Nossos Baluartes

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Cronologia da vida de São Francisco  

 1181/82 – Verão ou outono (junho-dezembro): nasce em Assis. Batizado com o nome de Giovanni di Pietro (pai) di Bernardone (avô). Mudado para Francisco. Foi chamado por sua mãe primeiro de João; mas, ao regressar da França seu pai em cuja ausência ele nascera, começou a chamar-se Francisco.  

 1202 –         Guerra entre Perusa e Assis. Assis vencida em Collestrada. Francisco com 20 anos, passa um ano preso em Perusa. Resgatado pelo pai, devido à doença. Nesse tempo parece que a família de Clara está refugiada em Perusa: ela com   8 / 9 anos de idade.  

 1204 –         Longa doença.  

 1204 –         Fim, ou primavera de 1205 (entre março-junho): parte para guerra na Apúlia, no Sul. Volta após visão e mensagem de Espoleto. Começo da conversão gradual.

  1205 –         Outono (setembro a dezembro): mensagem do crucifixo de São Damião. Conflito com o pai.  

1206 –         Janeiro-fevereiro: questão perante o bispo Dom Guido II.

                     Primavera (março-junho): em Gúbio, perto de Assis, cuida dos leprosos.

                     Verão, provavelmente em julho: volta a Assis. Veste-se de eremita e começa a reparação da capela de São Damião. Fim do processo de conversão; começo dos anos de conversão.

1208 –         Janeiro ou fevereiro: trabalha na reparação de São Damião.  

1208 –         24 de fevereiro: ouve o Evangelho da missa de São Matias, na Porciúncula, sobre missão apostólica. Muda as vestes de eremita e passa a usar as de pregador ambulante, descalço.

                     Início da pregação apostólica. Aqui propriamente começa o estilo de vida franciscana, apostólica, de presença.

                     16 de abril: recebe em sua companhia os irmãos Bernardo e Pedro Cattani.

                     Primavera (março-junho): a primeira missão. Recebe mais três companheiros, inclusive Filipe.

                     Outono ou Inverno (setembro-março): segunda missão, os sete vão a Poggiobustone no vale de Rieti. Depois de ter-se certificado do perdão dos pecados e do futuro crescimento da Ordem, Francisco envia os seis, e mais um que se, lhes agrega, para a terceira missão, dois a dois.  

1209 –         Começos: os oito voltam à Porciúncula. Ajuntam-se-lhes outros quatro. Primavera (março-junho): Francisco escreve breve Regra e vai a Roma com os onze. Obtém a aprovação do Papa Inocêncio III, só oralmente. Seria esta a primeira Regra, perdida. Na volta passam por Orte e se estabelecem em Rivotorto, perto de Assis, num rancho abandonado.  

1210 –         Os frades mudam-se para a Porciúncula, depois que um camponês toma o rancho para estábulo de seu burro. Possível começo da Ordem Terceira Secular. A Porciúncula era dos beneditinos cluniacences que a emprestaram a Francisco. Torna-se o berço da nova Ordem.  

1211 –         Verão (junho-setembro): Francisco vai à Dalmácia e retorna.  

1212 –         18-19 de março: noite do domingo de Ramos, a nobre jovem Clara di Favarone foge de casa e é recebida na Porciúncula. Talvez em maio fica alguns dias no mosteiro de São Paulo e algumas semanas no mosteiro beneditino de Panzo (perto de Assis) e por fim recolhe-se a S. Damião, onde fica até sua morte em 1253. Segue-a a irmã Inês, dezesseis dias depois.  

1213 –         Francisco pretende ir em missão a Marrocos, entre os muçulmanos, mas chega apenas à Espanha, onde adoece gravemente, retornando logo à Itália.  

