Sailor Moon
VI
6 anos
depois
Uma loira estava
de pé ao lado da janela, vendo a água da chuva formar um rio próximo ao
meio-fio. Uma tempestade como essa não era vista há alguns anos e ela estava
ficando preocupada, já que seu marido não chegava com sua filhinha, Hikari. Ele
dissera que iria pegá-la na escolinha e voltaria direto para casa. "Estou sentindo essa angústia desde de
manhã..." pensava ela, enquanto observava o vento balançando os galhos das
árvores e as nuvens negras no céu se movimentando. De vez em quando elas
conjuravam uns raios que desciam enfurecidos em direção a terra.
"Amor, cheguei!" gritou uma voz doce e viril que veio da porta.
"Mamã, mamã!!" uma garotinha com lindos cabelos loiros tendendo um pouco para o avermelhado entrou correndo na sala. Seus cabelos estavam cobertos por uma fina camada de respingos da chuva e reluziam com a luz dos raios que brilhavam do lado de fora.
Um homem moreno e muito bonito chegou e deu um beijo delicado em sua mulher. "Eu peguei um trânsito dos infernos por causa de uma árvore que caiu." disse explicando sua demora.
"Eu devia ter imaginado... É que eu sempre fico tão insegura... Me preocupo a cada minuto de atraso... É uma sina que me persegue, não consigo me libertar disso." falou ela, e uma lágrima se formou no canto de seu olho.
"Não fique assim," disse o homem, limpando a lágrima com o punho de sua camisa. "Estamos tranqüilos agora. Nada mais vai nos preocupar."
"Eu sei... Mas fico pensando se tomamos o caminho certo... Talvez haja alguma punição celestial por renegarmos nosso destino e..."
"Mã!!!" interrompeu a menininha. "Você tá tisti?"
"Não meu amor. Por que você não sobe e me espera lá em cima? Daqui a pouco eu subo e vamos tomar banho. Que tal?"
"Tá." E a menina subiu as escadas correndo.
"Mas..." continuou ela o assunto, "E se algum mal estiver reservado para aqueles que não aceitam o seu fardo? E se acontecer algum mal..."
"Não fale isso, querida. Estamos vivendo felizes desde 'aquele' dia. Todos nós. Por que depois desses anos algo mudaria? Olhe, você está com 23 anos já. Nossa filhinha tem seus 3 anos de saúde também. Já faz 6 anos e nada aconteceu, pense nisso."
"É, talvez você esteja certo. Mas eu sinto como se eu tivesse arrancado uma parte de mim também. Foi pela nossa vida, mas eu sinto tanta falta de tudo... principalmente... delas..."
"Eu sei. Eu também."
"Às vezes penso se, mudando nosso destino, nosso futuro, talvez nosso amor um dia acabe, que a magia da eternidade que atravessa as eras e os problemas seja quebrada... Já não sou mais uma garotinha... Estou envelhecendo a cada momento..."
"Ah, nem pense nisso! Eu amo você para sempre... E você pode não ter mais 17 anos mas a sua beleza, os seus traços continuam iguais, e por dentro você fica a cada dia mais linda e..."
"Não! Não minta! Eu sei que a parte exterior pode até continuar a mesma, mas por dentro... eu me sinto... suja... coberta pela desgraça de renegar o meu futuro e tudo o que esperava por mim e..."
"Todos nós precisávamos tomar essa decisão. Ela foi a mais acertada. Você sabe. E quanto a.... bem a.... ‘aquela’ pessoa, não se preocupe. Ela ainda existe. Mas num futuro paralelo, onde todos tomaram outras decisões..."
"Estou com medo. Embora acredite em você e em quando você diz que nada vai nos atingir agora... Eu... eu tenho um pressentimento ruim."
"Acho que você está impressionada pela chuva. Mas vai ficar tudo bem, certo? Me dê um abraço..."
Os dois se abraçaram, e a mulher recostou sua cabeça no peito forte do rapaz. Ele então levantou seu queixo e a beijou longamente. De repente um trovão ribombou do lado de fora e interrompeu o beijo com seu estardalhaço. Ela então foi até a janela, recostou sua cabeça no vidro levemente embaçado e chorou... Serena Tsukino chorou...
A estava quase cheia, embora não se pudesse vê-la devido à chuva. Com isso, a noite estava particularmente escura, e, sem o luar, a única coisa que iluminava a noite era os raios que caíam com cada vez mais freqüência. Um vento gelado soprava, e as nuvens mudavam de posição constantemente. Entretanto, a luz nunca ficava descoberta.
A luz se acendeu, revelando uma linda mulher de cabelos curtos entrando em seu apartamento. Fazia mais de 24 horas que não entrava lá, por causa de seu estágio. "Se até o estágio no hospital é duro, como será que é trabalhar lá de verdade?" pensou ela, enquanto colocava seu guarda chuva na lavanderia e ia até a cozinha. Abriu a geladeira e pegou alguns sanduíches que tinha deixado prontos para quando voltasse. Depois foi até a sala, abriu um livro grosso de capa verde e começou a ler enquanto comia. "Tríceps, bíceps... músculos do braço..." pensava, "está tão frio hoje... aquela criancinha com câncer parecia tão triste... onde estará meu pai agora... estou me sentindo tão só nesses últimos anos... preciso me concentrar! Quando o bíceps se contrai o tríceps... preciso de alguém com bom humor ao meu lado... e seu arranjasse um namorado? Mas não tenho tempo... O que estou falando? Concentre-se garota! Bom, o tríceps relaxa... preciso relaxar... como me faz falta... como me fazem falta... Essa situação me lembra um poema... 'Doce aurora da minha vida... A minha infância querida... Que os anos não trazem mais...' Não posso culpar os anos... Foi culpa minha... Eu escolhi essa vida... Achei que poderia ser mais feliz... Não é hora de pensar nisso! Amanhã você têm prova, esqueceu? Hum... se o tríceps se contrai o bíceps... Será mesmo que sou mais feliz assim? Não sei... Mas se eu não sou, outros são... Não poderia forçá-los a viver uma coisa que não queriam... Nem eu mesmo queria... Mas talvez quisesse... Sou infeliz assim... Mas eles são felizes... Todos são... Não podia obrigá-los a serem infelizes em prol da minha felicidade... seria tão... egoísta... Acho que não vai dar para estudar hoje... Depois vou ter que compensar muitas notas, senão vou perder a bolsa de estudos... Minhas notas pioram a cada dia... Não consigo me concentrar... E essa chuva... Me deixa tão triste... tão deprimida... tão melancólica... foi num dia de chuva que tudo aconteceu... um dia igual a esse... igual... igual... igual e tão diferente... eu era diferente..."
Ela então levantou e foi até a janela. Passou suas mãos delgadas pelos cabelos azuis... Combinavam com seus olhos... Seus sonhos estavam finalmente se realizando e em mais um ano teria seu consultório... Sentiu um aperto no peito. "Como pude deixar minha parte melhor para trás e não perceber?" Ela andou vagarosamente em direção ao quarto e largou o corpo cansado na cama... Com o canto dos olhos viu uma navalha em cima da mesa de cabeceira, com a qual costumava abrir suas cartas. Ela brilhava como um diamante. Pareceu tão linda, como um remédio que prometia acabar com todos os problemas. Quando refletiu um raio que caíra na rua, ofuscou todo o ambiente. Tinha acabado de voltar do amolador... Seu gume estava fino como um fio de cabelo e parecia pedir a ela que o pegasse. Foi como uma tentação. Pegou seu cabo com a mão direita e se levantou, indo até o banheiro... O espelho refletiu uma imagem bela, a mais linda que ele já refletira em todos os 23 anos de convivência. Uma imagem que tinha um brilho frio no olhar e que carregava um remédio milagroso nas mãos. Ela olhou para o pulso esquerdo e encostou a navalha na sua veia, que parecia estar esperando por esse momento. Tinha que cortar no sentido vertical... até o cotovelo. Encostou a ponta da navalha no local onde a mão acabava. Estava tão fria... começou a forçar a navalha quando um trovão, o mais forte da noite, estourou do lado de fora. Foi como se saísse de um transe. Ela olhou para a navalha e a jogou no chão, olhando para sua imagem no espelho como se não estivesse reconhecendo a si própria. Saiu correndo do apartamento e desceu as escadas como um gato selvagem, assustado, sem ter para onde ir. Então saiu na rua e a chuva deixou-a ensopada em menos de um minuto. Sentou encostada em um poste e deixou as lágrimas salgadas se misturarem à água da chuva que escorria pelo seu rosto pálido. Mortificada com o que ia fazer e com o rumo que dera a sua vida, ela chorou... Ami Mizuno chorou...
Duas silhuetas estavam paradas num mirante, sob o mesmo guarda-chuva. À frente delas o mar se revirava agitado, e ondas enormes se formavam. "O mar está violento. Isso definitivamente não é um bom sinal." falou a mais baixa das duas. "Eu sei," disse a outra, "O vento está chiando desde cedo e isto está me deixando com um mau pressentimento." Um raio caiu no mar nesse momento. "É melhor sairmos daqui, não é?" disse a primeira. "Sim," confirmou a segunda figura, "Acho melhor irmos embora, porque algo me diz que as coisas vão esquentar." As duas figuras então se viraram, e, silenciosamente saíram daquele lugar.
Uma morena de longos cabelos negros rezava em frente a um fogo místico. Ela murmurava dezenas de palavras seguidas e tinha uma expressão cansada. Um rapaz de cabelos castanhos então entrou na sala, trazendo uma maça.
"Querida, já é tarde. Vamos, amanhã você faz mais preces, para o que quer que você tenha feito durante todos esses dias. Eu tenho uma surpresa par você."
"Me deixe em paz. Vá, me deixe."
"Não fale assim. Calma." ele diz e a vira de frente para ela.
"O que você quer? Fale logo afinal!"
"É algo que vai te deixar muito feliz. Pegue." disse ele e estendeu uma pequena caixinha para a moça. Ela abriu e viu um lindo anel de diamantes e rubis.
"O que é isso?"
"Bem... é um... anel de noivado. Quer casar comigo?"
"O quê? Bem, não sei o que dizer... por que assim, agora?"
"Ora, já estamos namorando a cinco anos, moramos na mesma casa, dormimos juntos... ora, acho que está na hora de nos casarmos, não?"
"Bem, eu amei o seu pedido e... eu te amo também, mas..."
"Mas o quê?"
"Mas eu não quero me casar."
"Como assim não quer?"
"Não é nada com você, mas eu acho que não estou pronta. Estou incompleta. Não posso me casar porque não vou poder te dar todo o amor que você merece. Sou uma pessoa muito amargurada para você."
"Não, não é! Eu te amo! Juntos superaremos qualquer problema! Eu te ajudarei. Case-se comigo e terá a parte que lhe falta. Teremos filhos, uma família grande e linda! Você será uma mulher completa, e eu também!"
"Mas não é uma família feliz que me falta. Sabe é alguma coisa que você nunca vai entender nunca vai poder me devolver."
"Assim eu nunca vou poder te ajudar. Você namora comigo mas não confia em mim. Ou pensa que eu não sei que a vida toda você me escondeu as coisas mais importantes para você! Você nunca contou seus problemas, alegrias, nada! Nunca contou nada para mim!"
"Mas não é por sua causa! Eu não podia... Não posso! É tudo muito íntimo para mim."
"Como assim? Você me ama ou não? É simples! Sim ou não?"
"Sim, eu te amo."
"Então está tudo certo. Case-se comigo. Se há amor, case-se comigo."
"Eu te amo... mas... nunca te amei e nem te amarei o suficiente para casar com você!"
Essa foi uma frase terrível para o rapaz. Uma marca que ele nunca mais esqueceria. Ele sempre achou que ela o amava totalmente, tinha seus segredos, mas queria viver com ele para toda a vida. Ela sempre o deu todos os sinais que queria construir uma vida ao seu lado.
"Você me enganou todos esses anos, não é? Sempre me deu esperanças e sempre trocou falsas promessas de amor eterno, sua vadia!"
"Mas..." disse ela chocada. Nunca ele a tinha tratado dessa maneira. "Mas... eu realmente achava que com a convivência eu acabaria te amando! Eu sempre achei que aquelas promessas poderiam ser reais!"
"Você é uma falsa. Você dizia que me amava. Fazia amor comigo e depois dizia que nunca iria se separar de mim. Que eu era o amor da sua vida... Estava só me usando... Me usando para satisfazer seus desejos sexuais. Você nunca me amou, vadia."
"Não fale assim comigo. Eu sempre gostei de você. Achei que podia virar amor. Ainda pode, só precisa de tempo." Sua voz estava embargada. Sentia um nó na garganta e seus olhos se enchiam de lágrimas.
"Não seja doida. Se você não quer casar comigo depois de anos vivendo juntos é porque nada mudou nem vai mudar. Aposto como você só estava comigo porque seu verdadeiro amor não te quis, não é?"
Ela pareceu pensativa e ficou muda com essa afirmação. Saberia ele da verdade?
"Eu sabia. Sabia que você gostava de outro. Eu estava me enganando achando que você poderia gostar de mim." disse ele e jogou o anel que estava em suas mãos no chão. "Acabou tudo. Vá amargar sua vida sozinha."
Ele então entrou na casa e arrumou sua mala, ao som dos apelos da bela morena para que ficasse. Ele fingia não a ver nem a ouvir. Quando acabou saiu na chuva, no meio da noite, carregando sua mala. Ela gritava para ele ficar. Um homem velho e baixinho olhava do lado de dentro da casa, que era na verdade um templo. Ele balançou a cabeça negativamente, como se já esperasse por isso há anos, e voltou para o seu quarto. Do lado de fora, mesmo quando não se via mais o rapaz, ela continuava gritando seu nome.
"Nicholas, volte! Nicholas! Nicholas!"
Então, exausta, sentou na varanda e pegou o anel em suas mãos. Passou-o pela pele de seu rosto e fez menção de colocá-lo no dedo, mas desistiu. Colocou-o no chão novamente e, desesperada, como se tivesse perdido a última coisa que lhe restava, chorou... Rey Hino chorou...
As árvores balançavam violentamente de um lado para o outro, e, por muitas vezes, caiam no chão, com suas raízes arrancadas pela força do vento. O luar ainda não tinha aparecido nenhuma vez, e a noite ficava cada vez mais fria. O silêncio nas ruas era tão profundo que se podia ouvir a voz da natureza, que estava chorando, pedindo ajuda. Ela pressentia que algo terrível estava para acontecer.
Uma jovem de cabelos castanhos acabava de sair do banho. Uma nuvem de vapor envolvia o banheiro e toda a sua quitinete. Ela se secou calmamente e deixou a toalha pendurada no banheiro. Não precisava se preocupar em vestir logo um monte de roupas, pois o apartamento estava quente por causa do aquecimento e do vapor e também porque morava sozinha. Aliás era seu hábito andar nua pela casa. Ela se sentia livre, e com os cabelos soltos e molhados achava melhor ainda, se imaginava uma deusa, que acabara de tomar seu banho num lindo lago e andava tranqüila pela floresta. Sempre que passava por um espelho, parava e observava suas belas formas. Era alta, e já tinha sofrido um bocado por ser tão grandalhona, mas agora gostava de si e achava que sua silhueta esbelta e altiva era muito sedutora. "Como queria ter um homem agora, para que ele pudesse apreciar minha beleza e tomar meu corpo par si." pensou enquanto segurava os cabelos no alto da cabeça e os prendia com uma fita.
"Vá, garota!" disse para si própria, "Vista-se que tem que preparar um belo jantar para você mesma!"
Quando falou isso, sua alegria, que era apenas um disfarce para seu desânimo constante, desabou. Se sentiu tremendamente só e infeliz, largada ao vento. Ficou imersa nesses pensamentos enquanto colocava uma camisola de seda verde clara com uma profunda fenda lateral. De repente, quando acabara de se trocar e colocava um perfume de rosas muito sensual, a campainha tocou.
"Quem será?" pensava enquanto ia atender. Quando abriu a porta levou uma surpresa. "Kenji!" exclamou.
"Oi. Como vai? Posso entrar?"
"Claro! A minha casa é sua casa!"
O rapaz de cabelos curtos e castanhos entrou. Os dois se sentaram no sofá, lado a lado.
"O que o traz aqui? Você não estava fazendo faculdade nos Estados Unidos?"
"Sim, mas tivemos uma semana de dispensa por causa da morte do reitor da faculdade. Então vim para cá."
"Você não sabe o quanto fico feliz. Sem você por perto me sinto a mais solitária das garotas."
"É. Quando eu falei com você pelo telefone a semana passada eu fiquei muito preocupado. Você parecia tão nostálgica e triste. Chorou por horas no telefone, falando daquele seu ex."
"Me desculpe se eu te aluguei muito. Eu estava passando um dia difícil."
"Sabe, eu acho que você está sempre passando por dias difíceis. Olhe agora, você está toda feliz, animada com a minha visita, mas no fundo dos seus olhos há uma luz opaca de infelicidade, que está aí há mais de cinco anos e que nada consegue tirar."
"Talvez seja só solidão."
"Por que você não arranja uma companhia?"
"Bom, sabe, Kenji, se você quer saber, eu estive com vários homens durante os últimos seis anos. Pode ser que isso te deixe chocado, mas, bem, foram relações passageiras, bem, nem sei se posso chamá-las de 'relações'..."
"Eu entendo. Se você quer uma conversa sincera diga logo. Você teve vários homens de uma noite só, não é?"
