagou Matt.
-Eu penso como você, Matt, - disse Amanda – acho que há alguém por perto que está nos entregando...
-Mas quem, Amanda? – perguntou Scott, pensativo.
-Quem sabe a Mega-CEBR armou isso para nós? Contratou o Yuri, a Brena...Tudo para tentar nos matar. Devem ter descoberto que o dinheiro do parque era falso. – sugeriu Amanda, que andava muito desconfiada da empresa que matara seu avô.
-Não, não seria possível...Estão preocupados no momento com outras coisas. O tráfico de drogas, por exemplo.
-Ou com matar as pessoas! – reclamou Amanda, revoltada.
-Mudando de assunto, eu e o Scott vimos hoje à noite um salão de beleza...
-E daí, John? – quis saber Matt, estranhando o amigo.
-Daí que o nome dele era “CAT’s Look”. – respondeu John.
-E por acaso vocês acham que tem algo a ver com...
-Pode ser! – falou John.
-Ah, tenha dó... – disse Amanda, que não levara a sério.
-Não custa procurar. Quais são as provas que temos de que CAT significa Condomínio Atalanta?
-Ok, mas o que faremos nesse salão? – perguntou Amanda – Invadi-lo e atirar em todas as senhoras que estiverem se embelezando? Ou quem sabe perguntar a elas qual o anti-rugas preferido delas, ou onde compram seus shampoos...
-Aposto que você está louca para saber isso... – brincou Matt. Amanda não se irritava mais com as brincadeiras do rapaz, e sorriu para ele.
-Será que dá para vocês levarem mais a sério? – bufou Scott. – Eu e o John estávamos pensando no seguinte...
No outro dia, acordaram cedo. Amanda, Matt e Scott procurariam um jeito de entrar no edifício. John procuraria informações no salão.
-Como vamos entrar no prédio sem passar pela portaria? – indagou Scott. Matt e Amanda lançaram a ele olhares estranhos, um olhar de que-pergunta-mais-boba-seu-imbecil. Scott se calou e os seguiu, quando os viu indo para a parte de trás do prédio. Era um local com muitas árvores e um grande muro. Atrás havia um terreno baldio. Matt tirou da mochila umas ventosas. Deu duas para Scott, duas para Amanda e ficou com duas. Scott olhou para aquilo, meio sem saber o que fazer. Observou os outros dois prenderem o objeto nas mãos. Fez o mesmo. Matt começou a subir o muro, prendendo as ventosas na parede. Amanda subiu quase ao mesmo tempo. Era um muro altíssimo. Scott começava a subir, mas apresentava alguma dificuldade com o equipamento. Não era tão fácil, tinham que fazer muita força para subir. Matt que estava mais adiantado olhou para baixo para verificar se os colegas estavam conseguindo. Amanda parecia ter mais força que Scott, porque o japonês escorria suor pelo rosto.
-Esse muro não acaba? – perguntou Scott, cansado.
-Cheguei. – disse Matt, bem em cima do muro.
Amanda chegou em seguida e os dois se equilibravam lá em cima. Scott conseguiu depois de um tempo (“Ê lerdeza!”).
-O que faremos agora? – perguntou Scott – Vamos pular?
-Claro, se você quiser se esborrachar no chão, vá em frente: pule! – disse Matt a ele.
Amanda já passara pelos espetos em cima do muro, que protegiam o prédio, e pregou suas ventosas do outro lado. Em seguida, deu um pulo, segurando nas ventosas. Matt e Scott a seguiram. Descer era mais fácil, chegaram logo. Saíram na área de lazer do edifício, que por sorte estava vazia. Esconderam-se atrás de uma moita, ao ouvirem passos. Era um jardineiro, mas logo ele se distanciou.
-Escutem – começou Matt – Eu irei investigar no décimo sétimo andar, Amanda no décimo e Scott no terceiro...Foram os apartamentos que o porteiro afirmou serem escritórios.
Entraram no prédio discretamente e encontraram as escadas. Passar pelo elevador não seria seguro. Cada um ficou em seu devido andar.
