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Capítulo 02: Do Silêncio á Luz

O capítulo foi iniciado no dia 07/06/2005

 

Era uma manhã nublada e escura em Crystal Tokyo. Uma jovem acabara de acordar assustada.

Keiko era uma jovem com seus 20 anos de idade. Era assistente no Templo Hikawa, um famoso templo japonês, e primeira filha da grande sacerdotisa Rei Hino, uma das mulheres mais poderosas de todo o planeta Terra.

Ao acordar, Keiko, que crescera aprendendo a arte da previsão do futuro e do uso do poder mental, percebe alguns sinais de anormalidade naquele dia. Para começar, é no mínimo incomum um dia tão frio e nublado em durante a primavera. Depois, sua mãe estivera orando durante toda a noite, a sacerdotisa Rei Hino nunca passava a noite inteira orando sem alguma boa razão para isso.

Keiko estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu que era observada e perto.

“Bom dia Keiko!”

Keiko se assusta, então ela repara que uma mulher sorria para ela.

“Bom dia Ami-san!”

Keiko percebe que Ami tinha olheiras e parecia bem cansada tanto física quanto psicologicamente.

“Onde está a sua mãe?”

Ami não costumava ser tão direta. Algo realmente devia estar acontecendo ali.

“Orando” disse Keiko apontando para uma porta fechada “ Está lá dentro desde ontem a noite.

Ami sorri ao ver que Rei não mudara. Ela se lembrava bem de quando eram mais jovens e Rei sempre passava noites em claro orando quando percebia que algo maligno se aproximava.

“Parece que, para variar um pouco, Rei sentiu algo estranho se aproximar antes que todas nós pudéssemos perceber algo.” Diz Ami sorrindo

“A senhora também sentiu?”

Ami pareceu ligeiramente incomodada.

“Sim… sim…” disse impaciente “E não me chame de senhora! Ainda não tenho nenhum cabelo branco na cabeça!”

“Sim.”

Keiko sorria de leve, achando graça da reação de Ami, que costumava ser tão séria, quando ela a chamou de senhora. Certamente era algo comum entre as Inner Senshi, nenhuma gostava de ser chamada de senhora.

“O que a sen… desculpe, o que você desconfia que está acontecendo?”

“Suspeito que isso tenha relação com a saúde da rainha.”

Keiko não se surpreendeu com a resposta de Ami, já a esperava.

“Serena-sama está bastante preocupada com a saúde da rainha. Ela vem orar aqui todos os dias com minha mãe!”

“Mesmo? Serena orando é novidade!”

A porta que Keiko indicara se abriu e de lá sai uma mulher, ela possuía grande olheiras e estava muito pálida. Quando a mulher vê Ami conversando com Keiko, ela vai até onde as duas conversavam.

“Bom dia Ami-chan! Bom dia Keiko!”

“Bom dia!” dizem as duas juntas

“Filha, pode ir arrumar seu irmão para a escola? Leve-o hoje para mim… vou estar ocupada durante o dia. Mande seu pai tomar conta do templo. E assim que voltar ajude-o, sim?”

“Está certo! Não se preocupe com isso, mãe!”

Keiko, sabendo que Ami e Rei precisavam conversar a sós, entra dentro do templo para acordar o irmão que ainda dormia.

“Rei, a Serena…”

“Eu sei, Ami! E Mina e Lita?”

“Lita estava a caminho do castelo quando falei com ela. Tinha conversado com Mina mais cedo. Mina ainda estava em Pequim quando as duas conversaram, mas ela já estava no aeroporto, vindo para Crystal Tokyo. Segundo meus cálculos, já deve estar chegando aqui.”

Elas fazem quase um minuto inteiro de silencio, este só foi quebrando quando Ami disse:

“O que você acha de irmos ver a rainha?”

“É… vamos sim!”

Enquanto isso uma mulher, de longos cabelos loiros e olhos azuis, que saia do aeroporto de Crystal Tokyo pegava um táxi.

“Vá até o palácio o mais rápido possível!” diz a mulher ao taxista

Alguns minutos depois, a mulher chega ao palácio e encontra outra duas mulheres chegando correndo lá.

