LIBERDADE AINDA QUE TARDIA!!!

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ESTROFES ANUNCIADAS
CORES DA P�TRIA
REVOLU��O
UM GRITO DE LIBERDADE
METAMORFOSE
BRANCA DITADURA
IMP�VIDO COLOSSO
AGUILH�ES DA TERRA MATER
BRASILEIRO


ESTROFES ANUNCIADAS


Amaz�nia, Tu �s o travesseiro deste gigante adormecido,
Que de tanto dormir, j� n�o houve mais zumbir,
A amea�a dissonante ao seu pr�prio ouvido.

O que fazem com tanta riqueza, os teus pares,
Estes p�rfidos mensageiros do rei, em seus altares.

Pululam travestidos de uma vil nobreza,
Com barganhas traduzidas pela muita esperteza.

Zombando dos velhos, famintos e doentes da pobreza,
Enriquecem ambi��es como deuses em sua realeza.

Se eu pudesse alcan�ar com minha voz o altar sagrado,
N�o haveria neste mundo qualquer magistrado,
Que pudesse encobrir este nosso verdadeiro algoz.

Em marcha solene, urja pov�o brasileiro,
E liberta da escravid�o, a mansid�o que h� em cada um de n�s.

Copyright by JOS� BRITES NETO

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CORES DA P�TRIA


Vermelho n�o � o sangue que jorra em tuas art�rias,
Pois o teu cora��o n�o � alma, � s� mat�ria.

Venoso, est�s, pelo entojo da pobreza,
Roxo como hematomas de uma est�pida prepot�ncia.

Que nutre cartuchos mort�feros nas favelas,
Entremeados pelo choro de um povo que vai �s capelas,
Ou que assiste passivo, o teatro da vida nas novelas.

Embevecido pelos males residentes na ignor�ncia,
De ver o in�til morrer pelas ruas, de tuas crian�as,
Sem escola, sem brincadeiras, sem inf�ncia.

Verde era o enredo do teu patrim�nio,
Que entregas em sil�ncio sem parcim�nia.

Azul era o c�u da tua esperan�a,
Era o mar da tua abund�ncia,
Hoje n�o passa de uma cinzenta lembran�a.

Amarelo era o brilho dourado de um largo sorriso,
Que com o tempo ficou cariado por tanto v�cio.

V�cio de uma maldade que corrompe a luz da inoc�ncia,
E mancha o teu branco de paz com a cor da viol�ncia.

Vermelho ser� o destino desta p�tria,
Que n�o quer abrir o seu pr�prio clavicul�rio,
Para entregar as chaves ao real mandat�rio,
Ao Povo Brasileiro em seu complacente calv�rio!

Copyright by JOS� BRITES NETO

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REVOLU��O


Acorda M�e Gentil em tua vil tempestade,
Levanta de teu sil�ncio de majestade,
Como pode ver teus filhos sem dignidade,
Dominados por m�scaras de p�rfida igualdade?

Teus filhos jazem nos campos sem batalha,
Celeiros urbanos de desonra em sua mortalha,
Liquidados na pobreza por uma cruel ciz�nia,
Violentados por um poder de coa��o canalha.

Levanta tua foice e derrama teu sangue,
Se �s patriota, o sal da tua terra lambe,
Expulsa para o ex�lio, o id�lio que te explora,
Escrutina a vontade do povo que te adora.

Dos teus alagados e mangues, j� � chegada a hora,
Pois que a tua carta magna, s� d� direito � esc�ria,
Arrega�a o brio de tuas mangas, e objetiva a gl�ria,
De fazer teu povo vencer e marcar nossa hist�ria.

Chega de dom�nio fascista, desta su�stica impl�cita,
De homens que se dizem humanos, em seu discurso golpista,
Enriquecem seus bolsos com planos e benesses ego�stas,
Esquecendo seus irm�os no lodo da mis�ria capitalista.

