ORAÇÃO, HISTÓRIA E HINO DE SÃO SEBASTIÃO.

-  Abaixo, o resumo da história de São Sebastião.

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Oração de São Sebastião

Onipotente e eterno Deus, que pela intercessão de São Sebastião, vosso Glorioso mártir, encorajastes os cristãos encarcerados e livrastes cidades inteiras do contágio das pestes, atendei nossa humilde súplica, socorrei-nos em nossas necessidades, aliviai-nos das nossas angústias, reanimai os encarcerados, curai os doentes, livrai-nos do contágio. Pelos méritos de São Sebastião, atendei-nos Senhor.

Amém.


Resumo da história de São Sebastião


 
          São Sebastião, de fato, o nosso santo padroeiro foi um cristão que se tornou conhecido por sua valentia e coragem, nos primeiros tempos da Igreja.
          Nasceu em Narbona, uma cidade perdida no imenso Império Romano, que então dominava o mundo, localizada no sul da França, onde naquela época fazia parte da província de Gálias.

          Quando Sebastião era ainda pequeno, sua família mudou-se para a cidade de Milão, bem mais próxima de Roma, que era a capital do Império. Ali morreu seu pai, ficando então o menino entregue as cuidados de sua mãe, que era cristã (coisa que não era muito comum naquela época - por volta de 284 D.C.).

          Naquela época os cristãos eram perseguidos como inimigos do Estado pelo fato de não adotarem aos deuses pagãos, com isso, todas as pessoas que adotassem ao cristianismo eram aprisionados e tinham seus bens confiscados.

          Mesmo assim a mãe de Sebastião transmitiu ao seu filho o dom da fé em Cristo, começando desta forma o início de uma vida guiada pelo cristianismo.

          Por causa de uma vida em conflito, os cristãos começaram a ser perseguidos e Sebastião que estava vivendo na cidade de Milão tomou a seguinte decisão (importante em sua vida): ir para Roma e tentaria ajudar os Cristãos de lá, confiando na sua fé e no prestígio de que gozava como soldado fiel e corajoso a serviço do Imperador.
          Foi então após essa decisão que começa a 2° parte da vida do jovem oficial do Império. Estamos no ano de 303 e desde 63 quando Nero era Imperador romano, os cristãos foram quase ininterruptamente perseguidos. De tempos e tempos, um Imperador declarava o extermínio sumário dos cristãos decretando uma perseguição mais feroz do que a outra.
Uma das perseguições a que nos referimos iniciou-se, precisamente, no dia 23 de fevereiro do ano de 303, ordenada pelo Imperador Dioclesiano, com o seguinte decreto:

          "Sejam invadidas e demolidas todas as Igrejas! Sejam aprisionados todos os cristãos! Corte-se a cabeça de quem se reunir para celebrar o culto! Sejam torturados os suspeitos de serem cristãos! Queimem-se os livros sagrados em praça pública! Os bens da Igreja sejam confiscados em leilão!"


          Por 3 anos e meio correu muito sangue e não houve paz para os inocentes cristãos que habitam os quatro cantos do Império romano.

          O Saldado Sebastião se transferiu de Milão para Roma a fim de oferecer seus prestígios, e se necessário fosse, dar a própria vida por causa de Cristo. Sendo um cristão fervoroso queria transmitir aos outros a sua fé, obedecendo ao forte espírito missionário que o atraia.

          Fiel a esse propósito, Sebastião alistou-se no exercito imperial e decidiu ir a Roma, pronto a dar testemunho de Cristo, mesmo que para isso fosse preciso derramar sue sangue como tantos outros já o tinham feito. Manteve-se discreto a respeito de sua fé e assim não encontrou dificuldades, uma vez que contava com excelentes dotes físicos, além de possuir muitos dons espirituais.

          Mais que um soldado do Imperador era soldado de Cristo, a serviço dos irmãos e irmãs na fé. Com seu trabalho honesto, desempenhado com amor, dignificava-o, tornando-o aceito por todas as pessoas que com ele conviviam.

          Sebastião tinha um grande ideal e por esse estava pronto a dar tudo de si irredutível e radical, numa atitude verdadeira evangélica.