“Ami!!! Rei!!!”

“Mina! Quanto tempo!” diz Rei sorrindo um pouco

“Que pena nos reencontrarmos em um contexto tão triste.” Diz Ami de cabeça baixa

“Verdade…” diz Rei

Elas permanecem um pouco sem se falar.

“Vamos entrar?” diz Mina

Elas entram no palácio cabisbaixas, sem trocar sequer uma palavra ou olhar.

Quando chegam ao salão de entrada do palácio encontram uma mulher alta e morena, seus olhos verdes estavam vermelhos o que significava que a mulher andara chorando.

“Lita… o que houve?” pergunta Ami, mesmo conhecendo a resposta.

“Serena está morta… Ami… o que faremos sem ela? O que somos sem ela?”

Lita cai no choro abraçando Ami que já chorava. Mina e Rei, chorando, as abraçam. As quatro permanecem assim por um tempo indeterminado. Nada mais importava a elas naquele momento. Serena morrera. Fora tão forte, tão corajosa, ninguém acreditava que ela simplesmente morrera. Morrera por desistir de viver.

“E a princesa?”

Pergunta Mina a Lita assim que elas conseguem parar de chorar.

“Não a vi, mas Lua me disse que estava com Hélios. Então não precisamos nos preocupar com ela por hora.” Diz Lita

“Sim… acho que Hélios poderá cuidar dela.” Diz Ami

“Devemos coroá-la o mais rápido possível!” diz Mina “ Um reino sem um rei ou uma rainha é um reino fraco e vulnerável!”

“E se a princesa não quiser ser rainha?” pergunta Rei que conhecia o medo da princesa das responsabilidades de uma rainha

“Eu duvido que ela negaria uma vontade da mãe dela! Principalmente quando este foi o último desejo dela!”

“Mina tem razão. Não temos que nos preocupar com a princesa por hora! O que vai acontecer com o corpo da rainha?”

“Desaparecer, não é? A semente estelar já não está lá, sem ela o corpo não poderá existir mais!” fala Rei um pouco triste

O silencio novamente.

“O que fazem aqui?” pergunta Lua que chega interrompendo o silêncio

“Lua?”

“Estávamos esperando vocês. Imaginamos que viriam!” falou Artemis, o marido de Lua “Precisamos definir o futuro do reino de Crystal Tokyo.”

“Não está definido? Afinal, a princesa…”

“Certamente… mas não podemos decidir isso só porque a rainha havia desejado. A princesa é jovem e há muitas objeções sobre a coroação dela. Faremos uma reunião para decidir.”

As guerreiras se entreolham. Elas sabiam que acabariam cedendo à vontade da rainha, por mais reuniões que fizessem. Agora que a rainha e o rei haviam morrido, a autoridade máxima era a princesa (e não Lua, como muitos acreditavam) e todas as guerreiras sabiam que a princesa faria o que a sua mãe desejara, não importando o que o resto ou o que ela mesma quisesse.

“E quando você realizará essa reunião?”

“Amanhã ao amanhecer! As outer foram convocadas e chegarão à noite… faremos o anuncio da morte da rainha logo que elas chegarem, todas devem estar presentes.”

“Lua, desejamos ver a Serena.” disse Mina de repente

“A princesa não se sente bem.”

“Quero ver a filha da minha amiga, não a princesa!”

Lua parece pensar um pouco antes de responder.

“Está certo, vou chamá-la, mas porque vocês ao esperam na sala de reuniões?”

Poucos minutos depois as quatro Inner esperavam a chegada da princesa na sala.

“Mina-chan, o que você quer com a princesa?”

“Só vê-la, acho que ela precisa de nós” Mina fez uma pequena pausa antes de prosseguir “E nós precisamos dela!”

As portas se abrem e a princesa Serena entra no salão. Nota-se que ela andara chorando devido aos olhos vermelhos.

“Serena…” diz Rei

“Aconteceu algo importante?”

“Serena, você se lembra dos bons momentos que passamos juntas no passado?”

