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S�rgio B. Palheiros
                                                              Astrologia

                                                       
Livre Arb�trio e Destino

                                                                                                              
S�rgio Braga Palheiros Palheiros
                                                                                                                
Astr�logo / Numer�logo








            Maktub, palavra �rabe que pode ser traduzida pela express�o: "est� escrito",  pode expressar o conceito de destino em parte apenas. Desde o princ�pio dos tempos o ser humano se pergunta se existe um destino, um caminho em que somos inseridos no in�cio da nossa exist�ncia, ou toda a nossa vida � apenas uma soma de acasos e somos completamente livres para fazermos o que quisermos.
            A astrologia, como instrumento para compreens�o do ser humano e sua intera��o com o universo circundante  pode ajudar nesta tarefa herculanea. No entanto, tais quest�es extrapolam suas fronteiras e entram em quest�es metaf�sicas, m�sticas e filos�ficas. Se um pesquisador quer encontrar respostas, ele tem que saber que os meios de saber est�o entrela�ados . A astrologia como ferramenta de compreens�o do homem faz parte da hist�ria da humanidade e encontra sua estrutura em ra�zes mais profundas e por mais que tentemos "cientificar" a astrologia, ela lida com conceitos e com perguntas que ultrapassam as possibilidades da ci�ncia material, pois lidam com as express�es da alma humana, seus caminhos neste mundo. Esta arte nos mostra como somos, como o universo age em n�s, ou melhor como fazemos parte deste universo.
       
      
"N�o como caminhamos, mas qual o caminho e o porque se caminha, constituem o maior mist�rio que nos cerca sobre a vida neste mundo".
         
         Esta arte, a astrologia, em sua aplica��o pr�tica trata diariamante com esta quest�o, somos apenas conduzidos por um destino maior, ou os astros apenas nos  d�o as potencialidades e somos n�s que a usamos como queremos. Hoje em dia, muito se tem falado e escrito sobre uma astrologia que prega que os astros n�o fatalizam. De certo modo est� correto est� teoria, mas n�o podemos nos esquecer, que na maioria das vezes o cosmo determina. Temos o direito a liberdade, mas esta  tem um limite de a��o. Um pesquisador que olhar atentamente as quest�es na vida das pessoas, pode ver que em grande parte as a��es  das pessoas est�o dentro de um contexto maior e que as vezes pode-se notar que elas caminham, mas nem sempre tem total controle das "paisagens" que aparecem.
       Quando uma pessoa nasce, respirando o sopro divino que lhe d� a vida, considera-se que o mapa natal � formado. Por que aquela pessoa nasceu naquele momento e n�o em outro? Naquele momento, o astr�logo poder� saber o que aquela pessoa atrair� para a sua vida, que as potencialidades que ali ele pode interpretar trar�o prazer ou dor para aquela pessoa. Mas,  por que ela tem que ser daquele modo e atrair aquelas situa��es?      
       Para tentarmos compreender em parte se existe um destino e um livre arb�trio, temos antes que entender o que vem a ser os conceitos de livre arb�trio e destino. Tentar ultrapassar o v�u que oculta estes mist�rios n�o � uma tarefa f�cil, mas nas poucas estruturas que podemos nos sustentar podemos ao menos vislumbrar a luz.

     
O Destino

       Todo profissional da astrologia depara-se diariamente com esta quest�o: como sabermos o que �  destino, se � que este existe, e aonde come�a a liberdade? Ser� que as configura��es do mapa natal s�o apenas ind�cios de potencialidades?
       Creio que esta resposta seja n�o, pelo menos em parte. H� um destino, uma for�a misteriosa que � conduzida por um mecanismo perfeito e que impregna a todos, estando em todos os lugares. Entretanto esta poderosa for�a tem um "ponto fraco", que nem os deuses esperavam que o seres humanos a pudessem encontrar. Somos n�s a ra�a humana que constru�mos boa parte deste destino. Apesar de estarmos inseridos em um plano maior que desconhecemos, muitos dos acontecimentos e caminhos que passamos s�o provocado por n�s mesmos, ou como dizem os indus, o Karma. Entraremos mais tarde, no significado mais profundo deste termo.

        Segundo  Plat�o, a roda (do universo) gira sobre os joelhos da Necessidade e, na parte superior de cada c�rculo, se encontra uma sereia, que gira com eles, entoando uma s� nota, um s� som. As oito juntas formam um todo harm�nico e, em sua volta, em intervalos iguais, h� um outro grupo de tr�s sereias, cada qual sentada no seu trono: s�o as Parcas, filhas da necessidade, que vestem t�nicas brancas e usam uma coroa na cabe�a.

        A figura do mito se torna uma importante fonte de conhecimento para que possamos tentar compreender este destino vivo que pulsa  entre n�s, pois estes mitos s�o a representa��o do mecanismo da natureza que os antigos esconderam sob esta forma.

