Sociedade dos Protestantes Mortos
... uns foram torturados, nao aceitando o seu livramento, para alcan�arem uma melhor ressurrei�ao: e outros experimentaram escarnios e a�oites, e ate cadeias e prisoes. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de pele de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados.
(Homens dos quais o mundo nao era digno)... 
Hebreus 11:35-38
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                                  A SOCIEDADE E A REFORMA

(Sylas de Souza Neves) em 29/07/2008 

Prezados... 

          No m�s de abril do corrente ano, recebi das m�os do jovem M�rcio Angelim (estudante de teologia da EETEP) um question�rio solicitando o meu ponto de vista  sobre a Reforma Protestante e, por julgar, ser um assunto de muita relev�ncia; com muita satisfa��o, emito nas pr�ximas linhas o parecer da Sociedade dos Protestantes Mortos sobre as quest�es propostas. 

1. No que concerne a Reforma Protestante, qual era a �tica de Martinho Lutero? 

          Valendo-me do ad�gio popular: "pimenta nos olhos dos outros � refresco" quero, responder esta indaga��o ressaltando a import�ncia de Lutero viver "dentro" dos bastidores do romanismo, ou seja, ele conhecia bem o lado "obscuro" do catolicismo romano.
          Os melhores livros hist�ricos e teol�gicos que abordam a Reforma, demonstram que Lutero estava galgando posi��es na Igreja Cat�lica Romana e, ocupando-se profundamente com os seus aspectos intelectuais e funcionais; ele conhecia na pratica o jogo de interesses no qual a Igreja havia se metido e, sabia que a mesma, havia se afastado de suas origens e de ensinamentos important�ssimos, como pobreza, simplicidade e sofrimento.
          Lutero, como monge agostiniano, certamente teve a sua maneira de pensar influenciada pelos escritos de Paulo, pois, afinal de contas, Agostinho era bastante Paulino e, foi � declara��o do apostolo: "o justo viver� da f�" (RM 1:17) que deixou o monge agitado e inseguro. Este vers�culo escrito � igreja de Roma levou Lutero a repensar o "evangelho' e a chegar a uma nova f� enfatizada pela gra�a de Deus e a justifica��o pela f�.
          Como examinador e amante da Palavra de Deus, Martinho Lutero, bem como os demais reformadores, defendia com finco os quatro maiores postulados da reforma: Sola Gratia, Solo Christus, Sola Fide e Sola Scriptura (S� a Gra�a, S� Cristo, S� a F� e S� a Escritura) e mediante a tais postulados, ele sabia que o Romanismo dentre as muitas aberra��es e "inova��es" apregoadas e praticadas defendia: 

a)
A supremacia do Papa - Segundo o cardeal Belarmino (1)  � a "s�mula e a ess�ncia do Cristianismo";

b)
O C�non da Escritura - Conforme o cardeal Bar�nio(2)  "depende da mera vontade e benepl�cito do bispo de Roma considerar como sagrado, ou de autoridade em toda a Igreja, aquilo que muito bem lhe parecer". Eck Euchiridion(3)  afirmou: "Assim como a Igreja evidentemente � mais antiga do que as Escrituras, assim tamb�m estas n�o seriam aut�nticas sen�o por autoridade daquela";

c)
A interpreta��o das Escrituras - A arrog�ncia do Romanismo � t�o grande que afirmaram: 'Se algu�m tem a interpreta��o da Igreja de Roma sobre qualquer texto da Escritura, ainda que n�o entenda como tal interpreta��o conv�m ao texto, tem, todavia, a mesma Palavra de Deus"(4); e In�cio de Loyola(5)  acrescentou: "Para que em todas as coisas cheguemos ao conhecimento da verdade, a fim de n�o errarmos em coisa alguma, devemos ter sempre como regra fixa e invari�vel que aquilo que nossos olhos virem branco � realmente negro, se assim o entendem e define a igreja romana".
          Sobre a quest�o da interpreta��o o ponto de vista de Martinho era: "Qualquer ensinamento que n�o se enquadre nas Escrituras deve ser rejeitado, mesmo que fa�a chover milagres todos os dias".

d)
Invoca��o aos Santos - Para defenderem esta pr�tica idolatra, exclamaram: As Sagradas Escrituras n�o ensinam, nem sequer implicitamente, que se devam fazer ora��es aos santos... Portanto, � por demais clar�ssimo que muitas coisas que pertencem � f� cat�lica (romana), n�o se encontram nas sagradas p�ginas(6);

e)
O culto �s imagens; o purgat�rio; a penit�ncia; as indulg�ncias (a galinha de ovos de ouro do romanismo avarento); a tradi��o (para esta, Lutero afirmou: "A tradi��o da igreja pode ser legitima, por�m n�o infal�vel; por isso, deve ser julgada pela b�blia"); a Imaculada Concei��o; etc.

