
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 41
Era um lugar escuro, com paredes descascadas, quase um beco, onde uma pequena porta estava escondida atrás de uma cortina rasgada...As latas de lixo deixavam um odor horrível no ar.
-É aqui. – disse o rapaz, puxando a cortina empoeirada.
-Tem certeza, John? – perguntou o outro, estranhando a aparência do lugar.
-Claro. Pelo que o Charles me falou, é aqui mesmo, Matt.
-Então vamos entrar...
John bateu na porta. Depois de um tempo, um cara negro, alto, de cavanhaque e mal encarado abriu.
-O que querem? – perguntou, com uma voz grave.
-Olá! Sou o John...Liguei a pouco para o Charles. Queríamos perguntar sobre...Espera aí...Você não é o Dante? Cara, você está muito mudado...- falou John, dando uma risada – Você era magrelo e...
-Sem enrolar, John! Eu também lembro de você...O medroso que não quis vir para Belém...
-Bem... – disse Matt, intrometendo e cortando o assunto – Viemos ver se sabem algo sobre a onda de assassinatos aqui em Belém.
-Quem é esse branquelo? – perguntou Dante.
-Branquelo é a vovozinha... – falou Matt, com raiva.
-É meu amigo Matt.
-Charles não vai gostar nada disso... – falou Dante, bem baixo, para si mesmo.
Entraram. Era um lugar que lembrava um bar, com vários homens, todos negros e grandes, sentados em mesas de madeira, bebendo, jogando baralho e disputando queda de braço. Matt sentiu-se estranhamente pequeno, comparando-se com a altura dos outros.
-Charles, amigo! Há quanto tempo! – exclamou John, olhando para o mais alto de todos, que tinha os cabelos pintados de vermelho.
-Não somos amigos, John...Há muito tempo não nos vemos... – disse Charles.
-Ora, não fale isso...Esse é o Matt, meu amigo e colega. – falou John, apresentando o amigo. Matt estendeu a mão para cumprimenta-lo, mas Charles não se moveu.
-Deu para andar com brancos agora, Johnatas? – perguntou, menosprezando Matt.
-Tem algum problema nisso? – perguntou Matt.
-Ainda por cima é um branco metido. – zombou Charles.
-Charles...
-Metido? Olha só quem está falando. O metidão aqui é você... – disse Matt, nervoso.
-Não ouse falar assim comigo, garoto. Não sabe do que sou capaz.
-Você pensa que me assusta? Só porque tem todos esses homens como seus escravos? Acha que é o chefão aqui? – provocou Matt.
-Eu sou o chefão aqui! – falou Charles, com voz grossa. Dois homens, que estavam sentados, levantaram-se, seguraram o braço de Matt, com força. Ele soltou-se, olhando feio para os caras.
-Ei, parem com isso... – disse John. Mas era tarde. Os homens, irritados, jogaram Matt contra a parede. O rapaz reagiu, socando um deles. A briga estava feita. Mais um levantou-se para ajudar os dois brutamontes. Eram três caras grandes, contra um outro, bem alto e forte também, mas que não conseguiria dar conta de três. John olhou para Charles, perplexo. Não entendia como o antigo amigo estava deixando acontecer uma injustiça daquela. Entrou no meio da briga, segurando um dos homens, impedindo que continuasse a socar a cara de Matt.
-Podem parar! – gritou Charles – Acho que já deu para o Matt (disse, com uma voz irônica) ver como odiamos brancos. Brancos são traiçoeiros, preconceituosos...
-Charles! Quem está sendo preconceituoso são vocês. – disse John, ajudando Matt a se levantar.
-Brancos são metidos, se julgam melhores, quando na verdade são bem piores! – continuou Charles.
Matt levantou-se, com dificuldade, e disse:
-Eu tenho pena de vocês. São um bando de ignorantes. – e saiu do “bar”, sem esperar John.
Um dos homens tirou uma faca do bolso.
-Deixe-o! – falou Charles – Mas, é bom que ele nunca mais volte aqui, ouviu John? – disse, virando-se para o rapaz, que estava bastante assustado.
