O
ascenso sublime e maravilhoso da Sexta Serpente radiante, para dentro e
para cima, ao longo do canal espinhal do corpo búdico, deu-me, de
fato e por direito próprio, passagem franca para a sexta Iniciação
Venusta...
No
mundo búdico, ou intuicional universal, tive que vivenciar, por
aquela época, alguns capítulos transcendentais do evangelho
crístico...
Quero
me referir agora, com suma delicadeza, a certas passagens miríficas
secretas, intencionalmente eliminadas do texto original pelos escribas
e doutores da lei...
É
certamente deplorável que a Santa Bíblia hebraica tenha sido
tão cruelmente mutilada, adulterada, deformada...
O
que então experimentei na cósmica região intuicional
guarda múltiplas concordâncias rítmicas perfeitas com
os diversos processos esotéricos iniciáticos que nós
devemos vivenciar aqui e agora...
Extraordinárias
cenas relacionadas com os outros planetas do sistema solar de Ors, no qual
vivemos, nos movemos e temos o nosso Ser.
Quando
a Sexta Víbora de Luz resplandece transpôs o umbral augusto
de sua correspondente câmara no coração tranqüilo,
gloriosamente brilhou o sol da meia-noite no inalterável infinito...
Eu
entrei no templo da Iniciação, acompanhado por muita gente.
Cada um dos do cortejo portávamos em nossa destra uma vela, círio
ou tocha ardente...
Nesses
instantes, eu me senti vivenciando aqueles versículos esotéricos,
crísticos que ao pé da letra dizem:
“
E logo, ainda falando ele, veio Judas, que era um dos doze, e com ele uma
companhia com espadas e paus, da parte dos príncipes dos sacerdotes
(ou homens constituídos por autoridade mundana), e dos escribas
(ou seja, dos tidos por sábios no mundo), e dos anciãos (os
tidos, no mundo, por prudentes, sensatos e discretos).
E
como veio Judas (o demônio do desejo), aproximou-se logo dele e lhe
disse: “Mestre!” E o beijou.
Então
eles lançaram sobre ele suas mãos e o prenderam.”
Embriagado
de êxtase, exclamei: “Eu sou o Cristo!” Uma dama-adepto me admoestou,
dizendo: “Cuidado, não digas isso! É falta de respeito!”
“Nestes
momentos o estou representado”, repliquei. A dama sagrada guardou,
então, um respeitoso silêncio.
O
drama cósmico dentro do templo das paredes transparentes teve certo
sabor majestático muito grave, terrivelmente divino...
Convertido
no personagem central, tive que experimentar, em mim mesmo, as seguintes
passagens evangélicas:
“
E trouxeram Jesus ao sumo sacerdote Caifás (o demônio da má
vontade), e se juntaram a ele todos os príncipes dos sacerdotes
(as autoridades oficiais deste mundo), e os anciãos (as pessoas
muito respeitáveis e cheias de experiência), e os escribas
(os intelectuais). E os príncipes dos sacerdotes e todo o
concílio buscavam testemunho contra Jesus (o interno salvador),
para entregá-lo à morte; mas, não o achavam.
Porque muitos diziam falso testemunho contra Ele, mas seus testemunhos
não concordavam.
Então,
levantando-se uns, deram falso testemunho contra Ele, dizendo: “Nós
o ouvimos dizer: “Eu derrubei este templo que é feito por mão
(referindo-se ao corpo animal) e em três dias edificarei outro feito
sem mão (o corpo espiritual, o To Soma Heliakon).” Mas nem ainda
assim concertava o testemunho deles.
Então,
o sumo sacerdote (com sua má vontade), levantando-se no meio, perguntou
a Jesus, dizendo: “Não respondes algo? Que testemunham estes
contra ti?” Mas ele calava e nada respondia (o silêncio é
a eloqüência da sabedoria).
O
sumo sacerdote voltou a lhe perguntar e lhe disse: “És tu o Cristo,
o filho de Deus?” (o Segundo Logos). E Jesus lhe disse: “Eu Sou!
(Ele é), e vereis o Filho do Homem (a todo verdadeiro cristificado
ou osirificado) sentado à direita da potência de Deus
(o Primeiro Logos) e vindo nas nuvens do céu.”
Então,
o sumo sacerdote (o demônio da má vontade) rasgou suas vestimentas
e disse: “Que mais temos necessidade de testemunhos? Ouvistes a blasfêmia!
Que vos parece?” E eles todos o condenaram a ser culpado de morte.
E alguns começaram a cuspir nele, e cobrir seu rosto, e dar-lhe
bofetadas, e dizer-lhe: “Profetiza! E os servidores o feriam com bofetadas.
E,
logo pela manhã, havendo tido conselho, os príncipes dos
sacerdotes, com os anciãos e com os escribas, e com todo o concílio,
levaram Jesus atado e o entregaram a Pilatos.
E
Pilatos (o demônio da mente) perguntou-lhe: “És tu o rei dos
judeus?” E respondendo Ele, disse-lhe: “Tu o disseste!”
E
os príncipes dos sacerdotes (as autoridades deste mundo) o acusavam
muito.
E
lhe perguntou outra vez a Pilatos, dizendo: “Não respondes algo?
