
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
Episódio 33
Depois de muita insistência de Scott, Matt explicou o que ocorrera. Ele não acreditou:
-Isso não pode ser verdade. A Angélica não faria uma coisa dessas.
-Eu também nunca imaginaria isso dela. Mas eu vi com meus próprios olhos. – disse Matt, deprimido em lembrar-se da cena.
-Tem algo errado. Devem ter forçado ela. Ela...
-Se você olhasse nos olhos dela naquele momento não diria isso. Ela estava feliz em me ver daquele jeito. Estava orgulhosa do que fez. Eu nunca vi alguém assim. E o pior é que eu me sinto culpado. – desabafou Matt.
-Culpado por que? – perguntou Scott, que ainda não acreditava.
-Por não ter percebido antes. Eu me abri com ela várias vezes, eu a namorava, e era tudo uma farsa. Me sinto um idiota.
-Não! – gritou Scott que parecia não ter ouvido uma palavra que Matt dissera. – A Angélica não faria isso! – repetiu – Por que você está inventando isso, Matt? É ciúme? Eu disse a você que ela não te amava. E conversei com ela. Ela gosta é de mim.
-Pois fique sabendo que ela tem um namorado. – falou Matt – O nome dele é Gian e ela fez questão de apresenta-lo.
-Mentiroso.
Matt não estava com cabeça para brigar com Scott. Estava com vontade de enfiar a mão na cara dele, mas decidiu ignora-lo. Scott tinha certeza de que Matt estava mentindo. Nada do que ele dissera fazia sentido. Andaram até a gruta sem se falarem mais. Ao chegarem na Gruta das Bromélias, procuraram a entrada, que era do outro lado. Entraram abaixados, não dava para ficarem em pé.
-John! Amanda! Vocês estão aí? – gritou Matt.
Não houve resposta, andaram mais, passando por um buraco bastante pequeno. Acenderam as lanternas, mas a luz estava fraca, para a escuridão total. Chegaram a um lugar onde dava para andarem normalmente. Entre duas pedras havia um pequeno vão. Entraram.
-Matt? É você? – era a voz de John. Ele e Amanda estavam no local, procurando nas pedras.
-Eu e o Scott. A mocinha estava em apuros e resolvi ‘ajudá-la’. Por isso, veio comigo. – disse Matt.
-Cala boca. – falou Scott, que não gostou da brincadeira.
-Silêncio. Isso aqui dá muito eco! – falou John. – Estamos procurando entre os espaços das pedras. Aqui é o fim da gruta.
-Olhe que pedra engraçada. – disse Scott, puxando uma pedra meio triangular.
-Não puxe as pedras, Scott! – gritou Amanda. Mas era tarde. BRAMMMM. Várias pedras caíram de uma das paredes, como uma avalanche. Ninguém se machucou, por sorte. Por trás da parede, tiveram uma surpresa:
-A
maleta com o dinheiro! – exclamou Scott. – E olhem, tem um bilhete: “Parabéns
amigos, vocês acharam. Esse, embora cansativo, foi apenas mais um teste para
treinar a equipe. Caso tenham encontrado algumas pessoas em busca da grana, fui
eu que contei a eles (alguns ignorantes), só para dificultar o trabalho de vocês.
Mas espero que tenham conseguido despista-los. Caso não seja alguém da equipe
que esteja lendo isso, saiba que o dinheiro é falso. Gostaria que me
desculpassem, mas espero que essa experiência tenha servido para unir mais a
equipe e melhorar suas táticas. Assim que voltarem a BH, gostaria de ter uma
reunião com vocês. Obrigado. Arthur Faber”.
Amanda estava revoltada:
-Não acredito que passamos por tudo isso para no final descobrirmos que é mentira essa história do dinheiro.
-Aquele Seu Merreca e Neil quase me mataram! – protestou Scott.
-Tenho certeza que o seu Arthur não imaginou que a Angélica contaria à Mega-CEBR, acreditando na história. Pensem bem, pelo menos serviu para descobrirmos a traidora na equipe. – falou John, que em seguida olhou para Matt, este tinha um olhar como se pensasse que era melhor não ter descoberto nada.