-Charles, vou voltar mais tarde, o que tenho a perguntar é importante... – foi a única coisa que John conseguiu dizer, antes de sair.
Matt estava esperando lá fora, sentado. Estava sangrando e dolorido.
-Cara, eu nem sei o que dizer...Me desculpa, Matt. Eu não devia tê-lo trazido aqui...
-Deixa pra lá, John. Sabe, eu não acredito que você era amigo desses caras.
-Eu era como eles... – disse John, relembrando, frustrado.
-Você é diferente. Se parou de andar com eles é porque é mais esperto...
Foram para o hotel. Matt tomou um banho. Mais tarde todos chegaram para o almoço, no restaurante do hotel, exceto Yuri e Brena, que tinham continuado as investigações.
-Nossa! O que houve? Foi atropelado por um caminhão? – perguntou Amanda, irônica, olhando para Matt.
-Ah, cala essa boca, Amanda. – disse Matt.
Durante o almoço diziam o que tinham conseguido. Scott e Amanda não haviam conseguido nada muito importante. Tentariam outras famílias pela tarde.
-E você, Katie? O que conseguiu? – perguntou Scott.
-Por enquanto nada. Mas estou...Er...Tentando conseguir o nome de quem fez o tal site...
-Que eficiência, hein? – criticou Amanda.
-Fique quieta que você também não conseguiu nada! – respondeu Katie.
-Mas eu não fiquei dentro do quarto do hotel, parada...
-Quer saber? Eu quero mais é que você seja assassinada por esse povo. Adoraria ver um CAT escrito bem no meio do seu nariz! – disse Katie, irritada.
-Você é quem devia morrer! – falou Amanda – E com uma punhalada.
-Parem com esse assunto amigável! – disse Scott – Quero comer em paz.
-Ei Katie! Depois vamos discutir um meio mais cruel da Amanda morrer. – disse Matt, rindo. Katie gargalhou.
-Você é realmente muito engraçado. Engraçadíssimo! – respondeu Amanda.
-Calem a boca! – bufou Scott, com a boca cheia de arroz.
Mais tarde todos voltaram às suas tarefas. John iria falar com Charles, mas sem Matt. Este iria procurar informações, como estavam fazendo os outros. Katie continuou no computador. Recebera um e-mail pedindo para ela ir a uma das praças principais de Belém. Iria, para ver se conseguia algo. Katie estava tão ansiosa para provar que podia fazer algo útil, que nem pensou nas conseqüências. Já estava escuro quando foi. Levava uma arma, apesar de não saber usá-la. Andava pela rua, a caminho da praça, quando escutou passos, bem atrás dela. Os passos foram se aproximando, ela não se atreveu a olhar para trás. Ao perceber que os passos estavam próximos demais, virou-se. Viu um vulto mascarado, com um punhal na mão, indo com ele em sua direção. Por um triz conseguiu desviar, conseguiu pegar o punhal da mão do assassino, atirou-o longe. No movimento, sua arma caiu no chão. O assassino apanhou-a, rapidamente. Ouviu-se um tiro. O barulho atraiu a atenção de pessoas, e o mascarado puxou a moça, caída no chão, até um lugar escuro, onde não podia ser vista. Ele escondeu-se, atrás de uma escada, deixando Katie caída, com a arma ao lado.
-Pensarão que foi suicídio! – disse. Calou-se ao ver que alguém se aproximava. Era uma garota, de cabelos compridos e pretos, com um revólver na mão.
-Tenho certeza...Ouvi um tiro...Por aqui... – disse Amanda, que acabara de sair de uma casa ali perto. Foi quando viu, escondida pelas sombras, Katie caída no chão. –Mas o que significa isso? – estava espantada. Abaixou-se. Viu que a garota ainda respirava. Carregou-a. Iria procurar um hospital. Andava rápido, com Katie nos braços. Percebeu que alguém a seguia...
KATIE SOBREVIVERIA? AMANDA CONSEGUIRIA SALVÁ-LA? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO, CHEIO DE AÇÃO, DE SPY!