-Fique aqui, ok? Não lhe farei mal...É só ficar calmo...Logo, logo lhe soltarei... – dizia John ao homem, que tremia. – Acho que isso dará... – falou, pegando algumas roupas.
No salão, estavam mulheres com olhares frescos, sentadas em cadeiras com apliques no cabelo, ou com dedos esticados e unhas pintadas. John, que acabara de sair de um quartinho aos fundos, estranhava as roupas apertadas e rosas.
-Com licença, é você o cabeleireiro que ficou de fazer uma escova em mim e a maquiagem? – perguntou uma senhora, com uma cara um tanto esticada pelas plásticas e um cabelo volumoso, que se aproximava. John, sem saber o que dizer, respondeu, com uma voz afeminada:
-Sou eu sim, meu bem...Er...Vamos começar?
-Claro. – disse a mulher.
-Bem...Por onde começaremos? – perguntou John, um pouco perdido.
-Ora, que pergunta! É claro que tenho que lavar a cabeça primeiro.
-Ah...Mas a senhora não lavou em casa? – perguntou John, mantendo a voz fina.
-Você é mesmo muito engraçado... – disse a mulher, dirigindo-se à cadeira de lavar a cabeça – É novo aqui? Nunca o vi...
John seguiu a mulher e observou-a deitar a cabeça na cadeira. Depois percebeu que havia uma pia atrás, com certeza para lavar os cabelos.
-Sim, querida...Sou nova aqui... – disse John, dando risadinhas femininas – Vim de Paris...Estava fazendo um curso de cabeleireiro lá...Ah, Paris...Bela terra. Certamente uma das mais bonitas cidades dos Estados Unidos.
A mulher olhou para John, com um olhar desconfiado, depois disse:
-Você quis dizer da França.
-Isso mesmo, benzinho. – corrigiu John, nervoso – É que sou tão viajada... – e soltou mais risadinhas.
-Não vai lavar? – perguntou a mulher, um pouco incomodada.
-Ah, sim... – John pegou o condicionador, jogou no cabelo da senhora. Ela percebeu que havia algo estranho, depois resmungou:
-Você se enganou...Primeiro coloca-se o shampoo.
-Não senhora – disse John, fazendo força para parecer natural – Nesse meu último curso aprendi que colocando o condicionador primeiro o cabelo fica mais vivo...
-Ganha mais vida?
-Isso mesmo.
-Ora, então confiarei nos seus dotes cabeleirísticos... – falou a mulher.
-Ok... – disse John, que jogava o que via no cabelo da mulher. Ficava olhando para os lados para ver se descobria algo sobre CAT ou sobre assassinatos. Temia estar fazendo papel de bobo naquele salão...Queria achar pelo menos uma pista.
Aquele não era um apartamento comum. Era como se fosse um escritório, uma sala. Amanda estava com equipamentos para se escutar do outro lado da sala, estava abaixada com os ouvidos grudados na porta. Parecia ter alguém, ela escutava:
-Tem que ser uma morte trágica. Primeiro a matamos, depois acabamos com ele... – dizia a voz. Era a voz de um homem – Essas foram as ordens de CAT.
-CAT? – pensou a garota.Ela apurou ainda mais os ouvidos.
-Amanda... – disse uma voz, logo atrás dela. Ela se sentiu gelar por dentro, por um segundo, depois virou, reconhecendo a voz:
-Matt! Quer me matar de susto?
-Desculpa. É que eu não achei nada no dezessete...E você?
-Psiu... Escuta isso.
Matt pegou seu equipamento também e grudou os ouvidos na parede. Escutavam:
-Avisou aos do salão?
-Sim... Avisei ao Mick e ele dará o recado aos outros.
Matt e Amanda, que escutavam, tentavam entender o que queriam dizer com aquilo. Foi quando ouviram passos atrás deles:
-Procurando por algo, garotos?
Olharam e viram uma pessoa bem alta, com um chapéu cobrindo o rosto. Apontava um revólver para eles.
SERÁ QUE OS PEGARIAM? SPY ESTARIA CHEGANDO PERTO DE DESCOBRIR O MISTÉRIO? JOHN CONSEGUIRIA ALGO NO SALÃO? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO.