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| REQUIEM Vem, � doce Morte. Vem, cara amiga, Me envolver no teu negro e et�reo manto, Que estou banhado em sangue, suor e pranto E a paz desejo, companheira antiga. Vem, b�lsamo de luz na escurid�o Das incertezas transit�rias. Traz, Dos campos do n�o sei onde, algo mais Que ungir possa este t�o estreito v�o Que nos separa no �ter-no ser. Imponder�vel e m�stica est�ncia, Liberto da impureza e da jact�ncia, Eu quero, em teu rega�o, adormecer. Ai, que tua sombra j� me trouxe alento... Vem, que me encontrar�s entregue e manso, Que anseio, em teu infinito descanso, Livrar-me deste implac�vel tormento. Toma-me, sem delongas, no teu seio, Maternal retorno, esperado e belo. Vem, me despe deste corpo em flagelo, Carca�a com que os vermes banqueteio. � l�gubre beijo consolador, Teu h�lito � t�o suave e inodoro. Bafeja este momento, que eu te imploro, O teu inexor�vel esplendor. Temor eu j� n�o sinto ante o "fun�reo". - Filha, esposa, a todos que ora deixo: - Perdoem-me o impudico desleixo Com que me lan�o aos bra�os do mist�rio! " Um halo, s�bito, meu ser invade. Dissipam-se cren�as, f�s e raz�es, Aliviam-se dores e paix�es, Sobrev�m a inexprim�vel Verdade. Deixo, �queles que outrora foram meus, No instante em que parto ao meu novo lar, Uma s� palavra, e me hei de calar: Que saibam, j� n�o sou... eu fui... aDeus! Rio, Agosto e Setembro de 2001 |