1219 –         26 de maio: capítulo geral de Pentecostes. Grandes missões no exterior: Alemanha, Hungria, Espanha, Marrocos, França. Em junho, Francisco vai de navio de Ancona para o Oriente, a exemplo dos outros. Para Alemanha viajam cerca de 60. Do alemão conhecem apenas a palavra “Ya” (sim). Perguntados se querem comida ou hospedagem, respondem: ”Ya”. Perguntados se são hereges e se vem espalhar seus erros, também respondem “Ya”.

                     Presos, surrados, despidos, ridicularizados, sofrem como cães. Vendo que não podem produzir frutos na Alemanha, voltam para Itália.

                     Também na Hungria os missionários sofrem os maiores vexames. Quando vão pelos campos, os pastores atiçam os cães contra eles e dão-lhes cacetadas.    Os que vão para Marrocos, são martirizados e depois canonizados como os protomártires franciscanos (Beraldo, Pedro, Acúrsio, Adjuto, Otão: U 1220. Movido por esse fato, Santo Antonio, então cônego regular de Coimbra com o nome de Fernando, pede ingresso na Ordem Franciscana.  

1219 –         Outono (setembro-dezembro): Francisco vai ao acampamento do sultão do Egito, Melek-el-Kamel, e tem “entrevista” com ele.  

1220 –         Inícios: Francisco viaja para São João d’Acre (Accon), onde há uma fortaleza dos cruzados, e vai à Terra Santa. Na sua ausência, Francisco deixa dois “vigários”, que, porém, começam a introduzir novidades na Ordem, instituindo novos dias de jejum e abstinência, além dos já marcados.  

1220 –         Primavera ou verão (mar-set): alarmado pelas notícias que um frade leva ao Oriente, retorna à Itália, desembarcando em Veneza. Nessa ocasião, o Cardeal Hugolino é nomeado protetor da Ordem.  

1220 –         Francisco entrega o governo da Ordem a Frei Pedro Cattani, como seu vigário.  

1221 –         Março: morre Frei Pedro Cattani.

                     Maio: capítulo geral de Pentecostes. Frei Elias de Cotorna é eleito vigário em substituição ao falecido.  

1223 –         Francisco redige a 3ª Regra, que é discutida no capítulo geral de junho. A discussão continua em Roma, e em outubro Francisco se dirige ao Papa para pedir aprovação.

                     29 de novembro: Honório III aprova, com bula papal, a Regra definitiva, ainda hoje em vigor.  

1224 –         15 de agosto a 29 de setembro: Francisco com Frei Leão e Frei Rufino, passa no Alverne, preparando-se com uma quaresma de oração e jejum para a festa de São Miguel Arcanjo.

                     Em setembro tem a visão do Serafim alado e recebe os estigmas.  

1224 –         Dezembro: cavalgando um jumento, Francisco faz um giro de pregações pela Úmbria e Marcas (Ancona).  

1225 –         Março: visita Clara em São Damião. Sua visão piora muito. Então, ele pretende ficar ali numa cela.

                     Abril ou maio: ainda em São Damião, Francisco recebe tratamento, mas não melhora.

                     Recebe a promessa de vida eterna. Depois de uma noite dolorosa, atormentado pela dor e por ratos, compõe o Cântico do Irmão Sol, junto a Santa Clara.  

1226 –         Abril: vai a Sena para tratamento.

                     Maio ou junho: volta à Porciúncula, via Cortona.

                     Fim de agosto ou início de setembro: piorando de saúde, é levado para o palácio do bispo de Assis. Dom Guido acha-se ausente, em peregrinação ao santuário de São Miguel.

                     Sentindo iminente a morte, pede para ser levado a Porciúncula. Chegado à planície, lança sua benção sobre Assis. Nos últimos dias de vida, dita o testamento, auto-testemunho de incalculável valor para a vida e os propósitos de homem tão singular.

                     Com a proximidade da morte, pede que o deixem nu no chão. Depois aceita emprestado o hábito que o guardião lhe dá. Faz ler o Evangelho da Última Ceia e abençoa os filhos seus, presentes e futuros.  

