ESTROFES ANUNCIADAS
| Amaz�nia, Tu �s o travesseiro deste gigante adormecido, Que de tanto dormir, j� n�o houve mais zumbir, A amea�a dissonante ao seu pr�prio ouvido.
O que fazem com tanta riqueza, os teus pares, Estes p�rfidos mensageiros do rei, em seus altares.
Pululam travestidos de uma vil nobreza, Com barganhas traduzidas pela muita esperteza.
Zombando dos velhos, famintos e doentes da pobreza, Enriquecem ambi��es como deuses em sua realeza.
Se eu pudesse alcan�ar com minha voz o altar sagrado, N�o haveria neste mundo qualquer magistrado, Que pudesse encobrir este nosso verdadeiro algoz.
Em marcha solene, urja pov�o brasileiro, E liberta da escravid�o, a mansid�o que h� em cada um de n�s.
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CORES DA P�TRIA
| Vermelho n�o � o sangue que jorra em tuas art�rias, Pois o teu cora��o n�o � alma, � s� mat�ria.
Venoso, est�s, pelo entojo da pobreza, Roxo como hematomas de uma est�pida prepot�ncia.
Que nutre cartuchos mort�feros nas favelas, Entremeados pelo choro de um povo que vai �s capelas, Ou que assiste passivo, o teatro da vida nas novelas.
Embevecido pelos males residentes na ignor�ncia, De ver o in�til morrer pelas ruas, de tuas crian�as, Sem escola, sem brincadeiras, sem inf�ncia.
Verde era o enredo do teu patrim�nio, Que entregas em sil�ncio sem parcim�nia.
Azul era o c�u da tua esperan�a, Era o mar da tua abund�ncia, Hoje n�o passa de uma cinzenta lembran�a.
Amarelo era o brilho dourado de um largo sorriso, Que com o tempo ficou cariado por tanto v�cio.
V�cio de uma maldade que corrompe a luz da inoc�ncia, E mancha o teu branco de paz com a cor da viol�ncia.
Vermelho ser� o destino desta p�tria, Que n�o quer abrir o seu pr�prio clavicul�rio, Para entregar as chaves ao real mandat�rio, Ao Povo Brasileiro em seu complacente calv�rio!
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REVOLU��O
| Acorda M�e Gentil em tua vil tempestade, Levanta de teu sil�ncio de majestade, Como pode ver teus filhos sem dignidade, Dominados por m�scaras de p�rfida igualdade?
Teus filhos jazem nos campos sem batalha, Celeiros urbanos de desonra em sua mortalha, Liquidados na pobreza por uma cruel ciz�nia, Violentados por um poder de coa��o canalha.
Levanta tua foice e derrama teu sangue, Se �s patriota, o sal da tua terra lambe, Expulsa para o ex�lio, o id�lio que te explora, Escrutina a vontade do povo que te adora.
Dos teus alagados e mangues, j� � chegada a hora, Pois que a tua carta magna, s� d� direito � esc�ria, Arrega�a o brio de tuas mangas, e objetiva a gl�ria, De fazer teu povo vencer e marcar nossa hist�ria.
Chega de dom�nio fascista, desta su�stica impl�cita, De homens que se dizem humanos, em seu discurso golpista, Enriquecem seus bolsos com planos e benesses ego�stas, Esquecendo seus irm�os no lodo da mis�ria capitalista.
Acorda Na��o Brasileira, explode teu cora��o, Vamos calar nosso algoz e marchar contra a ilus�o, Com punhos e dentes cerrados, vamos defender nosso p�o, Em nome da Fam�lia P�tria, levantar nossa Revolu��o.
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UM GRITO DE LIBERDADE
| Como entender que um dia a doce esperan�a, Perca sentido diante de uma insalubre injusti�a, Como um veleiro manejado por uma inocente crian�a, Nas tormentas impiedosas de revoltoso mar de cobi�a.
Como temperar ambi��es de um poder absoluto, Que ostenta um cetro de imperiosas verdades, Nem sempre verdadeiras em seu significado resoluto, Mas continuamente reticentes no satisfazer vaidades.
Como demonstrar indigna��o sem rotular subversivos, Onde a cr�tica ao poder � amea�a constante de ciso, Comodamente o dever de aceitar o c�rculo de amigos, Com uma hipocrisia hostil a um povo de amargo sorriso.
Como acreditar no potencial deste grande pa�s, Envergonhado pelas crian�as que ainda morrem de fome, E que incipiente ainda rabisca seu quadro negro de giz, Mal sabendo soletrar dignamente seu nome.
Um dia certamente ainda se poder� ouvir com firmeza, Em um Ipiranga de margens pl�cidas na realidade, Um grito de liberdade onde n�o haver� mais pobreza, Iluminado ao sol de um novo mundo de verdade.
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METAMORFOSE
| Acordei nesta noite e me pus a pensar, Como seria esta vida sem a cruel discord�ncia, Onde a fragr�ncia sentida como perfume no ar, Denunciaria a presen�a do amor em abund�ncia.
Sem a lasc�via dos vetos que massacram a pobreza, Na vastid�o do poder das redomas centrais, Que sustentam o luxo de uma eterna realeza, Com ant�nimos subjetivos de favelas e catedrais.
Na aus�ncia do dinheiro como raiz mestra do sistema, Corrompendo vidas e almas nas sutilezas do inferno, Gerando uma fria depend�ncia de um constante dilema, De crian�as abandonadas em pleno rigor do inverno.
