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FUNDAMENTOS DO TANTRA YOGA
Para explicar os fundamentos principais do Tantra Yoga, recolhi algumas citações ao longo de minhas pesquisas que podem, levá-lo a um entendimento inicial do Tantra Yoga.
Inicialmente vamos tentar definir o que seja Tantra Yoga:
Enquanto que um autor diz que Tantra é uma é uma palavra masculina sânscrita que significa: teia, tecido, malha, complementando que: “Tantra é aquilo que difunde o conhecimento”; outro já diz que a palavra Tantra vem da raiz verbal sânscrita "Tantr", que significa: governar, controlar, manter através de disciplina.
Bhagwan Shree Rajneesh (o OSHO), em uma de suas palestras assim explicou o que é a yoga:
“Yoga significa a ciência total do homem. Não é, simplesmente, uma
religião. É a ciência total do homem, a transcendência total de todas as
partes. E, quando transcendes partes, torna-se o todo. O todo não é apenas um
acúmulo de partes, não é uma coisa mecânica na qual as partes são postas em
alinhamento e então formam um todo. Não; é mais do que uma coisa mecânica:
parece-se a algo artístico. Podes dividir um poema em palavras, mas as palavras
nada significarão. E quando o todo ali está, é mais do que palavras. Tem sua
própria identidade...
Assim a consciência
é uma totalidade. Renegando uma parte dela tu perdes algo – algo que é
realmente importante. E nada ganhas: só ganhas extremos. Cada extremo faz-se
uma doença, cada extremo torna-se uma enfermidade, internamente. Então entras
cada vez mais no turbilhão, e passa a existir uma anarquia interior.
A yoga é a ciência de transcender a anarquia, a ciência de fazer
inteira a tua consciência – e tu só és inteiro quando transcendes as
partes. Assim, a yoga não é religião nem ciência. É ambas as coisas. Ou
antes, transcende ambas. Podes dizer que é uma religião científica ou uma ciência
religiosa. Por isso é que a yoga pode ser usada por qualquer pessoa de qualquer
religião, e pode ser usada por qualquer pessoa com qualquer tipo de mente.”
Margo Anand, em seu livro A Arte do Êxtase, afirma que encontrou as perspectivas mais completas e abrangentes, com relação a uma abordagem moderna da filosofia tântrica, dirigidas a amantes ocidentais, no livro The Tantra Vision, de OSHO, incorporando alguns dos seus ensinamentos no texto que a seguir citamos:
“A Visão Tântrica:
(Margo Anand – A Arte do Êxtase)
Sob
a perspectiva tântrica tudo é aceitável. Não há nada proibido. Todas as vivências
de uma pessoa, independentemente de serem normalmente julgadas como boas ou más,
constituem-se em oportunidades para que ela aprenda e cresça...
Segundo a tradição tântrica, não há divisão entre o que é bom e o
que é mau, o que é aceitável e o que não é. Não existe, por exemplo,
nenhum julgamento moral com relação a suas preferências sexuais. O mais
importante é como você faz, e não tanto com quem você faz. E esse é um dos
motivos pelos quais o caminho do Tantra pode ser seguido por qualquer pessoa.
A visão tântrica
baseia-se na totalidade, e é amplamente abrangente, considerando toda e
qualquer situação, seja ela “boa” ou “má”, como uma oportunidade de
se obter mais conhecimento sobre si mesmo e sobre como você pode expandir suas
capacidades. E isso propicia uma grande integração entre todos os aspectos do
seu ser, inclusive aqueles que você costuma rejeitar ou mesmo esconder. Esta
visão reconhece também que, dentro de cada ser humano adulto, há um espírito
natural, original e infantil, capaz de explorar, aberta e inocentemente, territórios
desconhecidos. A inocência desse espírito permanece intacta e representa nossa
capacidade natural de gozar a vida, de amar, de brincar e de alcançar estados
de êxtase...