1226 –         3 de outubro, à tarde: Francisco morre cantando. No domingo seguinte, 4 de outubro, é sepultado na Igreja de São Jorge, na cidade de Assis, mas o cortejo fúnebre passa antes pelo mosteiro de São Damião, para a despedida de Clara.  

1228 –   16 de julho: Francisco é canonizado. Relíquias transladadas para a nova basílica, em construção, em 25 de maio de 1230.  

Cartas de São Francisco

 

Santa Teresa de Jesus - Vida e Obras

         A vida dessa extraordinária mulher se dá num espaço bastante largo de tempo - se tivermos em conta a idade media das pessoas no século XVI -, 67 anos. Uma vida vivida com particular intensidade, superando todos os medos e dificuldades e não deixando-se parar no seu caminho rumo à intimidade com Deus, no serviço à Igreja e aos irmãos. Na sua vida, o que nos chama mais atenção é o que ela chama de "determinada determinação", pela qual sabe enfrentar a tudo e a todos.

       Teresa nasceu aos 28 de março de 1515. Uma criança muito esperada e amada na sua infância. Encontra profunda acolhida e amor por parte dos pais, Dom Alonso de Cepeda e Dona Beatriz de Ahumada. O momento histórico em que ela vive é particularmente denso de conteúdo social e eclesial. Quando Teresa tem dois anos, Martinho Lutero torna publicas as 95 teses contra as bulas do papa. O cisma da Igreja será uma das grandes dores de Teresa adulta e monja carmelita descalça, ela que sempre terá um amor todo especial pela unidade da Igreja e da comunidade do Carmelo.

       Desde os primeiros anos de sua infância, recebe dentro da família os melhores ensinamentos, ela mesma relata a primeira catequese no livro da Vida (V1,1-6). O que mais atrai sua atenção é a leitura da vida dos santos feita por seu pai nas longas e intermináveis noites do inverno de Ávila.

       Essas leituras vão influenciando a imaginação fértil da pequena Teresa, e nela se formará uma consciência de que nada há de melhor que dar a própria vida por amor de Cristo. Os gestos dos mártires fazem-se fortemente presentes nela a ponto de - em 1522, com seu irmão Rodrigo - organizar uma "fuga para a terra dos mouros para ser mártir. Uma fuga frustrada, infantil, mas que manifesta estar Teresa já decidida a realizar o seu sonho: a experiência do religioso, do mistério, faz parte de toda a história teresiana.

      1528 - Essa data é importante porque morre Dona Beatriz de Ahumada, mãe de Teresa e segunda mulher de Dom Alonso de Cepeda. Diante dessa perda, Teresa refugia-se nos braços da Virgem Maria, a quem escolhe como mãe (V 1,7).

      1528-1531 - Três anos bastante conturbados na vida de Teresa. Ela tinha aprendido com a mãe a ler livros e romances de cavaleiros. Coisa inocente, mas que deixará rastro negativo de que Teresa se arrepende, mais de uma vez. Passa bastante tempo nessas leituras e entretendo-se com os primos, em amizades frívolas. Essas atitudes de Teresa preocupam bastante o pai, que se sente, depois do casamento de sua filha Maria, incapaz de educar Teresa. Por isso a encontramos no colégio agostiniano de Santa Maria das Graças, "por ter-se minha irmã casado e sendo sozinha e sem mãe, não era bom para mim" (V 2,1-7).

       1532 - Teresa adoece. Abandona o colégio das agostinianas e vai passar um tempo em Hortigosa com seu tio Pedro Sanchez de Cepeda e uma temporada em Castellanos de la Cajiada. Será' um período verdadeiramente rico e de profunda interiorização, quando vai se amadurecendo o seu processo de conversão.

       A companhia e presença do seu tio Pedro, com seu "falar de Deus e das vaidades do mundo", muito influenciará a sua sobrinha na decisão de doar-se totalmente a Deus. A leitura de alguns livros, especialmente das cartas de S. Jerônimo, também será' quase determinante na sua conversão. Sabemos que Teresa sempre foi amiga de boas leituras e recomenda isso para todos os que querem seguí-la.

