ESCRITA POR NANA CAMARGOS

Episódio 37

-Eu não acredito. Não sabia que a Mega-CEBR seria capaz disso. – disse Matt, enquanto esperavam a ambulância chegar.

            -Eu já sabia que podíamos esperar tudo deles... – falou Amanda, olhando o corpo de Rubens.

            -Como a polícia reage a um caso desses? – perguntou Katie.

            -A Mega-CEBR é muito grande. Não há como prende-los. Ainda mais sem provas. Simplesmente dirão, após algumas investigações, que Rubens foi mais uma vítima da violência das cidades grandes, que mataram-no por um assalto, ou algo assim... – explicou John.

            -É uma pena. Se Deus quiser, conseguiremos provas suficientes para acabar com o negócio da Mega-CEBR. – suspirou Katie. – Você era amigo do Rubens, Matt?

            -Era, nos conhecemos assim que eu entrei na CEBH. Ele me deu o maior apoio e umas dicas sobre o trabalho. Depois que saí de lá, não nos falamos mais. Ele ainda não tinha filhos, mas é casado e sonhava em ter algumas crianças. A mulher dele vai ficar arrasada...

            A ambulância chegou e levou Rubens, constatando sua morte. Voltaram para o restaurante, mas perderam totalmente o apetite. O enterro seria no mesmo dia e mais tarde dirigiram-se para o cemitério. Matt era o único que conhecia Rubens, mas a equipe foi dar uma força. No velório, havia alguns ex-colegas de Matt da CEBH, todos mais velhos, mas o rapaz preferiu não falar com eles, afinal, não sabia se tinham entrado para a Mega-CEBR. Ficou surpreso ao ver Dr. Parker chegar, vestido de preto e com uma cara triste.

            -Pobre Rubens, tinha apenas quarenta anos, tão novo para morrer.

            Matt sentiu uma ponta de cinismo na fala. Parker nem olhou para a equipe.

            -Aquele não é seu antigo chefe, Matt? – perguntou John.

            -É sim. – respondeu o detetive.

            Amanda prestou atenção na conversa e dirigiu-se para Parker.

            -Sabemos que foram vocês. – falou, baixo.

            -Do que você está falando, menina? – perguntou Dr. Parker, nervoso.

            -Transformaram o tal Rubens em defunto. – disse Amanda.

            -Você está delirando.

            -Não pensem que poderão escapar. Vamos conseguir todas as provas para acabar com a sua empresinha. Não temos medo de vocês.

            -Não nos provoque, garota.

            Amanda se retirou, John perguntou a ela:

            -O que disse a ele?

            -Para tomar cuidado conosco.

            -Não é bom mexer com eles, Amanda. Por enquanto são mais fortes que nós.

            Após o enterro, voltaram para o esconderijo. Seu Arthur implantara o sistema de cartões, enquanto estiveram fora. Estava esperando por eles na porta, para entregar o card de cada um.

            -Tomem cuidado para não perde-los. – recomendou. Aproveitou e entregou-lhes instrumentos necessários para a resolução do crime em Belém, como micro-câmeras, fones de ouvido, microfones em forma de botões... Matt e Amanda já conheciam os aparelhos, por terem trabalhado como espiões anteriormente, mas John, Katie e Scott ficaram maravilhados com os objetos modernos.

            -Isso vai facilitar muito. – falou John, empolgado – Lá na delegacia que eu trabalhava não tínhamos tudo isso.

            -Quando iremos para Belém, seu Arthur? – perguntou Scott.

            -Estava pensando em irem depois de amanhã. Já comprei as passagens. Deu para descansarem?

            -Na verdade, não muito... – falou John, lembrando dos acontecimentos ocorridos nesses dias de folga que tiveram.

            -Ainda terão hoje e amanhã. Ficarão em uma casa que aluguei, perto do prédio onde mora o Yuri.

            -Espero que esse Yuri não seja muito chato. – disse Matt, com medo de que Yuri se parecesse com Scott ou tivesse o gênio de Amanda.

            -É ótima pessoa. Andei conversando com ele. – falou Arthur – Vocês se darão bem.

            -Se bem que é difícil alguém se dar bem com o Matt. – falou Amanda, quando Arthur foi embora.

            -Mais difícil ainda quando esse alguém é você. – respondeu Matt.

            John imprimiu informações sobre Belém e mostrou aos colegas. Falava de museus, praças, teatros, edifícios e outras coisas da cidade. Leram tudo e depois Matt foi explicar como se utilizava os aparelhos novos, pois Amanda recusava-se a ensinar (“Qualquer um sabe usar isso!”).

            Durante a ida ao restaurante, John aproveitou para passar na casa da tia e pegar algumas correspondências dele. Agora, lia uma carta que chegara para ele: “Johnatas, estou te escrevendo depois de muito tempo. Desde que mudei para Brasília, não nos falamos mais. A última vez que nos encontramos, terminou em briga, lembra-se? Agora, escrevo para dizer que ainda não esqueci o que você fez. Não sei se está na casa de Tia Flora, mas onde quer que esteja, o encontrarei e arrumarei um jeito de vingar-me da morte de meus pais. Sim, MEUS, porque eles nunca te pertenceram e você sempre soube disso. Arrumarei um modo de fazer você sofrer muito, como me fez sofrer. Estarei mudando para Belo Horizonte daqui algumas semanas e espero me encontrar com você em algum lugar... Mande lembranças à minha (minha, e não sua) prima Katie.

Ass: Chuck.”.

            John terminou de ler a carta e apertou-a forte na mão, quase a amassando. Tinha lágrimas nos olhos e estava bem nervoso. Levantou-se do sofá. Matt que observara a expressão aterrorizada do amigo ao ler a carta, perguntou:

            -John, sobre o que é essa carta? O que você tem?

            -Nada – respondeu ele, com uma expressão de preocupação – Nada, vou para o quarto.

            -Ei, John! Espera...

            John não esperou. Foi para o quarto e lá ficou, lendo e relendo a carta, com lembranças na cabeça. Péssimas lembranças...

 

QUEM SERIA ESSA ESTRANHA PESSOA QUE ENVIOU A CARTA? QUE MISTÉRIOS ENVOLVEM O PASSADO DE JOHN QUE O DEIXOU TÃO ATERRORIZADO? NÃO PERCA POR NADA O PRÓXIMO CAPÍTULO...

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