          Em virtude de todas estas descabidas e infundadas "inova��es da Igreja romana", Lutero, chegou � conclus�o de que a igreja precisava encarar e passar por uma reforma. Esta era a �tica do reformador.  

2. No presente tempo, � poss�vel que haja uma reforma protestante? Comente. 


          Nos dias atuais, muito se ouve falar em uma nova "reforma", todavia, devido � prolifera��o denominacional e sect�ria, creio que este "sonho" se torna cada vez mais dif�cil de se concretizar, pois, ao contr�rio do s�culo XVI, onde somente existiam duas 'igrejas' (ocidente e oriente), hoje, as "denomina��es protestantes" s�o in�meras e peculiares.
          O crescimento num�rico denominacional, trouxe ao 'protestantismo' um grave problema, principalmente na �rea da hermen�utica: como interpretar a B�blia, pois, mesmo 'cientes' de que: que nenhuma profecia da Escritura � de particular interpreta��o (2PE 1:20), os lideres denominacionais est�o 'adaptando' a bel prazer a "Palavra de Deus". 
          Um dos belos resultados da Reforma Protestante, foi � retirada da base hermen�utica da Igreja e a coloca��o da mesma na B�blia (Sola Scriptura), em tese, at� o inicio do s�culo XVI, pensava-se que, o verdadeiro princ�pio hermen�utico estava na autoridade da Igreja (Roma locuta est: causa finita est. Roma falou: terminou a causa), todavia, a Reforma contribuiu para a recoloca��o do verdadeiro principio da hermen�utica: 'a B�blia � a melhor interprete de sim mesma", por isso, como disse Isaltino Gomes da Silva: "Os maiores inimigos da B�blia n�o s�o seus opositores, mas os seus expositores que tentam encontrar na B�blia defesa para as suas id�ias absurdas...". 
          Falando ainda sobre interpreta��o, muitas das denomina��es a retiram da B�blia e colocaram-na sobre o crente, e o que mais se v� e se ouve nos dias atuais, �: "O Esp�rito me falou", "Deus me revelou" ou "N�o est� no texto, mas...", express�es populares e incoerentes teologicamente. Para se come�ar uma nova reforma, os protestantes deveriam primeiramente plagiar Lutero e dizer: "
Fiz uma alian�a com Deus: que Ele n�o me mande vis�es, nem sonhos, nem mesmo anjos. Estou satisfeito com o dom das Escrituras Sagradas, que me d�o instru��o abundante e tudo o que preciso conhecer tanto para esta vida quanto para a que h� de vir".
          Outro grave empecilho para uma nova reforma � � volta ao passado; ou seja, cada vez mais as "denomina��es protestantes" est�o edificando suas bases ministeriais e doutrin�rias no Antigo Testamento, contrariando outro importante principio reformista (Sola Gratia). Ensinamentos veterotestament�rios 'camuflados' est�o sendo propagados dia ap�s dia em nossas 'denomina��es', aniquilando por completo o viver pela gra�a e introduzindo cada vez mais o legalismo e o farisa�smo em nosso meio.
          Infelizmente, estamos assistindo a "volta dos levitas", o retorno do postulado da obrigatoriedade dos d�zimos (quem n�o paga � ladr�o e se � ladr�o n�o herdar� a vida eterna - ML 3:10), at� mesmo as puni��es impostas pela lei est�o sendo novamente propagadas nos p�lpitos (gafanhoto migrador, cortador, destruidor, etc); espantosamente as indulg�ncias tamb�m voltaram (prim�cias obrigat�rias, sal grosso, galho de arruda, un��o anti-dengue, vela ungida, lasca da cruz de 'Cristo', �gua do rio 'Jord�o', Samphoo para maus pensamentos, travesseiro de Jac�, etc...); se n�o bastasse tantas anomalias, agora somos 'for�ados' a testemunhar o 'culto' � cebola na Fran�a, os adoradores do umbigo em Paris, a  ingest�o de excrementos no Brasil (at� mesmo o padre Joseph Dillon, 53 anos, da Par�quia Nossa Senhora Aparecida (SP), ficou conhecido por dizer em entrevistas que a urina seria a "�gua da vida")(7) . Absurdamente, temos c�ncia da Igreja da Eutan�sia, dos adoradores da luz, dos seguidores da "B�blia Branca",  etc.
          Hoje, o grande empecilho, � o fato de que todos estes erros n�o s�o exclusivos de uma denomina��o, mas, sim de quase todas elas, por isso, creio que uma nova reforma nos moldes da anterior n�o passar� de um lindo sonho, todavia, ainda acredito que Deus possa suscitar em nossa gera��o v�rios: Lutero, Hus, Wycliff, Tyndale, Zwingli, etc; homens dispostos a amar a Palavra acima de qualquer tradi��o, uso, costume e supersti��o; homens que possam compreender verdadeiramente os valores espirituais; homens realmente sinceros, cujo car�ter � impec�vel e cuja conduta � admir�vel e imit�vel. 
          Como amante da Palavra, tamb�m sou um sonhador 'reformista', aspiro ver homens que prefiram morrerem inocentes a viver como culpados; que escolham perder a cabe�a por causa da verdade, ao inv�s de ficarem no trono como Herodes, e como diz um amigo meu: homens que s�o capazes de irem para a guilhotina, mas n�o querem ser um Nero no pal�cio.   Ainda 'acredito' numa poss�vel reforma denominacional, onde os l�deres motivados pela Palavra e repletos de temor, conclamem a todos do seu 'minist�rio' a: a) voltar �s origens b�blicas, b) abandonarem as torpes gan�ncias, c) viverem piamente e pela f�, d) lutarem contra as concupisc�ncias, e) exclu�rem os an�temas, f) colocarem � prova aqueles que dizem ser 'ap�stolos' e n�o s�o, g) trabalharem pelo nome de Cristo incansavelmente, h) praticarem o primeiro amor, i) n�o negarem a f�, j) etc. 