       Depois de ter muito refletido, comunicará a seu pai a decisão de ser carmelita. Receberá um forte "não", mas para ela já estava tudo decidido, como se tivesse recebido o hábito (V 3).
1535 - Nunca devemos esquecer que Teresa é uma aventureira do Espírito e, por isso, não se deixa desanimar nem influenciar pelos outros, sabe o que quer. Assim, na manha de 2 de novembro, foge novamente de casa com seu irmão Antônio, decidida a colocar em prática o seu desejo de ser carmelita. Não importam nem o "não" do pai, nem o medo de desagradá-lo.

Teresa no convento da Encarnação

       0 período mais longo de sua vida, 1535-1562; vinte e sete anos em que Teresa permanece monja no Carmelo da Encarnação, decidida a ser totalmente uma alma que quer servir à Igreja, à humanidade, servindo a Deus.

      1535-1538 - São os anos mais belos de sua vida religiosa. Empolgada, decidida a seguir a Cristo, custe o que custar. Essa determinação é prejudicial à sua saúde. Muito se tem escrito sobre a doença de Santa Teresa e muito ainda se haverá de escrever, provavelmente sem chegar a lugar algum. Muitos autores achavam que a sua doença era fruto de uma psicossomatização de uma série de problemas e conflitos não resolvidos em sua vida como, por exemplo, o relacionamento com o pai. Teresa explica a sua doença numa forma simples: a mudança de vida, Os alimentos "fizeram mal à minha saúde". Desenganada pelos médicos, o pai decide tirá-la do convento e levá-la a Becedas para ser tratada por curandeiros.

       1539 - Teresa submete-se aos curandeiros quee nada resolvem; volta para Ávila e, na casa paterna, sofre um colapso que durará três dias. Acreditam que esteja morta, preparam tudo para o enterro. Retomada sua consciência, volta para o mosteiro da Encarnação; passará três anos nessa situação. Restabelecida, Teresa passa um período bastante tranqüilo, sem grandes acontecimentos que sejam dignos de nota numa breve apresentação.

Quatorze anos de mediocridade

       1540-1554 - São anos sem "sabor", mas qquestionadores. Teresa vive na mediocridade e passa o tempo entre diversões, muito locutório e, ao mesmo tempo, sente dentro dela a angústia dos apelos de Deus que a convidam a entregar-se totalmente ao mistério da oração. Teresa resiste o quanto lhe é possível. Quer uma vida tranqüila, sem problemas, onde possa fazer o que quer. Será a mesma Teresa que nos dá uma síntese desse período de sua vida: "Por um lado, Deus me chamava e por outro, eu seguia o mundo. As coisas de Deus me davam grande alegria, mas me sentia amarrada pelas coisas do mundo. Parecia que queria conciliar estes dois contrários, tão inimigos entre Si. Como é a vida espiritual e gozos, gostos e passatempos sensuais" (V 7,17). Teresa passará quase vinte anos nessa situação difícil que não lhe permite viver na intimidade com Deus.

       1554-1560 - Serão anos de intensa oração e vida espiritual. Começa a receber grandes obras de Deus, e isso a apavora. Para ver se vem de Deus, ela conversa com pessoas espirituais... alguns dizem que tudo é obra do diabo, outros duvidam. Será o tempo mais duro de sua vida, uma autêntica noite escura. Quem vai tirá-la dessa triste situação será o encontro e a amizade com o franciscano Pedro de Alcântara.