"Sim. Mas não pense que virei uma prostituta ou algo assim, é que eu não sei o que me domina. Às vezes estou tão só que saio do restaurante em que trabalho como chefe de cozinha e entro num bar qualquer a procura de companhia e... acho. Acho um rapaz bonito, me encanto e penso que talvez ele seja o meu príncipe, que vai ficar comigo para sempre. No fundo sei que isso não é verdade, que estou só me enganando, mas me iludo porque o que eu mais quero na vida não vou mais ter."
"E o que é?"
"Umas certas amigas que perdi para sempre..."
"Mas o que aconteceu?"
"Bem, Kenji," disse ela, e seus olhos começaram a produzir lágrimas incessantes, que ela não conseguia controlar. "Eu não posso te dizer... Não pense mal de mim, é que é um segredo que não posso revelar nem a pessoa que mais adoro..."
"Tudo bem," disse ele, e a puxou para mais perto, encostando a cabeça dela no seu colo. "Deite aqui e desabafe."
Ela deitou, e as lágrimas viram em maior quantidade. Kenji então olhou para o lado e pela primeira vez viu sua grande amiga com outros olhos. A fenda em sua camisola revelava toda sua perna e uma parte de suas nádegas, e Kenji pode perceber que ela não usava nada além daquela camisola verde. O aroma do seu forte perfume de rosas entrou pela primeira vez nas narinas dele e imediatamente o embriagou. Sentiu uma corrente elétrica correr pelo seu corpo e fechou os olhos com força para se libertar destas sensações.
A moça, por sua vez, molhava o colo de seu amigo e acariciava a parte de suas coxas logo acima do joelho. Viu como as coxas de seu amigo, mesmo sob a calça, eram definidas e musculosas. Sentiu vontade de vê-las sem aqueles incômodos jeans. Sentiu-se outra pessoa ao mais impudicos pensamentos dançarem em sua mente. Suas lágrimas pararam de cair e ela sentiu um calor no corpo ao se dar conta que estava nua sob aquela camisola. Eles eram amigos há tanto tempo, que ela o sentia como um irmão, e nem tinha se preocupado com esse fato. Ao pensar nisso, pensamentos incestuosos correram como lebres em sua mente, e ela se virou e olhou para o amigo, que suava frio e mordia levemente o lábio inferior. Quando sentiu uma leve pressão que vinha do colo de Kenji teve certeza que ele passava pela mesma situação que ela e então seus sentimentos afloraram. Sentou-se no colo dele e beijaram-se. Era como se não tivessem palavras, se os dois só fossem levados pelo instinto; peça por peça de roupa dos dois foi se acumulando no chão da sala, e o sofá foi um perfeito ninho de amor, para essa descoberta tão repentina da sexualidade daqueles que tinham para si como irmão ou irmã.
Foram duas horas de amor intenso e eles não trocaram nenhuma palavra. Contudo, após essas horas, os dois olharam dentro dos olhos um do outro e sentiram um enorme vazio, como se algo lhes tivesse sido tirado. Eles sentiram o que acontecera; a magia de sua amizade fora quebrada e eles não se amavam como uma casal, não tinham nenhum sentimento dessa espécie um pelo outro, tudo fora um momento de fragilidade dominado por um instinto animal incontrolável. Não sabiam o que dizer, parecia que eram estranhos um para o outro.
"Acho que destruímos nossa amizade." disse Kenji.
"Eu também acho." ela respondeu.
"Sabe eu não sei o que aconteceu..."
"Fique calmo, Kenji. Fizemos uma besteira e agora pagaremos por isso..." falou enquanto colocava sua camisola.
"Certo, pagaremos..." ele também se vestia.
"Acho que você deve ir embora... não me leve a mal mas..."
"Eu sei... eu também acho que não vou mais voltar..."
"Assim será melhor."
"Adeus."
"Adeus, Kenji."
Ele então saiu daquele apartamento, e ela sabia que ele realmente não voltaria. Sentiu uma tristeza profunda rasgando o seu coração e se agachou no canto da cozinha. Ficou lá, abraçada em si mesma, espremida entre a geladeira e a parede, e chorou... Lita Kino chorou...
Duas mulheres estavam conversando num lugar escuro, coberto por uma névoa densa. Não se podia ver seus contornos, apenas ouvir suas vozes. Uma era fraca e doce e a outra forte e misteriosa. Passavam um ar preocupado quando falavam.
"Eu sabia que isso ia acontecer..." disse a que tinha a voz grave.
"Os problemas começarão... Será que poderemos...?" falou a outra.
"Não temos outra alternativa. Se ao menos... Não, acho que isso não vai acontecer..."
"Eu também acho que não, mas rezo para que eu esteja errada, senão..."
"Concordo com você... As chances são mínimas."
Então as vozes desapareceram e restou apenas um profundo silêncio.
"Bye, folks! Bye!" dizia nova estrela da música pop ao acabar seu show na Inglaterra.
Ela foi logo em direção ao seu camarim, e suava muito, embora estivesse frio e chovendo. No camarim encontrou um suco de laranja, um dos seus preferidos, e tomou um longo gole antes de sua empresária e produtora irromper pela porta.
"Um SU-CES-SO!!!!! Todos te amam querida! Todos os ingressos vendidos! Pessoas do lado de fora! Foi um sucesso!!!"
"É, Nanako? Foi?" perguntou a estrela desanimada.
"Sim!!! E não se esqueça de dormir bem hoje, porque amanhã pegamos o avião cedinho para o show de encerramento da turnê, sexta-feira em Tóquio!"
"Tóquio..." murmurou ela.
"E aí, animada para voltar ao lar? Para o show de lá, os ingressos estão esgotados já faz uma semana!" disse Nanako. Ela era dessas pessoas que estão sempre empolgadas, de bem com a vida... O contrário da estrela principal, que há anos mantinha o mesmo olhar tristonho na cara quando não estava fazendo seus shows ou dando entrevistas.
"Empolgada?" disse com uma voz quase inaudível. "Muito.... muito empolgada..."
"Ei, o que está acontecendo com..." dizia Nanako quando foi interrompida por alguém a chamando do lado de fora. "Eu vou lá ver o que querem, querida, mas volto logo."
A pop star ficou lá, largada na cadeira, pensando em como seria sua volta para Tóquio depois de quase um ano. Achava que seria igual a sempre, milhões de fãs, os seus pais, parentes... Cercada por milhares de pessoas, mas as que ela mais queria que estivessem lá, esperando-a, estas, estas nunca estavam e nem estariam. Por isso ficava ainda mais triste quando a turnê acabava e ela tinha que voltar. Ficava assim porque se lembrava de tudo o que ela abriu mão para ter sua carreira de sucesso e de como ela se arrependia de ter feito isso. Estava imersa em sua própria dor quando Nanako chegou, acompanhada por um casal.
"Olhe, querida! Trouxe visitas para você! Eles disseram que eram seus amigos quando você morava na Inglaterra!"
A estrela ergueu lentamente o olhar... De repente ela não acreditava no que estava vendo.
"Katarina? Alan? O que fazem aqui?" perguntou surpresa.
"Ora, querida," disse Katarina, "Nós não podíamos deixar você ir embora sem vir te ver!"
"Estávamos com saudades..." disse Alan.
De repente o sangue da cantora começou a ferver e sua respiração ficou alterada, as veias de sua testa saltaram e ela se levantou, visivelmente irritada.
"O que vocês querem? Me torturar? Hein? Nada contra ver você, Katarina, que é como se fosse minha irmã maior; ou ver você Alan, que eu adoro tando, mas por que raios vocês vieram juntos? Para esfregar na minha cara a sua felicidade?"
"Calma... por que você está falando assim?" perguntou Katarina assustada.
"Ora, não se faça de idiota! Você sempre soube que eu amo o Alan, que nunca o esqueci! Tudo bem, se ele está feliz com você, certo, mas daí para você virem aqui de mãozinhas dadas, como um lindo casal apaixonado não dá! Eu realmente não suporto tanto sofrimento!!"
"Mas... desculpe..." dizia o rapaz. "Nós não queríamos, não era a nossa intenção... E você era tão criança naquela época... nós pensamos que você já teria esquecido esse amor tão... um amor de infância..."
"Ah, não, Alan! Amor de infância? Eu não era mais criança naquela época! Você podia me ver assim, mas aquilo nunca foi um amor de infância! Eu me apaixonei por você de verdade! Eu ainda estou apaixonada por você! Mas não pense que eu tenho raiva ou não quero mais ver vocês, certo? Só não quero vê-los juntos assim, na minha frente..."
Ela disse isso e desabou na cadeira, lágrimas se formavam nos seus olhos.
"Bem, me desculpem..." ela disse com uma voz triste e chorosa, "Eu não queria... Não são vocês... Sou eu... Não estou passando uns dias muito bons, certo? Peguem um CD em cima da mesa e vão embora, OK? Quando eu melhorar, superar essa fase difícil, bem, eu procuro vocês, certo? Agora vão, por favor..."
Katarina e Alan então fizeram o que ela mandara e foram embora. Nanako então se aproximou da estrela, que agora estava caída no chão.
"Querida, vamos para o hotel descansar? Amanhã temos que pegar o vôo bem cedo e..."
"Vá embora você também!!!!!!!" gritou. "Por favor, vá, e leve todas as pessoas da produção, do show, até o motorista, tá? Eu quero ficar aqui, sozinha. E não se preocupe comigo, porque amanhã às 7 horas em ponto eu vou estar no aeroporto. Mas agora eu realmente quero ficar só."
"Mas..."
"Nada de mas. Vá embora... agora..."
"Certo."
Então Nanako virou as costas e saiu. O barulho do lado de fora do camarim foi diminuindo progressivamente, e, uma hora depois todos já tinham ido embora, restando apenas um silêncio mortal. No camarim, a cantora pop estava olhando para si mesma no espelho e pensava em como ela podia ter todo esse sucesso, ter tudo o que sempre quis, e ser tão infeliz. "Alan, Katarina... Me desculpem," ela pensava, "Você eram meus únicos amigos... Mas... eu não consigo me apegar mais a ninguém... Depois que abdiquei das pessoas que mais amava foi como se não pudesse mais amar ninguém, não consigo mais ter amigos..." Uma lágrima escorreu pela sua bochecha e caiu no carpete macio do camarim, deixando uma marca redonda escura e úmida. "Queria saber como elas estão agora... Se estão felizes... Se estão realizadas... Se estão melhores do que eu... Acho que quando chegar no Japão vou procurá-las... Não, eu não posso. Nós decidimos assim, porque seria mais fácil... Será que isso realmente é mais fácil? Não tenho mais certeza de quais são meus verdadeiros sonhos e desejos..."
Ela então começou a cantar uma melodia triste...
"Enquanto eu durmo à noite eu posso ouvir você... E mais uma vez eu lembro de você..."
"De longe, sozinha... Eu espero alguém me chamar... Quanto tempo vai demorar para eu trocar o vazio..."
"Pelo amor..."
"Até lá... Eu vou ficar sozinha..."
"O formato de seu espírito está no meu coração... E à distância eu posso ver seu perfil..."
"Meu amor nunca irá mudar... Só se transformará para, quem sabe, nos encontrarmos de novo..."
"De longe eu paro... Espero alguém me chamar..."
"Quanto tempo vai demorar para eu trocar o vazio... Por amor..."
"Bem, até lá, eu vou ficar sozinha..."
"Vagando como nuvens no céu... Meu coração está tão triste..."
"Ah, depois de tudo o que passamos... Eu olho para trás e só vejo sentimentos quentes que eu tinha e perdi..."
"Que tipo de sonhos estará tendo..? Como será que está seu coração agora..?"
"De qualquer forma... Até nos encontrarmos novamente..."
"Eu vou ficar sozinha..."
Então, comovida pela música, ela se deitou no carpete fofo, agarrou uma almofada em formato de estrela, e chorou... Mina Aino chorou...
Houve um grande trovão, e um vento mais forte soprou. A nuvem que cobria a lua foi se movendo. Naquele momento, 2 horas e 22 minutos da madrugada, a lua passava oficialmente da fase crescente para a cheia. Quando a nuvem negra se dissipou totalmente, a luz da lua apareceu mais resplandecente do que nunca, formando uma coluna de luz que ia do céu até a terra. No meio da lua, um ponto negro apareceu. Esse ponto tinha uma borda azul brilhante e ele foi crescendo, até ficar do diâmetro da lua cheia. Dentro dele, raios de energia se formavam, e então uma figura humana saiu de dentro desse buraco dimensional. Era um homem alto e forte, com cabelo branco prateado, com alguns fios que pareciam ser feitos de pura eletricidade. Seus olhos eram de um azul tão claro quanto um lago cristalino. Suas unhas eram feitas da mesma energia dos raios que caiam do céu, e ele usava um tipo de uniforme militar da cor cinza escuro, que brilhava com o reflexo da luz da lua. Acima de tudo, ele era realmente lindo, mas tinha uma olhar sombrio.
"Ah, finalmente, cheguei aqui. E estou pronto. Pronto para ter o que eu quero." disse ele com uma voz ameaçadora. Então abriu os braços e um pó prateado passou por toda a terra e voltou para seu dono. "Minhas boas vindas..." falou, e deu uma risada maléfica.
Serena acordou suada de um terrível pesadelo. Darien também acordara de um sonho ruim.
Ami sentiu uma aura negra passar sobre ela, fazendo-a perder a respiração por alguns segundos.
Rey levou um sustou ao ver o fogo sagrado do templo se apagar.
Lita teve um arrepio gelado na espinha.
Mina ouviu uma risada terrível ecoar pelo seu camarim vazio.
As duas silhuetas do mirante estavam agora num apartamento. "Começou..." elas disseram juntas.
As mulheres, que ainda estavam envoltas por névoa, trocaram um olhar gelado.
O dia seguinte amanheceu com um sol escaldante. Pássaros cantavam em meio as diversas árvores caídas. Serena lentamente abriu os olhos. No início, sua visão estava embaçada pelo sono, mas aos poucos ela foi ficando mais nítida, permitindo a ela ver que Darien já estava acordado e, deitado ao seu lado, olhava fixamente para o seu rosto.
"Bom dia, minha princesa..." disse ele.
"Bom dia. Por que você está olhando com essa cara para mim?" perguntou Serena.
"Ah," falou com um ar descontraído, "nada, ora. Eu só acordei um pouco mais cedo e fiquei velando o seu sono. Você fica linda quando dorme."
"Você é um galanteador incorrigível."
"Eu estava lembrando de momentos importantes de nossa vida. Parece que o que estamos vivendo agora é um sonho."
"Se for, eu não quero acordar."
"Agora, logo antes de você acordar, estava lembrando da primeira vez que nos vimos..."
"É... Eu joguei minha prova amassada na sua cabeça..."
"Um prova com uma péssima nota, cabeça de almôndega."
"Darien!" gritou inconformada. "Já faz tempo que você não me chama mais com esse apelido infame, e eu não quero que esse péssimo hábito retorne!!"
"Claro... desculpe..." disse Darien, um pouco assustado.
"Lembra-se do nosso primeiro beijo?"
"Sim... E você nem sabia que eu era eu... Na verdade, eu te beijei como Tuxedo Mask, né?"
"É... Foi um dos dias mais especiais da minha vida..."
"E da minha também."
"Mas o dia que eu me lembro com mais amor antes de nós nos casarmos foi aquele, um mês depois de entrar no segundo colegial... foi a nossa primeira vez..."
"Sim... Seus pais tinham ido com seu irmão passar um fim de semana no campo..."
"Mas eu não fui porque fiquei estudando para a prova de segunda. Eu fiquei lá, debruçada em cima dos livros a manhã inteira. Estava me sentindo tão sozinha... Daí eu te liguei e você veio me ajudar nos estudos."
"É eu fui até o seu quarto e você estava toda confusa, no meio de todos aqueles livros de matemática. Eu até comecei a te ensinar, mas você tinha tomado banho há pouco tempo e seu cabelo estava ainda úmido, exalando o cheiro do xampu... Ele estava solto, como raramente ele ficava... Seu cheiro começou a me embriagar, sabia? Eu olhava para você e me perguntava quando aquela garota meiga e doce tinha se transformado em uma linda mulher..."
"Você então me beijou, Darien. E o gosto do seu beijo estava mais doce que nunca. Você cheirava a rosas recém colhidas..."
"É que eu tinha passado meu perfume de rosas antes de sair de casa..."
"Ah! Então você fez tudo de caso pensado para me seduzir, não?"
"Não! É lógico que não. Eu realmente fui até a sua casa para te ensinar matemática."
"Bom, o que você me ensinou foi anatomia, querido. E eu tirei dois na prova de segunda."
"Acho que eu devo me envergonhar por ser o causador de uma nota tão baixa."
"Que nada! Eu já estava acostumada! E naquele dia, sei lá, você estava tão lindo... Eu abracei sua cintura e puxei-a contra o meu corpo..."
"Então eu coloquei você em cima da escrivaninha, e seus livros caíram no chão..."
"No meu livro de álgebra, duas páginas ficaram amassadas e nunca mais voltaram ao normal..."
"Acho que nada continuou como era antes... Eu lembro que eu beijava sua boca e sentia sua pele macia... Eu ficava me perguntando se estaria na hora de dar aquele passo. Eu não queria te ferir, não queria forçar você a fazer nada que pudesse se arrepender depois. Você era tão jovem, tão inocente..."
"Ah, Darien, me poupe! Você realmente acha que alguma garota do colegial é inocente? Aliás, a maioria já é bem... digamos, experiente..."
"Jura? Eu realmente não pensava isso de garotas de apenas 15 anos..."
"Bom, garotas falam sobre sexo nessa idade, meu amor," Serena tinha um tom doce na voz, "Nós lemos revistas que falam sobre isso, trocamos informações... Eu deitava na minha cama a noite e sonhava com você ao meu lado, me tocando, me beijando... Vai dizer que os rapazes também não fazem o mesmo?"
