ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 40

 

            -CAT... CAT... CAT...

            -Quer parar de repetir isso, Amanda? – irritou-se Katie.

            -O que será que significa CAT? – pensava alto Amanda.

            -Não sei... Sei que quero dormir...

            -Ainda são dez da noite.

            -Não tem problema – bocejou Katie – Não quero saber mais de nenhum assassinato por hoje.

            -Como será a faca, ou melhor, punhal, que matou aquele homem? – continuou Amanda – Bem potente! Queria ter um desses...

            -Você é patética! Cale a boca e me deixe dormir!

            -Boa noite, Bela Adormecida. Não espere que eu apague a luz, vou procurar no dicionário e ver se acho algo relacionado com CAT.

            -CAT é ‘gato’ em inglês. – falou Katie.

            -Mas pode ser uma sigla, uma abreviação...

            -Amanhã pensamos nisso, Amanda...Deixa quieto!

            Apagaram a luz e dormiram. No outro quarto, Matt não pregava os olhos...Deitou-se o mais longe possível de Scott, mesmo que isso significasse ficar com metade do corpo pra fora da cama. O japonês dormia profundamente e além de enrolar-se em seu cobertor, ainda puxava o de Matt. O rapaz desistiu. Pegou o travesseiro, a coberta, ajeitou o tapete e dormiu lá mesmo. Nem sentiu a dureza do chão. Foi acordado pelas risadas de Scott, logo cedo:

            -Caiu da cama, bebezinho? – perguntava, rindo.

            -Qualquer um cai da cama com você do lado! Como eu disse, prefiro dormir no chão a dormir com você! Hoje será sua vez!

            -Nem morto!

            -Parem com essas discussões – disse John, com a boca cheia de creme dental – Hoje será um dia cheio. – falava, escovando os dentes ao mesmo tempo.

            Depois do café no hotel, encontraram-se no quarto dos rapazes para discutir algumas coisas.

            -Não se esqueçam de que estamos ajudando o Yuri. Mas acho, que como equipe, devemos ter combinações que ele não saiba. Pois ele pode contar algo a namorada e ela ser uma traidora, por exemplo. – falou o Matt, que agora entendia do assunto.

            -Tem razão. Combinaremos o básico com ele. O resto faremos por nossa conta. – aprovou John.

            -Por onde começaremos? – perguntou Katie.

            -Podíamos perguntar ao pessoal da cidade, se já ouviram falar dessa onda de assassinatos e o que pensam a respeito disso. – falou John.

            -Visitar as famílias das vítimas... – acrescentou Amanda.

            -É... Será que o Yuri sabe ao certo todas as vítimas? – perguntou Scott.

            -É possível. Tem uns amigos meus que moram aqui em Belém – disse John – Eu e o Matt podemos ir até eles, para perguntar algumas coisas. Eles são bem ‘barra pesada’.

            -O Scott e a Amanda entrevistarão a família das vítimas, juntamente com o Yuri. – disse Katie. – E eu verei se posso fazer algo no computador.

            -Ok! E não se esqueçam: Qualquer informação encontrada, discutiremos antes de contá-la ao Yuri. Isso não será desrespeito a ele, e sim uma prevenção.

            Mais tarde encontraram-se com Yuri:

            -Vamos esperar a Brena chegar. – disse Yuri, que estava ao lado de Daniella.

            Enquanto esperavam, Katie e Daniella conversavam.

            -Você trabalha com o Yuri? – perguntou Katie.

            -Não. – respondeu Dani – Mas gosto de estar presente nas investigações, apesar de não entender quase nada desse assunto. – disse, rindo – Estou louca para que essa história dos assassinatos acabe logo. O Yuri já está bastante preocupado. Ele e a minha melhor amiga, a Brena. Yuri está sempre alegre, mas ultimamente tem se desgastado muito nesse caso...Está sempre cansado.

            -Espero que consigamos. Sabe, eu nunca fui detetive – disse Katie – A minha participação na equipe é mais pelo lado do computador. Mas acho muito legal isso. Estou aprendendo bastante.

            Brena chegou, em seguida. Era uma moça de cabelos e olhos castanhos, e muito simpática.