          Sebastião logo que chegou a Roma foi promovido a oficial, pelo o Imperador que o cativada pela sua fibra e personalidade, nomeando-o comandante dos pretorianos, seus guarda-pessoais.
Sem dúvida um cargo de confiança e de influência e no exercício deste ofício, Sebastião estava exposto aos perigos da corte. Sua vida, talvez, não corresse perigo, mas sua fé poderia ser abalada e suas convicções transformadas.

          A corte era um resumo de todos os vícios e depravações do Império. O próprio Imperador Diocleciano, filho de escravos, conseguiu o poder à custas de assassinatos, era de uma avareza que se tornou proverbial, haja vista a cobrança dos tributos que exploravam o povo.

          Sebastião passava de cárcere em cárcere, visitando e animando os irmãos a se manterem firmes na fé, mostrando que na vida os sofrimentos são passageiros e que o prêmio reservado aos perseverantes na fé é eterno.
          Sebastião visitava freqüentemente as prisões, pois sendo chefe da guarda imperial tinha livre acesso às entradas e saídas sem maiores complicações e muitos dos que ouviam suas palavras se convertiam.
          Foi numa dessas visitas a presos que o carcereiro e a mulher, alguns parentes dos presos e demais funcionários da prisão tiveram a oportunidade de ouvir as convincentes palavras de Sebastião.

          Hoje, torna-se difícil acreditar em milagres, mas apesar disso eles existem. Conta-se que enquanto Sebastião falava, Zoe, a mulher do carcereiro, que era muda, começou a falar. Diante desse fato, o carcereiro e todos os presentes ficaram maravilhados e logo dispuseram a aceitar a fé cristã professada por Sebastião.

          Após acontece um fato que vem amenizar a vida dos peregrinos, pois o prefeito da cidade de Roma, Cromáceo, convertido ao cristianismo, demitiu-se do cargo e começou a reunir, ocultamente, em sua casa, os recém-convertidos e desta forma estes não eram molestados. Cromáceo sabia que muitos não resistiriam ao martírio se caso fossem presos, portanto sugeriu que todos aqueles que não se sentiam suficientemente fortes, fossem com ele para a sua fazenda longe de Roma. Em sua fazenda estariam protegidos da feroz perseguição, como também, seguiram assim o que Jesus havia sugerido no evangelho: "Quando vos perseguirem numa cidade, fugi para outra!"(Mt. 10,23).
          O Bispo de Roma deu a permissão frisando que Deus ofereceu duas maneiras para nos tornarmos fiéis: os que testemunham a fé com o martírio, dando suas vidas e os confessores, que embora se declarando cristãos e vivendo como tais, não sofreram o martírio.

          '"Percebemos que os cristãos não eram suicidas e nem formavam um esquadrão suicida de fanáticos, como alguém poderia insinuar, mas eram tão-somente pessoas correntes com sua fé".

          A Igreja por causa dos longos períodos de perseguição foi se organizando, treinando seus fiéis para resistir a todas as adversidades da melhor maneira possível. Havia até mesmo uma "caixa" de socorro, sustentada por coletas feitas entre os adeptos e que servia para subordinar os guardas dos cárceres a fim de permitir visitas aos presos.

          Dissemos anteriormente que um grupo de cristãos de Roma, com medo de serem vencidos pelas torturas, retiraram-se para a fazenda de Cromácio.
          Os que ficaram na cidade reuniram-se com o Bispo de Roma, o Papa Fabiano, que ordenou presbítero o diácono Tranquilino e conferiu o subdiaconato a Sebastião, que assim passou a fazer parte dos ministros da Igreja.
          São Sebastião, fiel ao seu compromisso com Cristo, esforçou-se para defender a Igreja de todo e qualquer pecado. Em reconhecimento a todos os seus trabalhos e lutas em prol da Igreja, o Papa Fabiano conferiu-lhe o título de "Defensor da Igreja", por ter arriscado sua vida em favor dos irmãos, instruindo-os e auxiliando-os nos momentos em que a fé era mais vacilante.

          À medida que aumentava a perseguição, os companheiros de Sebastião tinham instruídos e convertidos à fé cristã iam sendo descobertos, presos e mortos. A primeira foi Zoe, esposa do carcereiro sendo surpreendida quando rezava no túmulo dos apóstolos Pedro e Paulo. Recusando prestar culto aos deuses romanos, foi queimada e suas cinzas foram jogadas no rio Tigre, em Roma.

