ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 39

No dia seguinte, John saiu para tomar o café da manhã, normalmente, afirmando a mentira de Amanda, dizendo que tinha umas contas a pagar e que estava meio preocupado. Isso deixou os outros mais tranqüilos. Passaram aquele dia preparando as coisas para a viagem do dia seguinte. Levavam de tudo. As malas estavam enormes e era uma sorte irem de avião, pois no ônibus ocuparia muito espaço no porta-malas. A viagem até Belém não era nem um pouco curta e levariam dias para chegar, se não fossem voando.

            Matt conferia as armas e os equipamentos. Não esqueceu de pegar seu diskman, não conseguia viajar sem ele. “A viagem passa mais rápido quando ouvimos música”, dizia.

            Amanda conferiu a mala umas quinhentas vezes para ver se seus shampoos, cremes e escova de cabelo estavam lá.

            John estava preocupado com as roupas que levaria

            -Essa roupa é muito quente, lá é um calor infernal... Mas... E se fizer frio? Acho que devo leva-la então. Mas... Eu vou assar! E essa aqui? Não está bem apropriada para um espião, está? Ela é meio colorida...

            -Leva tudo, John! Lá você escolhe! – irritou-se Katie.

            -John, você não vai a um desfile de moda, cara. É só nosso trabalho. – brincavam.

            Katie lavava os vestidos que levaria, queria todos brilhando...Nem ligou quando Matt a apelidou de ‘lavadeira da equipe’.

            Scott arrumava suas roupas, com o maior cuidado, sem deixar amassar nada.

            -Você é muito fresco, Sushi! – reclamou Matt.

            -Eu apenas me preocupo com a aparência. Ajuda a atrair as mulheres, meu caro.

            Matt segurou a risada e Scott continuou a arrumar as roupas, cuidadosamente, ignorando-o.

            Na manhã seguinte, todos acordaram mais cedo que o combinado. Estavam ansiosos. O vôo só sairia as nove da manhã, mas às seis já estavam de pé. Juntavam as coisas que esqueceram, e tomavam um café apressado. Amanda e Matt trombaram no corredor umas três vezes e trocaram ‘elogios’ bem ofensivos (se é que isso existe). Saíram bem cedo e ao chegar no aeroporto, tiveram que esperar um pouco. O avião saiu. A viagem não era demorada, mas cochilaram um pouco.

            -Você ronca! – reclamou Amanda, que estava ao lado de Matt no avião.

            -Olha quem fala... O trator aqui é você! – respondeu o rapaz.

            -Parece um porco...

            -E você uma leitoa!

            -Sem discussões! Quero dormir! – gritou Scott.

            -Isso mesmo! Os dois porquinhos calados! – completou John.

            Matt e Amanda calaram-se, emburrados. Dormiram mais um pouco e foram acordados com a turbulência do avião, chegando em Belém. Saindo do aeroporto, foram para o hotel que seu Arthur reservara, de táxi. Era um hotel pequeno, mas sabiam que quase não ficariam lá, o caso seria difícil e ainda tinham que procurar muitas pistas pela cidade. Katie e Amanda dividiram um quarto (“Que droga”, disseram juntas) e Matt, Scott e John ficaram em outro. A surpresa foi que o quarto (para três pessoas) que ficaram tinha uma cama de solteiro e outra de casal. Foi uma discussão e tanto para ver quem dormiria na cama de solteiro.

            -Eu só não faço um sorteio porque com a minha sorte, ficarei na cama de casal com o Sushi! – disse Matt.

            -Deus me livre! – exclamou Scott.

            -Eu prefiro dormir no chão a dormir com você, amarelão!

            -Amarelão? – perguntou Scott, que não gostou nem um pouco do apelido – Então durma no chão, branquelo!

            -Vamos ver se dá para trocarmos de quarto. – disse John, tentando amenizar a situação.

            Ligaram para a recepção. Infelizmente o hotel estava cheio e não dava para trocar de quarto. Restou fazer um sorteio. Como Matt temia, ele e Scott ficaram na cama de casal. Não havia palavras para descrever a decepção dos dois. John ria da cena. Matt e Scott apenas desejavam que não chegasse a noite para não terem que (argh) dormir juntos.

            -Temos que encontrar o Yuri. Seu Arthur marcou para almoçarmos juntos hoje. – lembrou John.

            Arrumaram as coisas e dirigiram-se, junto com as garotas, para o restaurante ao lado. Yuri ainda não chegara. Estava muito calor e pediram um suco. Foi quando chegou um rapaz, de cabelos castanhos, meio ondulados, magro e com uma cara bem simpática. Ele aproximou-se.

            -SPY. – disse ele.