"Bom... eu nunca tive muitos amigos... você sabe, eu tinha perdido a memória, não sabia ao certo que eu mesmo era... Sempre fui solitário, até encontrar você..."
"Isso é muito triste. Querido, posso te fazer um pergunta muito íntima e constrangedora?"
"Você pode me perguntar o que quiser, Serena."
"Quando nós tivemos nossa primeira vez você... você era virgem?"
Essa pergunta definitivamente pegou Darien de surpresa. Ele logo assumiu um tom rubro-flamejante.
"Bem, Serena, você tem que entender, que..."
"Ah, Darien, eu não me importo! É mais do que normal que um rapaz na sua idade já tenha tido várias mulheres e..."
"Não, Serena, acho que você não me entendeu..."
"Como assim?"
"Bem eu... eu realmente era virgem..."
Foi Serena que vez uma cara de espanto dessa vez.
"Eu fui tão mal assim que deu pra perceber?" perguntou Darien encabulado.
"Não, imagina... Eu só perguntei por curiosidade... Você foi perfeito... Estava um pouco inseguro, mas foi ótimo..."
"Sabe, eu nunca tinha tido nenhuma namorada... bem eu te falei, nunca tive nem muito amigos... E... e eu não gostava da idéia de ter uma mulher só por algumas horas e depois adeus. Eu não queria isso... Por isso que eu estava inseguro... Eu olhava para você e pensava: E se eu não for o suficiente para satisfazê-la? Estava com medo de te decepcionar, de você não me querer mais... Então eu desabotoei sua blusa e você estava usando um sutiã cor-de-pele, com uma renda muito bonita... Seus seios eram tão lindos, tão redondos e bem torneados, como eu tinha imaginado nos meus mais lindos sonhos."
"Você então começou a beijar meus seios e eu senti algo que nuca havia sentido. Meu corpo estava em chamas, meu sangue fervia nas veias... Eu sabia que aquela era a hora... Eu estava em êxtase. Era como se meus sonhos estivessem se tornando reais... Eu me lembro que eu senti uma corrente elétrica percorrendo meu corpo e..."
"E você cravou as unhas nas minhas costas..."
"Te machuquei?"
"Não, você só acabou com os meus últimos limites. Naquele momento eu sabia que tudo estava fora de controle e só uma bomba podia nos parar."
"Eu também sentia o mesmo. Nessa hora eu arranquei sua camisa com um instinto incontrolável..."
"É, ela ficou em frangalhos... Você até me emprestou uma do seu pai depois, lembra?"
"Sim. E ele notou o desaparecimento. É lógico que depois ela voltou pro armário, e ele nunca soube o que acontecera..."
"É... Quando você arrancou minha camisa e começou a beijar meu peito eu enlouqueci. Tirei você de cima da escrivaninha e você ficou nua na minha frente pela primeira vez... Você estava tão deslumbrante naquele dia que eu fiquei pasmo... Parecia a deusa Afrodite nascendo das ondas do mar..."
"Eu fiquei tão insegura... Pensava se você gostaria ou ao do meu corpo... Se você ia me achar feia... Se você ia me rejeitar."
"Claro que não. Nesse momento todas as nossas preocupações ou medos desapareceram e nós nos entregamos numa tarde de amor. Depois você dormiu a noite inteira nos meus braços... Estava desmaiada num sono tranqüilo..."
"E na manhã seguinte acordamos, com o sol fraco entrando pela janela... E então você me pediu em casamento..."
"E você disse sim."
"E, como eu tinha deixado a porta aberta, as meninas entraram e nos pegaram abraçados e nus no chão, cobertos apenas por um lençol branco. Elas ficaram tão paralisadas, que eu tive que pedir para elas esperarem a gente na sala."
"É, eu acho que eu fiquei da cor de um tomate maduro. E depois ainda tivemos que responder a uma rodada de perguntas realmente constrangedoras..."
"Eu sinto tanta saudade delas... Mesmo sabendo que nossa separação foi para o bem de todos, eu sinto que nunca mais terei amigas como elas. Sei que as amo e sempre amarei."
"Eu também penso assim."
"Bom, agora vou tomar um banho para levar a Hikari no colégio."
"O quê?! Você falou todas essas coisas e agora diz que vai tomar um banho? E vai me deixar aqui, chupando o dedo?"
"Bye, bye, querido..." disse Serena e se levantou, indo em direção ao banheiro e deixando cair as peças de seu baby-doll rosa no chão.
Então Darien teve uma brilhante idéia de como unir o útil ao agradável, e, tirando a cueca samba-canção com a qual dormia, foi para o banheiro e fechou a porta atrás de si. "Darien," ouviu-se Serena dizendo, "quando você quer alguma coisa, você simplesmente vai atrás e pega!" e deu uma risadinha maliciosa. E é claro, os dois tomaram um banho muito, mas muito longo.
Rey estava acabando algumas preces. Passara quase a noite toda reacendendo o fogo sagrado, e isso devia ser feito com muitas rezas e pequenos detalhes cerimoniais. Quando finalmente acabara, Rey se virou dizendo, "Vovô, pode falar agora." O avô de Rey estava ali há algum tempo, esperando o momento de falar com sua neta.
"Rey," ele começou, "você viu o que aconteceu? Eu te disse que isso ia acontecer, não disse?"
"Sim, vovô... E eu estou confusa agora. Foi como se tivessem me tirado o chão."
"Como eu imaginava. Eu falei que ele não iria suportar seu comportamento distante por muito tempo, e a sua recusa ao pedido de casamento foi a gota d'água."
"Mas, vovô, você sabe, eu... eu não podia aceitar, estaria enganando ele cada vez mais."
"Sim, eu sei. Mas sei também que vocês viveram juntos por todo esse tempo e que você já estava acostumada a ter ele sempre por perto para te animar quando você está triste, para fazer você tirar maus pensamentos da cabeça. E agora você não tem mais nada. O que pretende fazer?"
"Bem, eu não sei. Eu meditei um pouco durante a cerimônia para reacender o fogo e cheguei a conclusão que estou perdida. Estou feliz por não ter mais que enganá-lo com falsas promessas e ao mesmo tempo sinto mortalmente a falta do Nicholas."
"Rey, acho que você devia ter ficado com ele e aprendido a amá-lo." O avô de Rey tinha um olhar preocupado. "Aquele que você ama não virá nunca para você. Não veio e não virá."
A sacerdotisa ficou chocada. "Como você sabe dele, vovô. Como sabe que eu gosto de alguém e como sabe quem é?"
"Ah, Rey," o avô deu uma risada relaxante, "Eu não sei quem ele é. Eu não o conheço. Mas eu conheço você, e muito bem. Sei decifrar cada ruga de preocupação que se forma em sua testa e sei que, há muito tempo, você gosta de um rapaz, e que ele não corresponde aos seus sentimentos. E, Rey, sei que você sabe que ele nunca virá pra você."
"Vovô..." Rey deu um longo suspiro e mais lágrimas desceram pelas suas bochechas. "Agora estou sozinha."
"Não, Rey. Enquanto eu estiver aqui, conte comigo. Sei que não sou a pessoa perfeita para você desabafar sobre seus problemas sentimentais, mas você pode chorar nos meus ombros cansados."
"Obrigada..." Rey então deitou a cabeça no colo de seu avô e chorou lágrimas tristes e quentes. "Tenho que ir para o curso de teatro. Estamos ensaiando uma peça. Romeu e Julieta."
"E você é a Julieta certo?"
"Sim," então uma nuvem negra pairou sobre o rosto de Rey, "Hoje ensaiaremos a cena da morte de Julieta..."
“Sabe, Lua,” falou um gato branco com uma lua na testa, “Gostei de você ter vindo me visitar. Estou tão sozinho desde que Mina se foi.”
“Não fique assim, Artemis. Também gosto de vir te ver porque me sinto solitária naquela casa.”
“Mas você ainda tem Serena, Darien...”
“Mas você sabe que eles não nos entendem mais desde ‘aquele’ dia.”
“Porém você ainda tem o carinho deles.”
“Você não sabe o que diz. É muito triste vê-los sofrendo com a decisão que tomaram e não poder nem ao menos falar com eles.”
“Acho que você tem razão...”
Mina acordou com o corpo em frangalhos. "Acho que um trator passou por cima de mim..." pensou. Ela então juntou algumas coisas e pegou um táxi para o hotel. É claro que teve que dar um autógrafo para o motorista. "Da deusa do amor, Vênus." assinou e desceu do táxi. Entrou tão rápido no hotel que nem percebera que não tinha assinado Mina e sim Vênus. Essa foi uma coisa que o motorista também nunca entendeu.
Mina entrou no quarto de hotel pensando que teria que arrumar sua mala na velocidade da luz para chegar a tempo e um desânimo percorreu seu corpo quando lembrou que no dia anterior tinha deixado tudo espalhado. Contudo, quando ergueu os olhos, viu seu quarto impecável e suas malas prontas perto da porta. Sentada na poltrona estava Nanako.
"Achei que você não chegaria a tempo e acertei..."
"Nanako, você é definitivamente meu anjo da guarda."
"Mina, deixei uma roupa em cima da cama para você tomar um banho e trocar essa, que está toda suja e amassada. É melhor você se apressar, senão perderemos o vôo."
"Nanako..." disse Mina olhando para o chão e depois para os olhos da empresária, que usava uma lente de contato preta com uma estrela prateada no meio, "Desculpe por ontem, tá? Eu fui uma estúpida com todos mas é porque algo estava me fazendo ficar deprimida e estressada... Eu não sei o que aconteceu, eu não sou assim..."
"Você pode não ser agressiva, mas, desde que nos conhecemos, o ar de tristeza e nostalgia sempre pairou sobre seus olhos."
"Nanako..." disse Mina e sentou-se numa cadeira ao lado de sua querida produtora, "Eu quero te falar uma coisa. Não posso entrar em detalhes então não me pergunte nada, certo? Bem, eu tinha boas amigas no Japão, minhas melhores amigas, mas eu tive que abrir mão delas em prol da minha carreira e do meu sucesso. Desde então eu sou uma pessoa dividida em duas: parte de mim está exultante de felicidade e a outra parte está morrendo."
"Mina, minha querida," de repente Mina olhou para Nanako e percebeu que todo aquele ar brincalhão tinha desaparecido, restando uma mulher linda e muito serena, como uma deusa recém saída do Olimpo, "Porque você não vai encontrá-las quando chegarmos no Japão?"
"Bem, eu não posso. Nós fizemos uma promessa de nunca mais nos encontrarmos."
"Oh, sweetheart, as promessas foram feitas para serem quebradas, nunca ninguém te disse isso?"
Mina sorriu, "Na verdade, não."
"Então escute o que eu digo. Assim que chegarmos no Japão você vai procurá-las, e então vai poder enxergar melhor, porque se sentir sua respiração falhar e suas pernas tremerem ao vê-las... Mina, o seu show no Japão será o último da sua turnê e da sua vida.”
“Você acha mesmo que eu devo jogar tudo pro alto para viver uma amizade?”
“Não é só uma amizade, é a sua vida. É sua felicidade. E eu vou querer conhecer você de novo, quando você for você mesma, a mulher alegre e de bem com a vida que eu tenho certeza que mora dentro do seu coração.”
“Nanako, você sempre me pareceu bem mais imatura, mas, agora, as suas palavras foram como uma brisa suave que tirou nuvens da frente dos meus olhos. Sim, posso te ver como você é agora. Uma mulher madura e muito sábia.”
“Mina...” um sorriso de alegria se instalou na face de Nanako. “Vamos tome banho que o avião está esperando para te levar de volta para os braços da felicidade!”
Mina então foi correndo para o chuveiro, e a água caiu em sua pele como se fosse abençoada e ela sentiu que aquele banho estava levando os últimos resquícios de incerteza e infelicidade de seu corpo e de sua mente. “Meninas, me esperem. Vamos estar juntas de novo e eu vou fazê-las esquecerem nossos juramentos.” Definitivamente Mina parecia ter esquecido todos os problemas que tinha há seis anos.
Na sala Nanako estava pensativa. “Mina, agora poderá ser feliz, eu cumpri minha missão.”
As duas foram para o aeroporto e, depois de Mina enfrentar um batalhão de fãs, conseguiram embarcar. Mina ficara com o assento da janela, e, quando o avião decolou, ela viu Londres ficar cada vez menor e se sentiu feliz. Olhou para Nanako e esta continuava imersa em seus pensamentos, numa espécie de transe. “Queria ter pedido desculpas a Alan e Katarina... Mas isso fica para outra vez. Agora, depois de muitos anos, vou ser feliz novamente.” O avião então entrou numa nuvem branca como algodão e Mina não pode ver mais nada da janela. Dormiu então um sono relaxante até o Japão.
“Haruka,” disse uma voz terna e tranqüila, “Você ainda sente o vento chiar?”
“Sim, Michiru. O mal já está aqui, e não sei se somos fortes para vencê-lo.”
“Temos que esperar para ver...” disse ela, recostando seu rosto no ombro de Haruka e olhando o mar pela janela de seu apartamento. “Só rezo para que a escolha delas não afete a todos. O mar está triste e agitado.”
“Inconseqüentes...” murmurou Haruka para si própria.
Ami acordou com os primeiros raios de sol e espirrou várias vezes. “Espero não ficar resfriada,” pensou. Ela então foi para sua casa antes que as pessoas começassem a sair na rua e a vê-la encostada num poste, toda molhada da chuva. Ela tomou um banho quente, pegou seus livros e tomou um copo de leite gelado. No caminho para sua faculdade começou a pensar na prova que estava por vir. “Isso vai ser terrível. Não consegui estudar nada...”
Realmente, os resultados foram desastrosos. Como nas últimas provas, Ami não fora nada bem. Na verdade, desde que se separara de suas amigas, seu rendimento começara a cair, mas de um ano para cá ela não conseguia se concentrar nas aulas e nem conseguia estudar em casa. Estava preocupada, pois tinha a ligeira impressão que iria repetir esse ano de faculdade. Quando saiu da sala de aula, uma garota loira de olhos violeta se aproximou.
“Ami, Ami... Estou vendo que você não foi bem nessa prova também.”
“Não,” respondeu Ami, “Eu não sabia praticamente nada Kira.”
“E não é só isso que me preocupa. Pelo seu rosto vejo que não teve uma boa noite.”
“Na verdade, eu não tenho uma boa noite há séculos.”
“Sabe qual é o seu problema? Você não se distrai, não se diverte...”
“Não tenho tido muito ânimo...”
“Então...” Kira agarrou o braço de Ami e a arrastou até o banheiro, “Vamos resolver isso.”
Quando chegaram lá, esperaram as pessoas saírem. Ami estava realmente intrigada. O que aquela doida queria? Kira já não tinha uma reputação muito boa na faculdade, vivia fazendo bagunça, pregando peças nos outros...
“Ami,” ela começou, e abriu a mão, revelando quatro comprimidos brancos, “Aqui está a solução.”
“O que é isso?”
“Ecstasy.”
“Você realmente deve estar louca para pensar que eu vou tomar isso.”
“Ami, veja bem, só dois comprimidos, só um dia na sua vida... Se permita ser feliz um só dia...”
“Nem pensar, Kira.”
“Vai tentar se matar de novo?”
“Mas...” Ami ficou estarrecida, “Como você sabe..?”
“Olhe no seu pulso direito, há um minúsculo corte logo abaixo da sua mão. Pessoas normais podem não perceber, mas eu já passei por isso e tenho olhos treinados. Isso sem contar que eu já notei várias outras vezes esses pequenos cortes nos seus pulsos. Você já tentou se matar muitas vezes, mas algo a impede, a bloqueia na última hora, não é?”
“Kira... bem, mas isso não é motivo para eu me tornar uma viciada.”
“Mas você não vai se viciar. Vai ser feliz. Só por um dia. Por um dia.”
“Por um dia...” disse Ami pensativa. “Um dia... uma pílula... isso não vai me viciar...” Ami pareceu se lembrar de algo que tinha feito no passado.
“Certo,” afirmou Ami. “Mas vou tomar só uma.”
“Tá. Eu vou tomar só duas, mas você pode guardar a restante para si.”
As duas então tomaram suas doses e Ami guardou o comprimido restante no bolso. Kira então a pegou pela mão e a conduziu para fora. Elas foram para o bosque da faculdade e Kira mostrou a Ami uma clareira no bosque que só ela conhecia.
“Aqui é o meu refúgio secreto. Todos pensam que o bosque é todo denso, mas eu descobri essa clareira.”
“É lindo aqui...”
As duas deitaram na relva e ficaram olhando as nuvens, enquanto a droga fazia efeito. Depois de um tempo, Ami e Kira começaram a perceber o mundo de forma diferente e Ami sentiu todos os seus problemas e preocupações saírem voando com a brisa que balançava seus cabelos. Ela então levantou e começou a girar, dançar sozinha na clareira, cantando alegremente. Kira se juntou a ela e as duas deram as mãos e começaram a girar, pular, falar alto. A clareira era afastada da borda do bosque, e elas sabiam que ninguém as ouviria. As duas então caíram no chão e não tinham sinal de exaustão. Kira rolou com Ami na grama e as duas acabaram deitas, uma olhando para a outra, rindo. Kira então ficou calada e olhou nos profundos olhos azuis de Ami. Kira se aproximou da amiga e a abraçou. Ami estava confusa e não sabia o que fazer, já que sentia como se não tivesse pensamentos em sua cabeça. A loira então aproximou seus lábios dos de Ami e beijou-os delicadamente enquanto os olhos azuis de Ami mostravam sua perplexidade. Kira então colocou sua mão dentro da blusa de Ami e começou a brincar com seus mamilos. Nesse momento, uma brisa passou pelas duas e algo dentro de Ami a fez acordar de seu transe. Ela levantou de repente e deu um olhar assustado para Kira, que não entendia o que estava acontecendo.