3. Qual a principal raz�o para que tenha uma nova reforma protestante? 

          As raz�es s�o v�rias e quase que incont�veis. Falar de uma principal � dif�cil, mas, presumo que duas das principais seja a: seculariza��o do cristianismo e a industrializa��o' do Evangelho.
          Ver: 
1) Charles Finney e a Seculariza��o da Igreja - Jadiel Martins Souza - Edi��es Parakletos
2) Cristianismo em Crise - Hank Hannegraff - CPAD
3) Evang�licos em Crise - Paulo Romeiro - CPAD 

4. Que poss�veis mudan�as, uma nova reforma traria ao cristianismo? 

          O sentido expl�cito do termo 'reforma', exprime com clareza as mudan�as que um novo movimento reformista traria ao cristianismo: - dar melhor forma a; melhorar, aprimorar; p�r em bom estado; restaurar, consertar, reparar.
          Em suma, as mudan�as seriam: 

a) dar ao cristianismo a melhor forma, ou seja, coloc�-lo no molde b�blico, readapt�-lo aos ensinamentos de Cristo;
b) melhorar o 'comportamento' dos l�deres cuja conduta n�o expressa o modelo crist�o;
c) aprimorar os mecanismos de ensinamentos;
d) p�r em bom estado a imagem do cristianismo, que ultimamente anda denegrido em virtude dos picaretas e interesseiros que se infiltraram na cristandade;
e) restaurar os princ�pios b�blicos que foram ofuscados pelos interesses pessoais;
f) consertar os erros que resultaram da reforma anterior; e
g)  reparar as injusti�as existentes entre os 'crist�os'. (ex: dois pesos e duas medidas)   

