Introdução ao Islam

Em Nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

 

O Islam

A palavra Islam significa submissão à vontade de Deus; implica a idéia de paz, pureza, aceitação do único compromisso possível para o homem: sua servidão e adoração para com Deus, o Princípio Absoluto e Creador de tudo o que existe, ao Único que tem sentido servir e adorar.

Servir a Deus é acatar Suas Leis na creação, e o acatamento às mesmas é viver de acordo com o modo de vida revelado, a melhor maneira de viver, a única que conduz à paz, à libertação interior e à plenitude do ser. Islam não é somente uma religião, é um modo de vida, uma forma de ação vital com toda a creação.

“Adorareis acaso outros deuses ao invés Dele? Se o Altíssimo quisesse me prejudicar, em nada me beneficiariam com sua intervenção nem poderiam me salvar”. (Alcorão 36:23)

 

A Revelação

O Islam não é novo sobre a Terra, nem começou há 1400 anos com o Profeta Muhammad, a Benção e a Paz de Deus estejam com ele, pois se trata da Mensagem essencial de todas as religiões verdadeiras.

 Ensina a tradição Islâmica que 124.000 Profetas trouxeram a Verdade, a Ciência e Guia para a humanidade neste ciclo. E essa Mensagem revelada foi sempre a mesma: Islam.  Variaram as formas exteriores, de acordo com as épocas, os povos, as circunstâncias e os alcances de cada revelação particular.

“Porém nunca haverá mudança na Lei de Deus. E jamais haverá mudança na Lei de Deus”. (Alcorão 35:43)

“Dize: cremos em Deus, no que nos foi revelado, no que foi revelado a Abraão, a Ismael, a Isaac, a Jacó e às Doze Tribos, e no que  foi concedido por Deus a Moisés e a Jesus e aos Profetas. Não fazemos distinção entre eles e a Ele nos submetemos.” (Alcorão 3:84)

A Mensagem que foi revelada ao Profeta Muhammad, a Benção e a Paz de Deus estejam com ele, é o Islam em sua forma original, completa e adequada à época até o fim dos tempos. Deus, Exaltado seja, colocou a salvo a última Revelação de distorções blasfêmias e teologias.

 

O Alcorão e a Tradição Profética

A doutrina do Islam se assenta sobre duas fontes. Em primeiro lugar se encontra o Livro revelado, O Alcorão. Este não foi modificado nem se perdeu parte alguma, como ocorreu com outros Livros, continuando intocável em sua língua original, o Árabe. Foi encomendado à memória do Profeta e revelado durante 23 anos de sua vida.O Alcorão é para o Muçulmano a palavra de Deus revelada através de seu Profeta e Mensageiro Muhammad, a Benção e a Paz de Deus estejam com ele. 

Em segundo lugar temos o que conhecemos como Sunna, ou seja, os relatos dos ditos, atos, recomendações, etc, efetuados pelo Profeta, referidos à multidão de tópicos e situações, e que foram cuidadosamente transmitidos e compilados por sua descendência, companheiros e discípulos. A tradição do Profeta complementa o Alcorão e, sobretudo, desenha para os Muçulmanos o modelo de vida, comportamento e sabedoria Proféticas, que deve ser imitado por todo aquele que deseje a perfeição. O Alcorão sintetiza a Revelação completa dos Livros anteriores, assenta as bases da Fé, da moral, das relações humanas, da história sagrada da humanidade, do objetivo e finalidade do homem, da sabedoria, da relação com Deus. É um livro vivo, um símbolo e um milagre do Creador.

 

A Doutrina da Unidade

“Dize: Ele é Deus Único; Deus, o Absoluto. Não gerou nem foi gerado, e ninguém é comparável a Ele”. (Alcorão 112).

A doutrina da Unidade, em Árabe, Tawhid, é o núcleo da revelação. Deus é Uno e Único, é Eterno e subsiste por Si Mesmo, não foi creado, não tem filhos, nem está consubstanciado com nada, não é Sua Creação uma parte Sua ainda que esteja presente nela. Nada que o homem possa pensar ou imaginar é igual a Ele ou a Ele se compara, ou seja, Ele está além de toda descrição.

“Ele é o Primeiro e o Último, o Visível e o Invisível e tem conhecimento de tudo”. (Alcorão 57:3)

“Foi Deus Quem creou os céus e a Terra e envia do céu a água, com a qual produz frutos para a vossa alimentação”. (Alcorão 14:32)

“Com certeza, para teu Senhor será o retorno”. (Alcorão 96:8)

 

O Homem

O Homem é a síntese e culminação da creação. Sua missão é de adorar seu Creador e de representa-lo na Terra, e não corrompe-la. Em seu estado original, como Adão, o homem é um ser perfeito, completo, belo e sábio.

“E ensinou Deus a Adão os nomes de todas as coisas”. (Alcorão 2:31)

“Lembra de quando teu Senhor disse aos anjos: ‘Por certo vou instituir um califa (representante) na Terra”.

O Profeta nos ensinou que todo homem nasce nesse estado original de pureza, e logo o perde, e que é livre para retornar o caminho original até a perfeição, até o Jardim do Paraíso, seguindo o Guia revelado e o modelo profético.