“Vamos nos divertir, Ami...”
Mas Ami não estava mais sobre o efeito de nada, estava sóbria e saiu correndo dali. Foi como se em alguma parte dentro do seu coração, seu espírito de Sailor Senshi despertasse e ela saísse de um poço profundo, acordando num dia claro, que iluminava até a mais negra escuridão. Ami chegou em casa e desabou na cama, contemplando o teto. Ela abriu a gaveta do criado-mudo e colocou a pílula de ecstasy que estava em seu bolso ao lado de uma série de drogas que já tinha provado, inclusive cocaína. Todas elas, Ami só tinha experimentado uma vez, e guardava os resquícios, como uma lembrança do que ela não deveria fazer novamente.
“Aonde vou parar assim?” pesou, e deixou sua mente se perder nas lembranças de seu passado feliz ao lado das suas melhores amigas.
Uma jovem de uns 19 anos e cabelos pretos na altura do ombro corria por um lugar especialmente estranho, coberto por uma névoa densa, que se abria para a garota passar. Ela então parou na frente de uma porta e a névoa se dissipou totalmente, revelando uma linda mulher de cabelos compridos e verdes.
“Plutão! Que bom que te encontrei aqui!”
“Hotaru,” começou a mulher com a voz num tom baixo, “Eu estou sempre aqui, não?”
“Ah, nem sempre. Agora você tem uma vida na terra e sempre está lá. Ou pensa que eu não sei que quem fica a maior parte do tempo cuidando da porta do tempo é a Diana.”
“Certo,” disse calmamente Plutão, “Espero que você não saia por aí falando que eu quase não fico mais aqui. Eu sei que a Nova Rainha Serenity não se importa, mas é bom que ninguém que tenha más intenções saiba disso.”
“OK. Você já está sabendo?”
“Vai começar, eu sinto também...”
“Eu penso que tudo seria mais fácil se nós fôssemos até elas e...”
“Calma, Hotaru. Dê tempo ao tempo e você se surpreenderá.”
“Porque não nos conta o que vai acontecer? Você conhece o futuro, ora!”
“Não. Lembre-se que há muitos futuros paralelos, e as decisões tomadas agora podem criar um outro futuro, entende?”
“Sinceramente, não. O tempo e o futuro e o destino... São muito complicados para mim.”
“Eu sei. Se para mim, que vivi através de muitos séculos, ainda é difícil compreender algumas coisas, imagino como é para as outras pessoas. Só não se intrometa na vida dos outros, certo? Sei como você é impulsiva.”
“Bem, se você quer assim...” um olhar triste apareceu em sua face e seus olhos brilharam em um tom vermelho com algumas nuances de roxo. Os olhos de Plutão demonstraram automaticamente sua preocupação, e ela recitou, “Spiritum pestifer, discidium! Profuturus spiritum, proficio! Colonus solitus, ne quidem acceptus!” (Entenda a frase como algo assim: “Espírito maligno, desapareça! Benéfico espírito, ajude-nos! Habitante usual, não é bem-vindo!”)
Hotaru urrou como se alguma parte de sua alma tivesse sido arrancada. Seus olhos voltaram ao habitual violeta, e ela parecia exausta, como se tivesse acabado de travar uma luta terrível. Gotas de suor emergiam de sua pele e ela respirava com dificuldade. Plutão a ajudou a permanecer de pé.
“Plutão... Aconteceu de novo, não?”
“Sim. Mas está tudo bem agora. Não se preocupe.”
“Mas... e se um dia você não chegar a tempo? Temo muito que possa acontecer algo terrível.”
“Você é forte. Você é uma Sailor. O espírito de Saturno que mora dentro de você a ajudará a lutar e você terá forças para aguardar até que eu chegue. Estou procurando uma solução para esse...” Plutão hesitou por um instante, “Para esse problema. Estou certa que conseguirei algo para te livrar... disso.”
“Estou com medo. Pelo menos uma vez por semana tenho esses ataques. E nos últimos tempos está piorando. Acho que tem algo a ver com a energia malígna que nós sentimos se aproximar, com o que está prestes a acontecer.”
“Fique calma. Não há o que temer por enquanto. Estamos lidando bem com isso, não?”
“Sim, mas... Será que Urano e Netuno não tinham razão quando disseram que deviam me... me...” Hotaru rompeu-se em lágrimas de sofrimento.
“Não pense no que aquelas doidas dizem! Elas perderam a noção de tudo. Na verdade, acho que nunca tiveram noção de nada, são inconseqüentes, egoístas... Sempre alguém tem que freá-las para que não façam loucuras. Não fique pensando nisso, por favor.”
“Certo. Não pensarei. Quem me acompanhar até em casa? Estou me sentindo tão cansada...”
“Claro,” disse Plutão e reverteu sua transformação, “Diana, cuide da porta do tempo, certo?”
Uma gata lilás apareceu saltitante do nada. “Sim! Pode ir em paz, Setsuna.”
Então as duas mulheres saíram andando e a névoa preencheu o ambiente de novo.
Lita não dormira a noite toda, mas estava tão imersa em seus problemas que só se dera conta do novo dia quando o carteiro empurrou o jornal do dia pelo orifício de cartas. Lita ergueu os olhos, e enxugando lágrimas remanescentes, se arrastou até a porta, abrindo o jornal.
“Nada de novo aqui...” pensou, abrindo o caderno e entretenimento e deparando com uma foto enorme de Mina na primeira página. “Mina... bem aqui diz que a nova estrela da música pop chegará no Japão hoje para fazer no sábado o seu último show da turnê ‘Once More P♥P’... Todos os ingressos já estão esgotados há semanas... Queria ir nesse show...”
Lita deitou-se com as costas
no chão e olhando para o teto ficou pensando se deveria tentar ver a amiga
depois de tanto tempo e de tantas promessas em não se verem mais. “Acho que está
na hora de quebrar essa promessa... Vou tentar vê-la no hotel quando estiver
chegando... Acho que se me arrumar agora eu ainda tenho
chance!”
Eufórica, tomou um banho ultra-rápido e colocou uma calça jeans e uma camisa verde clara. Apanhou um pacote de salgadinhos na cozinha e saiu correndo até a porta, quando se lembrou que seu curso de culinária avançada começaria em alguns minutos também. Após ponderar um pouco, achou que uma falta não seria um grande problema...
Na frente do hotel havia uma legião de fãs como o esperado, e Lita, de uma maneira muito ‘delicada’ conseguiu um lugar na frente do cordão de isolamento. Sua única chance seria que Mina enxergasse ao entrar no hotel, senão não teria a mínima chance de falar com a estrela. Estava pensando nisso quando uma limusine preta com vidros escuros despontou na rua. Foi um alvoroço geral e Lita quase foi esmagada por fãs totalmente fora de si. Mina desceu do carro, e deu um breve aceno para o público.
Para o desespero de Lita, Mina não a tinha visto até agora, e por mais que ela gritasse o seu nome, mais uma centena de fãs faziam o mesmo. Mina estava subindo as escadas da porta de entrada do hotel quando uma idéia que podia dar certo veio em sua cabeça.
Mina estava exausta, mas tinha que parecer linda para seus fãs. Em outra ocasião, teria ido até eles e espalhado uma dúzia de autógrafos, mas estava muito imersa em seus pensamentos para conseguir fazer tal coisa, e o máximo de atenção que conseguiu dar para a multidão foi um aceno rápido e um sorriso. Nanako estava ao seu lado e atrás dela vinham alguns homens fortes carregando as bagagens. Mina viu os olhos de Nanako brilharem de emoção com o sucesso da estrela que ela tanto gostava e ajudava. Nanako pareceu novamente sublime e maravilhosa ao olhar rápido de Mina, mas quando esta foi olhar com mais atenção o que era aquele brilho angelical que parecia envolver Nanako, a magia se dissipou e só o que ela viu foi a mesma amigona e divertida produtora de sempre. Mina então direcionou sua atenção para o caminho que a levaria até o hotel e estava entrando quando um grito, em meio a todos que vinham daquela montanha de gente, tocou os seus ouvidos e ela ficou atônita. Mina parou e virou-se rapidamente, deixando uma expressão intrigada no resto de Nanako. A estrela passou o olhar pela multidão, procurando quem poderia ter gritado aquilo quando ouviu de novo.
“Sailor Vênus!!!!!”
Agora, já sabendo mais ou menos a direção do som, a busca por um rosto familiar foi um sucesso, e Mina encontrou a tão conhecida face de Lita. Ela foi correndo até a velha amiga e um segurança a protegeu dos acessos de loucura do público. Lita passou por debaixo do cordão de isolamento e o segurança a bloqueou, mas teve que a soltar devido às ordens da estrela.
“Lita!” disse ela empolgada, “Não sabe como senti sua falta!”
“Eu sei... Eu também senti...”
As duas se abraçaram e lágrimas de felicidade escoram pelas suas bochechas rosadas. As velhas amigas tinham finalmente se encontrado, e seguiram juntas para o hotel, deixando todos os fãs monstruosamente enciumados.
Numa viela escura de Tóquio uma figura masculina se escondia nas sombras. “Agora vai começar o show, Sailor Senshi. Ou vocês não sabem que tudo tem troco?” Ele deu uma risada satânica e faíscas de eletricidade saíam de seu olhar malévolo. Tirou de seu cinto uma linda adaga cerimonial, de lâmina preta e brilhante com o punho de um cinza chumbo ornamentado por rubis cor de sangue, safiras de um azul claríssimo e diamantes. Lindos diamantes translúcidos que com o emitiam uma luz branca e pálida quando iluminados pela energia que saia dos cabelos, das unhas, enfim, de todo o corpo do homem.
Com a adaga em punho, ele fechou os olhos e disse, “Mei corpus, multi partis... Obsequium mei debeo. Mei corpus, multi partis... Orior! Mei cruor, mei possessio... Orior!” (Algo como, “Meu corpo, muitas partes... Obediência a mim deveis. Meu corpo, muitas partes... Apareceis! Meu sangue, minha possessão... Apareceis!”) Então ele cortou cinco finas lascas de carne de seu barco, e um sangue azul brilhante escorreu por uns segundos, até que o ferimento cicatrizasse como mágica. As lascas cresceram em sua frente e tomaram a mesma forma do homem, só que eram feitas de pura energia. Os olhos eram negros e sem pupilas.
“Vão encontrar seu destino, sombras! Digam que eu cheguei e que o terror está à espera!”, disse ele, e ao som de suas palavras as sombras saíram voando para diversas partes da cidade.
Serena entrou no carro de Darien após deixar Hikari na escolinha. Um sorriso estava iluminando seu rosto quando pediu para Darien a deixar no parque nº10 antes de ir para o trabalho. Serena tinha se transformado numa reconhecida poetisa e estava preparando seu terceiro livro. Sua marca registrada era os poemas cheios de sentimento, abordando os temas do amor e morte, sofrimento e alegria, o destino... E é claro, a lua estava presente em todos. Ela gostava muito de escreve-los à noite, banhada pelo luar, mas por muitas vezes escrevia entre as cerejeiras do parque nº10.
“Darien, veja se você gosta de idéia que eu tive,” começou ela...
“Sob o luar encontrei seu amor
Através dos dias te perdi
Nos meus sonhos está sempre presente
Mas meus dias são vazios
Sob o luar encontrei seu corpo
De manhã não estava mais aqui
Nas minhas lembranças está sempre presente
Mas minha vida está vazia
Numa torre alta subi
Para te encontrar no luar
Mas não conseguia alcançar
Sob o sol sou tão fria
Mas o luar me aquece
É quando eu encontro você”
“Serena...” Darien a olhava com ternura, “É lindo...”
“Você me inspira...”
“Chegamos,” disse, parando o carro. “Te encontro em casa?”
“Certo. Você leva a Hikari?”
“Está bem. Cuide-se.”
“Claro... Estou muito inspirada hoje... Desde de manhã.” Serena seu um sorriso cúmplice para seu amado.
“Eu te amo.” Darien pareceu mais lindo que nunca banhado pela luz do sol que entrava pela janela.
“Eu também,” respondeu Serena e acenou enquanto o carro desaparecia na esquina. Ela entrou no parque, carregando seu caderno e seu estojo e procurou a sombra de uma árvore. Encontrou uma perfeita, e sentou-se perto de sua raiz, sentindo o cheiro da grama. Ela então inspirou profundamente e abriu seu caderno.
As palavras surgiram da ponta de seu lápis como bolhas chegando à superfície... Escrever era tão natural...
“No meio da multidão
Encontrei a felicidade
Numa esquina do meu coração
Encontrei o amor
Vida! Fazes-me tão feliz
Mas não soube agarrar a alegria
Ela agora se esvai lentamente pelos meus dedos
Alguma coisa me faz delirar
A luz da lua me conforta, mas
Não acaba com as ilusões
De um passado feliz e trágico
Tempo! Deixas-me cada vez pior
Quero estar só com meus negros sentimentos
A luz da luz me confortará”
Serena então olhou satisfeita para o céu e uma forma brilhante desceu em sua direção. Seus olhos ficaram enormes e um pavor entrou em seu coração. Uma das sombras parou em sua frente e contemplou seu terror. Ela soltou um guincho e disparou um raio de energia na direção de Serena, que desviou, quase sendo atingida. Ela largou seu caderno e saiu correndo, sendo perseguida pela Sombra e pelos seus próprios medos. Da Sombra estava conseguindo escapar e desviava de seus ataques, mas sabia que de seus pensamentos não poderia fugir. A hora que ela esperava tinha chegado, o destino lhe trazia problemas com os quais não podia mais lidar...
A imagem de todas as meninas reunidas veio em sua mente. Ela estava chegando um pouco atrasada e as assistia de longe. Não falavam, permaneciam olhando para o chão em silêncio. Darien estava encostado em uma árvore. Uma dor e uma vontade de desistir de tudo entrou em seu coração, mas Lua apareceu a seu lado e com um tom de voz triste disse, “Vamos, está na hora.”
Sem querer, Serena tinha entrado num beco sem saída, e só quando se vira encurralada tinha se dado conta disso. A sombra parou em sua frente e começou a guinchar irritantemente. Serena então tirou seu sapato e jogou-o com toda força na cara da sombra, que foi arremessada a uma distância considerada. Contudo, ela já estava se restabelecendo, e Serena não tinha para onde ir. Ela então viu um pedaço pontudo de madeira no chão e, sem hesitar, pegou-o para fincá-lo com toda sua força no peito da sombra, que, com um ganido, foi diminuindo lentamente até se tornar um pedaço de carne humana em estado de putrefação. Só então Serena levantou o olhar e viu Darien chegando correndo. Ela foi até ele e o abraçou, chorando.
“Acho que perdi a velocidade, meu amor,” disse Darien com um olhar preocupado.
“Darien, eu te disse, não? Vai começar de novo, estamos em perigo...”
“Calma meu amor, você conseguiu se safar, não? Continua em forma.”
“Darien, não é hora para brincadeiras! O assunto é sério! Eu, você, todos estão em perigo!” disse Serena, totalmente histérica.
“Eu sei, mas não podemos fazer nada...”
“Darien,” ela agora estava com uma expressão intrigada, “Como você sabia que eu estava em perigo?”
“Os nossos corações estão ligados... Eu sinto tudo o que você sente e, pela mágica do nosso amor, eu sempre posso te encontrar.”
“Eu sabia que seríamos castigados...”
“Calma, Serena, ainda existem pessoas que podem nos proteger, não lembra?”
“Ah, mas elas não serão suficientes... Acho que o inimigo é forte demais até se estivéssemos juntos...”
“Não se esqueça que elas são muito poderosas.”
“É, mas acho que... bem, não tenho certeza, mas acho que um outro tipo de poder, com o qual nunca lutamos antes... Acho que desta vez é diferente.”
“Bom, saberemos em breve. Eu vou te levar para casa e depois volto para o trabalho, certo?”
“Está bem...”
Os dois saíram do beco abraçados, ela já um pouco mais calma, mas ainda não controlava as lágrimas que escorriam pela sua face. Darien tentava confortar Serena, mas estava visivelmente preocupado. Ele também sentia uma força diferente dessa vez.
“Julieta! Acorde! Acorde! Não posso viver sem ti, paixão que assola meu coração!”
Rey estava deitada, imóvel, representando seu papel de Julieta enquanto Nero, que estava fazendo o papel de Romeu, tentava acordar sua amada. Rey não ficava irritada por ter que ficar imóvel por um bom tempo, mas de repente ela se levantou bruscamente, arrancando um grito de desaprovação de todos. Ela sentira uma presença malígna, e, sem hesitar, saiu correndo do teatro e deixando todos atônitos. Do lado de fora havia um grande jardim, e Rey parou para sentir a presença do ser maligno quando foi atingida por algo na nuca e arremessada no chão. Ela rapidamente se levantou e viu uma das sombras, jogando um ofunda na testa do ser e fazendo-o cair desacordado. Mil pensamentos começaram a girar em sua cabeça e ela se viu a imagem de um dia de seu passado se formando em sua cabeça.
Estava chegando para o encontro. Ami, Mina e Lita já estavam lá, mas não se falavam. Rey teve um mau pressentimento, e começou a lembrar os vários motivos que estavam levando-as a fazerem isso. Muitos deles ela pensou que poderiam ser superados e então aquela atitude não seria necessária. Entretanto, um dos motivos veio especialmente à sua cabeça. Ele era forte e decorrente de um erro terrível que ela cometera. Não sabia ao certo se estava arrependida, e isso era só mais um agravante. Ponderando rapidamente esse último pensamento, foi ao encontro das outras garotas.
