Nova parceria vai estimular a modernização
A abertura do capital da CRT permitirá a realização de investimentos e a atualização tecnológica da empresa
A abertura do capital da CRT é o primeiro grande passo para a modernização da estatal de telecomunicações do Rio Grande do Sul. O secretário de Energia, Minas e Comunicações, Assis Roberto de Souza, disse ontem que a entrada de um parceiro, com 35% das ações, será fundamental para o avanço estratégico da companhia. "Nosso parceiro será importante para agregar tecnologia e capacidade de investimento gerencial e para diminuir a demanda reprimida de linhas telefônicas no Rio Grande do Sul", explicou Assis Roberto de Souza , depois de entregar ao governador Antônio Britto uma cópia da ata da sessão pública da segunda e última pré-qualificação para a aquisição da fatia das ações ordinárias da estatal. Atualmente, o Estado tem 10,5 linhas telefônicas para cada 100 habitantes.
Com 85,39% das ações ordinárias da CRT, o governo do Estado colocará à venda 29,15% das ações e a Telebrás — a segunda maior acionista — os 5,85% restantes. Até o final do ano o processo deverá estar concluído. Comandada pelo presidente da Comissão de Licitação do Programa de Reforma do Estado, Mário Freitas, a apresentação dos documentos para participar da aquisição das ações da CRT ontem revelou a atração da estatal e a certeza de um bom negócio. Representantes de todos os seis consórcios que disputam a empresa estavam presentes. Os concorrentes, a partir de hoje, poderão examinar os papéis uns dos outros. Hoje, os consórcios encabeçados pela Korea Telecom e a NTT vão analisar as pastas com os documentos. Amanhã será a vez de representantes da Stet e da GTE. Na quinta-feira, a Telefônica Internacional de Espana e a France Cables et Radio (France Telecom) terão acesso às pastas. Dentro de 10 dias, depois de analisar todos os documentos apresentados ontem, o governo deverá confirmar os consórcios e empresas que respondem às exigências para participar da privatização. Depois do edital de venda, previsto para outubro, as empresas concorrentes vão poder ter acesso a todos os dados da companhia, que tem um patrimônio avaliado em R$ 1,5 bilhão. O governo ainda não divulgou o valor das ações da CRT. A Salomon Brothers foi contratada para fazer a avaliação.
Para se candidatarem à compra do lote de ações, cada um dos consórcios precisava ter um faturamento mínimo anual de US$ 5 bilhões, 5 milhões de linhas telefônicas instaladas e um índice de conclusão de chamadas locais e internacionais superior a 90%. Todos os interessados superaram estes requisitos.
Pelo cálculo inicial, o valor do pacote de 35% das ações preferenciais da CRT, que representam 13% do patrimônio da estatal, será de cerca de R$ 200 milhões. Só será possível efetuar a compra do lote de ações em bloco, ou seja, o consórcio vencedor ficará com toda a fatia colocada à venda pelo governo.
Jornal: Zero Hora
Data: 17/09/1996
Página: 22
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