
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 38
-Ah... Então ela disse isso? Que garotinha má... – falou, rindo cinicamente – Veremos quem pode mais... – e soltou uma gargalhada.
No esconderijo, Katie gritava:
-John! Abre essa porta!
Nada de respostas de John. Matt e Katie estavam preocupados com o amigo, mas ele não saía do quarto.
-Deixa ele – desistiu Matt- Talvez queira ficar sozinho.
-O que será que o deixou assim? O que teria naquela carta? – Katie estava intrigada.
-Não sei... Vamos esperar, ele terá que sair.
Foram para a sala. Amanda estava à mesa, lendo uma revista e tomando um suco.
-Ele não quis sair? – perguntou a garota, sem olhar para os dois.
-Não.
-Vou ver se consigo falar com ele. – disse Amanda, levantando-se.
-Não se intrometa, Amanda. Ele não quer falar com ninguém. – falou Katie.
-Não custa tentar.
-Deixa meu primo em paz, sua intrometida.
-Deixá-lo em paz? Não era você que estava batendo na porta dele como uma louca?
-Ele não vai abrir para você.
-Vou ver. – insistiu Amanda, ignorando o olhar raivoso de Katie. Bateu na porta:
-John? É a Amanda. Abre essa porta! – passou um tempo. Nada. De repente a porta se abre.
-Entra. – era a voz de John, que estava atrás da porta.
Amanda olhou para John, ele estava com os olhos vermelhos e um cigarro de maconha à boca. A garota ficou um instante parada, com a cara fechada para ele:
-Eu não acredito, você disse que ia parar. O que significa isso?
-Não me venha com sermões. Te deixei entrar porque é a única que sabe do meu vício. Estou me sentindo melhor, sabia?
-Seu idiota! Você sabe que é a droga que te deixa assim! Assim que o efeito passar, voltarão todos seus problemas. – falou Amanda.
-Você nem sabe se tenho problemas. Às vezes só queria me divertir um pouco...
-Está na cara que tem, senão não se trancaria aqui. Vamos, o que houve? Se me deixou entrar é porque quer me contar.
-Tudo bem – disse John – O problema é meu irmão Chuck.
-Não sabia que você tinha um irmão...
-Na verdade não é meu irmão, pois fui adotado. Nunca conheci meus pais verdadeiros. Mas uma família muito bondosa me adotou quando eu ainda era bebê.
-Então... Você não é primo da Katie? – espantou-se Amanda.
-Não...Mas ela não sabe disso. Os únicos que sabem são meus tios, Chuck e eu.
-Por que Chuck é o problema?
-Meus pais adotivos morreram quando eu tinha meus dezesseis anos. Foi em um incêndio em minha antiga casa. Nesse dia, Chuck estava na casa de um amigo dele. Mamãe estava fazendo o almoço, quando houve uma explosão no fogão. Ela morreu na hora. O fogo espalhou-se pela casa e na tentativa de me salvar, papai também morreu queimado. Eu consegui pular a janela e escapar.
Amanda estava com os olhos arregalados. Aquilo que John contava era terrível.
-Chuck, ao chegar da casa do amigo e ver aquela cena, não imaginou outra coisa – continuou John – Jurou que eu era o culpado. Tentou me matar, me batendo com um pedaço de pau, mas os policiais e bombeiros o impediram. Ele já tinha dezenove anos. Mudou-se para São Paulo e lá ficou por quatro anos. Voltou para Nova Lima e quando nos encontramos, discutimos e ele partiu para a briga. Acabou na cadeia. Ao sair de lá, voltou para São Paulo. Dois anos depois, tornou a ir para Nova Lima, dizendo que não tinha esquecido. Outra vez brigamos. Ele tinha uma arma e ameaçou atirar em mim. Uns amigos meus conseguiram detê-lo. Depois disso, mudou-se para Brasília e ficou esses anos sem dar sinal de vida. Agora, me mandou esta carta.
Amanda leu a carta, que estava bem amassada.
-Mas...O que ele pretende fazer? – perguntou a garota.
-Não sei, mas, se o conheço bem... Vai arrumar um jeito de me magoar muito. Acho que não seria capaz de me matar, mas quer acabar com minha vida.
Amanda realmente não sabia o que dizer a John. Por mais que a desagradasse, admitiu:
-Talvez fosse melhor se contasse isso ao Matt ou a Katie, não sei como fazer para te ajudar.
-Ninguém tem que me ajudar. Só contei a você, pois precisava desabafar. Não vai contar nada a eles, ok?
-Por que eu contaria? Agora, tira esse cigarro da boca. Isso dá nojo. – disse, retirando a maconha da boca de John. Os dois beijaram-se, mais uma vez. Amanda evitou, não gostava do cheiro da maconha. Saiu do quarto, deixando John lá: “Eu não gosto dela, por que fiz isso?”, pensou, arrependido.
Na sala, ao mesmo tempo, Katie e Matt estavam aflitos. Scott perguntou:
-Que caras são essas?
-O que será que o John está dizendo à Amanda? – quis saber Katie. Logo, viu Amanda sair do quarto – Amanda, o que ele disse a você? Por que não quis dizer nada a nós?
-Se ele não quis dizer, isso diz respeito apenas a ele. – falou, indo para a cozinha.
-Amanda, por favor – Katie a seguiu – O que está havendo com meu primo?
-Pare de chamá-lo de ‘primo’! – falou Amanda, nervosa.
-Por que?
-É irritante! – disse, pegando um copo de leite na geladeira.
-Mas, me conte. É importante, quero ajudar o John.
-Opa. Me desculpe. – disse Amanda, ao derrubar o copo de leite em Katie. Derrubara por querer, estava cheia da insistência da garota. Katie explodiu de raiva:
-Eu não acredito! – disse, olhando o vestido, sujo de leite – Você é uma imbecil!
-Ah, e você está parecendo uma vaquinha, com esse leite todo. – disse, irônica.
-Você vai ver quem é vaca! – gritou Katie, levantando a mão para bater em Amanda.
-Não pense nisso... – falou Amanda, segurando a mão de Katie, com força, quase torcendo – Sou mais forte que você, Katie...
Katie soltou-se. Foi para o quarto, andando rápido.
-O que houve? – perguntou Scott, quando Katie passou pela sala.
-Nada, apenas um acidente... – disse Amanda, voltando da cozinha.
-Amanda, o que o John tem? – perguntou Matt, preocupado com o amigo.
-Nada, está cansado. Tem contas a pagar. – inventou.
-Ficará mais cansado ainda com esse crime em Belém, que não vai estar nada fácil... – comentou Scott.
-Só temos mais amanhã para descansar...
-Estava vendo com Seu Arthur – disse Matt – Esses assassinos tem uma marca registrada. Marcam cada vítima com uma sigla: CAT.
-O que será que significa? – perguntou Scott.
-Teremos que descobrir...
O CRIME DE BELÉM SERIA MUITO COMPLICADO? O QUE SIGNIFICARIA “CAT”? JOHN SE ACALMARIA? NÃO PERCA O CAPÍTULO 39 DE SPY.