Rey então se aproximou para ver que raios era aquilo quando a sombra acordou e jogou um raio de energia em Rey, que passou raspando em seu braço, deixando um corte que começara imediatamente a sangrar. Rey estava surpresa e amedrontada, sem saber exatamente que atitude tomar. Então Nero apareceu de repente ao seu lado, e ficou surpreso com o que viu. A sombra também pareceu se surpreender e voou para longe ao ver a cara daquele estranho.
“Rey, você está bem?” perguntou ele, atônito. “O que era aquilo?”
“Não sei... Mas senti uma energia malígna vindo dele.”
“Vamos entrar e cuidar de seu ferimento, certo?”
“Certo...” disse Rey sem prestar muita atenção. Ela continuava olhando para o céu, na direção que aquela coisa tinha tomado. Não estava gostando daquilo, principalmente por ter sentido algo diferente de todas as vezes. Algo que ela não sabia o que era e que não conseguia explicar.
As amigas ainda estavam meio atônitas com seu reencontro. Lita estava no quarto com Mina e as duas se olhavam profundamente. A loira falou primeiro, “Queria tanto te encontrar. Você e todas as outras.”
“Eu também. Estava prestes a morrer de solidão.”
“Lita, você tem conversado com as outras?”
“Não. Só hoje quebrei a minha promessa,” disse Lita com a expressão de quem não gostara do que tinha feito.
“Não faça essa cara. Uma pessoa muito especial me disse ‘certas promessas são feitas para serem quebradas’”
“Faz sentido,” falou a morena, mais despreocupada.
“O que você tem feito..?” ia perguntando Mina quando algo entrou pela janela, estilhaçando o vidro.
“Que diabos é isso.....?!” disse Lita e encarou aquele ser de energia sobrevoando sua cabeça. Havia um igual tentando atacar Mina, que se defendia com uma cadeira. Ela ia falar alguma coisa quando a sombra que estava acima de sua cabeça começou a cuspir raios de energia.
Mina e Lita conseguiram se juntar no meio do quarto, uma de costas para a outra, e enquanto Lita atacava a sua Sombra com socos e pontapés, Mina continuava a se defender com a cadeira, que tinha várias partes fulminadas pelos raios. As duas então entraram numa sintonia que não sentiam há mais de 6 anos, e Mina girou a cadeira, para acertar a Sombra que atacava Lita, enquanto esta abaixava e subia do outro lado, acertando um soco de baixo para cima na Sombra de Mina, e jogando-a para fora da janela. A outra Sombra ficou assustada com a sincronia entre Mina e Lita e fugiu pela mesma janela que entrara.
Mina estava chegando para o encontro e de longe já via a silhueta de Ami sentada na relva. Ela estava cabisbaixa e escondia seu rosto com as mãos. Mina estava prestando atenção em Ami, mas continuava andando, de modo que topou com Lita, que chegava também.
“Mina, você acha que devemos mesmo fazer isso?” perguntou a morena.
“Lita, acho que é o melhor a se fazer. Algo se perdeu entre nós...” disse Mina, com seus pensamentos centrados em um acontecimento triste que ela tinha presenciado. Desde aquele dia, tudo tinha mudado.
“Mina, você está escondendo alguma coisa de nós? Tenho a impressão que não quer nos dizer uma coisa muito importante que aconteceu...”
“Lita, vamos logo, certo?” desconversou a loira, “Vamos acabar logo com isso.”
Então as duas foram se juntar a Ami.
As duas ficaram em silêncio por um tempo e então seus olhares se encontraram. Para o desespero de Mina, quando olhou para o rosto de sua amiga, viu uma expressão de arrependimento, e não conseguiu dizer nada quando Lita levantou-se e saiu do quarto aos prantos dizendo, “Acho que nosso reencontro foi um grande engano. Espero que não traga mais problemas esse nosso erro.”
Mina ficou olhando a amiga deixar o hotel e sentiu novamente um pedaço de seu coração ser arrancado. Nanako entrou no quarto e abraçou Mina.
“Nanako...” começou ela e se deu conta do estado em que o quarto se encontrava. “Eu posso explicar o que aconteceu...”
“Calma. Eu vi quando aquelas ‘coisas’ saíram pela janela. Não sei o que são, mas sinto que não poderemos falar sobre elas com o diretor do hotel.”
“Teremos problemas?” perguntou Mina preocupada.
“Mina... Você é uma estrela. As estrelas nunca têm problemas; elas ofuscam todos eles com seu brilho.”
“Nanako, você é incrível!” disse Mina e começou a chorar nos braços da amiga.
Ami estava andando pelo parque nº10 para arejar suas idéias. Não estava gostando nem um pouco de seu envolvimento com as drogas. Seu sonho sempre fora ser uma grande médica e agora ela estava suspeitando que se continuasse assim ela que iria precisar de um.
“As nuvens estão tão brancas hoje...” pensou Ami. “Num dia como esse eu daria tudo para estar com...” is continuando, mas tropeçou em alguma coisa. Logo se voltou para ver o que a tinha feito cair e deu de cara com um lindo caderno com o nome “Serena Tsukino” gravado na capa com letras douradas. “Serena... Será que o destino está querendo nos juntar?” perguntou para si mesma e abriu em uma página qualquer. Então começou a ler em voz baixa...
“Luz branca da triste noite
Guia meus passos em direção ao desconhecido
E que este seja infinito
Minha felicidade perdida
Qualquer caminho que eu tome
Pior não me será
Pois minhas jóias mais preciosas
Perdi
Lua de prata
Devolve o cristal que me faz sonhar
Sinto falta do brilho pálido que ele me lançava
E deixava meu coração mais brilhante
E menos sombrio...”
“Realmente, a Serena tem talento... Esse poema atingiu o fundo do meu coração. Tenho a impressão que fala de nós...” pensou Ami. Uma leve brisa brincou com seus cabelos. “Serena...” Então Ami olhou para o chão e viu uma sombra crescer sob seus pés. Ágil, ela olhou para cima e deu um passo para trás ao ver a Sombra, que deu uma risada esganiçada para ela. Ami então jogou sua bolsa na Sombra e correu rumo ao parquinho, com um plano já se arquitetando em sua mente.
A Sombra ficou atordoada por um instante, mas logo recuperou plenamente seus sentidos e estava mais vingativa que nunca. Ela adquiriu uma velocidade incrível e desviava de obstáculos com maestria. Lógico que nada disso serviria para fazê-la escapar da mente meticulosa de Ami.
Uma imagem do passado veio à mente de Ami enquanto corria. Lembrou-se de um dia que marcara sua vida e a de muitos outros. Ela foi a primeira a chegar ao local marcado, pois gostava de chegar antecipadamente. Sentou-se à sombra de uma árvore e pensamentos começaram a girar por sua mente. Sentia que não devia fazer aquilo, que estavam tomando uma decisão errada. Contudo, as outras a tinham convencido. Falaram vários motivos, mas Ami era esperta, e sentiu que o principal motivo poucos conheciam. Mina e Rey estavam com certeza escondendo algo e havia méis alguém... Alguém que estava diferente, que tinha atitudes estranhas. Ami estava certa que mais alguém tinha motivos fortes o suficiente para instigar todas a tomarem aquela decisão. Seria Serena? Ami não sabia. Algo escapava na teia de seus pensamentos, havia uma lacuna a ser preenchida. Serena certamente estava envolvida, mas não... Ela não sabia o que estava acontecendo também... Ami então colocou as mãos no rosto e chorou. Como não conseguia desvendar o mistério, nada podia fazer, e assim, tudo que lhe restara eram as lágrimas.
Ami conhecia o parque muito bem e sabia de suas qualidades e defeitos. Sabia inclusive de que o parquinho não estava aberto para crianças por um defeito num dos brinquedos.
A Sombra não entendeu nada quando sua presa parou de repente. Contudo, sua mente orgulhosa permitiu que ela se sentisse vencedora, achando que tinha encurralado a garota. Pariu para cima de Ami, que permanecia parada na frente de um trepa-trepa com um sorriso cínico nos lábios.
Ami saiu da frente da Sombra no último minuto, deixando que esta cravasse sua barriga num ferro pontiagudo que saltava para fora do brinquedo. A Sombra agonizou e se contorceu, mas desapareceu deixando um pedaço de carne em decomposição. Ami estava ao mesmo tempo aliviada e assustada e preferiu não se encostar àquela “coisa”. Com um suspiro e muitos pensamentos desconexos, voltou para pegar sua bolsa.
“Então foram esses os resultados?” perguntou o homem espantado. Eletricidade corria pelas suas veias enquanto ele olhava para suas três sombras cabisbaixas. “Só duas baixas? Não entendo... O que será que aconteceu...? Esperava que nenhuma de vocês voltasse. Bom, vocês foram de muita serventia, mas agora são inúteis. Mei umbra, non utrum ele. Inanis, defluo! (Minha sombra, não quero você. Inúteis, desapareceis!)”.
Então as Sombras viraram fumaça, podendo apenas soltar um grito agudo de dor que ecoou pela cidade.
O grande dia tinha chegado, e Tóquio estava em polvorosa com o show de Mina Aino. Não havia mais ingressos há semanas, mas milhares de pessoas estavam nos portões, com alguma esperança de ver a estrela, nem que por alguns segundos. Do lado de dentro, uma multidão esperava ansiosamente o início do show e, nos bastidores, Mina chegava por um caminho secreto, com um esquema de seguranças especialmente armado para ela se esquivar dos fãs enlouquecidos.
“Nossa, Nanako, achei que não íamos conseguir chegar aqui!”
“Relaxe, Mina. Você vai estar ótima para o show.”
“Eu espero que eu consiga esquecer meus dramas quando entrar no palco...”
“Ah, você vai...”
Mina notou um tom estranho na voz de Nanako, e, mais uma vez, quando olhou para a amiga, viu uma beleza exuberante, um brilho que emanava de cada um dos poros dela. Mina então entrou em seu camarim e não acreditou no que viu. Foi como se entrasse num sonho, ou encontrasse o paraíso perdido, ou como se morresse e fosse para o céu.
Serena chorava, abraçada a Darien. Estava tão feliz por ter reencontrado suas amigas que não continha a emoção. Logo trocou o abraço de seu amado pelo de sua amiga Mina. Mais braços foram se juntando nesse abraço: Ami, soluçando; Rey, com uma expressão de ânimo, parecia que uma nova luz tinha entrado em sua vida; Lita, que estava absorta na felicidade do momento, e esquecera de seus remorsos por ter saído do hotel de Mina daquele jeito; e logo depois Darien que amava todas aquelas garotas como se fossem suas irmãs e a felicidade delas era como um bálsamo para ele. Além disso, Serena estava exultante como há muito não ficava e ele também sentia muitas saudades de todas elas.
Quando todos se desvencilharam uns dos outros, ficaram em silêncio, como se tivessem tanto para falar que não achavam um início. Nanako quebrou o gelo.
“Bem, Mina, eu resolvi dar uma de anjo da guarda,” começou, e seus olhos brilharam de um jeito estranho, como se estivesse contando uma piada, “E então reuni suas amigas aqui. Descobri que todas elas esperavam por esse reencontro, e como vocês não tomam nenhuma atitude eu tomei!”
“Nanako, acho que já disse isso, mas você é incrível!” exclamou Mina.
“Bom, agora vou deixar você a sós, mas, Mina, não se esqueça que daqui a meia hora você tem que estar no palco!” e então Nanako se foi.
“Vocês não tem idéia de como senti saudades.” disse Serena, com os olhos ainda cheios d’água.
“Ah, claro que temos!” começou Rey, “Creio que todos nós sentimos a mesma saudade umas das outras.”
“Serena,” falou Ami, tirando algo da bolsa, “ encontrei isso no parque...”
“Meu caderno de poesias! Obrigada, Ami! Não sabe o quanto isso é precioso para mim!”
“Tão precioso que você esquece no meio do parque...” disse Rey sarcasticamente.
O rosto de Serena escureceu e sua boca se contraiu.
“Você não sabe o que está falando,” Darien defendeu Serena.
Serena olhou para Darien com um olhar de súplica. Não queria atormentar as outras.
“O que vocês estão escondendo?” perguntou Lita em voz alta e se levantou. “Acho melhor falarem logo a verdade!”
“Pode ser que a verdade não seja muito boa de ser ouvida...” falou Ami, já imaginando em seu cérebro astuto o que poderia ter feito Serena deixar para trás um objeto tão querido.
“Ami... Lita... Serena... Darien... Rey... Fiquem calmos...” implorou Mina, “Não vamos brigar, certo? Por que sempre temos que falar de coisas ruins quando nos reunimos?”
“Esse é o nosso destino,” disse Rey laconicamente, “Por isso que nos separamos...”
Todos então ficaram em silêncio e embarcaram numa lembrança mútua...
Estavam os seis no parque: Darien, Serena, Ami, Rey, Lita e Mina, sem contar Lua a Artemis. Sentaram formando um círculo e os gatos estavam no meio. Lua tinha uma expressão abatida quando começou a falar.
“Vocês estão realmente certos disso? Não têm medo de que a impotência torture vocês no futuro?”
“Lua, já conversamos sobre isso,” Rey estava com uma voz gélida, “Para que prolongar esse sofrimento?”
“É uma decisão demasiado importante para ser tomada levianamente,” criticou Artemis.
“Não estamos cometendo nenhuma leviandade.” disse Mina, visivelmente estressada.
“Imagine...” disse uma voz cínica e sarcástica saindo das sombras. Haruka e Michiru apareceram do nada.
“Vocês não pensam que podem estar colocando a humanidade em risco?” emendou Michiru.
“E vocês não pensam que nossa vida, felicidade e futuro também possam estar em risco?” falou uma revoltada Serena.
“Vocês não passam de umas fracas egoístas.” Haruka mantinha um olhar de desaprovação.
“Acho que não tem o direto de falar assim com elas,” defendeu Darien.
“Você também é um fraco egoísta, não se exclua dessa categoria. Não merece ser o guardião da Terra aquele que prefere a sua vida à da humanidade.” Michiru estava furiosa, mas permanecia elegante.
“Não vamos nos meter nisso,” uma voz soturna saltou da escuridão, “Vamos deixá-los seguir seu destino.”
“Não sei como pode dizer isso, Setsuna,” Haruka disse com desprezo.
“Acho que deve ouvir aqueles que são mais experientes,” disse Hotaru, que estava ao lado de Setsuna, “Não queira ser a dona da verdade.”
“Parem com isso!” gritou Lita, levantando-se. “Vamos abdicar de nossos poderes e de nosso destino como Sailor em prol de nossa felicidade! Queremos ser pessoas normais com vidas normais e problemas normais! É a nossa vida e não têm o direito de interferirem! Não estamos mais unidas, algo está minando nossa amizade. Eu não sei o que é, mas nós seis não estamos mais nos entendendo. E já que é assim, não há mais sentido em levar essa vida sofrida. Agora vão, e nos deixem em paz!!!”
“Vocês colocam a existência de todos em perigo, e não se importam. Mas além de inconseqüentes, são teimosas, e nada podemos fazer.” Disse Haruka.
“Nós já vamos, mas digo que ainda se arrependerão disso.” Michiru então agarrou o braço de Haruka e as duas se foram.
“Vejam bem, não concordo com isso, mas nada posso fazer. Então não brigarei com vocês.” Falou Hotaru resumidamente.
“Como guardiã do tempo, nada posso revelar sobre seus destinos, mas como amiga digo: tenham em mente que isso será um passo decisivo.”
As duas então se retiraram.
“Alguém acordou do transe em que estão e mudou de idéia?” perguntou Lua.
“É evidente que não” falou Mina, extremamente nervosa.
“Não.” Os outros cinco repetiram em um som uníssono.
“Então repitam conosco,” começaram Artemis e Lua em uma só voz, “Lua que nos concedeu poderes divinos,”
“Lua que nos concedeu poderes divinos,” repetiram.
“Leve-os embora pois não mais os queremos,” Lua falou
“Leve-os embora pois não mais os queremos” disseram todos.
“Nada me fará mudar de idéia,” Artemis disse.
“Nada me fará mudar de idéia,” falaram todos.
“Seremos normais, agora e sempre!” concluíram os dois gatos.
“Seremos normais, agora e sempre!” repetiram os seis, e os seus símbolos brilharam em suas frontes. Eles pareceram queimar por um instante, mas, de uma só vez, desapareceram como fumaça.
Os seis, como haviam combinado, tomaram cada um uma direção, exceto Serena e Darien que iriam ficar juntos. A promessa tinha sido feita e não se veriam nunca mais. Lua e Artemis ficaram para trás por um instante e estavam tristes, pois eles se entenderiam e entenderiam os humanos, mas as pessoas não ouviriam mais suas palavras, somente miados sem sentido. Contudo, Artemis e Lua continuaram na casa de seus antigos donos, Mina e Serena.
Todos ainda estavam no camarim de Mina, quando esta começou a falar.
“Sei que quebramos nossa promessa, mas já está feito. Contudo, Lita e eu fomos atacadas por dois seres malignos.”
“Eu também,” disse Serena.
“E eu,” falou Rey.
“E eu também,” concluiu Ami.
“Agora vejo que todos nós estamos sob ameaça novamente. E agora não podemos fazer nada, estamos de mãos atadas.”
“A impotência está me torturando... Exatamente como Lua disse...” Serena estava com os olhos fixos do chão.
“Mina, não entendo o porque desse assunto! Nada podemos fazer, então para que falar nisso?” disse Rey irritada. Ela se levantara da cadeira e encarava Mina.