Por acreditar na integração e na totalidade, a tradição tântrica
abrange pólos opostos, encarando-os não como contradições, mas como partes
complementares. Os conceitos de masculino e feminino, portanto, não são
considerados como todos isolados, eternamente divididos por características
opostas, mas sim, como dois aspectos que coexistem e se complementam em todo ser
humano.
Baseados nesta visão tântrica de que todo ser humano, homem ou mulher,
possui características femininas e masculinas, percebemos que se nos
desligarmos dos conceitos predeterminados – estereótipos – que temos em
relação a esta questão, nos tornaremos capazes de expandir tremendamente
nossa identidade sexual, identificando, explorando e respeitando nossas características
que, até agora, haviam sido praticamente ignoradas. A tradição tântrica
incentiva o homem a desenvolver o aspecto suave, receptivo, vulnerável e
feminino do seu ser, e o torna capaz de emergir do peso de suas
responsabilidades “masculinas”, de parar de representar, de relaxar, de
lidar com o sexo serenamente, de fazer amor sem um objetivo específico,
permitindo-se receber e acatar, ao invés de apenas liderar. A mulher, por sua
vez, pode explorar sua dimensão masculina, percebendo que é capaz de assumir
uma posição de liderança dinâmica na relação sexual, tomando a iniciativa,
criando novas maneiras de encaminhá-la, ensinando, orientando, e proporcionando
prazer a si mesma e a seu parceiro. Isso não significa que o homem esteja
abandonando a sua masculinidade, nem a mulher, sua feminilidade. Eles estão,
simplesmente, expandindo seu potencial, explorando, de maneira plena, esses dois
aspectos de seu ser.
Na tradição tântrica,
quando os aspectos masculino e feminino se fundem, surge uma nova dimensão –
o sentido do sagrado. Quando o caráter sagrado da união sexual é sentido,
pode-se vivenciar sua conexão com a própria força da vida, com a fonte da
criação. Essa conexão eleva sua consciência além do plano físico, até um
campo de energia muito superior ao seu próprio. Você se sente, então, ligado,
através de seu parceiro, a tudo o que ama e vive. Sente que faz parte da linda
dança da existência, sente-se em total comunhão com ela.
A introdução de
uma dimensão sagrada no relacionamento sexual permite que ambos os parceiros
descubram que possuem atributos divinos. Ou seja, que tomem consciência de seu
verdadeiro potencial como seres ilimitados e infinitos. Colocando em prática os
ideais tântricos, você descobre que, valorizando o deus e a deusa em seu
parceiro, pode enxergar, além das limitações de sua personalidade e, vendo o
divino no outro, percebe o mesmo potencial em você mesmo. O outro torna-se um
reflexo de sua própria natureza divina...
A tradição tântrica
encara a união sexual não somente como algo sagrado, mas também como uma
arte. É interessante observarmos que a raiz sânscrita da palavra arte
significa “adequadamente unido”. Para tornarem-se tântricos – praticantes
do Tantra -, era indispensável que os amantes fossem versados numa
multiplicidade de atividades, como conversação, dança, ritual, massagem,
arranjos florais, vestuário e maquiagem, música, higiene, respiração e
meditação, entre outras.
Quando aprendemos as artes eróticas desse modo, ocorre um profundo
resgate de nossa sexualidade. O ato sexual deixa de ser um acontecimento tenso e
apressado, repleto de riscos de doenças (transmitidas por parceiros que não se
dedicam a preparações cuidadosas), para tornar-se uma troca segura e saudável
entre parceiros que se respeitam e se conhecem, intelectual, emocional e
sensualmente, antes de se lançarem numa união sexual. E isto é algo que
necessitamos urgentemente nos dias de hoje: uma perspectiva descontraída,
amorosa e compreensiva com relação ao sexo, que o torne ao mesmo tempo seguro
e capaz de proporcionar o verdadeiro êxtase. Uma abordagem moderna da tradição
tântrica pode oferecer esta alternativa, reduzindo o descuido, que tanto
contribui para doenças sexualmente transmissíveis.
