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Image7.gif (1436 bytes)Image8.gif (1456 bytes)Carta de Bernardino Rodrigues Barcellos


A carta aqui transcrita data do per�odo farroupilha (1835-1845) e est� entre os documentos que constituem a Cole��o Alfredo Varela, assim denominada por haver sido recolhida pelo compilador hom�nimo. S�o cartas endere�adas ao ilustre Domingos Jos� de Almeida, um dos mentores da Revolu��o, por seu sogro, Bernardino Rodrigues Barcelos, e por seu cunhado, Joaquim Rodrigues Barcelos.

H� tamb�m uma carta do filho de Joaquim, Dezembrino Rodrigues Barcelos, endere�ada a certo Lu�s.

Essa correspond�ncia e outros documentos do mesmo per�odo, todos pertencentes � referida Cole��o, acham-se preservados no quarto volume dos Anais, do Arquivo Hist�rico do Rio Grande do Sul, publicado em 1980. S�o de Ilka Neves os �teis pormenores que julgamos importante incluir para maior elucida��o do leitor:

Ap�s a pacifica��o da Prov�ncia, Domingos Jos� de Almeida come�ou a reunir documenta��o visando escrever uma Hist�ria da Revolu��o, o que n�o concretizou. Alfredo Varela preservou o material coletado enriquecendo-o com novas aquisi��es, e o governo do Estado do Rio Grande do Sul, em 1936, adquiriu o acervo de fundamental import�ncia para o estudo do dec�nio farroupilha.

Nos Anais do Arquivo Hist�rico do Rio Grande do Sul (1977-1986) foi publicada a documenta��o da denominada Cole��o Alfredo Varela, com cerca de 13 mil documentos em sua maioria de proced�ncia farroupilha.

Serve de respaldo hist�rico conhecer os crit�rios que nortearam a transcri��o dos referidos documentos. O teor dos textos foi reproduzido na �ntegra, havendo atualiza��o ortogr�fica, incluindo-se top�nimos e onom�sticos, corre��o da pontua��o se vital � clareza. O uso dos colchetes, com indica��o de reto e verso, remete ao in�cio de cada folha do documento. As palavras de leitura duvidosa se fazem acompanhar de ponto-de-interroga��o.

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BARCELOS, Bernardino Rodrigues

CV — 2437

Meu querido Filho e Amigo do cora��o

Serra do Degredo, 6 de agosto de 1841.

Meu Compadre e Amigo a quem muito estimo.

Tenho � vista a sua �ltima de 25 de junho p.p. a qual muito estimei pela certeza da sua boa sa�de que lha desejo assaz continuada para amparo de sua ilustre fam�lia e tudo quanto lhe pertence.

Sim Sr., agora nada me priva sen�o a falta de sa�de e ver a triste circunst�ncia do resto de minha fam�lia mi�da e sua comadre t�o amofinada como a vejo, velha e magra, e eu vou conhecendo bem que o estar aqui tenho diminu�do muitos anos de minha exist�ncia s� em ver e lembrar-me o que fui em mo�o, e ao que era a minha casa e ao que est� reduzida, isto � um grande sentimento e n�o posso distrair esta falta. Nunca eu viesse para semelhante ch�cara. Logo que eu sa� das Pedras Altas devia ter-me encaminhado para Lionxe que l� teria algum gado para comer e vacas para o leite e mais sossego. Provera Deus que eu me apanhasse agora l�; pode ser que ainda vivesse mais tempo. Com que me h� de pagar o Capit�o Jo�o Batista Meireles os sete contos mil r�is, fora os juros. Ainda n�o perdi as esperan�as [1v.] de ainda ir para l� ao menos sua comadre e meninos a fim de os tirar desta grande mis�ria que vai piorando: aonde n�o trabalha o arado n�o adiantam nada as enxadas; todos os anos � preciso comprar milho e feij�o, e sempre com faltas; gados tem-se comido aqui mais de 250 reses; � um lugar que sempre est� a casa cheia de h�spedes, e todos v�m com fome, e porque s�o dos liberais devemos dar-lhes de comer, e quando n�o v�o as vacas mancas e os bois que continuadamente est�o faltando e mesmo os tourinhos pequenos; � muito triste lugar. Sim Sr., casou o Ant�nio; creio que j� se ter� arrependido, eu cem vezes lhe disse que n�o era tempo; depois casou a minha Francisca, tamb�m dizia ao Jeremias que s� depois da guerra se faria, por�m n�o foi poss�vel. Sim Sr., sei que minha filha e netos se acham em Bag�, provera Deus que eu l� me apanhasse n�o sa�a para outro lugar. Afetuoso me recomendo muito saudoso e o mesmo sua comadre; o Juca e o Modesto cedo ir�o para Piratini para a escola; o Jeremias ainda n�o [2r.] veio da casa de seus pais. Como tem chovido muito, est�o os arroios muito crescidos; a Chica j� veio, do mano In�cio escreveu muito saudosa. N�o esque�a muitas saudades � minha filha Bernardina e todos os netos e netas, e ela que haja esta por sua que agora n�o tenho tempo de lhe escrever pelo portador estar a sair. Deus N.S. os felicite a todos e guarde por muitos anos como lhes desejo a todos quantos lhes pertencem e que da minha boa vontade se sirva em tudo quanto for do seu agrado como quem � de V.Mc�. seu pai muito venerador e criado

  1. Bernardino Rodrigues Barcelos

Estamos a 11 de agosto


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Casa da Figueira. Casar�o de propriedade do charqueador Bernardino Rodrigues Barcellos (1766-1856), �s margens do arroio Pelotas, na ent�o vila de S�o Francisco de Paula (atual Pelotas, RS). A bela possess�o foi vendida em 1876 por Jacinto Rodrigues Barcellos, herdeiro de Bernardino.

Fonte: Bico de pena de J. Faria Viana, 1958, baseado em foto da propriedade antes de sua restaura��o. Extra�do de Ad�lia da C�mara Barcellos: genealogia e hist�ria, de Ilka Neves (Pelotas, Ed. Universit�ria da UFPEL, 1997, p. 345).

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