“Rey, sinceramente, eu não te conheço mais,” começou a Mina, mas pensou um pouco e mudou a sentença, “Na verdade, acho que nunca te conheci.”
“Então o que sugere que eu faça, Sra. Certinha? Não temos o que fazer, entenda!” Rey estava furiosa agora.
“Não sei! Mas acho que devemos tomar uma atitude!” gritou Mina, agora de pé e encarando Rey também.
“E pretende o quê? Castigá-los em nome de Vênus? Esqueceu que não somos mais Sailor e que não temos poder algum?”
“Não esqueci, não! Mas você pretende esperar a morte sentada?”
“Parem!!!” gritou Serena e se colocou entre as duas. “Que tal se continuássemos isso depois? Mina, vá se arrumar para o seu show, e Darien, Rey, meninas, vamos para as cadeiras VIP que a Nanako arranjou para a gente. Depois do show voltamos aqui e conversamos com mais calma.”
“Acha que manda em mim agora? Não é mais nossa líder, sua tonta! Não tem o direito de me mandar fazer alguma coisa!” Rey estava soltando fogo pelas ventas.
“Rey, o que há? Eu não estou mandando, estou sugerindo. E não estou te ofendendo, então seja mais cortês.” Serena deu um suspiro profundo. “Vamos, Rey, por favor, depois continuamos, certo?”
Rey olhou no fundo dos olhos de Serena e encontrou a bondade, a liderança e a serenidade de antigamente. Seu coração amoleceu quando Serena acariciou seu rosto, lágrimas escorrendo dos olhos das duas.
As meninas e Darien foram para seus lugares e Mina foi se arrumar. Olhando para o espelho ela não conseguiu entender o que tinha mudado nela. Depois pensou que a mudança não tinha ocorrido agora, mas 6 anos antes...
O show foi o sucesso de sempre e mais um pouco. As meninas e Darien conseguiram esquecer suas preocupações ao ouvirem a voz doce e suave de Mina. Elas se lembravam de como a amiga cantava bem, mas tiveram a impressão que sua voz estava centenas de vezes mais firme e madura. Elas notaram como tinham crescido desde a última vez que tinham estado juntas e como tinham mudado e ao mesmo tempo continuado as mesmas. Uma a uma, foram se desligando do barulho e do movimento do show e imergindo em suas próprias mentes, onde só havia seus pensamentos e a música de Mina. Foi um momento sublime para todas, algo inexplicável que elas nunca sentiriam novamente. Estavam plenas e felizes, até que a música cessou e tiveram que voltar para seus problemas.
Quando o grupo chegou no camarim, Mina já tinha trocado de roupa e os esperava sentada numa poltrona.
“Vamos para algum lugar?” ela perguntou logo que eles entraram.
“Certo,” começou Rey, “Mas aonde?”
“Que tal se fôssemos ao Fruit Parlor Crown?” sugeriu Ami.
“Ótima idéia, Ami! Eu não vou lá há muito tempo...” concordou Serena.
Então todos foram no carro de Darien, para não levantar suspeitas que a estrela da noite estava saindo. Nanako ficou cuidando de detalhes do final, como arrumar os figurinos, desmontar os instrumentos, cenário... O show tinha sido um sucesso, mas Nanako estava com uma expressão preocupada.
No carro todos foram conversando animadamente sobre o show e tecendo centenas de elogios para Mina. Elas cantaram algumas músicas e Mina deu CDs para todos (na sua bolsa sempre tinha CDs, já que ela nunca sabia quando ia encontrar um fã). Não demorou muito para chegarem, e quando entraram uma garçonete jovem e morena veio atendê-los. Eles escolheram uma mesa num canto isolado, embora não houvesse muita gente, só dois casais. De qualquer forma, eles não queriam ninguém por perto para ouvir sua conversa. Pediram sucos e uma porção de batatas fritas e estavam prontos para começar, mas ninguém sabia o que dizer.
“Bem, o que vamos fazer?” começou Mina.
“Eu já disse, não podemos fazer nada. Somos pessoas comuns agora e temos que nos comportar como tal.” disse Rey.
“Em parte eu concordo com Rey,” falou Ami, “não podemos fazer nada, mas, por outro lado, e se nos atacarem de novo?”
“Sobrevivemos uma vez, não? Sobreviveremos outra e mais outra, até que eles se cansem e desistam.” disse Rey.
“Isso é simplesmente um despropósito. Se eles quiserem realmente nos pegar vão mandar monstros mais fortes, e então seremos presas fáceis.” Serena argumentou, preocupada
“Sabem,”disse Darien, falando pela primeira vez, “eu acho muito estranho o que aconteceu. Não entendo, já que se quisessem pegar vocês, era só terem mandado um inimigo forte, e todas estariam desprevenidas. Mas não foi o que aconteceu. Mandaram umas pobres sombras, que foram destruídas ou espantadas por seres humanos comuns. Parece que... estavam querendo apenas...”
“Nos assustar,” completou Ami. “Acho que você está certo, Darien. Parece que queriam apenas nos deixar preocupadas, como se falassem ‘Estamos aqui’. Foi uma espécie de ‘recado’.”
Todos assentiram, e uma nuvem de preocupação baixou, fazendo cada um procurar uma explicação em sua própria mente.
O homem de cabelos eletrificados se materializou na frente da cama de uma criancinha. Era uma menina de não mais que 3 anos e cabelos loiros avermelhados. Dormia profundamente, sonhando com nuvens feitas de algodão-doce.
“É você, então? Sabia que é linda? Desde criança e tão bela... ó sina...” disse o homem e tirou uma rosa branca de dentro de sua capa. Ele colocou a mão direita sobre a rosa e começou, “ Pulchritudo planta, noxialis planta. Niveus quemadmodum salus nox noctis, consummo dormio luna et phoebus. (Planta bela, planta nociva. Branca como a noite, faz dormir uma lua e sol.)” Ele então beijou a flor e a colocou no nariz da criança, para que cheirasse seu aroma. Depois que a menina inspirou três vezes, a flor murchou imediatamente, e o homem a esmigalhou nas mãos. “Agora que a diversão começa...” disse com um sorriso sinistro.
A discussão havia recomeçado. Rey continuava a dizer que elas não podiam fazer nada, enquanto os outros defendiam que tinham que tomar uma providência embora não soubessem qual. De repente Serena teve um lampejo de inspiração e chocou a todos com a frase, “E se voltássemos atrás? E se falássemos com Lua e Artemis e pedíssemos que eles nos devolvessem os poderes?”
Foi um burburinho geral.
“Você está louca?” disse uma exasperada Rey, “Serena, cai na real! Não podemos voltar atrás se lembra? E aliás, fizemos tudo para ter uma vida normal e agora vamos desistir? E outra, não podemos mais falar com a Lua e nem com o Artemis, esqueceu?”
“Calma, Rey,” falou Serena calmamente, “Só estou dizendo que numa situação especial como essa, onde nossas vidas estão correndo perigo, nós poderíamos voltar atrás. E a Lua e o Artemis ainda nos entendem, só nós que não podemos mais entendê-los... Acho que poderíamos chegar a um acordo com eles se...”
“Não,” disse Mina, “não quero voltar àquela vida louca. Não quero voltar ao passado. Não daria certo, entendem?”
“Acho...” começou Lita, “Também acho que não daria certo.”
“Devemos esperar mais um pouco e ver como as coisas acontecem,” falou Ami com uma expressão sensata, “Se sofrermos mais alguma ameaça então nós nos reunimos e decidimos o que fazer. Concordam?”
Todos assentiram, mas Serena estava olhando pela janela aterrorizada. “O que foi?” ia perguntando Lita quando ela olhou pela janela e viu o que estava acontecendo.
Um homem, com cabelos que pareciam ter eletricidade, estava com uma garotinha adormecida no colo. As meninas não sabiam quem era, mas descobriram quando Serena gritou o nome da filha. O homem saiu andando pela rua e Serena imediatamente se levantou, com Darien ao seu lado.
“Vocês vão ficar aí? Vamos lá, meninas! Agora realmente temos que fazer alguma coisa!”
Então todas saíram correndo, após Darien deixar uma nota muito maior do que a quantia que eles tinham gastado e sair correndo sem esperar o troco.
Quando eles saíram da lanchonete, ainda conseguiram ver o homem no final da rua, andando lentamente. Saíram correndo atrás dele, Serena mais desesperada que nunca. Quando finalmente chegaram perto, o que não foi muito difícil, já que o homem parecia não ter pressa, ele deu um salto e ficou flutuando sobre a cabeça de todos.
“Devolva minha filha!” gritava Serena.
O homem olhou com uma expressão de felicidade. Parecia ter conseguido o efeito desejado. “Alguém cale a boca dessa mulher!” gritou ele, recebendo olhares de reprovação. Contudo, Serena pareceu se acalmar e encostou sua cabeça no ombro de Darien.
“O que quer de nós?” perguntou Rey.
“De vocês? Nada. A única que me deve algo aqui é a Srta. Tsukino. Ou melhor, a Princesa Serenity.”
“Como posso dever algo para alguém que nem conheço?” perguntou Serena.
“Ah... E ainda esqueceu de mim? Que feio...” disse ele cinicamente.
“Com todo o respeito, poderia dizer quem é e a que veio?” perguntou Ami.
“Sim, afinal a ordem da princesa de Mercúrio sempre deve ser cumprida,” falou, observando a face chocada de Ami, “Bem, meu nome é Titã, ex-príncipe do satélite Titã de Saturno. Éramos uma família nobre, sabia? Mas nem isso serviu para agradar a poderosa Rainha Serenity...”
“Explique-se logo, senão...” gritou Lita.
“Ah... essa é a Princesa de Júpiter, com toda a certeza. Brava desse jeito... Bom, você pretende fazer o quê? Por que eu não sei o que aconteceu, mas seus poderes estão bem mais fracos, já que a maior parte de minhas enviadas, as sombras, voltaram vivas. Eu esperava que vocês destruíssem todas, mas isso não aconteceu. De modo que percebo que nada podem contra mim.”
“Ora, seu...” disse Lita, mas foi interrompida por Ami. Elas não podiam fazer nada mesmo. Teriam que ouvir o que Titã tinha a dizer.
Todos ficaram próximos e Serena tinha uma expressão desolada. Titã parou de flutuar e ficou de pé no chão, na frente de todos. Lita se atirou contra ele para tentar recuperar a adormecida Hikari, mas foi jogada longe por uma barreira de energia.
“Bom,” começou ele, “agora que as senhoritas se acalmaram, querem ouvira o que tenho a dizer?”
“Sim,” disse Ami com toda sua firmeza.
“Certo. Há muito tempo, durante o Milênio de Prata, o meu pai, Titan era o grande senhor do satélite de Saturno, Titã. Nosso reino estava em total harmonia, mas, embora Titã sendo o maior satélite de Saturno, éramos um reino pequeno e se possibilidades de expansão. Portanto, meu pai se tornou o maior conquistador da galáxia, tomando para si diversas estrelas e planetas da Via Láctea. Isso nos fez prosperar, mas as Princesas dos planetas do sistema solar se tornaram hostis a nós, já que não aceitavam que meu pai conquistasse planetas a força. Isso não era bom para nós, e ainda havia um agravante: meu pai tinha se apaixonado pela soberana do sistema solar, a Rainha Serenity. Então, ele foi humildemente até a Lua e se declarou a ela, propondo que os dois gerassem um herdeiro e unificassem seus grandiosos reinos. Assim, com o apoio dos planetas do sistema solar, ele e Serenity governariam a galáxia e se tornariam os reis mais poderosos de todo o sempre!” Titã estava realmente empolgado com sua narrativa, embora as garotas o olhassem com um olhar de repulsa. Uma nuvem negra então pairou sobre os olhos de homem de energia e ele continuou, “E sabem o que ela disse, aquela infame? Disse que nunca iria se juntar ao meu pai, pois ela repudiava a conquista de planetas repletos de inocentes. Disse que tinha nojo dele e o expulsou de seu castelo, proibindo-o de pisar em qualquer planeta ou satélite do sistema solar que não fosse o seu próprio satélite Titã. Meu pai voltou desolado para nosso reino, desrespeitado e humilhado pela Rainha. E ele realmente a amava! Tanto que passou um ano completamente estagnado, sem sair de seu castelo e sem conquistar mais nenhum planeta. Estava numa profunda depressão, mas, após esse período de incubação, seu desejo de ser o mais poderoso da galáxia despertou novamente. Então ele se deu conta de que, não importando com que fosse, tinha que ter um herdeiro para tomar conta de tudo o que conquistasse quando sua vida se extinguisse. Desse modo, ele agrupou os melhores e mais fiéis soldados do reino e partiu em uma demanda para o planeta mais próximo, Saturno. Ele invadiu o planeta para ter com a Rainha Cibele, a soberana de Saturno. Como o esperado, ela não aceitou sua proposta de se unir a ele, mas, como meu pai já estava preparado, ele raptou-a. Após levá-la para Titã, ele a fez sua mulher e então uma vida se fez no interior de Cibele. Após a gestação, ela me concebeu, o único herdeiro do reino. Contudo, mamãe nunca aceitou o fato de que estava fadada a viver para sempre em Titã, cuidando de mim...” disse, fazendo um breve pausa e um cara de desolação, de um ser mal-amado. Então Titã continuou, “Mamãe era muito inteligente e ardilosa, além de ter grandes poderes. Papai, para mantê-la confinada, fez um feitiço para acabar com os poderes destrutivos de Cibele, mas estes eram tão fortes que a mágica de papai só conseguiu diminuí-los. Mamãe contudo planejou uma fuga audaciosa quando eu tinha cerca de 4 anos e foi ajudada por um dos homens de confiança de papai, que fora seduzido por ela e que se apaixonara. Cibele então voltou para seu reino e, é lógico, deixou o pobre Clítio para trás, que teve a morte merecida nas mãos de papai. Cibele então demorou um tempo para encontrar um marido com o qual teve a Princesa de Saturno. Por isso que ela é a mais nova de todas as princesas. Infelizmente, mamãe morreu no parto, graças a uma maldição que meu pai, Titan, lançou quando ela fugira. Esta dizia que se Cibele ousasse ter outros descendentes, ela não sobreviveria para vê-los crescer. Mesmo sabendo disso, mamãe teve a Princesa, pois acreditava que este era seu destino e não poderia deixa-lo para trás. Logo que mamãe fugira, Titan voltou a Lua, para contar suas novas façanhas à Rainha. Imaginem quão enorme foi o susto dele quando chegou lá e, ao invadir o castelo, se deparou com a Rainha, que tinha acabado de conceber a Princesa Serenity, casada com Cronos, um velho inimigo de papai. Eles tiveram uma luta fervorosa, e meu pai acabou por matar aquele que tinha lhe roubado a Rainha Serenity. Contudo, a Rainha traiu papai novamente e, o pegando desprevenido, usou o poder do Cristal de Prata para enviá-lo de volta para o satélite Titã, que foi desviado de sua órbita e ‘jogado’ a milhões de anos-luz do sistema solar. Lá, meu pai e seus súditos me criaram e eu cresci com o forte ideal de vingança contra Serenity e seus descendentes. Entretanto, eu herdei uma forte característica de meu pai e que causou-nos mais humilhação e desgraça. Usando uma mágica, que lhe custava muita energia e que só podia usar de tempos em tempos, papai conseguia abrir uma janela de comunicação entre o nosso reino e o reino de Serenity. Era como uma janela, pela qual não podíamos sair, mas podíamos olhar e ele tentava conversar com ela, já que, apesar de tudo, ele a amava. Numa dessas comunicações, aconteceu a minha desgraça: eu vi a princesa, Serenity. Ela era tão linda e tinha o frescor da juventude exalando por todos os poros, de modo que, tal qual meu pai, apaixonei-me. Contei-lhe minha desgraça, e papai, entendendo meu sofrimento, abriu novamente uma janela, mesmo sabendo que fazer isso em tão pouco espaço de tempo lhe custaria a vida. Ele tentou argumentar e convencer a Rainha a permitir minha união com sua filha, mas esta foi totalmente irredutível, dirigindo a nós os maiores insultos. Além do mais, a Princesa Serenity apareceu no momento em que a Rainha estava mais propensa a pensar e acabou com todas as minhas esperanças. Então a energia de papai se esvaiu e ele faleceu, quebrando a conexão. Neste momento eu jurei que teria a minha vingança e a de meu pai, e aqui estou. Tudo tem troco...”
Um silêncio sepulcral baixou sobre todos. Serena estava pálida, mas levantou seu rosto doce e começou, “Entendo. Posso entender toda essa história de amor e ódio. Mas, se o problema é comigo, o que quer com minha filha?”
Titã deu uma risada que ribombou pela cidade, “Como assim? Ainda não entendeu? Não vejo mais sentido no amor, de modo que não lhe quero mais, princesa. Mas quero uma rainha. Quero a mais poderosa para estar ao meu lado na conquista da galáxia. Quero sua filha, que, não importa o que faça, herdará os poderes da mãe. Além disso, tem os poderes do pai em seu interior, a união do Cristal de Prata e do Cristal Dourado. E vou poder moldá-la a meu favor, e não terei sua revolta, já que farei que, com a ajuda de uma enorme quantidade de energia malígna, em três meses ela chegue a idade adulta e com a mente cheia de trevas.”
“Não!” gritou Serena, “Não pode fazer isso com minha filha! Se quiser me leve no lugar dela, mas não faça mal a ela!”
“Não adianta se desesperar, princesa. Minha vingança será cumprida,” disse e começou a flutuar no ar, quando fitas de um roxo brilhante vieram voando e o atacaram, pegando-o desprevenido. Hikari caiu de seus braços e Darien a apanhou rapidamente. Das sombras, duas mulheres saíram.
