ARGENTINA
Segundo maior país sul-americano, se estendendo do Atlântico aos Andes, e fazendo fronteira com Chile, Bolívia, Paraguai, Brasil e Uruguai, a Argentina é um tradicional produtor de carne e cereais graças a fertilidade de seus pampas. A maioria da população descende de imigrantes europeus, sendo sua capital, Buenos Aires, na foz do Rio da Prata, o centro de uma região metropolitana onde vive um terço da população nacional. O país tem regiões pouco povoadas como a gelada Patagônia no sul e, no norte, o Chaco, além de possuir o Aconcágua, pico mais alto do hemisfério ocidental com 6.960m. O país, conhecido como a terra do tango, tem uma rica cultura e, com a formação do Mercosul, tornou-se o principal parceiro econômico do Brasil.
Seu território foi ocupado principalmente por nômades até 1516, quando os conquistadores espanhóis aportaram no Rio da Prata. Buenos Aires foi fundada em 1580 e, em 1776, tornou-se a capital do Vice-Reino do Prata que incluía além da Argentina, o Uruguai, Paraguai e o sul da Bolívia.
A independência foi proclamada em 1816, como resultado da campanha de libertação liderada pelo general José de San Martin. Entre 1825-28, numa guerra contra o Brasil, a Argentina perde a Província Cisplatina, que se torna um Estado soberano com o nome de Uruguai. Em 1829, o general Juan Manoel Rosas foi nomeado governador da provincia de Buenos Aires e transformou-se em ditador sendo derrubado em 1852. No governo do general Mitre, a Argentina se alia ao Brasil e Uruguai na Guerra do Paraguai (1865-70). No final do século XIX, o país vive um período de expansão econômica e torna-se o maior produtor mundial de carne e de grãos.
A eleição de Hipólito Yrigoyen para presidente da república em 1916 inaugurou um período de governos da UCR (primeiro partido da classe média do continente americano). Em 1930, um golpe militar interrompe temporariamente o regime civil que se reestabelece em 1932. Em 1943 um novo golpe militar abre caminho para o coronel Juan Domingo Perón, que se fortalece favorecendo a sindicalização e reformas trabalhistas. Ele acaba sendo afastado do ministério, mas manifestações lideradas por sua mulher, Evita, forçam o Exército a chamá-lo de volta.
Perón é eleito presidente em 1946, iniciando um governo populista e é reeleito em 1951. A morte de Evita enfraquece seu governo que entra em atrito com vários setores da sociedade. Perón é deposto em 1955 por um golpe militar e exila-se na Espanha. Na década de 1960, o Exército depõe dois presidentes: Arturo Frondizi e Arturo Illia e em 1966, os militares passam a governar diretamente, com o Congresso fechado e os partidos políticos extintos.
O peronista Héctor Câmpora vence as eleições presidenciais de 1973, mas renuncia dois meses depois para permitir a candidatura de Perón que é eleito em setembro com maioria significativa. Perón morre em julho de 1974 e sua mulher Isabelita assume, favorecendo os setores direitistas do partido e os militares. As atividades terroristas intensificam-se.
Isabelita é deposta por um golpe militar em 1976. Uma junta militar assume o poder e inicia a "guerra suja" que faz mais de 20.000 "desaparecidos". Uma política econômica ultraliberal provoca o desmantelamento do parque industrial argentino. Para desviar a atenção da população da crise econômica, o general Leopoldo Galtieri ordena, em março de 1982, a invasão das Ilhas Malvinas (Falkland). A medida tem apoio popular, mas a humilhante derrota argentina para as forças britânicas leva Galtieri a renunciar.
O poder acaba sendo devolvido aos civis em 1983 e os comandantes das juntas militares são presos em 1984. Uma comissão constata a existência de campos de prisão onde 8.961 pessoas foram assassinadas pelos militares entre 1976 e 1982.
Em 1986, o presidente Alfonsin impõe o Plano Austral numa tentativa de derrubar a inflação anual de 1.000%. O plano não funciona e a inflação volta a subir gerando saques e quebra-quebras. O candidato peronista Carlos Saul Menem vence as eleições presidenciais de 1989. Em 1991 a economia é dolarizada, o que consegue derrubar a inflação. Em 1992 o governo negocia a dívida externa e privatiza o sistema energético e a YPF - estatal argentina de petróleo. Menem é reeleito presidente em 1995 apesar das elevadas taxas de desemprego (18,4%) e da queda na qualidade de vida. Em agosto de 1998, a economia argentina sofre os efeitos da crise financeira na Federação Russa e, em janeiro de 1999, o sistema se agrava com a desvalorização do real, moeda do principal parceiro econômico da Argentina. Menem adota então barreiras contra importações brasileiras e investe na aproximação com os EUA.
Em outubro de 1999, o ex-prefeito de Buenos Aires, Fernando de la Rúa (UCR) foi eleito presidente da Argentina e anunciou um governo com maioria de ministros conservadores.
Apesar da introdução de diversos planos econômicos, em 2001 a recessão alcançava seu terceiro ano. O Fundo Monetário Internacional - FMI - concedeu empréstimos superiores à 21 bilhões de dólares ao país, o que não bastou para solucionar a situação. No final do ano, a Argentina entra em colapso, e De la Rúa é obrigado a renunciar. Adolfo Rodriguez Saá, assume o poder e anuncia o calote da dívida externa. Saá renuncia após 1 semana no cargo. Eduardo Duhalde, que havia perdido as eleições para De la Rúa, é empossado, e anuncia a desvalorização do peso. Em Julho de 2002, números oficiais dão conta que metade dos argentinos vivem na pobreza e que a taxa de desemprego chega a 21,5%.