“Tereis no Enviado de Deus um belo modelo”. (Alcorão 33:21)

 

A Adoração

O Islam não é ritualismo, senão correta intenção, pois disse o Profeta: “Por certo que as ações valem pela intenção”. Todo ato, por pequeno que seja, é um ato de adoração, pois todos nossos atos constituem a vida, e não se pode viver sem atuar. Porém, quem adoramos habitualmente? Ao dinheiro, ao prazer, ao renome, etc. O Islam propõe modificar a ação, porém, sobre a intenção, e unificar ambas no fim essencial do homem. Desta unificação entre o coração e os atos, vem a pacificação da alma.

“Por certo que não creei os homens e os gênios senão para que Me adorassem”. (Alcorão 51:56)

“Oh alma pacificada, retorna a teu Senhor, satisfeita e complacida, entra pois em Minha servidão, e entra em Meu Paraíso”. (Alcorão 89:27-30)

 

Princípios e Práticas

Cinco princípios e cinco práticas são os fundamentos do Islam:

1°) Crer em Deus, Único, sem associados em seu reino; 

2°) Crer na existência de um mundo ou plano superior, o dos anjos; 

3°) Aceitar os Profetas, 25 dos quais menciona o Alcorão, e entre os quais se destacam Noé, Abraão, Moisés, Jesus e Muhammad, a Benção e a Paz de Deus estejam com todos eles; 

4°) Crer nos Livros revelados, como o Pentateuco, os Salmos, o Evangelho e o Alcorão, sendo esse último a síntese dos anteriores e o único preservado originalmente como foi revelado, e especialmente seguido pelos Muçulmanos; 

5°) Crer no Dia do Juízo, o Dia do Retorno ao Princípio e o comparecimento ante Deus.

São suas práticas:

1°) O testemunho (Shahada), de palavra e coração, de que “Não há divindade senão Deus e de que Muhammad é Seu Mensageiro”

2°) Cumprir, com as orações (Salat) prescritas, cinco vezes ao dia, vínculo desta forma sempre atual e importantíssimo para com Deus, que nos eleva e nos aperfeiçoa; 

3°) Jejuar durante o mês de Ramadã, o qual templa a vontade e purifica corpo e alma; 

4°) Pagar o zakat, a caridade obrigatória, que na assinatura de um imposto sobre os bens de cada Muçulmano se cobra uma vez por ano, isso educa na virtude do desapego, purifica os bens e beneficia por sua distribuição nos setores mais pobres da sociedade; 

5°) Peregrinar, ao menos uma vez na vida à Mesquita Sagrada de Meca, primeiro templo construído para a adoração do Deus Único, sendo assim o primeiro templo da humanidade, se as condições (material e física) de cada um o permitirem. Este rito (chamado de Hajj) realiza e representa um novo nascimento, um retorno à Unidade e à pura origem.

Todas essas práticas se englobam no Jihad, o esforço sagrado pela causa de Deus, para estabelecer a Paz e a Justiça, tanto no âmbito da alma individual (Grande Jihad) como no mundo (Pequeno Jihad).

 

A Sabedoria

O Islam pode ser aprofundado por cada ser humano. Por si só constitui um primeiro estágio, o de submissão na ação e na prática, ao que segue um segundo: o Iman, a Fé, no sentido tradicional da segurança e o convencimento do coração, tanto como do intelecto. Por último. Temos em terceiro lugar o Ihsan, a Perfeição que, na fala do Profeta, “consiste em adorar a Deus como se O visse, pois embora você não O veja, Ele o vê”. Esse caminho até o interior, um verdadeiro aprofundamento, constitui a Sabedoria do Islam, em seu sentido de realização efetiva e não de uma mera erudição ou informação, seguindo o dito do Profeta: “Quem conhece a si mesmo, conhece a seu Senhor”. Este caminho até a Sabedoria tomou no Islam o nome de Tassauf (Sufismo), e foi em todas as épocas o núcleo vivo da doutrina islâmica.

 

A Forma de Vida Islâmica

O Islam abraça e compreende, como não poderia ser de outro modo, todos os aspectos da vida humana, desde um modelo para a comunidade política e econômica, até a Sabedoria. É nesse sentido, uma concepção unitária e não fragmentada do homem e da comunidade humana. Por ela, as soluções do Islam são profundas e transformadoras desde a raiz, pois o desajuste da sociedade anti-sagrada moderna não se resolve atacando os distintos problemas separadamente. É aplicando a doutrina da Unidade em todas as ordens que se unifica e harmoniza, tanto o homem como a família e a sociedade, deixando de existir a falsa distinção entre secular e sagrado, entre um conhecimento científico e outro espiritual, ou entre trabalho e adoração.

O Islam irmanou os homens, pois compreende em seu seio todas as raças e cores sem distinção e o demonstra na prática: todos os anos durante a peregrinação, milhões de homens e mulheres, indianos, árabes, chineses, africanos, mongóis, etc, se unem sem distinção, nos mesmos ritos que já se praticam há 14 séculos.

O Islam na Atualidade

Mais de 1,2 bilhões de Muçulmanos no mundo, mais de 50 países com maioria Muçulmana em sua população testificam a atualidade e importância do Islam, que se encontra em expansão e redescobrimento em sua verdadeira dimensão na Europa e Américas.

 

Artigos e Textos Islâmicos

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