        Segundo plat�o que retirou do mito grego, as Parcas s�o as senhoras do destino, acima mesmo de Zeus que nada pode contra elas. Elas trabalham apenas com  Saturno-Cronos, o senhor da morte.  Elas est�o deste o nascimento e mesmo antes deste, sob o controle, pois  algu�m que nascera j� tem um karma, um destino. Elas o colocar�o no lugar e na hora certa e de tal modo o retirar�o na hora adequada.

        Filhas de Nyx, a  deusa da noite, ou de Erda, a m�e terra, elas s�o chamadas Moiras ou Er�nias ou Normas ou H�cate de tr�s faces. A primeira no mecanismo  � Cloto que  tece o fio, L�quesis em seguida, mede-o e �tropos corta-o, e os pr�prios deuses est�o limitados por estas tr�s, por terem sido originados da incipiente M�e Noite, antes de que Zeus e Apolo trouxessem dos c�us a revela��o do eterno e incorrupt�vel esp�rito humano.

      A intrincada vis�o de Plat�o com as  parcas governando o cosmo, nos mostra  que este destino � fruto da necessidade ( as Parcas), ou seja, elas s�o o mecanismo que  governa o destino individual e sua uni�o com o todo. A necessidade que tem o universo de fazer com que cada um tenha responsabilidade, tenha sua parte em  conseq��ncia a seus atos. Dai vem o significado da palavra Moira, que significa literalmente, quinh�o, o quinh�o de cada um.

       Este destino os gregos chamam  de Moira, chamada " a serva da justi�a": o que contrabalan�a ou pune os desvios com rela��o �s leis do desenvolvimento natural. Este destino pune o transgressor dos limites fixados pela Necessidade.

       O texto gn�stico denominado Corpus Hermeticum, expressa as rela��es e o mecanismo do destino com bastante destreza:
        " E, portanto, ambas, a Sorte e a Necessidade, est�o atadas uma � outra, por insepar�vel coes�o. A primeira delas Heimarmen�, gera o come�o de todas as coisas. A Necessidade compele ao fim de tudo que depende desses princ�pios. Na esteira de ambas vem a Ordem, que � sua  tecedura e drama, e a organiza��o do Tempo para a perfei��o de todas as coisas. Pois nada existe sem a fus�o intima da Ordem.

       Este texto nos mostra que a manifesta��o do destino est� sob as ordens das Moiras, servas da justi�a, mas que estas trabalham para a "Ordem". Deste modo podemos concluir, que a ordem universal das coisas manifesta-se atrav�s da Parcas e sua atua��o sob as a��es e suas conseq��ncias.  Cabem a elas, "colocar" um indiv�duo  dentro do seu Karma pr�prio, quando este extrapola o seu direito a liberdade e � tomado de Hubris, a tentativa de ultrapassar o limite do destino fixados para si ( que �, implicitamente, o destino da pessoa, mostrada pela posi��o dos planetas e signos  na carta natal).
    Portanto, a atua��o mais dr�stica das Moiras na vida de uma pessoa, � dada pela extrapola��o das leis naturais, da Ordem natural das coisas, quando esta tenta extrapolar o que lhe foi concedido. Esta � uma ben��o divina, a liberdade humana, ou uma maldi��o. Da mesma maneira que podemos ser livres para fazermos nossas escolhas dentro de certos padr�es, quando tentamos extrapolar o que destino nos reserva , as parcas se mostrar�o mais ferozes, e cabe a n�s sabermos se queremos pagar o pre�o pela nossa ousadia de nos consideramos homens-deuses.

       � a partir da  liberdade que gera-se o destino pessoal, pois cada a��o gera uma rea��o correspondente. Portanto, a��es que estejam dentro da Ordem natural das coisas, tendem a provocar o Dharma pessoal, diminu�do seu Karma, e como conseq��ncia profetizando a necessidade ou n�o de uma outra poss�vel reencarna��o, mas este assunto apesar de pertinente, seriam necess�rio livros para estuda-lo adequadamente.  Este destino pessoal, se assim pode-se dizer est� colocado dentro de um destino maior, o plano pelo qual fomos enviados a este mundo originalmente. Se compreendermos conscientemente  e atuarmos em conson�ncia com o destino pelo qual estamos aqui ( o que concordo n�o � uma tarefa f�cil) esta harmonia implicar� em que todo o universo conspire a nosso favor,  de modo que as Moiras n�o nos afligir�o.

     Parece amb�guo, pois assim como a liberdade forma nosso destino e n�o podemos sair dele? As Parcas s�o as respons�veis para que n�o extrapolemos os limites naturais e sigamos o nosso destino, ai termina nosso livre arb�trio, no limiar do que nos cabe. Imaginem que o destino seja um mapa rodovi�rio. O plano global pelo qual fomos colocados neste mundo constitui os caminhos, as estradas e, se n�o conscientes caminharemos guiados pelas Moiras at� completarmos nossas miss�o, hora em caminhos dif�ceis, hora em mais f�ceis. Entretanto, quando conscientes deste destino, podemos escolher qual caminho queremos seguir, n�o que este seja apenas um mar de tranq�ilidade, mas que a partir dai estaremos em um caminho que pertence o nosso destino e de certo modo as coisas ser�o familiares para n�s, pois estaremos no nosso verdadeiro caminho.

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