            A equipe permaneceu calada olhando para ele. O que ele queria dizer com aquilo? O rapaz os olhou por mais alguns momentos e saiu, um pouco envergonhado, dirigindo-se para outra mesa. John, de repente perguntou:

            -Yuri?

            O rapaz virou.

            -Eu mesmo.

            -Somos a equipe do Arthur! – falou John.

            -Tem certeza? – perguntou Yuri, meio desconfiado – Por que não responderam quando eu disse a senha?

            -Que senha? – perguntou Scott.

            -A senha, que seu Arthur me disse para eu falar para vocês... Disse que vocês entenderiam...

            -Bem...Parece que ele se esqueceu de nos avisar desse detalhe. – comentou Matt.

            -SPY? – perguntou Katie – Que tipo de senha é essa?

            -Pelo que ele me falou, é o nome da equipe de vocês... – explicou Yuri.

            -Uau, nós tínhamos um nome e nem sabíamos! – brincou Amanda.

            -Parem com isso! Querem que o Yuri pense que somos desorganizados? – repreendeu Scott.

            -Não, eu nem pensei nisso... – falou Yuri, disfarçando.

            -Sente-se! – falou Katie.

            -Obrigado. – agradeceu, puxando uma cadeira.

            -Bem, vamos nos apresentar... – começou John – Meu nome é Johnatas, pode me chamar de John. Essa é minha prima Katie. Essa é Amanda, esse é o Matthew, pode chamá-lo de Matt e esse é o Scott.

            -Pode chamá-lo de Sushi... – completou Matt.

            -Cala a boca!

            -Pára com isso, Sushi... Quer que o Yuri pense que somos desorganizados? – brincou Matt, irritando Scott.

            -Bem... – interrompeu John – O motivo pelo qual nos encontramos é discutirmos o caso. Não falem alto e ajam naturalmente. – recomendou.

            -Ok. – disse Yuri – Não sei se já sabem como é exatamente o ocorrido, posso passar-lhes os detalhes.

            -Já sabemos que há um grupo de assassinos que ganha para matar. – falou Scott – Sabemos também que deixam uma marca em cada corpo escrito CAT.

            -Isso. – confirmou Yuri – As vítimas são sempre mortas com punhais. Quase sempre matam com uma punhalada só. – acrescentou - Isso tem feito muitas vítimas aqui.

            -Como recebem o pedido, sabe, para matar alguém? – perguntou Katie.

            -Através de um site na internet. Você entra, faz o cadastro e eles entram em contato com você. É claro que têm um modo de saber se você é confiável ou não. Acho que você tem que ter alguma fonte confiável, alguém conhecido, algo assim. Por isso, é muito difícil simular um pedido. Além do mais, achamos que há um encontro com alguém desse grupo. Imaginem se pegam você, tentando prender o grupo, fingindo estar pedindo para matar uma pessoa. Você estaria praticamente morto. Frito! – explicou Yuri.

            -Mas, nesse tempo todo, vocês não conseguiram nada? – perguntou John.

            -O engraçado é que sempre que começamos uma investigação, ela dá errado. Eu e a minha companheira, a Brena, sempre procuramos várias pistas, mas no final percebemos que tudo estava errado e nada se encaixa. – falou Yuri.

            -Vocês precisam é de gente competente para resolver isso! – disse Amanda.

            Yuri entendeu a provocação e cortou:

            -É por isso que chamamos vocês. Seu Arthur me garantiu que são ótimos.

            -Ainda estamos no começo... Não estamos há muito tempo juntos. – explicou Katie, que olhava Yuri admirada. Achara o detetive lindo (“Será que tenho chance com ele?”). Foi quando chegou uma garota, de cabelos loiros, e aproximou-se deles.

            -Oi... – disse ela.

            -Oi! – responderam.

            -Pessoal, essa é minha namorada, a Daniella.

            Katie murchou (“Lá se vai mais um”).

            -O porteiro do seu prédio me disse que estava aqui, Yuri. Vim te ver. Quem são vocês? – perguntou Daniella, para a equipe.

            -Essa é a equipe que te disse, meu amor. Vão nos ajudar no caso dos assassinatos.

            -Ah, prazer! Que bom.

            -AHHHH! – ouviu-se um grito, perto dali.

            Foram todos ver o que era. Viram, na calçada da rua em frente, um corpo de um homem, caído... Sangrava nas costas. Em sua roupa estava escrito, com sangue: CAT. 

 

CONSEGUIRIAM RESOLVER O MISTÉRIO? OS ASSASSINATOS CONTINUARIAM? YURI SERIA UM BOM COMPANHEIRO? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO, ONDE AS INVESTIGAÇÕES COMEÇAM!!!

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