HIPER-INCONFESSÁVEL _ É o deleite
que todos sentem com o cheiro do próprio peido. O varredor de rua,
o banqueiro, o camelô, o confiabilíssimo âncora do telejornal,
o presidente da república, o ladrão, o moralista enrustido,
o juiz, o surfista, o homem esforçado e preocupado, o cabra-safado,
os grandes oradores, os fundadores das sublimes doutrinas, as velhinhas bondosas,
a sumidade do direito tributário, o gênio da astrofísica,
as madames requintadas _ todos curtem de montão a catinguinha maneira
de seus gases (e quanto mais podre melhor).
"Peido é que nem filho; cada um gosta do seu.", diz o antiqüíssimo provérbio.
O peido é, na verdade, um poderoso instrumento de revelação, que nos ajuda a evidenciar defeitos ocultos. Digamos que um sujeito, pretensamente humanista e universalista, abrigue, ainda que no fundo da alma, um resquício de racismo, sem que ele mesmo tenha consciência disto: quando se flagrar ofendido pelo peido de um turco ou de um coreano, por exemplo _ bem mais puto do que ficaria com um peido de um de sua raça _, será obrigado a admitir que, em algum grau, ele é, sim, discriminador e racista, pois abriga o absurdo preconceito de considerar o peido de seus patrícios mais limpos que os peidos oriundos dos cus desta ou daquela etnia.
O pum é um ato de transgressão não passível de punição, pois é invisível (e hipócrita por natureza). Tanto o pobre como o rico saem igualmente ilesos do crime de fazer seu semelhante engolir merda em forma de gás... Mas a despeito desta democracia anal, e embora nos consideremos pessoas igualitárias e sem preconceitos, a verdade é que acharemos automaticamente mais fedorentos os peidos das pessoas velhas, das pobres, das feias, das gordas e das doentes mentais. Quem é que nunca ouviu aquela frase: "A fulana é tão gata que até o peido dela eu trago!" Certas pessoas sensíveis, no entanto, quando vêem que vão cruzar com um indigente na rua, a trinta metros de distância já sacam um lenço pra cobrir as ventas... ao mesmo tempo em que idolatram o arzinho do próprio cu.
HIPER-REVOLTADO _ É o cara que ateia fogo no próprio corpo, em praça pública, em protesto ao aumento de preço da farinha de rosca.
HIPER-PATÉTICO _ Morrer com o crânio rachado após tentar salto mortal para impressionar donzêla.
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