MAIOR AMOR - 2
HORRÍVEL
SUPLÍCIO!
(continuação)
O
sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas,
as suas chagas se incrustam de pé e pedregulhos. Depositam-no
sobre o braço horizontal da cruz. Os algozes tomam as medidas.
Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar
a penetração dos pregos; horrível suplício!
Os carrascos pegam um prego (um longo prego pontudo e quadrado),
o apoiam sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo
o plantam e o rebatem sobre a madeira. Jesus deve ter contraído
o rosto assustadoramente. No mesmo instante o seu pólice,
com um movimento violento se posicionou opostamente na palma da
mão; o nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo
que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima,
que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se, como uma língua
de fogo, pelos ombros, lhe atingindo o cérebro. Uma dor
mais insuportável que um homem possa provar, ou seja, aquela
produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos. De sólido
provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em
Jesus não. Pelo menos se o nervo tivesse sido cortado!
Ao
contrário (constata-se experimentalmente com freqüência)
o nervo foi destruído só em parte: a lesão
do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo
for suspenso na cruz, o nervo se esticará fortemente como
uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco,
a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes.
Um suplício que durará três horas.
O
carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam
Jesus, colocando-o primeiro sentado e depois em pé; consequentemente
fazendo-o tombar para trás, o encostam na estaca vertical.
Depois rapidamente encaixam o braço horizontal da cruz
sobre a estaca vertical. Os ombros da vítima esfregaram
dolorosamente sobre a madeira áspera. As pontas cortantes
da grande coroa de espinhos o laceraram o crânio. Apobre
cabeça de Jesus inclinou-se para frente, uma vez que a
espessura do capacete o impedia de apoiar-se na madeira. Cada
vez que o mártir levanta a cabeça, recomeçam
pontadas agudíssimas.
Pregam-lhe
os pés. Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde
a tarde anterior. As feições são impressas,
o vulto é uma máscara de sangue. A boca está
semi-aberta e o lábio inferior começa a pender.
A garganta, seca, lhe queima, mas ele não pode engolir.
Tem sede.
TUDO AQUILO É UMA TORTURA ATROZ
Um soldado lhe estende sobre a ponta de uma vara, uma esponja
embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo
aquilo é uma tortura atroz. Um estranho fenômeno
se produz no corpo de Jesus. Os músculos dos braços
se enrijecem em uma contração que vai se acentuando:
os deltóides, os bíceps esticados e levantados,
os dedos se curvam. Se diria um ferido atingido de tétano,
presa de uma horrível crise que não se pode descrever.
A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas
se generalizam: os músculos do abdômen se enrijecem
em ondas imóveis, em seguida aqueles entre as costelas,
os do pescoço, e os respiratórios. A respiração
se faz, pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas
não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice
dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em
plena crise, seu rosto pálido pouco a pouco se torna vermelho,
depois se transforma num violeta purpúreo e enfim em cianítico.
Jesus
atingido pela asfixia, sufoca. Os pulmões cheios de ar
não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada
de suor, os olhos saem fora de órbita. Que dores atrozes
devem ter martelado o seu crânio!
Mas
o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano,
Jesus tomou um ponto de apoio sobre o prego dos pés.
Esforçando-se
a pequenos golpes, se eleva aliviando a tração dos
braços. Os músculos do tórax se distendem.
A respiração se torna mais ampla e profunda, os
pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial.
Porque
este esforço? Porque Jesus quer falar: "Pai, perdoa-lhes
porque não sabem o que fazem".
Logo
em seguida o corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia
recomeça. Foram transmitidas sete frases pronunciadas por
ele na cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-se
tendo como apoio o prego dos pés, inimaginável!
Enxames
de moscas, grandes moscas verdes e azuis, zunem ao redor do seu
corpo; irritam sobre o seu rosto, mas ele não pode enxotá-las.
Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente
a temperatura se abaixa.
Logo
serão três da tarde. Jesus luta sempre: de vez em
quando se eleve para respirar. A asfixia periódica do infeliz
que está destroçado. Uma tortura que dura três
horas. Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia,
o latejar dos nervos medianos, lhe arrancaram um lamento: "Meu
Deus, meu Deus, porque me abandonastes?" Jesus grita: "Tudo
está consumado!" Em seguida num grande brado disse:
"Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito".
E morre. Em meu lugar e no seu. Pense nisso.
|