ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 44

            -Amanda! Por favor, abre essa porta! – gritava Matt, bastante preocupado. Via o sangue saindo por debaixo da porta e tentava imaginar o que a garota estaria fazendo. Forçou a fechadura. Percebeu que estava fraca e conseguiria arrombar. Com um pouco mais de força, a fechadura podre saiu, e a porta pôde ser aberta. Matt levou um susto com o que viu. Amanda estava sentada no chão, com um punhal sujo de sangue ao lado. Seus pulsos sangravam e a garota estava pálida. O sangue manchava sua roupa e escorria pelo chão.

            -V...Você está louca? – perguntou ele, nervoso. Pegou duas toalhas e pôs em seus pulsos, fazendo força, para o sangue parar de sair. – Amanda... Por que você fez isso?

            Ela não respondeu. Seus olhos estavam vidrados e cheios d’água, apesar de não escorrer nenhuma lágrima. Matt tentou manter a calma.

            -Amanda...Fiquei sabendo o que houve com seu avô...Olha, eu sinto muito...Eu sei como é perder uma pessoa que a gente gosta muito. Tive essa experiência cedo demais. Eu tinha uma irmã, ela morreu, quando eu ainda era uma criança...Mas, isso não é motivo para querermos acabar com a nossa vida.

            Amanda não disse nada.

            -Você ainda tem muito que viver... – continuou o rapaz, ainda pressionando a toalha – Não pode...

            -Pára com isso! – disse ela, finalmente, com uma voz trêmula – Pára com isso! Eu quero me encontrar com ele...Eu quero morrer!

            -Pára de falar bobagens. Você é burra ou o que? – perguntou Matt, com raiva – Você não sabe o que está fazendo... Olha aqui! Seu avô não gostaria nem um pouco de saber que você está fazendo isso. Um dia todo mundo morre, mas não apresse as coisas!

            -Você não entende...- disse ela, tremendo – A culpa foi minha!

            -Sua? Como sua?

            -Ele foi assassinado! Pela Mega-CEBR! E a culpa foi toda minha. Eu fui provocar o seu chefe. Deve ter contado para o Dr. Nunez. Sabe o que minha mãe disse que havia no corpo do meu avô? Tinha um bilhete, escrito: “Não se metam conosco. E agora, têm medo de nós?”. Eles o mataram... Para nos meter medo. – disse ela, nervosa. E, finalmente, uma lágrima escorreu de seus olhos – Eu nunca mais vou ver meu avô...

            Matt não acreditara no que acabara de ouvir, aquilo era terrível demais. Como, um dia, poderia ter trabalhado com um bando de assassinos? Como eles foram capazes de fazer uma barbaridade tão grande? Apenas olhou Amanda, que enxugava as lágrimas. Com certeza, ela não queria que o rapaz a visse chorando. Então, algo que veio de dentro dele, o fez tomar uma atitude inesperada. Aproximou-se de Amanda, segurou seu rosto e os dois se beijaram. Por um momento, os dois sentiram a coisa mais estranha que até então já haviam sentido: era como se revivessem cada momento, cada briga, cada palavra trocada. Desde seu primeiro encontro, na casa do assassino do dono do bar, até a viagem à Belém. Amanda parou de tremer. Ao terminar o beijo, ficaram se olhando. A lembrança que Matt tinha dele e Angélica juntos sumiu de sua mente. Os dois se olhavam, sem saber o que dizer. Amanda não enxergava mais Matt como um chato intrometido. O rapaz não mais a enxergava como uma metida enjoada. Era estranho, muito estranho... Amanda começou a chorar de verdade, não conseguiu mais segurar. Seu rosto estava branco e molhado.  Matt a abraçou.

 

            -Yuri! O que houve com você? Por que está assim comigo? Não lhe dei motivos!

            Yuri se afastava de Daniella. A garota tentava entender a atitude do namorado.

            -Meu amor... Conte-me o que houve... Não vai me deixar nessa agonia, vai?

            -Some daqui, Daniella! – falou o rapaz, em voz alta.

            Daniella saiu, muito nervosa. Deixaria para se entender com Yuri depois.

            -Como ela pôde fazer isso? – perguntava Yuri, para si mesmo, assim que Dani saiu. – E o Matthew...Ele me parecia boa pessoa...Por que fui pedir ajuda a essa equipe? – questionava-se, com frustração. O rapaz estava realmente chateado.

 

 

            -Ainda tá preocupado com isso, John? Não deve ter acontecido nada. Por que esse pressentimento bobo? – perguntou Katie, deitada na cama do hospital.

            -É...Não deve ser nada...