5. Que impacto causaria na Igreja Crist�, se algu�m com esp�rito luterano se elevasse para defender a verdadeira f�? 

          O impacto n�o seria t�o grande como o ocorrido no s�culo XVI; e a raz�o disso � a mesma apontada na segunda quest�o: a pulveriza��o denominacional, ou seja, as conseq��ncias seriam 'm�nimas', pois todo protestante da atualidade est� preso a um sistema denominacional (presbiteriano, metodista, assembl�iano, batista, etc) e, com isso, o m�ximo que este esp�rito luterano conseguiria era 'reformar' a sua denomina��o e, o mais certo seria a excomunh�o e exclus�o de tal indiv�duo por parte dos l�deres denominacionais.
          Creio que o 'congregacionalismo' seria a porta de entrada para uma nova reforma dentro das denomina��es centralizadoras como: Assembl�ia de Deus, Universal, Gra�a, Deus � amor, algumas batistas, etc, pois, ao se adotar este sistema congregacional, descentralizaria  o poder das chamadas igrejas - sedes e, cada congrega��o local seria aut�noma e independente e, sem sombras de d�vidas, tal autonomia refletiria na defini��o teol�gica, bem como na expans�o mission�ria e principalmente na rela��o com outras congrega��es e sele��o ministerial. 
          O fato de uma denomina��o se tornar congregacional, contribuiria at� mesmo para o cumprimento dos deveres crist�os de maneira imparcial, resultando em 'julgamentos' justos para todos e aniquilando o que hoje � conhecido como "foro privilegiado eclesi�stico", que nada mais � do que, um mecanismo de alforria de alguns dos piores bandidos vestidos de 'pastores'; bandidos que, s� porque s�o filhos, netos ou 'amigos' do presidente da denomina��o se julgam infal�veis e se colocam at� mesmo acima da B�blia.  

6. O que est� induzindo a Igreja Protestante a perder a ess�ncia da Palavra? 

           A falta da praticidade.
           Na Reforma Protestante, um dos pontos questionado por Lutero, foi a 'superioridade' da tradi��o da Igreja sobre a B�blia, entrementes, a Igreja estava invalidando pela tradi��o a ess�ncia da Palavra e, para contestar esta aberra��o, o reformador afirmou: "a tradi��o da igreja pode ser leg�tima, por�m n�o infal�vel; por isso deve ser julgada pela B�blia". Em outras palavras, o monge agostiniano ratificou e defendeu que a Palavra de Deus � a �nica regra de f� e pr�tica.
          Durante o minist�rio terreno de Cristo, a invalida��o da Palavra pela tradi��o tamb�m foi abordada: "invalidando, assim, a palavra de Deus pela vossa tradi��o" - MC 7:13 e, infelizmente, na atualidade, os l�deres est�o sobrepondo sobre a B�blia as tradi��es religiosas, as 'achologias' pessoais, as sabedorias humanas e os costumes contempor�neos.
Ver: 
a) � Proibido: o que a B�blia permite e a igreja pro�be, Ricardo Gondim, Editora  Mundo Crist�o; e
b) Cutucando: O que as igrejas toleram e a B�blia reprova, Haroldo Reimer, Actual Edi��es. 

          Como estudantes de hermen�utica, aprendemos que a B�blia interpreta a pr�pria B�blia e, assim sendo, conhecemos que: "...a f� � pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus de Deus" - RM 10:17, todavia, n�o adianta nada somente ouvir: "Porque, se algu�m � ouvinte da palavra, e n�o cumpridor, � semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural" - TG 1:23.
          Para n�o perdemos a ess�ncia da Palavra, temos que continuamente nos lembrar do ensinamento de Cristo sobre a pr�tica da Palavra: "E aquele que ouve estas minhas palavras, e n�o as cumpre, compar�-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia"; - MT 7:26 

7. Para a igreja que sucede no momento, a pol�tica � um aliado ou um vil�o? 

          A Igreja desde a sua funda��o � soberana -  (MT 16:18 - ...e as portas do inferno n�o prevalecer�o contra ela); portanto, a Igreja independe da pol�tica, por isso, jugo que a pol�tica n�o se constitui nem em aliado nem � vil�o para a Igreja. Ao contr�rio do que muitos pensam e afirmam, a Igreja n�o precisa da pol�tica para nada; al�m do mais, clich�s como: crente vota em crente, irm�o vota em irm�o, devem ser banidos do nosso meio.
          Cristo � a pedra de esquina da Igreja (1PE 2:7) e n�o de um Estado e, por falar nisto, � inadmiss�vel para um 'pastor' fazer conchavos pol�ticos para obter benef�cios para a igreja, ou para si pr�prio, tais como:  terrenos para templos; linhas especiais de cr�dito banc�rio; concess�es de r�dios e TVs; tratamento especial perante a lei e, etc... Esses s�o apenas alguns tipos de barganha, "acertos", acordos e composi��es de interesse que costumam ocorrer nos bastidores em �pocas de campanhas eleitorais, envolvendo tamb�m pol�ticos e candidatos evang�licos. 
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         
Continua..................
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