Onde fam�lias desgra�adas pela rival concorr�ncia, N�o seriam jamais entorpecidas pela desaven�a, A�oitadas pela c�lera e brutal estilo de viol�ncia, Evid�ncias constantes de putrefa��o e doen�a.
Crian�as trazidas ao mundo sem a sua vontade, Mortas ao primeiro segundo de vida sem piedade, Isto j� n�o seria mais uma triste realidade, Neste meu desejoso sonho elas teriam felicidade.
Guerras de contextos sombrios e perfis t�o desumanos, Gerando her�is vaidosos e m�rtires de vangl�ria f�nebre, Atendendo apelos de governos tra�dos pelos pr�prios planos, De eternizar ambi��es e pretextos de um projeto l�gubre.
Porque n�o o contr�rio e marcharmos no avesso da hist�ria, E cumprir o ritual de uma metamorfose verdadeira, Onde o amor em harmonia seria o sentido de nossa mem�ria, E o sonho do homem se eternizaria pela noite inteira.
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BRANCA DITADURA
| �s vezes penso o que acontece ao homem-governo, No in�cio promessas de bem estar coletivo, Que escondem manifestos do seu perfil soberbo, Na ambi��o concreta de realizar seu objetivo.
Qual seja sen�o satisfazer pr�prios interesses, Enriquecer com gan�ncia qual n�o seria seu alvo, Acumulando riquezas nunca lhe faltam benesses, Sumo cruel da pobreza de um povo com um fel amargo.
Discursos ortografados na reg�ncia de dura hipocrisia, Pontuando quest�es com suas medidas provis�rias, Confabulando em sua corja com uma dita maestria, Na ilus�o permanente de medievais orat�rias.
Como um senhor feudal nos ditames de sua est�ria, A ilustra��o do vermelho obscuro em confronto ao verde oliva, Falsidade ideol�gica de quem busca a pr�pria gl�ria, Como um surto de poder que sua sede objetiva.
Que democracia hedionda prop�em tais senhores, Como um f�nix pernicioso de intervencionismo l�brico, Assim caminha a humanidade em sua invers�o de valores, Com diplomatas saboreando sobremesas de tesouro p�blico.
Se a mem�ria de meu povo n�o sofresse de amn�sia, Falsos l�deres de casaca mascarados por uma imagem pura, N�o ficariam para sempre como bi�nicos fazendo m�dia, Para uma sociedade entorpecida por uma branca ditadura.
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IMP�VIDO COLOSSO
| Desbravando as agruras de um tempo, Na polidez de um simples sentimento, Onde o canto de amor � um lamento, De uma aurora que jaz em sofrimento.
Onde est� a presen�a do humano? Esvaiu-se como um vento soprano, Na disputa marginal de um engano, Cujo escopo cruel � deveras insano.
Olheiros de paisagens cotidianas, Tentando suplantar almas mundanas, No passatempo de espera epifania, Ludibriados pela soberba inf�mia.
Neste cen�rio que retrata o esbo�o, De tudo que � lan�ado ao po�o, Da mis�ria, onde est� servido o almo�o, Desperta deste sono, � imp�vido colosso!
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AGUILH�ES DA TERRA MATER
| Aguilh�o da Terra Mater, onde paira teu cora��o, Caminhando solit�rio e perdido na escurid�o? Traze justi�a a teu povo, que tra�do pela corrup��o, N�o procura mais buscar o seu precioso quinh�o.
Povo guerreiro dos emboabas, onde est� teu irm�o? Derramado como sangue na terra, pela s�rdida ambi��o! Que saudade dos her�is sem farda, que continham afli��o, E sonhavam construir independente, este cobi�ado rinc�o.
Ressuscita o ideal nascido no cora��o do alferes, Que sucumbiu imponente a uma hip�crita e vil trai��o, N�o esque�a seus planos, se liberdade queres, Pois os retalhos do seu corpo ainda pululam no ch�o.
Acorda irm�o brasileiro, se queres ser cidad�o, Renova a tua esperan�a com uma brava inten��o, Com tua for�a e coragem desperta, liberta tua raz�o, E transforma tua p�tria amada, numa grande e feliz na��o.
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BRASILEIRO
| Eu n�o sou paulista, Da resist�ncia pujante, De uma for�a altru�sta, Que nasceu bandeirante.
Eu n�o sou carioca, Da beleza solsticial, Cuja alma invoca, Um alegre carnaval.
Eu n�o sou mineiro, Da preciosa pedra, Do perfil matreiro, Que nunca se entrega.
Eu n�o sou ga�cho, Dos pampas celeiros, Que sacrificou seu tudo, Por um ideal guerreiro.
Eu n�o sou nordestino, Do trabalho sofrido, Suor de homem e sorriso menino, Sobrevivendo na seca com seu tino.
Eu n�o sou do Planalto Central, Da riqueza perdida no pasto, Da terra do Pantanal, Cuja beleza � seu lastro.
Eu n�o sou da terra roxa, Do infinito cafezal, Minha alma n�o � coxa, Minha beleza sem igual.
Eu n�o sou nortista, Dos verdes bosques de vida, Como uma ra�a alquimista, No sil�ncio da Amaz�nia perdida.
Eu n�o sou imigrante, Nas ra�zes profundas do Sul, Do mundo trazido distante, Miscigenado na terra com sangue azul.
A minha pele n�o tem cor, O meu sangue � companheiro, Guardo no meu esplendor, O orgulho de ser brasileiro.
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