O Céu de Júpiter
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Quase contígua á brilhante constelação de Peixes, encontramos a de Touro que inquestionavelmente se acha intimamente relacionada com o trabalho esotérico transcendente: a captura do touro de Creta.

Este havia sido remetido a Minos pelo deus Netuno, para que fosse oferecido em holocausto.  Porém, o rei, cobiçoso, deteve-se indevidamente para si.  Por isso, o animal se tornou espantoso e ameaçador, e aterrorizando todo o país.

Diz a lenda dos séculos que Hércules, o herói solar, obteve assim facilmente a permissão para se apoderar dele, encadeá-lo e arrastá-lo pelo mar até Micenas.

É indubitável que o trabalho relacionado com o infernos jupiterianos se acha plenamente alegorizado com a Sexta façanha de Hércules…

Não é demais, nestas linhas, recordar o primeiro Júpiter da teogonia grega, pai de todos dos deuses, senhor do universo  e irmão de urano, Ur-Anas, quer dizer, do Fogo e da Água primitivos, pois é sabido, segundo o clássico, que no panteão grego figuram cerca de trezentos Jupíteres.

Em seu outro aspecto de Jove, ou Iod-Eve, é o Jeová macho e fêmea, ou andróginos, e coletivos Eloim dos livros mosaicos, Adam-Kadmon dos cabalistas; o Iacho, o Inacho, da Anatólia, que também é Baco, ou Dionísio, de fenícios, continuadores da primitiva teogonia de Sanchoniaton…

O caráter sempre atribuído a Júpiter, o venerável pai dos deuses, como homem celeste, deu lugar, assim mesmo, a não poucos típicos nomes nórdicos, tais como o de Herr-Man e Herr-Manas, ou Hermes, literalmente o Homem Divino, ou o Senhor Homem: Alcides, ou El Cid, precursor teogônico de todos os nossos “Cides” pré-históricos do romantismo.

Inquestionavelmente, Júpiter, no Punjab e no Rigistão, é o Hari-Kulas, ou Hércules, o senhor solar, o protótipo da raça do Sol, o hari-Mukh de Cachemira, ou seja, o sol no horizonte da vida.

Júpiter, ou IO-Pitar, quer dizer, o pai de IO, é o espírito divino de toda aquela antiga hoste de criadores que, ao se reencarnar em corpos de sexo opostos, deu lugar à fábula grega dos amores de Júpiter com a virgem IO (iiiiiooooo), a qual foi transformada em terneira celeste, ou vaca sagrado dos orientais, para assim escapar das iras de Juno.

Júpiter e sua vaca IO (iiiiiooooo) nos facilita o significado de outra porção de nomes arcaicos, tais como o próprio Gerião ou Ferião – o que leva as vacas – o de Hiperião Bósforo, literalmente “o condutor da vaca”, o mesmo que Gautama, o Buda.

Assim, a hoste dos senhores, ou Eloim Júpiter, se acha simbolizado pelo hierograma sexual de IO (iiiiiooooo).  É obstensível que têm dezenas de nomes em cada língua e uma centena ou milhar de mitos para cada nome destes em sua língua respectiva.

Toda esta legião inefável de seres divinos, todos estes Eloim, constituem, em seu conjunto, o Deus único e sem nome dos tartésios, o autêntico Júpiter sublime dos antigos tempos…

Desenvolvida muito cuidadosamente esta temática transcendental, poderemos deduzir solenemente o seguinte: O céu de Júpiter é a morada dos Eloim, o Nirvana…

Aqueles devotos da senda que, ao chegar à Quinta Iniciação do Fogo, elejam o caminho espiralóide, ingressarão no Nirvana.

Desenvolvimento integral é diferente.  Em nome da verdade devo confessar, francamente e sem rodeios, que esse foi sempre meu melhor anelo…

O pleno desenvolvimento de todas as minhas possibilidades superlativas, nirvânicas, em toda a presença de meu Ser Cósmico, foi minha aspiração…

Entretanto, é inquestionavelmente que antes de subir devemos baixar.  A toda exaltação antecede sempre uma espantosa e terrível humilhação…

Encadear o simbólico touro de Creta foi, realmente, a tarefa a seguir.  E esta, em si mesma, pareceu-me horripilante…
Por aquela época da minha atual existência, muitas tentações sexuais me assediavam inclementes do tenebroso Tártaro…

Auto-explorando-me psicologicamente, descobri nos fundos mais profundos da minha própria mente, o famoso touro de Creta.

Vi-o, sim, Negro, descomunal, gigantesco, ameaçante e provido de agudos cornos…

Obviamente se expressava na minha psique com fortes impulses sexuais, passionais, irreflexivos…

Foi urgente encadear a tenebrosa besta.  Foi indispensável desintegrá-la, reduzi-la a poeira cósmica…

Indubitavelmente fui assistido pela minha Divina Mãe Kundalini, a Serpente Ígnea de Nossos Mágicos Poderes…

Este grande evento cósmico foi celebrado com uma festa no templo maravilhoso de Júpiter…

Então, muitos reis e sacerdotes da natureza, revestidos com a púrpura sagrada, deram-me as boas-vindas…

Assim foi como reingressei ao céu de Júpiter, à morada das dominações, à felicidade nirvânica…

Deste modo, eliminando elementos infra-humanos, reconquistei meu posto entre essas hierarquias inefáveis, estado consciente que outrora havia perdido, quando, na meseta central da Ásia, faz já cerca de um milhão de anos, cometera o erro de comer do fruto proibido…

 

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Samael Aun Weor

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