ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 45

John levara o notebook para Katie no hospital. Ela começou a trabalhar, tentando localizar de onde viera o e-mail que recebera e o criador do site. Aquilo não deixava de ser um trabalho de um hacker.

            -Não fiquem me olhando. – disse ela, para Scott, Matt e John – Não vai ser tão rápido...

            Amanda, que estava sendo examinada pelo médico, surgiu no quarto de Katie. Agora tinha um curativo mais bem feito pelo médico, que dera alguns pontos.

            -Tive que aturar a bronca do doutor – disse ela – Me chamou de irresponsável e disse umas milhões de vezes que isso não se faz...

            -Isso só pode ser problema de cabeça! – disse Scott, parecendo ter se esquecido que Amanda estava presente – Ninguém normal sai se cortando por aí, não...

            John, Amanda e Matt olharam feio para o japonês, que em seguida soltou um ‘desculpe’. John deu uma olhadinha para Katie, piscando o olho. Ela entendeu:

            -Amanda, eu queria agradecer...Por você ter me trazido aqui...

            Amanda olhou com um olhar negativo para ela.

            -Ora, Katie...Dá pra ver que alguém mandou você me agradecer... Foi o John?

            John sentiu uma antipatia na fala de Amanda e disse à garota:

            -Por que você não responde com um simples “de nada”?

            -O que é isso, Katie? Não foi nada...Foi um prazer. – corrigiu ela, meio cantarolando.

            -Pessoal, eu estou preocupado é com o Yuri. – disse Matt. – Hoje ele saiu com raiva, mas eu não entendi o por quê...

            -Eu entendi muito bem... – disse Scott, para si mesmo, mas Matt escutou.

            -Como é?

            -Nada não. Eu disse que também não entendi muito bem.

            -Ei! – gritou Katie, repentinamente – Descobri o endereço de onde o e-mail foi enviado. Na avenida das Docas, no Condomínio Atalanta.

            -Condomínio Atalanta...Condomínio Atalanta... – repetia Amanda.

            -Vocês estão pensando o mesmo que eu? – perguntou Matt.

            -CAT! – disseram juntos. – C de condomínio, AT de Atalanta – continuou John – CAT pode significar a localização deles...

            -Amanhã mesmo iremos nesse condomínio...Lá deve ter muito que nos revelar...

            Naquela noite mesmo, ao deixarem o hospital (Katie ficara lá) foram ao condomínio, apenas falar com o porteiro do edifício.

            -O senhor sabe se todos os apartamentos aqui são de moradia? – perguntou Scott ao porteiro.

            -Nem todos! Alguns são uns escritórios e os donos só vem durante o dia. Como o do oitavo andar, o do décimo, do terceiro e o do décimo sétimo...

            -Escritórios de quê? – quis saber Amanda.

            -Ah... Não sei, não... – respondeu o porteiro.

            -Será que amanhã podemos visitar esses escritórios? Sabe, dar uma olhada...

            O porteiro pareceu achar graça, e respondeu:

            -Claro que não. Os donos desses apartamentos não deixam ninguém entrar por nada.

            -Quem são os donos?

            -Só sei o nome do Guilherme, um jornalista, do oitavo andar. Os outros eu nunca vi, e me pedem para eu não revelar os nomes.

            -Por que? – perguntou Matt.

            -Ora, rapaz! Como eu vou saber? Vocês ficam me fazendo perguntas como se eu soubesse de tudo. Quem são vocês? Não vou deixa-los entrar!

            -Você não tem que deixar nada!... – irritou-se Amanda.

            -Não... – interrompeu John, acalmando a garota – Ele tem razão. Não podemos entrar... Olha, seu porteiro...Somos apenas curiosos. Nada mais. – e saiu andando. Os outros, sem entender, o acompanharam.

            -John? Por que você disse aquilo? – perguntou Scott.

            -Ele não ia deixar a gente entrar mesmo...Amanhã entraremos aí, mas de algum outro modo. Sem passar pela portaria! – respondeu John. Estavam todos querendo investigar o prédio e descobrir se a teoria a respeito do CAT estava certa. Iam a pé para o hotel. John olhou para Matt e Amanda, que andavam normalmente:

            -E vocês dois? Estão namorando? – perguntou, mudando de assunto.