       1560-1562 - Teresa sente-se preocupada, a visão do inferno a perturba interiormente, a presença amiga de S. Pedro de Alcântara vinha lhe dando a segurança de que Deus estava satisfeito com ela. Num diálogo, fraterno com algumas companheiras do mosteiro da Encarnação, Teresa começa a pensar na séria possibilidade de fundar um convento com novas características, onde ela possa realizar os seus desejos de oração, de solidão e especialmente de vida fraterna. Encontra pessoas santas e sábias, que a apóiam neste projeto; ao mesmo tempo, encontra muitas pessoas que tentam obstruí-la e persegui-la para que este ideal não se torne realidade. Embora tudo seja feito em grande segredo, o povo se levanta contra e a cidade inteira se opõe, mas a fundação começa no dia 24 de agosto de 1562. Teresa sabe que não pode desanimar e deixar de lado um desejo de Deus por causa das cruzes.

      1562-1567 - Teresa permanece durante esses cinco anos no convento de São José'. Anos nos quais não faltam as batalhas diárias, mas serão, ao mesmo tempo, anos de tranqüilidade e de paz. o seu sonho de não ficar tranqüila é fundar mais conventos. Esses anos são principalmente importantes, porque a Madre Teresa pode contemplar a felicidade do seu primeiro convento: aumento de vocações, estabilização do ideal carmelitano. Tem tempo para escrever o Caminho de Perfeição, a Vida, as meditações sobre o Cântico dos Cânticos e as Constituições. E, ao mesmo tempo, percebe a necessidade de estender as fundações a outros lugares.

        1567 - Um ano que marca profundamente a vida de Teresa: o encontro providencial com São João da Cruz em Medina del Campo. Um encontro rápido, mas fecundo. Frei João de São Matias, carmelita, sente-se profundamente atraído pelo ideal de Teresa, e para abraçá-lo coloca uma só condição: que isso se faça rapidamente.

         1568 - No primeiro Domingo do Advento, que nnaquele ano era no dia 28 de novembro, acontece a primeira fundação dos descalços no pequeno lugarejo de Duruelo.

        1569 - Fundação do mosteiro de Toledo e fundação dos descalços em Pastrana.

         1571 - Teresa fundará o Carmelo de Alba de Tormes.

         1575 - Funda o mosteiro de Sevilha.


        1577 - No mês de dezembro, São João da Cruz é seqüestrado enquanto se encontrava no convento da Encarnação e é levado ao cárcere de Toledo.

        1578 - No mês de agosto, São João da Cruz foge do cárcere e se refugia no convento das descalças em Toledo.

       1575-1580 - Esses cinco anos devem ser considerados os mais tempestuosos da reforma teresiana. Ninguém esperava que a pequena semente lançada em Ávila, com a fundação do mosteiro de São José', e a ainda menor semente do Carmelo descalço masculino colocada no coração fértil de São João da Cruz e dos primeiros seguidores em Duruelo, fossem crescendo tão rapidamente e de uma maneira assustadora, por isso a reação dos calçados é mais do que compreensível. Teresa vê-se mergulhada em incompreensões e é chamada a lutar para que o seu movimento se tome autônomo, independente, para que possa crescer e se firmar. Nas duas cartas enviadas ao rei Filipe II, Teresa toma a defesa da sua obra e dos seus amigos e filhos descalços, a quem vê perseguidos inutilmente.

1581 - Envia orientaçõse ao Pe. Gracian, para que ele possa preparar bem as condições das descalças no capítulo de Alcalá.

1582 - Já velha e cansada, como ela diz, morrre em Alba de Tormes, as nove horas da noite, como filha da Igreja e mãe do Carmelo. Ela tem 67 anos de idade.
Por causa da reforma do calendário gregoriano, o dia quatro passa a ser o dia 15 de outubro, por isso celebramos a sua festa nesse dia, que é considerado o verdadeiro nascimento da santa para o céu.