            -Mas, me conta... Falou com o tal Charles? – perguntou Katie, mudando de assunto.

            -Sim, falei. Conversamos pouco, pois assim que soube que você estava no hospital, vim correndo. Mas ele me disse que não sabe de nada. Disse que é claro que já ouviu falar nos assassinatos, mas nunca se viu nenhum assassino andando normalmente por aí...E nenhum de seus amigos foi morto por esse grupo.

            -Parece que só matam pessoas mais ricas. Mas, é claro que quem encomenda a morte, deve ter muito dinheiro. Andei olhando na internet no tal site, e vi que cobram um absurdo para matar alguém... – disse Katie.

            -Tente localizar o endereço e o nome do criador do site, prima.

 

 

            -Pronto. – disse o rapaz enrolando a faixa no braço da garota.

            -Obrigada.

            -Onde arranjou esse punhal, Amanda?

            -Peguei de um dos assassinos. Ele atirou na Katie. Depois foi atrás de nós com esse punhal. Esse assassino não é lá grande coisa. Acho que atacam mais gente indefesa.

            -Na Katie? A Katie levou um tiro?

            -Já está no hospital com...O John... – disse Amanda, que estava bem chateada com John, o rapaz brigara com ela sem motivos. – Eu vou morrer, não é? – disse depois, vendo que os cortes continuavam a sangrar.

            -Você é completamente maluca. Não sabe que um punhal corta? – disse Matt triste, retirando a faixa e enrolando com mais força.

            -Sabe...Não sei se vou conseguir viver sem o meu avô...Isso é tão estranho...Perder ele de uma hora pra outra...

            -Não fale isso! O que nós temos que pensar agora é como vamos resolver esse mistério aqui de Belém. – falou Matt.

            -E como vamos nos vingar da Mega-CEBR... Porque eu juro: quando eu puser as mãos em um membro sequer daquela empresinha, eu mato do jeito mais terrível possível. – disse Amanda, com os olhos faiscando de ódio.

            -Eu também...Eles já mataram o Rubens, agora seu avô...

            Amanda teve outra crise de choro. Só de pensar que seu avô estava morto, tinha uma sensação ruim. Ela e Matt se beijaram, mais uma vez.

            -Está fazendo isso para me consolar? – perguntou ela.

            -Você sabe que não...

 

 

            -Scott. Você por aqui? – perguntou John, que estava chegando no hotel e encontrara Scott, na porta do elevador.

            -É...Eu tava no restaurante. Onde está a Katie?

            -Está no hospital... – John explicou tudo. – E os outros?

            -A Amanda, acho que está no quarto... O avô dela morreu, sabia? O Matt foi ver como ela estava, não sei se ainda está lá.

            -Morreu? Eu sabia que algo ruim havia acontecido. Coitada dela...

            John e Scott chegaram ao quarto. Matt não estava lá. Dirigiram-se ao quarto das garotas, e lá viram Matt e Amanda, sentados na beirada da cama, se beijando. John sentiu uma pontinha de ciúmes, mas um certo alívio. Ele gostava um pouco de Amanda, mas não queria que isso continuasse, pois tinha medo de perde-la, como perdera sua namorada, a policial que foi morta em uma busca ao bandido.

            -Podemos interromper? – pigarreou Scott.

            Amanda e Matt viraram-se, um pouco envergonhados. A garota tinha os olhos vermelhos, mas sorriu.

            -Amanda...Você está bem? – perguntou John.

            -Estou melhor. – respondeu.

            -O que é isso? – perguntou John, olhando para os pulsos de Amanda, que estavam com uma faixa, mas o sangue insistia em sair.

            -Bem...

            -Tem que ir a um hospital! – disse John. – Vamos, aproveitamos e visitamos a Katie. - John acabara de sair de lá, mas não perderia uma oportunidade de ver a prima.

            -Não quero ir...

            -Ah, vai sim... – disse Matt, e eles foram para o hospital: ele, Amanda, John e Scott.

 

 

            -Só mais alguns dias...Só mais alguns dias e pegaremos aquele paraense metido! – disse.

            -Estou louco para isso acontecer, chefe. Você já o aturou demais...Mataremos aquela equipe de espiões também, não é?

            -Claro. Um a um... O Jackson falhou, mas da próxima vez todos morrerão...

 

QUEM QUERIA MATAR YURI E A EQUIPE? MATT E AMANDA FICARÃO JUNTOS? O CRIME SERIA RESOLVIDO? E O QUE SIGNIFICARIA “CAT”? ESSES E OUTROS MISTÉRIOS...NOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS DE SPY...

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