Acorda Na��o Brasileira, explode teu cora��o,
Vamos calar nosso algoz e marchar contra a ilus�o,
Com punhos e dentes cerrados, vamos defender nosso p�o,
Em nome da Fam�lia P�tria, levantar nossa Revolu��o.

Copyright by JOS� BRITES NETO

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UM GRITO DE LIBERDADE


Como entender que um dia a doce esperan�a,
Perca sentido diante de uma insalubre injusti�a,
Como um veleiro manejado por uma inocente crian�a,
Nas tormentas impiedosas de revoltoso mar de cobi�a.

Como temperar ambi��es de um poder absoluto,
Que ostenta um cetro de imperiosas verdades,
Nem sempre verdadeiras em seu significado resoluto,
Mas continuamente reticentes no satisfazer vaidades.

Como demonstrar indigna��o sem rotular subversivos,
Onde a cr�tica ao poder � amea�a constante de ciso,
Comodamente o dever de aceitar o c�rculo de amigos,
Com uma hipocrisia hostil a um povo de amargo sorriso.

Como acreditar no potencial deste grande pa�s,
Envergonhado pelas crian�as que ainda morrem de fome,
E que incipiente ainda rabisca seu quadro negro de giz,
Mal sabendo soletrar dignamente seu nome.

Um dia certamente ainda se poder� ouvir com firmeza,
Em um Ipiranga de margens pl�cidas na realidade,
Um grito de liberdade onde n�o haver� mais pobreza,
Iluminado ao sol de um novo mundo de verdade.

Copyright by JOS� BRITES NETO

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METAMORFOSE


Acordei nesta noite e me pus a pensar,
Como seria esta vida sem a cruel discord�ncia,
Onde a fragr�ncia sentida como perfume no ar,
Denunciaria a presen�a do amor em abund�ncia.

Sem a lasc�via dos vetos que massacram a pobreza,
Na vastid�o do poder das redomas centrais,
Que sustentam o luxo de uma eterna realeza,
Com ant�nimos subjetivos de favelas e catedrais.

Na aus�ncia do dinheiro como raiz mestra do sistema,
Corrompendo vidas e almas nas sutilezas do inferno,
Gerando uma fria depend�ncia de um constante dilema,
De crian�as abandonadas em pleno rigor do inverno.

Onde fam�lias desgra�adas pela rival concorr�ncia,
N�o seriam jamais entorpecidas pela desaven�a,
A�oitadas pela c�lera e brutal estilo de viol�ncia,
Evid�ncias constantes de putrefa��o e doen�a.

Crian�as trazidas ao mundo sem a sua vontade,
Mortas ao primeiro segundo de vida sem piedade,
Isto j� n�o seria mais uma triste realidade,
Neste meu desejoso sonho elas teriam felicidade.

Guerras de contextos sombrios e perfis t�o desumanos,
Gerando her�is vaidosos e m�rtires de vangl�ria f�nebre,
Atendendo apelos de governos tra�dos pelos pr�prios planos,
De eternizar ambi��es e pretextos de um projeto l�gubre.

Porque n�o o contr�rio e marcharmos no avesso da hist�ria,
E cumprir o ritual de uma metamorfose verdadeira,
Onde o amor em harmonia seria o sentido de nossa mem�ria,
E o sonho do homem se eternizaria pela noite inteira.

Copyright by JOS� BRITES NETO

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BRANCA DITADURA


�s vezes penso o que acontece ao homem-governo,
No in�cio promessas de bem estar coletivo,
Que escondem manifestos do seu perfil soberbo,
Na ambi��o concreta de realizar seu objetivo.

Qual seja sen�o satisfazer pr�prios interesses,
Enriquecer com gan�ncia qual n�o seria seu alvo,
Acumulando riquezas nunca lhe faltam benesses,
Sumo cruel da pobreza de um povo com um fel amargo.

Discursos ortografados na reg�ncia de dura hipocrisia,
Pontuando quest�es com suas medidas provis�rias,
Confabulando em sua corja com uma dita maestria,
Na ilus�o permanente de medievais orat�rias.

