| SONETO XXXII "o amor que não ousa dizer seu nome..." (Oscar Wilde) "O Amor, que não ousa dizer seu nome," Bateu-lhe à porta, ao acaso, um dia. E ele, inebriado pela cotovia (que paira à janela, mas depois some...) Sentiu crescer, súbito, na alma, uma fome De algo que, até então, desconhecia. Desejo... estranheza... culpa... agonia...! Desce aos umbrais, na angústia que o consome! ...porém, depois das lágrimas enxutas, Chamou a cotovia, deu-lhe frutas, E sorveram, um no outro, a própria essência. E ambos, nessa atração de semelhantes, Num cingir de músculos, os amantes Ergueram-se aos portais da transcendência. Rio, 28/12/2001 |