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Capítulo 01: Solidão
O capítulo foi iniciado no dia 03/03/2005
Amanhecera
uma manhã cinzenta na cidade de Crystal Tokyo, as nuvens não permitiam o Sol
iluminasse e aquecesse a cidade. Mas não eram apenas as nuvens que entristeciam
a cidade. Há um ano, o rei Endymion morrera de uma doença no coração. Fora um
acontecimento muito repentino e, após a morte do rei, a rainha Serenity, ou Neo
Queen Serenity, que sempre fora uma mulher forte, se enfraquecera. Sempre
adoecia e eram raras, agora, as ocasiões em que ela saía do castelo.
A rainha possuía apenas uma herdeira.A princesa Serena era uma jovem que
completara 25 anos recentemente. Serena era muito parecida, psicologicamente e
fisicamente, com sua mãe, apesar de seus cabelos rosas e dos olhos vermelhos,
além de um temperamento um pouco mais forte e orgulhoso. E, como toda jovem
princesa, Serena tinha seu “príncipe encantado”, era Hélios, o guardião do mundo
dos sonhos e também príncipe do reino Solar, o único que resistira ao ataque de
Berryl milênios antes.
Naquele dia nublado, em especial, Serena se levantou rapidamente, novamente sentira aquilo, um mal pressentimento que a invadia, desta vez, no momento em que acordou, de modo que, imediatamente, ela correu para ver sua mãe. Mas foi impedida pela gata Lua, a conselheira da rainha, de entrar no quarto.
“O que está havendo?” Pergunta a princesa “Gostaria de ver minha mãe…”
“A rainha não está se sentindo bem e está sendo examinada por alguns médicos.”
“E o que ela sente?”
“O de sempre…” diz Lua parecendo um pouco triste “Receio que a rainha não agüentará muito mais, talvez seja a melhor hora para cor…”
“Pare de dizer bobagens!!!”
“Perdoe-me, alteza, eu não queria…”
“Deixa pra lá” disse a princesa triste “Diga-me Lua, como pode minha mãe, uma pessoa tão forte, simplesmente morrer?”
“Princesa, você sabe bem que a força que motivava sua mãe era o amor… e quando seu pai morreu essa motivação morreu junto.”
“Então não há esperança… e o que será de Crystal Tokyo sem ela?”
“Não diga isso, princesa. É claro que há… sempre há de existir a esperança, um mundo sem esperança é um mundo sem luz, um mundo repleto de tristeza. A esperança de que a rainha se salvará só morrerá com ela.”
“Obrigada, Lua.”
A princesa sorriu, então. Foi um sorriso que Lua apenas vira em sua rainha. Um sorriso encorajador, repleto de luz e esperança.
A porta do quarto se abre, então, e o médico sai do quarto com um rosto triste, o que assusta Serena e Lua.
“Doutor… como vai a minha mãe?” Pergunta a princesa com algum receio
“Na mesma de sempre, nem pior, nem melhor.”
“Entendo… posso vê-la agora?”
“Sim, claro.”
Ao entrar no quarto, a princesa encontra sua mãe deitada na cama com os olhos fechados. Ela se senta na cama ao lado da rainha para observá-la.
“O que houve, Serena? Algo errado?” Diz a rainha abrindo os olhos
“É que eu estou com um mau pressentimento.”
“Hmm…” a rainha permanece pensativa
“Você acha que é coisa da minha cabeça, não é mãe?”
“Filha, pode ser, mas se está com um mau pressentimento é melhor pedirmos um conselho à…”
Alguém bate na porta interrompendo a fala da rainha, que suspira antes de dizer:
“Entre!”
A porta se abre lentamente, revelando Setsuna Meiou, ninguém mais, ninguém menos, que a Sailor Plutão, aquela que pode viajar pelas dimensões do tempo e do espaço e desvendar seus mistérios.
“Majestade… como se sente hoje?”
“Você não tem que se preocupar comigo, Plutão.”
“Certo.”
“Estávamos falando de você.”
“É mesmo?”
“Serena está com um mau pressentimento. Sabe do que se trata?”