Esta breve pincelada das datas principais da vida de Santa Teresa nos permite situar-nos na história e no tempo da vida dessa grande mulher que teve parte ativa na sociedade, na Igreja e na vida religiosa do seu tempo. Suas mensagens permanecem válidas e extremamente atuais, porque ela não se preocupa com coisas pequenas e passageiras, mas com valores fundamentais da pessoa humana, com seus problemas e dificuldades que encontram para chegar à íntima comunhão com Deus. Apresenta a verdadeira vocação do ser humano que é capaz de conhecer e amar o Senhor, estabelecendo com Ele uma autêntica história de amizade. A grande novidade teresiana é ter feito de Deus, em todo o seu mistério, o melhor amigo do homem. Somente percorrendo o caminho da amizade, da humildade, do desapego e da verdade, Deus nos admite na sua intimidade e convida-nos a realizar a mais estreita comunhão, que Teresa chama, com muito carinho, de matrimônio espiritual. Essa é a vocação de todo ser humano, seja qual for a sua religião ou vocação.


CHAVE DE LEITURA TERESIANA


Os livros de grandes autores como Santa Teresa, São João da Cruz ou Santa Teresinha, o Carmelo pensou em unificá-los para dar maior facilidade de consulta e torná-los, assim, um ótimo instrumento de trabalho.

Ninguém cita esses santos pela página do livro, porque, mudando a paginação, dificultaria encontrar a citação. Assim, os estudiosos concordaram em assumir uma numeração comum, pois isso facilita imensamente o conhecimento desses místicos tão importantes no estudo da espiritualidade.


SIGLAS DAS OBRAS DE SANTA TERESA

Seguem as siglas das obras teresianas. Para se fazer a citação, a primeira coisa é colocar a sigla do livro, em seguida o número do capítulo e depois o do parágrafo, por exemplo: Fundações, capítulo 1, parágrafo 4, fica F 1,4. Nas citações do Castelo Interior ou Moradas tem algo diferente, o primeiro número indica a Morada, o segundo o capítulo, e o terceiro o parágrafo.

V - Livro da Vida
C - Caminho de Perfeição
M - Castelo Interior ou Moradas
F - Fundações
Const. - Constituições
Cta - Cartas
CAD - Conceitos do Amor de Deus
MVC - Modo de Visitar os Conventos
R - Relações
E - Exclamações da alma a Deus
P - Poesias
A - Avisos
Cert - Certame

Pedagogia Oracional Teresiana
A pedagogia psicológica:

1 - Solidão:

Teresa era encantada com ela: CC 1,6 - "Todo o meu anseio é estar a sós".
É grande coisa para a oração: C 4, 9 - "Acostumar-se à solidão é fundamental à oração".
Assim rezava Jesus: C 24, 4; 26 - "Sua Majestade ensina que a oração seja feita na solidão (...) insuportável falar com Deus e o mundo ao mesmo tempo". (C 24, 4)

1º passo - Exame de consciência, confissão e sinal da Cruz ;
2º passo - Procurai Ter companhia (Jesus);
3º passo - Concentrar o pensamento em alguma coisa;
4º passo - Não é pensar, ou tirar muitos conceitos, apenas olhar. Olhá-lo de acordo com nossos sentimentos:

- Trazer uma imagem ou retrato;
- Muito útil usar um livro.

A oração não é medida pelo tempo que emprega-se nela: Cta 165, 2/1/1577 - "Não pense que teria mais oração se lhe sobrasse tempo (...) Em um momento, muitas vezes, concede o Senhor mais que me muitos anos: pois suas obras não se medem pelo tempo."

Possui a mesma raiz da oração: V 8,5 - "Para mim, a oração mental não é senão tratar de amizade - estando muitas vezes a sós - com quem sabemos que nos ama."

" A não ser que estejas ocupadas em obediência e caridade, sempre julgo que é melhor a solidão": F 5, 15 - "Mesmo cuidando de coisas exteriores, devemos desejá-la (a solidão)".

2 - Procedimento:

Compenetração com a revelação: C 42, 5 - "Ele me deu a entender" (revelação de Deus. É Dele a iniciativa).