Nik Douglas e Penny Slinger, autores do livro Segredos Sexuais – A Alquimia do Êxtase, o maior estudo sobre sexualidade e misticismo já escrito no ocidente, escrevem:
“Na Índia, Nepal, Tibet, China e Japão, a sexualidade há muito é
considerada tanto uma arte quanto uma ciência, digna de estudo detalhado e prática.
Na verdade a visão oriental é de que nenhuma aprendizagem é completa sem um
profundo conhecimento dos princípios sexuais subjacentes a toda existência. As
tradições metafísicas orientais fazem uso dos mistérios da sexualidade como
um meio para a experiência transcendental da Unidade. A sensação de
Identidade, alcançada durante ou após o ato sexual, é a experiência mística
mais acessível universalmente...
...
A experiência central do Tantra são os segredos sexuais. Tantra é uma
filosofia, uma ciência, uma arte e um estilo de vida, por meio do qual a
energia sexual é utilizada consciente e criativamente. Os tratados místicos,
conhecidos como Tantras, contêm um amplo conjunto de técnicas práticas para
aumentar a conscientização sexual e alcançar a transcendência. A força
oculta no ato sexual é a semente de toda a criatividade. Através da compreensão
dos ensinamentos práticos do Tantra, abre-se toda uma nova experiência de
vida.
Imperadores, reis
e rainhas tinham um padrão de sexualidade para si próprios e outro para seus súditos.
Os segredos sexuais no passado eram reservados para soberanos iniciados que
precisavam manejar o poder sabiamente. O poder era alcançado através de experiências
sexuais que serviam para reforçar a vitalidade. A energia encontrada nestas práticas
era conscientemente canalizada para engrandecer a integridade, sabedoria e visão.”
No mesmo livro os autores alertam:
“O interesse crescente na expansão
da conscientização e autopercepção tem levado muitos a procurarem a libertação
através da sexualidade. Tabus sexuais e inibições foram vencidos, em um esforço
para libertar o prazer sexual de sentimentos de culpa. Estamos convencidos que
este é um passo na direção certa, porém
perigoso, a menos que acompanhado de amadurecimento emocional.
A libertação, especialmente a
libertação sexual, deve ser orientada em uma direção espiritual positiva.
Senão, quando a novidade de novas experiências sexuais se gastar, resultarão
apenas o vazio e a ausência de sentidos. Psicólogos e psiquiatras
ocidentais observaram a crescente incidência desse sentimento de vazio como a
raiz da neurose na nossa sociedade permissiva, e estão conscientes da
necessidade de ajudar a restabelecer o significado e a orientação criativa na
vida do indivíduo. Em parte respondendo ao sentimento de vazio espiritual, o
Ocidente conscientizou-se da validade e profunda sabedoria das práticas místicas
do Oriente. Yoga e meditação tornaram-se palavras comumente usadas em menos de
uma década...”
(grifos nossos)
Recomendo a seguir alguns dos melhores livros que já
li sobre o assunto, úteis para quem quer se desenvolver ou se aprofundar na
filosofia e prática do Tantra Yoga:
Referências Bibliográficas e Indicações:
Douglas, Nik – Penny Slinger
SEGREDOS SEXUAIS – A Alquimia do Êxtase
Rio de Janeiro –
Record - 1992
Rajneesh, Bhagwan Shree (OSHO)
MEDITAÇÃO – A ARTE DO ÊXTASE
São Paulo – Cultrix/Pensamento
- 1994
Rajneesh, Bhagwan Shree (OSHO)
TANTRA – A SUPREMA COMPREENSÃO
São Paulo – Cultrix/Pensamento
- 1994
Ramacharaca, Yogue
A CIÊNCIA HINDU-YOGUE DA
RESPIRAÇÃO
Anand, Margo
A ARTE DO ÊXTASE – Os Princípios da Sexualidade Sagrada
Rio de Janeiro – Campus - 1992