“Faço parte do ontem, do hoje e do amanhã! A guerreira do tempo, Sailor Plutão!”
“Trago o estigma da destruição, mas não permitirei que ameace nosso mundo! A guerreira da devastação, Sailor Saturno!”
“Plutão!” exclamou Ami.
“Saturno!” emendou Serena.
“Ah, duas intrometidas!” gritou Titã, e um vórtex de negro se abriu a suas costas. “Não pensem que está tudo acabado, pois eu voltarei! Voltarei para cumprir a minha vingança!” então ele entrou no vórtex que depois de mais ou menos um minuto, se fechou.
“Obrigada,” disse Serena, “vocês salvaram Hikari, minha filhinha.”
“Não tem de quê,” começou Plutão, com sua usual voz doce e amena, “acho que vocês viram que estão em perigo.”
“Sim,” falou Ami, “mas não sabemos o que fazer...”
Hotaru se aproximou de Ami, colocou a mão em seu ombro e disse, “Vocês sabem sim. A resposta está aí dentro de seus corações. Só têm que procurá-la.”
Então as duas Sailor desapareceram nas sombras.
“E agora? O que faremos?” perguntou Serena exasperada, “Agora temos que tomar uma decisão. Temos que retomar nossos poderes.”
“Não!” exclamou Mina, “Não podemos mais! Não vai dar certo. Temos agora nossas vidas, nossos compromissos. Eu tenho os meus shows e tudo mais...”
“Essa é a Mina que eu conheço,” disse Rey sarcasticamente, “sempre preocupada apenas com seus próprios problemas, sempre egoísta, olhando para seu próprio umbigo!”
“Você não tem o direito de falar assim comigo!”
“Acho que ela tem razão,” falou Lita, “agora você não quer voltar a ser uma Sailor por causa de sua brilhante carreira, e no passado, você quis deixar de ser Sailor Vênus pelo mesmo motivo! Só pensando em si própria, em sua fama e em sua carreira!”
“Não é verdade! Não foi porque pensava só em mim!”
“Claro que foi,” continuou Rey, “Você sempre só teve olhos para si própria, sua egoísta!”
“Cale a boca, Rey! Você sabe que não foi por isso!”
Rey ficou lívida, mas Ami interrompeu, “É claro que foi! Não adianta disfarçar, todas sabemos!”
“Não!” gritou Mina, enxugando as lágrimas que lhe escorriam pelas maçãs do rosto, “Isso é o que vocês sabem, mas Rey sabe muito bem que tive outros motivos, não é, Rey?”
Rey por um instante não soube o que dizer. “Mina, por favor, pare com isso, certo? Não desenterre o que já ficou no passado...”
“Ah, mas quem remexeu nesse assunto foi você, sua cínica!” gritou Mina ainda mais alto.
“Do que vocês estão falando?” perguntou Serena.
“Nós queremos saber a verdade!” falou Ami.
O olhar de Mina passou por Ami, Lita, Serena e encontrou o olhar de Darien. Ele estava estático e dirigiu um olhar de súplica para Mina. Mas esta desviou o olhar para Rey, que tremia. “Vou contar a verdade,” disse Mina.
Rey então se ajoelhou aos pés de Mina e começou a chorar, implorando para que a amiga ficasse em silêncio. Mas Mina simplesmente começou a falar... “Eu vou contar porque eu desisti do meu destino. É verdade que eu sempre quis ser famosa e ter minha carreira, mas eu nunca abriria mão da minha verdadeira missão pela efêmera fama. Isso foi só uma desculpa para não contar o que realmente aconteceu.” Mina olhou para seus pés e viu Rey, de olhos inchados, agarrada as suas pernas. Ela então tomou fôlego e continuou. “A verdade é que num dia comum da nossa adolescência, antes da nossa separação, vocês, Ami, Serena e Lita foram para a praia, mas eu estava gripada e resolvi ficar em casa. Contudo, estava me sentindo muito só e fui até o templo Hikawa procurar Rey, que também não quisera ir a praia. Mas quando eu cheguei lá vi uma coisa horrível. A Rey tinha ligado para o Darien, pedindo que ele viesse urgente para o templo, pois tinha uma coisa importante a dizer. É lógico que ele foi, pois estava preocupado, já que Rey não iria chamá-lo lá à toa. Quando eu cheguei, ele tinha acabado de chegar e estava entrando. Eu ia falar com ele, mas, quando estava passando pela janela, vi Rey aparecer e trancar a porta de entrada. Eu achei isso estranho e, como ela não tinha me visto fiquei escutando. E então eu vi...
“Por que fechou a porta, Rey?” perguntou Darien atônito.
“Eu quero falar com você sem interrupções,” falou Rey, com uma voz aveludada. “Darien, tenho que ir direto ao assunto, pois não gosto de rodeios. Bem, eu sei que já acabamos o nosso namoro há muito tempo, mas, acho que você sabe, eu ainda te amo muito...”
“Rey, você está bem? Esta conversa não parece muito sensata...”
“Mas eu não estou sensata! Estou apaixonada por você, como sempre estive! Eu não consigo me libertar de você! Sonho com seus beijos durante a noite, sonho com seus abraços durante o dia... Não consigo namorar outros rapazes, todos parecem míseros quando comparados a você...”
“Rey, eu entendo, mas você não deve ficar me comparando e sim abrir seu coração para novos amores...”
“Mas eu não quero novos amores, Darien. Eu quero você!”
“Rey, eu te acho uma garot... uma mulher muito especial mas... Mas eu amo a Serena mais que minha própria vida. Nunca vai poder existir nada entre nós.”
“Mas ela não precisa ficar sabendo Darien. Você sabe, a Serena é uma menina de bom coração, mas é tão imatura, tão infantil ainda... Você precisa de uma mulher de verdade... E... e eu não me importo se não tiver seu coração, só quero que você seja meu; apenas por uma noite, deixe-me sentir seu toque, seu perfume...”
Rey então deixou cair seu quimono de sacerdotisa de Shinto, revelando suas formas esguias e bem torneadas. Darien tentou se afastar, mas Rey abraçou-o fortemente, comprimindo seu corpo contra o dele. Ela estava começando a beijar sua nuca quando Mina entrou pela porta dos fundos e irrompeu na sala.
“Rey, você está louca?” gritou a loira. Rey levou um grande susto e pulou para longe de Darien, se envolvendo com seu quimono.
“Mina... o que você está fazendo aqui... eu... eu posso explicar....” tentou dizer Rey, tremendo com um misto de excitação e medo.
“Não há o que explicar, eu vi tudo. Vi você tentar seduzir o Darien. Vi a traição moral que você está fazendo com a Serena. Não há nada que possa te redimir, Rey, nada. Vamos embora daqui, Darien.”
Os dois então saíram do templo, e Rey ficou estirada no chão, chorando.
... então Darien queria contar tudo para Serena,” continuou Mina, “mas eu achei que não era propício. Isso só iria magoar Serena e abalar ainda mais o nosso relacionamento. É claro que depois desse fato, eu e Darien ficamos bem mais frios com Rey, mas tentamos manter as aparências. Conseguimos segurar essa situação por mais um tempo, mas eu e Rey ainda tivemos diversas discussões e numa delas, logo após descobrirmos que Serena e Darien tinham tido sua primeira vez, bem, Rey ficou maluca e começou a ter idéias mirabolantes para separar vocês dois e conquistar Darien novamente. Foi então que eu e Darien começamos a incentivar a idéia de nos separarmos, pois nada poderia nos unir novamente.”
Quando Mina acabou de contar o que acontecera, todos estavam chocados com essa nova revelação. Rey chorava ininterruptamente sentada no chão, aos pés de Mina e Serena... bem, Serena estava branca como a lua que resplandecia no céu. Lágrimas de desgosto brotavam de seus olhos azuis e escorriam por suas maçãs pálidas. Foi como se todo seu sangue tivesse sido drenado de sua face, e então, ela desmaiou.
Quando Serena acordou ela estava deitada em sua cama, e Darien estava sentado numa cadeira que ficada perto da janela. Ele tinha um olhar pensativo e não percebera que Serena tinha acordado. Serena não fez barulho e aguçou seus ouvidos. No corredor, as meninas falavam sobre ela e sobre o que tinha acontecido. Embora todas estivessem preocupadas com Serena, não paravam um instante de censurar Rey e coloca-la em cheque por suas atitudes passadas. Serena não ouvia a voz de Rey, mas distinguia perfeitamente seus soluços angustiados. Ela estava chorando e as outras não paravam de criticá-la e culpá-la. Serena levantou da cama e quando Darien olhou para ela, esta lhe fez um sinal para que ficasse em silêncio. Foi andando lentamente até o corredor, e quando saiu na porta, todas pararam de falar e olharam fixamente para ela, esperando sua sentença.
“Por que vocês não param de censurá-la? Não vêem o estado que Rey está?”
“Mas, Serena...” começou Lita.
“Nada de mas. Eu perdôo Rey.”
Essa frase abalou a todas e Rey, de tão estarrecida, parou de chorar.
“Eu sei que o que fez não foi certo, mas isso ficou no passado. Eu também entendo como deve ter sido terrível para ela todos esses anos, sem poder fazer nada para tem o homem que amava. De qualquer forma, isso passou para mim. Eu perdôo Rey por três motivos: o primeiro, é porque a entendo e sofro por ela, sofro por ela não conseguir se libertar desse amor sem futuro; o segundo é porque, apesar de tudo, Rey, e todas vocês, serão minhas melhores amiga e confidentes por toda a eternidade, e nada vai abalar minha amizade e confiança em vocês; e o terceiro, último mas nem por isso menos importante, é porque preciso dela. Preciso de todas vocês, unidas como nunca, pois precisamos recuperar nossos poderes. E antes que falem qualquer coisa, vou dizer que isso não é só por mim, mas por minha filha, que como viram está correndo sério risco, podendo ser capturada, torturada e enredada pelos dedos frios e lamacentos do mal. E precisamos protegê-la.”
“Mas, Serena, não podemos, não iria dar certo...” começaram Mina e Ami ao mesmo tempo.
“Não há argumentos que me possam convencer do contrário, minha decisão está tomada,” e fitando os olhos de cada uma de suas amigas com a expressão mais séria de todas finalizou, “E tomem isso como uma ordem de sua princesa.”
Então um silêncio de concordância preencheu o ar. Na cadeira sob a janela, Darien sorriu.
As cinco garotas e Darien entraram no quarto onde estava Hikari. Ela dormia profundamente e Serena se ajoelhou ao lado da cama, lágrimas escorrendo de seus olhos. Ami acalmou Serena e Darien tomou o controle da situação.
“Eu sei que estamos no meio de uma situação delicada, mas temos que agir rápido. Hikari ainda está dormindo, mas, pelo que Ami disse após examiná-la, tudo indica que isso não vai durar muito. De qualquer forma, temos que nos preparar pois somos alvo de mentes malignas e poderosas. Não vejo outra alternativa a não ser nos reunirmos com Lua e Artemis e de alguma forma fazermos eles nos devolverem nossos poderes.”
“E como faremos isso? Eles não podem mais falar conosco...” protestou Rey.
“Vamos nos reunir no Templo Hikawa. Mina, leve Artemis,” começou Serena, “Eu e Darien encontraremos vocês lá assim que voltarmos da casa de mamãe. Lua está lá porque mamãe pediu para passar uns dias com ela. Vou trazer minha mãe para cá para que ela tome conta de Hikari enquanto estamos fora.”
Todos estão foram fazer as tarefas designadas pela princesa.
“Mas, Serena, filha, o que aconteceu com Hikari?” protestava Ikuko, sentada ao lado da cama da netinha.
“Nada, mamãe. Ela só está sedada por ordens médicas,” mentiu Serena, “Ela está com um... problema, mas vai ficar bem. Mas agora eu tenho que ir, tá? Quando voltarmos, eu te conto!”
“Tchau, Ikuko.” se despediu Darien, e os dois saíram com Lua no colo.
“Mas porque estão levando a Lua....?” ainda perguntou Ikuko, sem receber nenhuma resposta.
Todos já esperavam ansiosos no Templo quando Mina chegou com Artemis. Elas demorara pois fora a primeira vez que encontrara sua família depois da turnê. “Foi um sufoco para eu sair de lá!” disse, sentando no chão e aninhando Artemis e Lua no seu colo.
“E agora, o que vamos fazer?” perguntou Lita.
“Bem,” começou Serena, “Artemis, Lua, eu sei que vocês não podem mais falar conosco, mas sei que podem nos entender. Precisamos dos nossos poderes de novo, já que um novo inimigo chegou e está colocando em risco a vida de Hikari.”
Lua olhou para Artemis e disse, numa língua que os humanos não podiam entender, “O que faremos, Artemis? Estou com pena de todos eles, mas não podemos devolver os seus poderes.”
“Mas eles não entendem isso... Não entendem que os nossos poderes se foram junto com os deles. Não podemos fazer nada.”
Vendo que os dois não tinham nenhuma reação, Serena tirou de sua bolsa um cristal opaco e sem brilho.
“Vejam! Esse é o Cristal de Prata Imperial! Devolvam o brilho ao cristal de prata! Vocês não entendem que isso não é um capricho?” a cada frase, Serena se descontrolava mais, “Não fazemos isso por que queremos, mas porque a vida da minha filha está em jogo, não entendem? Porque não se mexem?”
“Artemis, ela está sofrendo muito, olhe! Como não podemos fazer nada? Isso é tão cruel.” falou Lua.
“Eu sei que é,” respondeu Artemis, “eu também sofro mas você sabe que não temos mais o poder de lhes devolver seus antigos poderes.”
Enquanto isso, Serena gritava descontrolada, implorando para que eles lhe devolvessem seus poderes. Darien e as meninas estavam tentando acalmá-la, mas ela os ignorava totalmente e continuava gritando desesperada. Rey e Ami trocaram um olhar profundo, e nenhuma das duas sabia o que fazer.
No hotel, Nanako assistia um filme na TV. Contudo, ela não saberia dizer sobre o que ele falava, já que não prestava a mínima atenção. Nanako sentia que algo terrível estava para acontecer e ficava cada vez mais angustiada. Então ela se levantou do sofá, e fechou os olhos. Em segundos, raios de energia dourada saíam de todos os seus poros e preenchiam o ambiente. Quando a luz se dissipou, Nanako estava totalmente diferente. Ela agora era a mais maravilhosa de todos os seres vivos, e sua pele tinha um tom pálido e resplandescente. Seus cabelos iam até seus calcannhares e eram levemente ondulados, entrelaçados com fios de ouro. Seus lábios vermelhos e quentes como sangue recém-saído de uma artéria se abriram levemente e murmuraram algo numa língua intraduzível, que soava bela como um cântico dos deuses. Um jato de luz dourada suibiu como um foguete aos céus e Nanako, ou melhor, Afrodite, a Deusa Vênus, tomou esse caminho brilhante.
Quando o caminho terminou, Afrodite se encontrava numa sala ricamente decorada, repleta de divãs. Um rio cristalino corria no meio dela e arbustos de frutas douradas cresciam do chão. Havia mais cinco pessoas, não, cindo deuses no ambiente e os olhos de todos se iluminaram com a beleza de Afrodite.
“Há quanto tempo!” gritou Selene, correndo para abraçar a amiga.
Selene, a Deusa Diana, protetora da Lua, era bonita, mas perto de Afrodite, todos os seus méritos eram ofuscados. Selene vestia um manto róseo preso por um cinto de folhas de louro. Sua pele era mais pálida que a de Afrodite e tinha um brilho branco e fraco, semelhante ao da Lua. Seus cabelos eram de um dourado brilhante e era adornado com pequenas flores silvestres. Outros deuses foram se aproximando da recém-chegada, como Titéia, a protetora da Terra, que tinha longos cabelos castanhos e olhos de ébano. Sua pele era clara e sem brilho, Titéia tinha uma beleza exótica, e não se encontrava nenhuma semelhante a ela. Logo às suas costas vinha Ares, o deus protetor de Marte. Ele era bastante musculoso e bonito, mas um pouco esquentadinho demais, sempre arranjando confusão. No recinto também se encontrava Hermes, o deus de Mercúrio, com suas feições suaves e agradavelmente belas e o poderoso Zeus, o mais velho mas não menos deslumbrante que os outros. Sua voz ribombou pelo salão, cessando as boas-vindas à Afrodite.
“Vamos começar logo isso. Não é hora para pequenas confraternizações.”
“Ih.... Parece que alguém não se acostuma com a democracia que agora é vigente no Olimpo...” disse Ares, sarcástico.
“Ele está certo,” a voz de Afrodite era tão bela quanto a deusa, “Vim atém aqui porque algo importante está acontecendo na Terra e temos que tomar uma decisão.”
“Bem,” começou Hermes, “então relate a nós o que os mortais estão aprontando dessa vez.”
Afrodite lançou um olhar de reprovação e iniciou seu relato, “Bem, como é do conhecimento de todos, as Sailor Senshi e os príncipes guerreiros do Sistema Solar foram abençoadas com poderes surpreendentes, que provém do deus protetor de seu planeta ou satélite. Esses poderes que lhes foram concedidos não são apenas vitalícios como duram por todas as suas encarnações, e, por isso, é considerado no Olimpo um crime grave contra o destino a abdicação dos poderes. Entretanto, como sabem, Sailor Moon, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, e Tuxedo Mask decidiram tirar o fado de proteger seu mundo de suas costas, e, num último apelo, retiraram totalmente seus poderes com a ajuda dos gatos guardiões. Agora, visto a situação delicada que se encontra a filha da Princesa Serenity, Hikari Tsukino, eles imploram pela devolução de seus poderes. Os gatos guardiões, Lua e Artemis, nada podem fazer já que os únicos que podem abençoá-los novamente somos nós. Dada a situação, temos que decidir nesta reunião extraordinária e de caráter de emergência se faremos o que querem ou não.”
