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dia 17/9 Rabanal - Villafranca del Bierzo

Continuam as subidas, agora mais acentuadas. No meio do nada acabei almoçando numa taberna medieval. O frio e a garoa persistem .

Todo de pedras, no interior com velas enormes cuidadosamente derretidas e em abundância. Mesas com bancos corridos e telhado sustentado por enormes toras de árvores polidas. Dois grandes barris de carvalho espremiam o balcão e o também medieval dono do local. Com jaquetas e bota típicas quase não deixa seu rosto aparecer atrás de vastos bigodes. Há um grupo de alemães comendo na mesa principal. O lugar é pequeno, no máximo 20 pessoas. O crepe , de massa aberta parecendo uma pizza  , continha de tudo: berinjela, amêndoas, carne picada, jamon, avelã , noz, cebola  e alguns legumes picados indecifráveis. Uma botija de vino e pronto.

O frio no Caminho cresce. Um casaco em cima do outro, saquinhos de supermercado nos pés para a água não entrar, fita isolante no computador Cateye, também para não entrar água, alforge molhado. A energia do Caminho se faz presente: Inexplicavelmente não há a mínima vontade de parar, desistir. Não pinta nunca aquele,"o que é que estou fazendo aqui ?" Se eu lesse isso talvez não fizesse o Caminho.

Os caminhantes sempre no passo lento, parecem pensativos.  Alguns levam susto quando passo, embora a bike venha fazendo um bom som , mas é a concentração de cada um . As cabeças estão navegando continuamente. Pés para frente, cabeça para todos os lados. Alguns alegres, não deixo de cumprimentar ninguém. Saudar ! Como é bom ! Em qualquer hora o acalanto da saudação. O sinal de amistosidade "Olha, estou aqui, quero ver você feliz!" Mega terapia grupal ? Não importam definições. É o gozo da alegria de estar, principalmente, vivendo. Já não sabia nem qual a língua usar. Como passo rápido, você tem que distinguir no olá, se é espanhol, francês, alemão. Em todo caso, todos entendem : "Bon camino", "Olá", "Fuerza", "Animo", "Felicitá", "Para os te también"...

Ai, de novo a lembrança da família, tão longe... A única chama de tristeza é ter consciência do tempo. Tudo, tudo passa tão rápido. Estamos aqui de aluguel. A propriedade e a segurança almejadas todo dia são absurdamente emprestadas.

Ai vem outro marco místico do caminho, a Cruz de Ferro. No alto de uma montanha, o vento forte, as nuvens baixas, mesmo assim tem gente ao lado de uma hermita (igreja minúscula) comendo algum farnel. Vou lá atirar as pedras que os amigos no Brasil enviaram.  Foram jogadas com oração. De qualquer foma representa força interior,  estendida para  longe de casa, aqui na Cruz de Ferro. Se existe energia, aquele deve ser um lugar ativo.

A paisagem montanhosa, sobe e desce, porém é difícil ver onde a mão do homem não esteve. Quase tudo ao redor e ao longe está plantado ou preparado para isto. As florestas, restam a muito poucas as não plantadas pelo homem. Muitos pinos ,  ciprestres e em abundância o eucalipto.

Forte descida, 18 km,  mais down hill maravilhoso. Posso dizer do lado esportivo, quem quiser vir para cá sem nenhum outro propósito, que isto é a maior pista continua de cross country do planeta. Tem para todos os gostos.

Chego a Ponferrada aa cidade do grande Castelo dos Templários. Este nos transporta para 1000 anos atrás, para o clima das grande batalhas do lugar. A guerra  , a defesa.  Impressiona. Os Templários foram uma ordem existente entre os anos 1000 e 1300 aprox. Defendiam os oprimidos dos exageros da corte - obrigações, tributos, dotações - e protegiam os peregrinos no Caminho. Há várias construções templários interessantes. Hospitais , castelos e até uma sinistra capela mortuária (Santa Maria de Eunate próximo a Obanos ) .

Descanso em Villafranca Del Bierzo sem nenhum conforto. As camas de albergue precisam ser de vez em quando compensados com um bom hostal. Aquelas casas de família referidas  anteriormente. Água quente traz tanta felicidade ! Um dia li no pára-choque de um caminhão no Brasil, que para quem não tem carro, fusca é Mercedes Benz....

Clique nas fotos abaixo para vê-las em tamanho maior .

         

 

 

 
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