          O sacerdote Tranquilino, por sua vez, foi apedrejado e seu corpo exposto ao escárnio popular.

          Ao resgatar os corpos dos mártires, vários amigos de Sebastião foram descobertos e presos. Entre eles se encontravam: Cláudio, Nicistrato, Castor, Vitoriano e Sinforiano.
Durante dias, os inimigos da fé cristã pelejaram com eles para que renegassem a fé, mas nada conseguiam.
Por fim, o Imperador ordenou que fossem atirados ao mar.

          A presença é a palavra-chave, reveladora do segredo e do sucesso dos cristãos. Eles redobravam suas orações e jejuns, pedindo a Deus que os fortalecesse no combate.
Mantinham-se firmes na convicção de que é Deus quem dá a perseverança e a vitória.

          Existiam também os traidores, como aconteceu com Cristo; Torquanto era um deles, fingindo ainda ser um cristão foi traiçoeiramente denunciando todos os seus colegas, um por um. Assim foram eliminados os que pela graça de Deus, Sebastião convertera à fé cristã. Mas Sebastião ainda não fora denunciado, ainda não chegara a sua hora!
          A perseguição seguia em frente com seu programa de extermino. O decreto de perseguição rezava, textualmente, no seu último parágrafo:

          "Os magistrados que julgam as leis do Império aceitam todas as acusações que se façam contra os cristãos e nenhum apelo ou desculpa se admita na defesa dos réus!"

          Como se vê não havia absolutamente direito de defesa. Os cristãos eram acusados das coisas mais absurdas como: incendiar casas e cidades, comer carne humana, querer tomar o poder e outras coisas inacreditáveis.

          Sebastião já não podia continuar ocultando sua fé, por ter se tornado luz que ilumina a todos. E um dia alguém o denunciou ao prefeito, por ser cristão, bem como o Imperador foi cientificado e recebeu todas as informações.
          Naquele momento, deixar Sebastião em liberdade representava um grave "perigo" para a cidade inteira. Então, mandou que o chamasse para ouvir dele próprio a confirmação.

          Perseguido e acusado de todos os lados, preparou-se o soldado cristão para assumir sua missão. Ainda podia fugir, voltar atrás, mas não o fez, ficou firme em sua fé e anunciou o acontecimento iminente. Ele anunciou o Reino de Deus, denunciando a inutilidade dos ídolos da sociedade, suas injustiças e falsas ideologias, seus mitos e seus pecados. Tinha se comprometido e, por isso, agora devia pagar o devido preço.

          Sebastião percebe, no entanto, que o silêncio de Deus é somente o intervalo entre duas palavras fundamentais: Morte e Ressurreição! Ele já está pronto para responder com seu sangue às perguntas dos inimigos do bem e da verdade.

          Revestido da cintilante couraça e ostentando todas as insígnias merecidas, Sebastião se apresenta diante do Imperador que o interroga. Diante dos presentes estupefatos, confessa sua fé e diz resolutamente ser cristão. O imperado logo o acusa de traidor. Sebastião lembra que essa acusação é uma absurda mentira, pois até agora tem cumprido fielmente seu dever com a pátria e com o Imperador, protegendo-lhe a vida em muitas circunstâncias.

          O Imperador estava imaginando uma forma original, diferente, de executar a sentença de morte que iria pronunciar contra o seu mais fiel oficial. Mandou chamar o comandante dos arqueiros de Mumídia, homem originário de uma região desértica da África, onde a caça só era possível com flechas e o encarregou de executar a sentença capital do oficial cristão.
O Imperador ordenou que amarrassem o soldado cristão a uma árvore, num bosque dedicado ao deus Apolo e que o crivassem de flechas, mas não atingissem seus órgãos vitais, para desta forma que morresse lentamente. Assim foi feito!
Com a perda de sangue e grande quantidade de feridas Sebastião desmaiou.

          Já era tarde! Julgando-o morto, os flecheiros retiraram-se.

          Alguns cristão que haviam preparado o necessário para o enterro foram buscar o corpo. Provavelmente subornaram os carrascos dando-lhes dinheiro para conseguir o corpo do mártir. Qual não foi surpresa daqueles cristãos quando perceberam que Sebastião respirava ainda. Estava vivo... Levaram-no à casa da matrona Irene, esposa do mártir Caustulo, e com muito cuidado foram curando-lhe as feridas.