            Os dois se olharam. Depois, despistaram e voltaram a olhar pra frente. John insistiu:

            -Hein?

            -Não, quê isso? – respondeu Amanda.

            -Imagina... – completou Matt.

            Amanda começou a andar mais à frente. John aproximou-se de Matt.

            -O que houve? – perguntou John.

            -Não sei se daria certo... – disse Matt – Eu e ela somos muito diferentes.

            Scott andava com a atenção desviada, pensava em outras coisas, nem prestou atenção na conversa dos amigos:

            -Matt, olha aqui. Você sente algo por ela, não sente? – perguntou John.

            -Não sei...Até ontem eu só sentia raiva e antipatia dela. Hoje, eu senti algo diferente...Algo que eu nunca senti antes.

            -Eu sei o que é isso. – disse John, que continuou, sem prestar atenção no olhar de dúvida de Matt – Você está apaixonado por ela.

            -Não, não estou! – falou Matt, como se tivesse acabado de ouvir o maior absurdo de sua vida.

            -Ah, como não? Você acabou de me dizer. “Nunca senti isso antes”. Você está gostando dela sim. E eu dou o maior apoio, sabia? Olha, vou te dizer uma verdade: eu gosto um pouco dela, mas, cara, com essa expressão que você tá, você gosta muito mais que eu...

            Matt ia dizer algo, mas John continuou:

            -Vai lá, amigo. Vai atrás dela. Pode não parecer, mas ela é muito especial.

            Matt sorriu e apressou o passo, alcançando Amanda, que estava à frente. John foi com Scott ao outro lado da calçada, para deixar os dois a sós. Scott estava tão distraído que nem notou. Em sua cabeça passavam coisas como “O que será que o Yuri vai dizer amanhã quando encontrar o Matt?” ou “Tomara que ele não esteja mal com a Dani...”

            -Amanda... – disse Matt, perto da garota – Eu queria dizer que...

            -Eu já sei... Que nós dois não temos nada a ver e que nada aconteceu...Pode deixar, não precisa dizer... – disse ela, fria.

            -Não, que eu estou sentindo por você uma coisa que eu nunca senti por ninguém. Olha, eu nunca pensei que fosse dizer isso para você  e...

            Amanda parou. Olhou para Matt.

            -O que?

            -Isso mesmo. – disse ele – Eu não sou de ficar fazendo declarações de amor, mas...

            Amanda não o deixou continuar. Beijou o rapaz, ignorando tudo ao seu redor. Não queria mais saber se aquele era o Matt que ela não fora com a cara no primeiro encontro. Deixou o orgulho de lado, sentindo-se apaixonada.

Beijavam-se ainda, quando Matt abriu de repente os olhos, assustado. Empurrou Amanda para baixo. Ela, no chão, por um milésimo de segundo, tentava entender o que acontecera, olhou para cima e viu um homem mascarado, como o que tentara matar Katie, com um punhal na mão. Ele tentara acerta-la, mas como Matt a empurrara, o punhal entrou perto do peito do rapaz. Matt estava imóvel, com a arma enfiada em seu corpo. Amanda levantou-se, empurrou o assassino e Matt pôde tirar o punhal, ignorando a dor que sentia. O mascarado, ao ver que Matt tiraria o revólver do bolso, saiu correndo em disparada. Virou a esquina. Foi tudo tão rápido que os dois detetives resolveram não segui-lo.

Amanda olhou para Matt, que agora tinha a região perto do peito sangrando. Ele, sem se importar com a ferida, disse, preocupado:

-Por que alguém tentaria nos matar? Como sabem que estamos tentando prender os assassinos? Amanda... Tem alguém que nos conhece e está informando a esses assassinos...

Amanda ficou com um olhar duvidoso...

 

POR QUE ALGUÉM TENTARA MATAR OS DETETIVES? SABERIAM OS ASSASSINOS QUE ELES ERAM ESPIÕES TENTANDO RESOLVER O CASO? E SERÁ QUE DESCOBRIRAM MESMO O SIGNIFICADO DE CAT?

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