“Como poderia esquecer os momentos mais felizes da minha vida, Lita-chan?” a princesa sorria tristemente

“Sabemos como você está se sentindo… se você se lembra daquele tempo, deve se lembrar do quanto nos amávamos. Será uma grande perda, mas não podemos ficar olhando para o passado, o futuro que é importante agora.”

“Eu sei, Ami-chan. Mas eu perdi minha mãe, mesmo se ela fosse uma pessoa comum, não é fácil! Eu não posso superar isso dessa forma, não é tão simples!”

A princesa começa a chorar e Rei coloca a mão no ombro dela.

“E o trono?” diz ela séria

“Vou assumi-lo, não é?”

“É isso que você deseja?” pergunta Lita

“É isso que minha mãe deseja, eu não poderei viver sabendo que não fui capaz de fazer com que o último desejo dela fosse realizado!” a princesa se lembrava das últimas palavras da rainha

“E acha que pode ocupar o lugar de sua mãe?”

“Sinceramente, eu nunca serei como minha mãe, mas farei de tudo para ser boa como ela foi.”

“E nós estaremos aqui para te ajudar, não importa o que aconteça!”  diz Mina

“Obrigada!”

A porta se abre a as Outer Senshi entram acompanhadas por Lua. Hotaru chorava, Setsuna estava séria e Haruka e Michiru conversavam em voz baixa.

“Inner… princesa…” diz Setsuna

“Há muito não nos reunimos todas!” diz Haruka

“Princesa” diz Hotaru correndo para abraçar a amiga

“E o corpo da rainha?”

“Parece que está intacto, não sumiu ainda!” diz Lua

“Como pode ser? Sem a semente estelar é impossível!”

“Acho que Serena pode estar querendo que nós vejamos ela antes que seu corpo desapareça!” diz Rei

“É bem típico dela!” diz Mina rindo

“Então não vamos deixar a rainha esperando!”

Em apenas 5 minutos, as Outer, Inner e a princesa Serena já estavam dentro do quarto da rainha.

Ao verem a expressão calma da rainha com um sorriso nos lábios, todos os presentes tiveram a mesma sensação, o pensamento de que Serenity ainda estava ali, que ela apenas dormia e tinha bons sonhos.

Todas olhavam o corpo em silêncio, incapazes de trocar sequer uma palavra. O único som que podia ser escutado eram os soluços de Hotaru e da princesa. Todas as guerreiras tinham lágrimas dos olhos e recordavam dos tempos em que a rainha era uma menina boba e chorona, mas possuía um coração bondoso e ingênuo.

Distraindo as guerreiras dos seus pensamentos, o corpo da rainha começa a brilhar, todos os presentes tem que fechar os olhos, de forma que quando as guerreiras e a princesa abrem os olhos novamente elas se deparam com um lindo anjo de cabelos dourados e olhos azuis, o corpo já havia desaparecido.

“Bom dia guerreiras, filha, por que choram?”

“Majestade?” diz Setsuna, a única que parecia conseguir dizer algo

“Por que choram?” repete a rainha

“Mãe! Como poderíamos… sorrir… o… ou ficar… indiferentes à sua m… morte?”

“Nós também temos esse direito?” fala Rei “NÃO PODEMOS MAIS CHORAR???”

O anjo sorri e vai em direção de Rei, ficando em frente dela. Serena coloca as mãos nos ombros de Rei.

“Você acham mesmo que a morte poderá me separar do que eu amo? Do meu povo, do meu reino, da minha família e dos meus amigos?” diz ela se virando para as outras

“Serena…”

“Escutem só uma coisa Sailor Senshi! Enxuguem suas lágrimas, já!!! Sempre estarei com vocês, só irei descansar quando souber que o reino está em boas mãos, ou seja, quando Serena tiver subido ao trono. E só porque não estou viva, não significa que eu vou deixá-las. Enquanto vocês acreditarem, eu estarei aqui! Não as abandonarei.”

Todas limpam as lágrimas. Podem sorrir por ouvir aquelas palavras. Não estavam sozinhas porque Serena não as havia abandonado.

 

Capítulo terminado no dia 05/10/2005

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