“Mortais...” murmurou Titéia
“Acho que não temos outra escolha a não ser devolvermos seus poderes” disse calmamente Selene.
“Como não?” bradou Júpiter, “Eles acham que são o que? Primeiro abdicam do destino depois querem retomar tudo o que perderam... Seremos chacota entre os deuses se aceitarmos os caprichos dos mortais.”
“Eu concordo com isso, mas...” Selene respirou fundo, “Não podemos compactuar com o desvio de uma criança tão poderosa para o lado do mal. Isso seria o fim da liberdade entre os mortais, pois Titã dominaria a galáxia ao lado de Hikari e, depois disso, espalharia o terror pelo universo.”
Então o silêncio tomou conta do ambiente. Depois de alguns minutos, Titéia falou brandamente, “Acho que tive uma idéia...”
Serena continuava gritando e chorando descontrolada, e empurrava para longe todos que tentavam acalmá-la. Darien tinha falhado em fazê-la parar com aquele escândalo e Mina e Lita não sabiam mais o que fazer quando uma luz dourada preencheu o ar. Nenhuma das meninas nem Darien sabiam o que dizer. Tudo estava brilhante e o chão e o céu tinham desaparecido; sentiam-se flutuando num limbo.
“Resolvemos atender vossas súplicas...” falou uma voz doce e melodiosa, a voz de Afrodite. Neste momento, todos fecharam os olhos involuntariamente, como se não lhes fosse permitido ver o que apareceria em seguida. Cada deus aproximou-se de seu protegido pelas costas e colocou cada uma de suas mãos em uma têmpora. Os deuses então começaram a murmurar belas palavras em seu próprio idioma celestial e os símbolos dos planetas de cada um começaram a brilhar intensamente.
Ami estava chocada com o comportamento de Serena quando tudo foi preenchido por luz, e sentiu um calor em toda sua volta. Ela queria ver o que estava acontecendo, mas seus olhos se fecharam sem que ela quisesse. Então Ami sentiu mãos fortes e ao mesmo tempo delicadas tocarem suas têmporas, e foi como se jatos d’água entrassem em todo o seu corpo, vasculhando cada pedaço de seu ser, conhecendo todos os seus segredos, até os quais ela não tinha coragem de dizer nem para si mesma. Sua boca começou a salivar intensamente e ela sentiu que seus sentidos ficaram agitados e fora de controle. Era como se estivesse tendo uma overdose, só que sem as desvantagens da droga. Ela não queria que essa sensação terminasse nunca, mas algo começou a queimar em sua testa, o símbolo de Mercúrio, como se estivesse sendo tatuada com brasa quente. Nesse instante, toda a sensação maravilhosa que estava sentindo se dissipou e ela se sentiu livre para abrir os olhos novamente.
Mina estava olhando para Lita quando tudo se encheu de uma luz tão forte que machucou seus olhos, de modo que ela não conseguia abri-los novamente. Uma presença calorosa foi se aproximando dela e Mina sentiu um perfume familiar, mas não conseguiu dizer de quem era. Sentiu mãos cálidas tocarem suas têmporas e enviarem para dentro de seu ser milhões de raios de sol, que aguçavam seus desejos. Um gosto de chocolate tomou-lhe a boca e ela se sentiu comendo quilos e quilos de chocolate, sua paixão. Tudo aconteceu rapidamente, mas Mina estava tão feliz que queria mais e mais daquele chocolate, que parecia tão igual ao chocolate comum, mas, ao mesmo tempo, tinha um quê de diferente, um sabor inexplicavelmente inebriante, que a deixava maravilhada e confusa. Mas tudo acabou quando ela sentiu o símbolo de Vênus queimar em sua testa, lançando faíscas para todos os lados. As faíscas foram acabando com toda aquela luz e tudo foi voltando ao normal, inclusive a visão de Mina.
Darien já estava quase agarrando Serena para que ela parasse de gritar quando o ar ficou pesado e tudo se encheu de luz. Mãos delicadas vieram pelas costas de Darien e fecharam seus olhos, indo em seguida para suas têmporas. Titéia começou a recitar um poema em sua língua divina e Darien foi, lentamente no começo e aumentando a velocidade progressivamente, mergulhando num mundo impregnado de pétalas de rosas. O aroma que saía dos botões frescos entrava em seu corpo e o dominava, mesmo não sabendo porque o perfume de rosas tinha esse efeito sobre ele. Sua mente foi entrando em sintonia com seu coração e a fragrância encontrou em sal memória uma resposta para o fato: o perfume das rosas era o mesmo da pele de Serena, e tudo que tinha a ver com ela exercia sobre ele uma força dominadora. Tendo consciência disso, ele rezou para ficar eternamente sentindo aquele delicioso aroma, mas foi interrompido por uma terrível queimação na testa. Após o símbolo da Terra ser cravado em sua alma novamente, tudo voltou a ser como antes e ele sentiu a grama fofa sob seus pés.
Serena não se conformava. Como ninguém podia fazer nada? Como eles não podiam ter seus poderes de volta? Não poderiam salvar Hikari? Ela já estava prestes a ter um colapso quando uma luz quente envolveu tudo e todos, e ela se viu flutuando num mar de energia reconfortante. Lentamente, seus olhos se fecharam. Uma luz pálida veio se aproximando de Serena, e ela quis abrir os olhos e perguntar quem era a dona daquele brilho, mas algo no fundo de seu coração não permitiu que seus lábios e suas pálpebras se movessem. Mãos frias tocaram as têmporas de Serena e, nesse momento, toda aquela energia branca e fria jorrou para dentro de como uma cachoeira. Todo o seu corpo doeu e latejou, e sua mente foi se recordando de tudo que já ocorrera em sua vida rapidamente, e parou no dia em que ela dera a luz a Hikari. Serena sentiu todas as dores do parto novamente, e se sentiu sublime e feliz nesse momento, como se toda a sua existência tivesse acontecido para culminar naquele momento. Ela mal esperava a hora em que tudo terminasse, a hora em que todo o esforço era reconhecido, a hora que pusessem Hikari em seu colo. Logo essa hora chegou, e Serena sentiu o calor da filha recém-nascida em seus braços e a abraçou e beijou com intensidade. Ela queria que tudo voltasse a ser como nesse momento, quando Hikari tinha nascido e ela era feliz. Queria que a vida parasse nesse momento e nada de ruim acontecesse à ela. Contudo, a lua dourada começou a brilhar e queimar incessantemente em sua testa e em um último suspiro de dor ela desapareceu, levando toda a luz branca e frígida embora e deixando apenas Serena, de volta ao mundo que ela deveria proteger.
Rey estava quase estourando e fazendo Serena se calar a força. Ela adorava a amiga, mas odiava ataques histéricos. Contudo, interrompendo seus pensamentos, tudo desapareceu e ela se viu perdida no vazio, cheia de medo. Seus olhos foram ficando pesados, à medida que o sono chegava. Ela não conseguia imaginar uma razão para estar se sentindo tão cansada. Após alguns instantes, estava relaxada, numa espécie de transe, e sentiu uma presença diferente de todas que já tinha sentido se aproximar dela. Não soube identificar se era uma pessoa, um animal ou qualquer outra coisa, pois nunca se sentira assim antes. Mãos fortes pressionaram suas têmporas e derramaram línguas de fogo no interior de seu corpo. Seu interior fervia e expelia lava como um vulcão em erupção. Rey começou a tremer incessantemente, como se estivesse tento um ataque. Começou a sentir as mesmas sensações de quando estava prestes a obter a resposta à sua pergunta em uma leitura do fogo. Nesse instante, todo os ruídos e formas do mundo perdiam importância e ela só se concentrava nas labaredas rebeldes do fogo sagrado. Por muitas vezes as pontas de seu cabelo ficavam queimadas devido à proximidade das chamas, mas nada disso era importante, pois quando a resposta chegava em sua mente tudo mais se apagava e ela chegava ao clímax de todas as sensações, quando todos os seus músculos pareciam fatigados e seus tendões rompidos, suas forças eram retiradas de seu corpo e colocadas novamente, numa sucessão prazerosa de altos e baixos. Rey se encontrava nesse clímax de sensações quando o símbolo de marte começou a queimar em sua testa como brasa, mas a temperatura de seu corpo estava tão elevada que ele parecia uma pedra de gelo encostada em seu corpo, e, recebendo esse choque térmico, tudo cessou e as cores e os sons voltaram ao mundo.
Lita estava olhando com uma incógnita para Mina, sem saber o que fazer. Partia-lhe o coração ver sua querida amiga Serena naquele estado. Estava quase explodindo em lágrimas de dor quando um vento forte balançou as árvores e encheu todo o seu mundo de folhas verdejantes. Em segundos ela estava nadando em um mar de folhas, que foram desaparecendo e deixando espaço para uma luz brilhante preencher o campo de visão de Lita. Suas pálpebras então se fecharam e ela se sentiu vulnerável, nua. Um deslocamento repentino de ar fez com que Lita percebesse que não estava só. Mãos enormes tocaram levemente as têmporas de Lita e uma ponta de barba roçou em sua nuca, fazendo-a se arrepiar toda. As mãos então apertaram as têmporas dela e raios de eletricidade começaram a correr por seu corpo, tomando todas as suas veias e artérias. Seu interior parecia uma tempestade e descargas internas de energia começaram a estimular todo o seu corpo. A mente de Lita começou a divagar e seus músculos se contraíram quando a lembrança de sua noite de amor com Kenji tomou conta de todos os seus pensamentos. As sensações do dia mais prazeroso de sua vida retornaram à sua mente e ao seu corpo e sua boca ficou seca de repente, ao mesmo tempo em que seus mamilos se endureceram e começaram a pulsar de prazer. Repentinamente ela sentiu as mãos de Kenji explorando novamente o seu corpo e estimulando delicadamente cada ponto que lhe daria prazer. Toda aquela noite voltou em segundos e ela experimentou milhares de sentimentos em tempo recorde. Estava suando, tremendo e tendo espasmos naquele orgasmo de sensações intermináveis. Queria ter Kenji junto ao seu corpo novamente mas uma dor forte interrompeu seus bons momentos e o símbolo de júpiter queimou incessantemente em sua testa, até que perdeu a força e desapareceu, levando consigo toda aquela atmosfera luminosa.
Quando todos abriram os olhos, se surpreenderam pois estavam formando um círculo. Estavam espantados com tudo o que acontecera e confusos com o que sentiram. Por instantes ficaram parados e em silêncio, contemplando as faces um dos outros. Serena então colocou a mão em seu bolso e sentiu a forma de seu broche de transformação. “Conseguimos!” ela gritou, e todos se abraçaram.
Lua e Artemis, observando sob uma árvore próxima, estavam felizes, mas Artemis disse, “Acho que algo está errado... Tudo parece fácil demais...”
Ikuko estava acariciando os cabelos da neta adormecida quando ouviu um estrondo no andar de baixo. “Quem é?” perguntou assustada. Não obteve resposta, mas em segundos Titã irrompia no quarto.
“Quem é você? O que quer?” inquiriu Ikuko, assustada.
Titã lançou um olhar de desgosto ao vê-la, mas rapidamente a fez desmaiar com uma leve carga de energia. Depois disso, foi até a cama e pegou Hikari delicadamente no colo, olhando para seu rostinho indefeso. Começou a descer as escadas, mas quando saiu da casa duas silhuetas saíram das sombras.
“Desculpe, mas não deixaremos que leve esta menina.”
“Quem são vocês? Acham que podem me deter?” falou Titã.
Um raio de luz iluminou as duas. “Somos as guerreiras que defendem a paz neste planeta,” disse uma.
“Lutando com a força dos céus e dos mares, Sailor Urano e Netuno!”
Titã olhou espantado para as duas. “Mais Sailor-bobocas...” pensou.
Quando desfizeram o abraço, sentarem-se no chão e os gatos se aproximaram. “Acho que tudo voltou ao normal, não é Mina?” perguntou Artemis, e sua dona o abraçou carinhosamente.
“Nem acredito que isso aconteceu,” começou Lita, “achei que...”
“AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!” Lita foi interrompida pelo grito de Serena.
“O que foi?” perguntou Rey.
Então Serena abriu a mão com a qual segurava o broche a abriu-a, dizendo, “Olhem, esse é o problema.”
Todos não sabiam o que dizer.
“Esse não é o Eternal Compact,” começou Serena, “esse é o Prism Brooch!”
“Ai, ai...” murmurou Ami, “Lua, o que isso significa?”
“Bem, eu não sei de muita coisa, mas acho que como vocês retomaram seus poderes, vocês... bem, vocês os retomaram do princípio...”
“Mas isso não faz o menor sentido!” gritou Serena, “Não vai adiantar muita coisa esses poderes iniciantes contra aquela peste do Titã! E nem temos o Cristal de Prata! Ele desapareceu! Teremos que recupera-lo de novo! Lua, Artemis, vocês sabem quantos anos nós demoramos para desenvolvermos nossos poderes? Isso demora, e precisamos de poderes fortes agora!”
“Bem, Serena,” disse Artemis, “acho que isso é uma espécie de ‘castigo’ por terem abdicado de seus poderes. Eles são uma bênção e vocês não podiam dispensá-los assim... Tudo tem troco...”
Então, impotentes, voltaram para a casa de Serena.
“Não acham que fomos longe demais?” perguntou Afrodite, “Diminuir os poderes é uma coisa, agora retrocedê-los ao início... Retomar o Cristal de Prata vai ser um trabalho árduo.”
“Não deve ser tão condescendente, querida,” começou Titéia, “Temos que nos impor como deuses, não podemos deixar os mortais fazerem o que querem com as bênçãos que lhos damos e depois pensarem que tudo vai voltar ao normal. Eles merecem.”
“Mas a vida de uma criança está em jogo...” disse Afrodite.
“Não se preocupe,” falou Diana, “Confie em Sailor Moon...”
As garotas e Darien estavam chegando na casa de Serena quando viram flashes de luzes e sons de batalha. Com mais cuidado, foram aproximando-se sem serem vistos e quando chegaram mais perto presenciaram a batalha entre Titã e Sailor Netuno e Urano. As duas ainda resistiam, mas estavam feridas; já Titã, parecia estar se divertindo.
“Garotas, Darien” começou Serena, “Fortes ou fracos, chegou a hora de nossos poderes serem usados.”
Todos
assentiram.
Moon Prism
Power...
Mercury
Power...
Mars Power
…
Jupiter
Power …
Venus
Power…
MAKE
UP!!!
“É só isso que sabem fazer?” perguntou ironicamente Titã.
“Você vai se arrepender do que disse!” bradou Urano, “Space Sword, Blast!”
Titã se desviou facilmente do ataque de Sailor Urano. E lançou contra as duas um poderosos raio de energia, que as jogou contra a parede externa da casa de Serena. “Seus poderes não faz nem cócegas em mim” riu ele.
Titã então se aproximou das duas Sailor, ainda caídas no chão e disse, “Vou acabar com o sofrimento de vocês...” E então começou a criar uma bola de energia nas mãos. Quando já estava grande o suficiente para matá-las, ele preparou sua posição de ataque e lançou a bola na direção das duas. Urano segurou fortemente a mão de Netuno e as duas fecharam os olhos.
De repente, uma enxurrada de bolhas brilhantes veio e levou a bola de energia para longe. Titã olhou para a direção de onde vieram as bolhas e arregalou os olhos. Urano e Netuno também estavam chocadas.
“É uma vergonha perturbar a harmonia da Terra com seus pensamentos maléficos!” disse Tuxedo Mask.
“Não permitiremos que o mal vença!” falou Mercúrio.
“Mais determinadas que nunca, chegamos!” continuou Marte.
“Com a força da natureza e do amor,” disse Júpiter.
“Viemos proteger a paz!” emendou Vênus.
“Puniremos você em nome da... LUA!!!” gritou Sailor Moon.
Titã ficou paralisado por alguns segundos mas então foi andando calmamente até um arbusto e pegou Hikari no colo. Sailor Moon foi correndo até ele, porém foi repelida por uma barreira de energia pura. Titã então abriu um vórtex de energia negra, entrou nele com Hikari e desapareceu. Sailor Moon começou a chorar desesperada.
“Acalme-se, Sailor Moon!” gritou Mercúrio, “Eu consegui fazer leituras suficientes no meu computador para abrirmos novamente o vórtex de energia.”
“Você não podem ir atrás dele assim!” gritou Urano, “Não sabem nem onde esse vórtex vai levar vocês! É muito perigoso!”
“Perigoso ou não, temos que ir,” começou Sailor Moon, “É a vida da minha filha que está em jogo.”
“Mas...” ia dizendo Netuno quando Mercúrio conseguiu reproduzir os dados e abrir a passagem novamente.
“Até mais,” disse Sailor Moon e entrou no vórtex, seguida pelos outros. Ele se fechou após a passagem de todos e Urano olhou pensativa para Netuno, “Eu não sei como eles conseguiram os poderes de volta, mas sei que estão fracos e que estão indo em direção ao desconhecido sem nenhuma forma de precaução. Porque eles não nos ouvem?”
“Porque Sailor Moon é aquela que protege a todos com seu esplendor. E todos eles acreditam que, se for necessário, ela dará sua vida pela paz da Terra e do Universo. Por isso eles a seguem. Para garantir com suas próprias vidas que Sailor Moon continue viva. É a sua missão protegê-la.”
Então as duas foram embora, sabendo que agora não podiam mais
fazer muita coisa.
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