Como um senhor feudal nos ditames de sua est�ria,
A ilustra��o do vermelho obscuro em confronto ao verde oliva,
Falsidade ideol�gica de quem busca a pr�pria gl�ria,
Como um surto de poder que sua sede objetiva.

Que democracia hedionda prop�em tais senhores,
Como um f�nix pernicioso de intervencionismo l�brico,
Assim caminha a humanidade em sua invers�o de valores,
Com diplomatas saboreando sobremesas de tesouro p�blico.

Se a mem�ria de meu povo n�o sofresse de amn�sia,
Falsos l�deres de casaca mascarados por uma imagem pura,
N�o ficariam para sempre como bi�nicos fazendo m�dia,
Para uma sociedade entorpecida por uma branca ditadura.

Copyright by JOS� BRITES NETO

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IMP�VIDO COLOSSO


Desbravando as agruras de um tempo,
Na polidez de um simples sentimento,
Onde o canto de amor � um lamento,
De uma aurora que jaz em sofrimento.

Onde est� a presen�a do humano?
Esvaiu-se como um vento soprano,
Na disputa marginal de um engano,
Cujo escopo cruel � deveras insano.

Olheiros de paisagens cotidianas,
Tentando suplantar almas mundanas,
No passatempo de espera epifania,
Ludibriados pela soberba inf�mia.

Neste cen�rio que retrata o esbo�o,
De tudo que � lan�ado ao po�o,
Da mis�ria, onde est� servido o almo�o,
Desperta deste sono, � imp�vido colosso!

Copyright by JOS� BRITES NETO

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AGUILH�ES DA TERRA MATER


Aguilh�o da Terra Mater, onde paira teu cora��o,
Caminhando solit�rio e perdido na escurid�o?
Traze justi�a a teu povo, que tra�do pela corrup��o,
N�o procura mais buscar o seu precioso quinh�o.

Povo guerreiro dos emboabas, onde est� teu irm�o?
Derramado como sangue na terra, pela s�rdida ambi��o!
Que saudade dos her�is sem farda, que continham afli��o,
E sonhavam construir independente, este cobi�ado rinc�o.

Ressuscita o ideal nascido no cora��o do alferes,
Que sucumbiu imponente a uma hip�crita e vil trai��o,
N�o esque�a seus planos, se liberdade queres,
Pois os retalhos do seu corpo ainda pululam no ch�o.

Acorda irm�o brasileiro, se queres ser cidad�o,
Renova a tua esperan�a com uma brava inten��o,
Com tua for�a e coragem desperta, liberta tua raz�o,
E transforma tua p�tria amada, numa grande e feliz na��o.

Copyright by JOS� BRITES NETO

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BRASILEIRO


Eu n�o sou paulista,
Da resist�ncia pujante,
De uma for�a altru�sta,
Que nasceu bandeirante.

Eu n�o sou carioca,
Da beleza solsticial,
Cuja alma invoca,
Um alegre carnaval.

Eu n�o sou mineiro,
Da preciosa pedra,
Do perfil matreiro,
Que nunca se entrega.

Eu n�o sou ga�cho,
Dos pampas celeiros,
Que sacrificou seu tudo,
Por um ideal guerreiro.

Eu n�o sou nordestino,
Do trabalho sofrido,
Suor de homem e sorriso menino,
Sobrevivendo na seca com seu tino.

Eu n�o sou do Planalto Central,
Da riqueza perdida no pasto,
Da terra do Pantanal,
Cuja beleza � seu lastro.

Eu n�o sou da terra roxa,
Do infinito cafezal,
Minha alma n�o � coxa,
Minha beleza sem igual.

Eu n�o sou nortista,
Dos verdes bosques de vida,
Como uma ra�a alquimista,
No sil�ncio da Amaz�nia perdida.

Eu n�o sou imigrante,
Nas ra�zes profundas do Sul,
Do mundo trazido distante,
Miscigenado na terra com sangue azul.

A minha pele n�o tem cor,
O meu sangue � companheiro,
Guardo no meu esplendor,
O orgulho de ser brasileiro.

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