Definido o consórcio que vai avaliar a CRT
O valor da estatal será fixado em quatro meses
Um novo passo foi dado ontem em direção ao ingresso de um parceiro privado no capital da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). O secretário de Minas, Energia e Comunicações, Assis Roberto de Souza, anunciou que o consórcio formado pelas empresas Patrimônio Planejamento Financeiro Ltda, Salomon Brother Inc, Deloitte Touche Tohmatsu e Metal Data Engenharia e Representações é o vencedor da licitação para os trabalhos de avaliação econômico-financeira da CRT, da modelagem e da venda de 35% das ações ordinárias da companhia. Isso significa que é quase certo que antes do final do ano a CRT terá um "parceiro estratégico". O objetivo é conseguir um investidor privado que participe dos projetos da CRT, melhorando os serviços de telefonia do Estado.
O contrato entre o consórcio vencedor e a CRT será assinado em 8 de maio. Dentro de 120 dias a partir de então, deverão estar concluídos os trabalhos de avaliação da empresa e do modelo de venda das ações, entre outros. A parcela de 35% de ações ordinárias será vendida em bloco, para um só grupo, e ainda assim o controle da CRT continuará nas mãos do governo estadual. O presidente da CRT, Cristiano Tatsch, admite, porém, que a privatização da empresa é inevitável a médio prazo.
O percentual de ações ordinárias representa 14% do capital total da CRT, avaliado por Assis Roberto de Souza em aproximadamente R$ 2 bilhões. Com a associação a um grupo privado a CRT pretende ampliar a planta telefônica gaúcha de 700 mil para 1,5 milhão de terminais.
Assis Roberto de Souza avaliou que a participação do grupo Salomon Brothers no consórcio vencedor demonstra o interesse internacional no processo de venda de ações da CRT. "Esse consórcio colocou o preço lá embaixo para ganhar", disse Tatsch.
O grupo vencedor vai cobrar R$ 1,08 milhão pelo trabalho, e 0,49% como comissão na venda das ações. Segundo Assis Roberto de Souza , a taxa cobrada na venda da Companhia Vale do Rio Doce foi de 1,91 %. "Esperávamos um valor mais alto", admitiu. A avaliação da CRT foi disputada por 11grupos. Na fase técnica, venceu o grupo liderado pelo Banco ABN Amro, que pediu R$ 1,827 milhão como valor fixo, e 1,49% de comissão.
Jornal: Zero Hora
Data: 30/04/1996
Página: 23
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