O peronista Néstor Kirchner se tornou presidente em maio de 2003, promovendo reformas judiciárias e condenando infratores do período ditatorial. Nos primeiros anos de seu mandato, a Argentina se recupera da crise, apresenta taxas de crescimento consideravelmente acima da média mundial, e Kirchner alcança taxas de aprovação bastante elevadas.
DADOS GERAIS DA ARGENTINA
Geografia
Localização: sul da América do Sul, na orla do Oceano Atlântico entre Chile e Uruguai
Área: total - 2.766.890 km² terra - 2.736.690 km² água - 30.200 km² Comparativo: aprox. um terço do Brasil
Litoral: 4.989 km
Fronteiras: Chile - 5.308 km, Paraguai - 1.880 km, Brasil - 1.261 km, Bolívia - 832 km, Uruguai - 580 km
Clima: principalmente temperado; árido no sudeste e subantártico no sudoeste
Elevação: Ponto mais baixo - -105m Laguna del Carbón Ponto mais alto - 6.960m Cerro Aconcágua
Recursos naturais: chumbo, zinco, cobre, minério de ferro, manganês, petróleo, urânio, folha-de-flândres
Uso da terra: arável 10,03%; cultivo permanente: 0,36%; outros: 89,61% (2005)
Pessoas (2006 est.)
População: 39.921.833 habitantes
Principais cidades: Buenos Aires - 2.776.138; Córdoba - 1.267.521; San Justo (BsAs metrop.) - 1.253.921; Rosário - 908.163; Lomas de Zamora (BsAs metrop.) - 591.345hab. (2001)
Principais metrópoles: Buenos Aires - 12.046.799; Córdoba - 1.368.301; - Rosário - 1.161.188; Mendoza - 848.660; San Miguel de Tucumán - 738.479hab. (2001)
Índice de Desenvolvimento Humano: 0,863 - 36º colocação no ranking mundial - 1º na América do Sul
Faixa etária: 0-14 anos: 25,2% 15-64 anos: 64,1% mais de 65 anos: 10,6%
Divisão por sexo (homem/mulher): no nascimento: 1,05 h/m até 15 anos: 1,05 h/m
15-64 anos: 1,00 h/m mais de 65 anos: 0,7 h/m total: 0,97 h/m
Crescimento da população: 0,96%
Taxa de natalidade: 16,73‰
Taxa de mortalidade: 7,55‰
Mortalidade infantil: 14,73‰
Fertilidade: 2,16 crianças por mulher
Expectativa de vida: total - 76,12 anos homem - 72,38 anos mulher - 80,05 anos
Grupos étnicos: branco (maioria de origem espanhola e italiana) 97%, mestiço e índio 3%
Religião: Católica Romana 92%, Protestante 2%, Judaica 2%
Idioma: espanhol (oficial), inglês, italiano, francês, alemão
97,1% da população com mais de 15 anos alfabetizada (2003 est.)
Governo
Nome oficial: República Argentina - (República Argentina)
Organizaçao politica: República
Capital: Buenos Aires
Divisões administrativas: 23 províncias e 1 distrito federal* - Buenos Aires, Catamarca, Chaco, Chubut, Córdoba, Corrientes, Distrito Federal*, Entre Rios, Formosa, Jujuy, La Pampa, La Rioja, Mendoza, Misiones, Néuquem, Rio Negro, Salta, San Juan, San Luis, Santa Cruz, Santa Fé, Santiago del Estero, Tierra del Fuego, Antártida e Islas de Atlántico Sur, Tucumán.
Independência: 09/07/1816 (da Espanha)
Feriado Nacional: 25/05 Dia da Revolução
Constituição: 01/05/1853, revisada em agosto de 1994
Chefe de Estado: Presidente Néstor Carlos KIRCHNER (desde 25/05/2003)
Economia(2006 est.)
PIB: Oficial - USD 210 bilhões
......... PPP - USD 599,1 bilhões - em paridade ao poder de compra norte-americano
......... Crescimento - 8,5% ao ano
......... Per capita (PPP) - USD 15.000
......... Composição 1º/2º/3º setor - 9,5% / 35,8% / 54,7%
Inflação: 10%
Desemprego: 10,2%
População abaixo da linha da pobreza: 31,4%
Orçamento: receita: USD 52,1 bilhões despesa: USD 47,6 bilhões
Exportações: USD 46 bilhões - Brasil 15,8%, EUA 11,4%, Chile 11,2%, China 7,9%
Principais exportações: óleos comestíveis, combustível, energia, cereais, veículos
Importações: USD 31,7 bilhões - Brasil 35,9%, EUA 14,1%, China 7,8%, Alemanha 4,5%
Principais importações: maquinário, veículos, produtos químicos, plásticos
Dívida externa: USD 106,8 bilhões
Transporte
Ferrovias: 31.902 km (2005)
Rodovias: 229.144 km (68.809 km pavimentados; 734 km de vias expressas) - (2004)
Hidrovias: 11.000 km (2005)
Oleodutos: gás natural 29.804 km, óleo cru 10.373 km, derivados de petróleo 8.540 km (2006)
Portos: Bahía Blanca, Buenos Aires, Concepción del Uruguay, La Plata, Punta Colorada, Rosário, San Lorenzo-San Martín, San Nicolás
Aeroportos: 1.381 (154 com pistas pavimentadas) - (2006)
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