Ter sempre presente que a substância da verdadeira oração é o amor: F 5, 2; 4M 1, 7. - " Essência da oração (...) O benefício da alma não está no muito falar, e sim no muito amar"

O pensamento, pouco a pouco, deve ir convertendo-se em olhar: C26, 2ss - "Pois quem vos impede de voltarmos os olhos da alma, mesmo de relance". (olhar para o Senhor) Pressuposto: Deus - Cristo - Espírito Santo (Trindade) moram no interior do homem: C 28, 4.9 - "Entra em si mesma com seu Deus (inabitação da Trindade) nesse palácio está o Rei que desejou ser nosso Pai".

O diálogo deve ser pleno, existencial e total: C 28, 12-13 - "Tudo reside em entregar-se a Ele com toda determinação"(Entrega à sua vontade)

Sinais da verdadeira entrega: C 40, 3 - "Aqueles que de fato amam a Deus, amam tudo o que é bom".(Amor a Deus transforma-se em ações)

Simplificação no proceder: C 26, 9-10 - "Se falais com outras pessoas, porque vos haveriam de faltar palavras para falar com Deus?"(Intimidade, simplicidade)

Importância do grupo e da comunidade na oração: V 16, 7 - "Procuremos juntar-nos algumas vezes, a fim de nos desenganar mutuamente e dizer em que poderíamos nos corrigir e contentar mais a Deus". (Fraternidade)

Tratar com quem têm oração: V 7, 20; 23, 4 - "Permitir à alma que começa a amar e servir a Deus com sinceridade que compartilhe da companhia de pessoas que têm oração"( V 7, 20) - "Todo o recurso da alma está em relacionar-se com os amigos de Deus"( V 23, 4).


Oração Teresiana

1 - Uma opção cristã fundamental, "SSó Deus";

2 - Grande comunhão com Cristo: C 1, 1-3;

3 - Abandono total à providência: C 2, 1;

4 - Condições necessária para rezar: C 4, 3-4;
Amor ao irmão: C 6 - 7; 5M 3, 8-9. 11;
Desapego: C 8; 9, 5; 32, 9; V 11,3; F 4, 5;
Humildade: C 10, 3-8; 7M 4, 8; F 5, 16; 6M 10, 8;

5 - "Já sabeis que a primeira pedra deve ser a boa consciência, e com todas as vossas forças, libertai-vos até de pecados veniais e segui o mais perfeito" C 5, 3;

6 - "Oração e vida cômoda não se juntam" C 4, 2; 18, 1;

7 - Considerar-se inferior aos demais. C 18, 5;

8 - " Deus não se dá de todo, até que o homem não se entregue de vez, totalmente" C 28, 12; CE 48, 4;

9 - "Determinada determinação" C 21, 2;
Determinação total: 2M 1, 8; 3M 2, 6.
Seguimento incondicional de Cristo: "Juntos andemos Senhor" C 26, 6;

10 - A palavra determinação significa empenho, esforço e perseverança.

11 - Amor ao irmão:
O amor verdadeiro; C 7, 1-4;
Liberdade no amor: C 7, 5.6;
Caridade fraterna e oração: 5M 3, 8-9.11;
Conversar sobre oração com o irmão: C 20, 4;

12 - Liberdade diante das coisas:
Elemento fundamental: C 8, 1; 32, 9; V 11, 3: dar-se totalmente ao criador;
Cristo: posse suprema do coração: C 10, 5; V 10, 6;
O desprendimento é o que mais une a Deus: F 5, 16;
A oração elevada sempre deixa desapego: V 20, 8; C 31, 11; 6M 11, 10;

13 - Humildade ou aceitação do protagonismo de Deus:
É a chave da oração: CE 24, 2: é a rainha do jogo de xadrez;
É a base de todo edifício espiritual: 7M 4, 9; Mais importante que a oração em si mesma: F 5, 16;
É a medida do aproveitamento espiritual: C 12, 6; 18, 7;
É andar na verdade: 6M 10, 7-8; CC 28.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
 
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