            -Olá!

            Dividiram a função de cada um. Yuri, apesar de suas investigações anteriores, preferiu começar do zero, indo na casa das famílias das vítimas para entrevista-las, junto com Brena. Amanda fez o mesmo, assim como Scott. John foi procurar seus amigos, juntamente com Matt.

            -Você tem alguma idéia de onde eles moram, John? – perguntou Matt.

            -Não...

            Matt já ia dizer ‘Que ótimo’, quando John completou:

            -Mas tenho o telefone do Charles.

            -Como você os conheceu?

            -Moravam em Nova Lima, éramos uma turma da pesada... Até que...Bem, resolveram mudar-se para cá. – disse John.

            -E por que você não mudou?

            -Porque meus pais morreram e eu resolvi procurar um trabalho lá mesmo.

            -Ah... – Matt decidiu parar o assunto. John nunca lhe contara dos pais e naquele momento não era a melhor ocasião para perguntar.

            Katie estava no quarto do hotel, com o notebook. Sentiu uma estranha necessidade de fazer algo diferente. Lembrou-se de John, há algum tempo, querendo provar que tinha competência. “Se eu fizesse algo sem ninguém saber, talvez veriam como eu posso ser útil na equipe...”, pensava a garota. Decidiu entrar na internet, no site que Yuri mencionara. Iria fazer o cadastro, se passar por uma pessoa que queria encomendar uma morte. “Se fizer uma armadilha, talvez consiga pegar um dos membros. Isso seria demais!”. Entrou no site. Era um site simples e Katie se cadastrou. Logo depois, recebeu um e-mail, pedindo telefone. Estava arrumando tudo, queria que saísse perfeito.

            Scott estava na casa de uma velhinha, que tivera o filho assassinado.

            -Ele era um menino bom...Por que fizeram isso com ele? – fungava a velha.

            -Calma, minha senhora. Você sabe se seu filho era envolvido com gente perigosa? Gente ruim, que poderia desejar sua morte? – perguntou Scott.

            -Não sei... Meu filhinho era um empresário bem sucedido. Creio que muitos tinham inveja dele, pois era um garoto pobre e deu uma virada na vida.

            Amanda, na casa de uma madame, tentava manter a calma com a mulher, que dava constantes chiliques:

            -Ai, cuidado com esse sofá. Pano francês, minha filha. Sente-se com cuidado, sim?

            -Er...Tudo bem... – falou Amanda, com um sorriso forçado – Bem, indo direto ao assunto: seu irmão foi assassinado, não é isso?

            -Isso. – confirmou a madame, ajeitando a armação do cabelo - Opa, não encoste nas almofadas, foram escovadas hoje.

            -Bem – disse a garota, retornando – Quando foi isso?

            -Ah, foi no dia em que fui comprar umas roupinhas novas para mim...

            -E em que dia a senhora foi comprar roupinhas novas para você? – perguntou, cerrando os dentes.

            -Deixe-me olhar no meu talão de cheque... –falou a madame perua.

            -Não! Esqueça. Seu irmão era chato como a senhora? Quero dizer, seu irmão era muito ligado a você? – perguntou Amanda, irritada.

            -Nossa! Nunca! Eu nunca deixaria minha filha usar essas roupas que você usa, detetivezinha. – disse a madame, mudando completamente de assunto, observando a calça jeans preta e a mini blusa de Amanda – Minha filha só usa vestidos longos.

            -Chega! – explodiu Amanda, que não tinha muita paciência – Você vai ficar sem saber mais da morte do raio do seu irmão! Fique aí com seus vestidos e almofadas! – disse, levantando-se e indo embora. Procuraria outra família para entrevistar.

            -Ora, sua mal educada... Ahhh! Você entortou o tapete! – disse a perua, dando pulinhos de aflição.

            Yuri e Brena estavam em uma casa, procurando saber mais informações da morte de um senhor.

            Estava difícil conseguir pistas.

 

CONSEGUIRIAM RESOLVER O CASO? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO, ONDE ALGO ACONTECE A KATIE E APENAS UMA PESSOA PODE AJUDAR...

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