" Quase um Rap"

Amores proscritos, cassados,
aflitos...
Na alcova das ruas, genit�lias nuas...
Amores sem teto, sem ch�o,
sem afeto,
Sem beijo, sem chama,
sem ber�o, sem fama...

Amores roubados, de corpos coitados
Envoltos em fatos, not�cias,
relatos
De estranhos famosos, de putas,
leprosos,
De falsas atrizes... de sombras,
marquises
Despeda�adas, picha��o nas
muradas...

Amores suscintos, de ventres
famintos,
De almas sem leme; o est�mago
� que geme
Do imenso vazio... a dor por
um fio
Da t�nue navalha; odor que
se espalha
De mijo e lodo, do fragmento,
do todo...

Amores sem rumo, sem fogo, s� fumo
E cheiro de cola... amor que se esfola
Por noites a fio, sem gosto, s� cio...
...o frio cortante na alma -
gigante -
e o h�lito azedo de medo... do medo...

Amor sem alento, de ouvido atento
Ao perigo da esquina, ao saque,
� rapina...
Amor perseguido, sem ai,
sem gemido,
sem colo ou suspiro... s� o
medo do tiro
que abrevie o ato, fugaz, t�o
exato...

Amor desengano, na mira do cano
Do chefe da gangue... seu gozo � o sangue.


Rio, Janeiro de 2002

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