          Alguns dias se passaram, Sebastião já havia se recuperado dos ferimentos e estava disposto a ir até o fim. Não foi ele chamado o "Defensor da Igreja" pelo próprio papa? Se ele a tinha defendido antes, às ocultas, agora a defenderia publicamente, para que todos pudessem escutar a defesa da Igreja, ali reduzida ao silêncio.
          Chegou o dia 20 de janeiro. Era o dia consagrado à divindade do Imperador. O Imperador saiu em grande cortejo de seu palácio e dirigiu-se ao templo do deus Hércules, onde seriam oferecidos os sacrifícios de costume. Sendo coroado pelos sacerdotes pagãos e pelos homens mais nobres do Império, concedeu uma audiência pública: quem desejasse pedir alguma graça, poderia fazê-lo nesta ocasião, diante do soberano.
          Sebastião, com toda dignidade que sempre o distinguiu e cheio do Espírito Santo, apresentou-se diante do Imperador e destemidamente reprovou-lhe o comportamento em relação à Igreja. Reprovou-lhe as injustiças, a falta de liberdade e a perseguição aos cristãos. O Imperador ficou estarrecido ao reconhecer naquela figura a pessoa de seu antigo oficial, a quem julgava estar morto. Tomado de ódio, ordenou aos guardas que o executassem ali, em sua presença e na presença de todos. Ele mesmo queria ter a certeza de sua morte.

          Imediatamente os guardas investiram contra ele e o moeram de pancadas com cassetetes e com os cabos de ferro das suas lanças até que Sebastião não desse mais sinal de vida. Logo após o espancamento, o Imperador ordenou, que o cadáver do oficial traidor fosse jogado no esgoto da cidade para que fosse apagada, par sempre a sua memória.

          Sebastião tinha chegado ao fim de sua caminhada terrena. Era noite! Para ele começava um dia que nunca mais teria fim. No meio do sofrimento e das tribulações, ele acreditara nas palavras do Apocalipse:

          "Não tenhas medo. Eu sou o Primeiro e o Último, aquele que vive! Estive morto, mas agora estou vivo para todo o sempre. Eu tenho a chama da morte e da morada dos mortos!"
( Ap 1, 17b-18).

          Sebastião como todo cristão tinha essa firme convicção: Cristo ressuscitou, todos nós ressuscitaremos com Ele, pois, pelo batismo fomos incorporados ao seu corpo glorioso. A morte já não é o fim, não é o ponto final e definitivo. Ela superada, tornou-se apenas uma porta para a verdadeira vida!
          Durante a noite um grupo de cristãos foi até o local onde o corpo de Sebastião tinha sido jogado. Os homens desceram à muralha que cercava o canal pelo qual corria o esgoto da cidade. Como o rio Tigre estava na vazante o corpo de Sebastião ficara preso a um ferro.
          Levado para a catacumba, ali foi enterrado com todas as honras e veneração dos cristãos, aos quais ele tanto servia e amara.

          A devoção a São Sebastião começou logo após sua morte, devido aos inúmeros prodígios que por sua intercessão se realizaram. A igreja passou a celebrar sua festa no dia 20 de janeiro, justamente no mesmo dia em que ele foi martirizado.
São Sebastião, por tudo aquilo que fez e enfrentou é um santo muito popular, sendo invocado como protetor contra a peste, a fome, a guerra e todas as epidemias. Mas de onde vem essa devoção?

          Entre os antigos, as flechas eram símbolos da peste, pelas feridas cancerosas que provocavam. Assim sendo, a piedade cristã, sabendo que em seu primeiro martírio Sebastião havia sido sufocado por uma saraivada de flechas, escolheu-o para ser protetor contra o flagelo da peste, epidemia arrasadora, especialmente nos tempos passados, que ainda hoje é bastante temível.

          No ano de 680, quando uma grande peste vitimara toda a Itália, os fiéis recorreram a São Sebastião fazendo voto de construir uma Igreja a ele dedicada, se a peste cessasse. A peste realmente cessou! Desde então, São Sebastião passou a ser invocado contra a peste e suas irmãs: a fome e a guerra.

Referência Bibliográfia:
(Livro da Novena)
São Sebastião: Novena Bibliográfica
Campos, José Freitas
Ed, Paulinas: São Paulo - 2001
Coleção Amigas e Amigos de Deus

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