“Eu também sinto isso…”
“E eu viverei para ver isso acontecer?”
“Eu não posso adiantar-lhe o futuro, majestade.”
“Compreendo…”
“Mãe, eu tenho que me encontrar com Hélios.”
“Está certo. Pode ir, Serena.”
Serena faz uma reverencia a sua mãe e sai. A rainha permanece um tempo observando a porta por onde a princesa saíra.
“Majestade… não se preocupe, a senhora poderá ver a princesa se tornar uma rainha” diz Setsuna como se adivinhasse o pensamento da rainha
“Fico feliz por isso.”
A rainha sorri, porém Setsuna permanece séria.
Enquanto isso, Serena se encontra com Hélios.
“Como está a rainha?” pergunta Hélios enquanto ele e Serena caminhavam pelo castelo
“Não está melhor.”
“Eu fiquei sabendo que logo você vai se tornar uma rainha.”
“Querem mesmo me coroar. Minha mãe não tem mais nenhuma condição de reinar.”
“O que houve? Porque esse tom preocupado?”
“Estou com um mau pressentimento.”
“Acha que pode estar pressentindo a morte de sua mãe.”
“Não tenho certeza, mas temo isso.”
Hélios abaixa a cabeça, não querendo acreditar naquilo que ouvia, mas após alguns segundos ele a ergue novamente.
“Infelizmente é assim que deve ser… o velho deve morrer para o novo se erguer, isso é a herança do povo da era de prata. Quando a rainha morrer, você se erguerá e todos os poderes de sua mãe serão transmitidos a você.”
“Não quero que isso aconteça, não estou pronta para ser rainha!!!”
“Você deve reinar, sei que tem essa capacidade, afinal, sua mãe foi uma excelente rainha e sua avó, a rainha Serenity da Lua, também.”
“Mas eu NÃO SOU minha mãe!!!!! Será que é difícil entender isso???? Minha mãe é minha mãe e eu sou eu!!!”
“O que eu quero dizer é que você tem sangue de sua mãe! Não há ninguém em quem o povo confiará mais o reino.”
“Mas eu não posso… eu…”
Serena não pôde terminar a frase, Hélios a calou com os lábios.
“Estarei sempre ao seu lado…” diz Hélios ao se separarem, voltando a beijar a princesa em seguida.
Desta vez o clima só foi interrompido por Lua, que chega correndo.
“Princesa!!!!”
“O que houve??”
“A sua mãe…”
Lua não termina a frase porque a princesa sai correndo até o quarto de sua mãe. Corria e uma dor em seu peito crescia mais e mais.
Enquanto isso, Setsuna e a rainha estavam no quarto, o médico havia colocado aparelhos na rainha e seus sinais vitais estavam cada vez mais fracos.
“Setsuna…” disse a rainha “você… você mentiu…”
“Do que se refere, majestade?”
“Disse que eu veria… Serena se transformando… em rainha…”
“Majestade… eu…”
Setsuna é interrompida pela porta que se abre. Serena entra no quarto em prantos, sendo seguida por Hélios.
“MAMÃE!!! NÃO… VOCÊ NÃO PODE MORRER!!!” diz a princesa abraçando a rainha “NÃO PODE ME ABANDONAR!!!!”
“Serena…”
A rainha sorri e abraça a filha com todas as forças que possuía.
“Escute… você… tem que ser forte. Sua força encorajará… o povo. É assim que tem que ser… o velho morre para dar lugar ao novo.”
“Eu não posso reinar… não sem você!”
“Mas é claro que pode… sei que você pode! Lembre-se sempre de quem você é… a herdeira do trono… você é a única… que possui o sangue do Antigo Reino Lunar. A única!! Ninguém mais poderia continuar… guinado este mundo… para a paz… nunca… desi…sta…”
A face da rainha fica mais pálida que nunca e ela fecha os olhos para sempre, sem que o sorriso se apagasse de seu rosto. Os aparelhos mostravam que já não havia mais nenhum sinal vital. A rainha da Terra e da Lua, que um dia fez brilhar todo o universo, morrera.
Capítulo terminado no dia 10/05/2005