-Temos que achar a Katie. Não perderemos nada mesmo. A Mega-CEBR só não pode descobrir que o dinheiro é falso. – falou Amanda.
Com dificuldade, saíram da gruta, andaram bastante até o acampamento. Já era tarde e caía uma chuvinha bem fina e gelada. A barraca de Angélica não estava mais lá (ou melhor, ela já não estava há muito tempo, mas só perceberam agora).
-Vamos até o hotel!
Foram
até o hotel e Dr. Nunez os atendeu.
-Só entregamos a grana se entregarem a Katie. – disse John.
-Pode me dar o dinheiro que falarei onde ela está. Ela está presa em algum lugar do parque. – falou Júlio Nunez, com cinismo.
-O que? – explodiu John -Em algum lugar do parque? Achei que estava com vocês!
-Terão de vir conosco busca-la, se quiserem o dinheiro. – disse Amanda – E sem armas.
Dr. Nunez hesitou, mas concordou. Ele e mais um membro da Mega-CEBR foram junto. Katie estava na gruta dos Coelhos, perto do acampamento. Encontraram-na adormecida. Estava muito úmido e fazia tempo que ela estava lá. A gruta não era pequena e era fácil de entrar e sair. Saíram e entregaram o dinheiro à Dr. Nunez.
-Obrigado, otários! – disse Dr. Nunez, feliz com a grana na mão. Foi muito rápido. Voltou para o hotel e a Mega-CEBR sairia dali hoje mesmo.
-Não quero nem ver quando descobrirem que o dinheiro é falso. – falou John.
Estavam todos muito confusos. Muita coisa mudara em um dia. Não conseguiam pensar em mais nada, resolveram dormir aquela noite lá e no dia seguinte voltariam cedo.
-Angélica sabe como entrar no nosso esconderijo. – preocupou-se John – Ela pode entrar lá com a Mega-CEBR e destruir tudo. Teremos que...
-Não se preocupe, John. Sempre que todos nós saímos, coloco uma tranca que seu Arthur me deu. Só eu sabia dela. – disse Matt, em segredo ao amigo. – Ninguém vai poder entrar lá. E no mais, iremos mudar o jeito de entrar. Não vamos ficar dando sopa...
-Que bom. Não vejo a hora de juntarmos força suficiente para acabar com o negócio sujo da Mega-CEBR. Eles não perdem por esperar... – falou John.
-É...
Katie já melhorara. Estavam em volta da fogueira. Matt saiu por um momento, entrou na barraca e pegou o livro com um “A” na capa. Nunca imaginaria que Angélica, do jeito que era, seria capaz de escrever coisas tão bonitas. Matt lia o livrinho de poemas, lembrando de como era bom quando pensava que amava Angélica e ela sentia o mesmo por ele. Como ela parecia diferente...
-O que você está fazendo com isso? – era a voz de Amanda, que tinha ido à barraca pegar um agasalho. Onde você achou esse caderno?
-Er... Na sala do esconderijo. Esse caderninho é seu? – perguntou, completamente surpreso.
-É claro que é! Não viu o “A” na capa? Eu não acredito que você leu isso! – Amanda agora estava ligeiramente corada.
Matt não conseguiu dizer nada, Amanda tomou o caderno de suas mãos e entrou na barraca, morta de vergonha. Não saiu mais aquela noite.
Matt não sabia o que pensar. Sentou-se na fogueira com os amigos. Tempo depois, todos foram dormir, exaustos. No dia seguinte, fizeram uma longa viagem. Chegaram ao esconderijo, abriram com a tranca especial e surpreenderam-se com a presença de alguém lá dentro:
-Estava esperando por vocês! Podemos ter uma conversa?
QUEM ESTAVA NO ESCONDERIJO? COMO CONSEGUIU ENTRAR? NÃO PERCA O PRÓXIMO CAPÍTULO DE SPY!