
Episódio 32
ESCRITA POR NANA CAMARGOS
-Não entendo... Como não desconfiamos da Angélica antes? – comentava John.
-Eu sabia que ela não prestava, até já falei isso com ela. Mas ela veio com lições de moral, etc... – falou Amanda.
-Você trabalhava com o Dr. Nunez, como nunca viu a Angélica lá? – estranhou John.
-Ela não trabalhava lá. Eu sabia que ele tinha outra filha, que trabalhava numa delegacia, mas não sabia que era a Angélica.
-Outra? Você quer dizer que ele tem outra filha, além da Angélica?
-É, a Jéssica. Ela eu conhecia. É uma gordinha mimada que vive atrapalhando o trabalho do pai... – lembrou Amanda. – Ficava lá na empresa, atazanando-o.
-E quantos anos tem essa Jéssica?
-Ah, uns dezoito, mas é uma pirralhona.
-Ela não trabalhava?
-Não. Só ficava observando o pai.
-A Angélica é filha adotiva, sabia?
-Sério? Eu não sabia... – falou Amanda. – Mas o Dr. Nunez a trata como uma filha comum, não é?
-É...
Amanda e John estavam cansados, a gruta não era tão perto quanto pensavam. A conversa ajudava a passar o tempo.
-Estou preocupado com o Matt. Ele está péssimo, é capaz de fazer alguma besteira.
-Pelo menos ele não se droga. – falou Amanda.
-Isso foi alguma indireta, Amanda? – perguntou John, irritado.
-Não, mas quando você vai parar de fumar?
-Já estou sem fumar a um mês. É bastante para mim. Com a minha briga com o Matt, quase tive uma recaída, mas resisti. – disse John, orgulhoso.
-Oh, que bom... Olhe! A gruta é aquela, não é?
Matt estava deitado no colchão da barraca. Sua cabeça doía. Foi quando alguém abriu a barraca por fora:
-Olá Matthew.
O rapaz assustou-se:
-Parker?
-Tudo bem? Vim lhe fazer uma visita, nada muito demorado...
-O que você quer? – disse Matt, que enxugava os olhos.
-Só vim cumprir uma promessa: vim assistir seu fracasso. Eu sabia, Matthew, você não quis se juntar a nós, e olha no que deu... Está acabado.
-Sai daqui.
-Espera, só uma perguntinha: que tipo de equipe é essa em que dois componentes vão, sozinhos ajudar uma outra, enquanto um dos componentes fica aqui, sem fazer nada?
Matt não disse nada.
-É assim que você queria uma equipe? Em que os outros trabalham para você?
-Cala essa boca, Parker.
-Bem, não tenho mais o que fazer aqui. Espero que pelo menos esteja arrependido de não ter se juntado a nós. Você teria um futuro, garoto. E agora, não tem nada.
Dr. Parker saiu, com um ar de triunfo, e voltou para o hotel, deixando Matt na barraca, pior ainda. Mas pelo menos, estava mais decidido:
“Ele até que tem razão”, pensou Matt, “Não posso deixar os meus colegas trabalharem sozinhos, vou até lá, para ajudar”. Arrumou suas coisas e saiu, em direção à gruta.
-Vamos ver se o celular funciona. – disse, ligando para John.
-Alô? – John atendeu, a voz saía muito baixa e quase não dava para ouvir.
-John? É o Matt! Vocês já chegaram na gruta? Estou indo aí.
-Matt! Não precisa, cara. Estamos procurando a entrada, um jeito
melhor de entrar!
-Vai ser melhor se eu for! Alcanço vocês, ok?
A ligação caiu. Matt andava apressado, querendo chegar à gruta antes de escurecer. Depois de uns dez minutos de caminhada, ouviu vozes conhecidas:
-Anda, japonês! Tem algo aí?
-Não, aqui não tem nada! – era a voz de Scott, uma voz cansada. – Aqui nessa pedra também não.
Matt deu uma olhada atrás de um pequeno morro. Lá estavam Seu Merreca e Neil, apontando uma espingarda para Scott, que procurava o dinheiro. Matt não pensou duas vezes. Apesar de estar achando graça na cena, apareceu e disse:
-Algum problema? – tinha a arma em mãos.
-Quem é você? – perguntou Neil, assustado.
-É um dos amigos do japonesinho. –lembrou seu Merreca. – Por acaso você é o tal Matt?
-Sou sim! – disse Matt, tranqüilo.
-Pois é, ouvimos uma conversa desse aqui com a sua namorada, Matt. Ele fazia o possível para tira-la de você. Grande amigo, hein?– falou seu Merreca, se divertindo.
Matt olhou para Scott:
-É mesmo, Sushi? Pois quer saber de uma coisa? Eu dou ela inteirinha pra você. – disse, com um sorriso irônico. – Agora, com licença, senhores, que o Scott tem que trabalhar.
-Ele já está trabalhando. – falou Neil – E para nós.
Scott aproveitou a distração de Neil para tomar a espingarda de sua mão. Neil, que fora feito de bobo, partiu pra cima de Scott, mas Matt já apontava sua arma para ele.
-Fique quieto, barbudo. Agora, se nos dão licença, temos muito que fazer. – disse Matt. – Vamos, Sushi?
Scott não deixou de dar uma risada. Ele e o colega saíram, iriam à gruta, ao encontro de John e Amanda.
-O que você quis dizer em ‘dar a Angélica toda para mim’? –perguntou Scott.
Matt não respondeu. Continuaram andando.