Site de Cicloturismo |
|
|
09/09 Dna Maria, dona da penson, me desejou muita sorte , com firmeza, pessoa positiva e após alguns percalços com a bike consegui sair . O pessoal da Kraft desmontou legal, embalagem, limpa e regulada. Eu é que não monto isso todo dia. Por isso levei o grande susto do dia : na pressa deixei minha bag com passaporte, dinheiro em cima do muro. Que loucura, lembrei 1 km depois, no centro de Saint Jean. Estava lá , tudo direitinho, com o num mundo civilizado, só faltava Adão e Eva. Dezenas de pessoas passaram lá ! Finalmente 1 da tarde peguei a primeira rua já em 35º de subida, segunda , a terceira, mole, mais outra mole. Até uma radical com trecho de 45º. Ufa, uma campesina me falou "tienes 1 km de boas subidas" . Entendi ao contrário, o que queria dizer e que só teria 1 km de moleza. O resto foi aquilo... Aquelas curvas , olhando os Pirineus rezando e otimista, vai ser a boa, a última. Que nada. Foram 25 km de up hill direto, nenhuma descida compensava o sufoco. Esta parte do caminho é a chamada Rute de Napoleon. Pude imaginar o baixinho com aquele fardão passando ali com seu séqüito obediente. Hoje tem asfalto grosseiro mas suficiente, da largura de um veículo. No sufoco acabei saindo sem calibrar os pneus e sem levar nenhum alimento. Isto me custaria caro no final do dia. Depois de várias curvas e muito poucos peregrinos no caminho, encontrei dna Paloma, uma senhora australiana de mais ou menos 50 anos fazendo um pequeno pique nique no topo de uma subida. Ela foi logo oferecendo um bolo , um pão preto divino , com camenbert, uma loucura . Como pano de fundo, muito alto, estávamos há mais de 1200 m, toda a vista de Saint Jean no vale, pequenino, e outros lugarejos das redondezas. Se premeditasse não aconteceria. Não fosse a subida não conheceria esta senhora, não teríamos diálogo algum, no máximo um olá. Logo, a subida , a dificuldade agreste uniu as pessoas, nem que por um momento, porém aproximou, como na vida do dia a dia Se fosse na descida na felicidade do bikeiro, eu passaria batido. Em troca carreguei uma das mochilas da mulher , de quase 15 quilos, dois morros acima . E a que carregava nas costas então, deveria ter uns 40. A coitadinha deixou o emprego de professsora e vai perambular durante 1 ano na Europa... Aparecem as cabras , carneiros, vacas premiadas por todo lado. Devem comer macarrão todo dia, pensei. Aquele barulhinho dos sinos no pescoço dos bichos é interessante no começo , depois dá no saco. Depois de 25 km começa a trilha , ai o bicho pega. Já cansado só com água a bordo, vem ladeiras com cascalho, pedras soltas, lamaceiros, brejos, atoleiros, uns 5 km. Dai o down hill. Sempre olho desconfiado, pois tudo que é descida demais vem logo um up hill daqueles. Mas este não. Foi a felicidade total, voltou o asfalto estreito com pedrinhas, mas vamos nos jogar ! O frio veio queimando e apareceu finalmente o primeiro lugarejo , a bonita Roncesvallles. 7 p.m. 8 h missa dos peregrinos, comer ás 8:30 e ir dormir Menu caro mas delicioso - queso fundido com guindillas - queijo derretido com a nata saindo e pimentas verdes bem leves que se mastiga junto. Depois solomillo con crema de gazta-zahar - Bisteca ao ponto, super macia com queso velho por dentro. Para finalizar qualhada com miel. vino Armendarix (Navarra), ruim velho , apesar de ser Crianza 1998. No bar , ainda olhando para os tipos, um velhão com cabeça de alemão e sorriso de Cafu (arca inferior ligeiramente adiante da superior) muito engraçado. Eu disse isso pra ele, mas ele não entendeu meu português. E dna Paloma não chegou dos Pirineus, aonde estará ? Clique nas fotos para vê-las em tamanho maior. |