Olha de quantas coisas te acusam” (ao Cristo Interno o acusam todas as
pessoas, até aquelas que se dizem seus seguidores).
Mas
Jesus (o Cristo Íntimo) nem sabia com isso respondeu. (Repito: O
silêncio é a eloqüência da sabedoria). Pilatos
(o demônio da mente) se maravilhava.
Entretanto,
no dia da festa lhes soltavam um preso, qualquer um que pedissem.
E havia um que se chamava Barrabás (o demônio da perversidade
que cada um leva dentro), preso com seus companheiros de motim, que haviam
cometido morte numa revolta (porque o ego é sempre homicida e malvado).
E, visto a multidão, começou a pedir que se fizesse como
sempre lhes havia feito.
E
Pilatos lhes respondeu, dizendo: “Queires que vos solte o rei dos judeus?”
Porque sabia que por inveja o haviam entregue os príncipes dos sacerdotes
(as autoridades de todo tipo). Mas, os príncipes dos sacerdotes
incitaram a multidão para que lhes soltasse antes Barrabás
(as autoridades de todo tipo defendem o ego. Elas dizem: primeiro
eu, segundo eu, terceiro eu).
E,
respondendo Pilatos, lhes diz outra vez: “Que, pois, queires que faça
daquele que chamais de rei dos judeus?” E eles voltaram a dar vozes: “Crucifica-o!”
(Crucifica! Crucifica! Crucifica!).
Do
“sancta” inefável saí extático, depois de haver experimentado,
de forma direta, o tremendo realismo íntimo de todos estes versículos
parágrafos acima citados.
Revestido
com uma nova túnica de glória, vestimenta talar esplendorosa,
saí da grande catedral da alma...
Quão
ditoso me senti ao contemplar, dali, o amplo panorama! Então vi
o fluir e o refluir de todas as coisas...
Buddhi
é como um vaso de alabastro fino e transparente, dentro do qual
arde a chama de Prajna...
Atman,
o Ser, tem duas almas. A primeira é a alma espiritual e é
feminina (Buddhi). A segunda é a alma humana e é masculina
(Manas superior).
O
animal intelectual, equivocadamente chamado homem, só tem encarnada,
dentro de si, a Essência.
Ostensivelmente,
esta última é o Buddhata, uma mínima fração
da alma humana, o material psíquico com o qual se pode e se deve
fabricar o embrião áureo. (veja-se O Mistério do Áureo
Florescer).
A
fonte e base da alta magia se encontra no desponsório perfeito de
Buddhi-Manas, já nas regiões puramente espirituais, ou no
mundo terrestre.
Helena
significa claramente os esponsais de Nous (Atman-Buddhi) com Mansas (a
alma humana, ou casal), a união mediante a qual se identificam Consciência
e Vontade, ficando, por tal motivo, dotadas ambas as almas com
divinais poderes...
A
essência de Atman, do primordial, eterno e universal fogo divinal,
encontra-se contida dentro de Buddhi, que, em plena conjunção
com Mansas causal (alma humana), determinam o masculino-feminino.
A
bela Helena de Tróia é a mesma Helena do Fausto de Goethe,
Shakti, ou potência feminina do Ser Interno...
Ele
e Ela, Buddhi-Mansas, são as almas gêmeas dentro de nós
mesmos (embora o animal intelectual ainda não as tenha encarnadas),
as duas filhas adoráveis de Atman (o Íntimo), o esposo e
a Esposa eternamente enamorados...
Tal
amor tem infinitas correlações, seja nos pares conjugados
dos sóis duplos do céu e no da Terra com a Lua; seja no anfiáster
protoplasmático das células determinantes, como é
sabido, do misterioso fenônemo da cariocinese ou duplicação
morfológica da célula una; seja no universal simbolismo das
epopéias e de toda a restante literatura, onde o amor ideal entre
dois seres se sexo oposto constitui a “alma mater” da produção
literária.
Inquestionavelmente,
o Sahaja Maithuna, como sacramento da igreja de Roma, repete-se com os
gêmeos no acassa Tattwa e continua glorioso com Osíris-Ísis
na região de Anupadaka.
Esclareço:
Quando citamos a igreja de Roma, coloque-se as letras ao universo e leia-se
assim: Amor. Obviamente, o sexo é a igreja do amor.
A
teoria das almas gêmeas não implica em perigo algum quando
captamos seu profundo significado.
O
coito químico, a cópula metafísica, resplandece gloriosamente
no zênite do ideal, sem a mais leve sombra de impureza...
O
legítimo enamoramento nunca está separado do sexo.
O ato sexual é, certamente, a consubstancialização
do amor no realismo psicofisiológico de nossa natureza.
O
desponsório Buddhi-Manas só é possível mediante
o coito químico. O desfrute sexual é um direito legítimo
do homem.
Renato
cometeu o grave erro de afirmar, de forma enfática, que a Helena
de Simão, o Mago, era uma formosa mulher de carne e osso, a quem
o citado mago havia encontrado num lupanar de Tiro e que, segundo opinam
seus biógrafos, era a reencarnação da Helena grega.
Tal
conceito não resiste a uma análise profunda. Os colégios
iniciáticos autênticos ensinam, com inteira clareza, que a
bela Helena é Buddhi, a alma espiritual da Sexta Iniciação
Venusta, a Shakti potencial feminina.
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