12/09

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12/09

 

Porre de vinho logo de manhã ? Não deu prá resistir e tomei um bocado de  vinho logo na saída de Stella. Foi na manhã de quarta feira , acho eu, já perdi a noção de tempo , que comemorei sozinho o terceiro viajante com a Concha da Daysi. Explico:  a Concha, ou Vieira, é o símbolo dos peregrinos. E trazer uma concha na mochila indica que você é um deles. Com essa concha já viajaram, a Daysi primeiro, depois com Marcelo , Sergio e Marcia  e agora comigo. Como obrigação que a Daysi me deu, fui lá tomar o vinho que jorra como fonte. Isto fica em Irache. Muito divertido . Chegaram outros e houve uma pequena comemoração. Tomaram vinho os alemães, espanhóis, belgas. Ainda deu para tirar uma onda com os germânicos por causa da Copa do Mundo .

Ai continua o maior show de Igrejas da Terra . Igreja para todos os gostos e estilos. Bizantino com influência gótica, ou contrário com românicos e suas pilatras jônicas, corintias. As Igrejas fascinam , entrei em algumas delas e vi apenas a beleza estética, escultural, olhos de conhecimento apenas. Não pintou nenhum sentimento extra religioso por isto. A grande sacada do Caminho tem sido espiritual e não religioso. Irmanar é a palavra. Parecemos todos irmãos pelo Caminho. Todos ajudam todos, o autruismo e bondade nos transportam para Evangelho . Parece que todo mundo aprendeu direitinho lá no passado e veio praticar aqui. Ai fora é meio complicado. O Norte no mapa da Espanha deveria ter uma imensa faixa branca pintada . Das naves espaciais  dá para ver isso. (Ih ! viajei...)

Vamos mandar pedal pois o dia vai indo pouco lerdo. Perna as vezes nega fogo a tarde então a dose tem que ser equilibrada. Mas no subidão com pedras não tem jeito , ou você manda ver ou empurra. Empurrar é uma merda, não gosto nem de ser visto nessa situação. Quando a carretera passava ao lado do Caminho, dei-lhe preferência. Nesse ponto, o lugarejo de Azqueta, Villamayor de Monjardim, o terreno de terra boa e pedritas nao mudam em nada, então vamos pelo asfalto. Muita montanha baixa , caminho do tipo sobe e desce o tempo todo.   Ganho tempo até Logrono, seguindo conselhos do pessoal. Esta é uma cidade belíssima , com um parque na saida da cidadde e junto a um lago. O Caminho parece uma de nossas ciclovias com mais do dobro da largura. Mais pedras, mais subidas , atravesso vinhedos extensos, pego  uns cachos , lógico, e chego a Navarrete 13 km à frente.

O albergue é excelente cujo hospitaleiro se chama Francisco. Homem de valor , consegue equiilibrio de firmeza com fraternidade. Enquanto chorava feito criança quando falava com minha filha Paulinha no Brasil,  ele me consolava pondo a mão em minha cabeça como um pai.

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