CRT define até maio quem vai comandar venda de ações

Grupos ABN Amro Bank e Lehman Brothers lideram os consórcios

O governo gaúcho deve divulgar até o início de maio o nome do grupo responsável pela modelagem do processo de abertura de capital da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT), que vai ter 35% de suas ações ordinárias (das 85,39% pertencentes ao Estado) vendidas à iniciativa privada antes do final do ano. Esta semana, a Secretaria de Minas, Energia e Telecomunicações divulgou a classificação técnica dos consórcios que concorrem à licitação aberta para definir o banco que irá tutelar a operação de venda das ações da estatal gaúcha.

Onze consórcios internacionais se apresentaram para a concorrência, que dá arrancada formal ao primeiro processo de abertura de capital de uma empresa de telecomunicações no Brasil. "O nível das empresas candidatas indica que o mercado internacional está atento à CRT", diz Assis Roberto de Souza, secretário de Minas, Energia e Telecomunicações e coordenador do Conselho de Reforma do Estado. A pontuação dos consórcios na primeira fase (Técnica), que tem peso de 70% no resultado final, é liderada pela associação entre o banco de investimento Lehman Brothers, dos Estados Unidos, e o banco holandês ABN Amro. A definição do vencedor, no entanto, depende das propostas de preço, que serão abertas no próximo dia 25, quinta-feira, e pesa 30% na escolha final. "Como a pontuação técnica dos cinco primeiros candidatos foi muito próxima, o resultado ainda é uma incógnita", diz Assis Roberto de Souza.

O grupo que vencer a licitação terá prazo de 120 dias para modelar a operação de venda das ações, preparar a pré-qualificação dos candidatos e o edital de venda, e articular o acordo de acionistas e os contratos de gestão. "O processo de abertura de capital da CRT vai ser uma experiência pioneira no país", lembra Assis Roberto de Souza. Pelo cronograma do governo, a venda das ações da estatal gaúcha será feita ainda no segundo semestre, o que garante à CRT a pole-position no processo de abertura do setor no Brasil. "Até o final do ano já teremos definido o novo parceiro da companhia", assegura o Assis Roberto de Souza. "A CRT vai ser a porta de entrada do capital internacional nas telecomunicações brasileiras."

O governo gaúcho é dono de 85,39% das ações ordinárias da empresa. O restante do capital pertence à Telebras (13,85%) e outros acionistas (0,76%). O Estado pretende vender 35% de sua participação, percentual que lhe assegura o controle acionário (51 %). No ano passado, a estatal teve um faturamento de R$ 660 milhões. A planta da companhia conta, atualmente, com 681 mil telefones convencionais e 82 mil celulares, o que dá ao Rio Grande do Sul uma média de 8,11 telefones per capita, abaixo de São Paulo (14,95%), Paraná (9,05%) e Santa Catarina (8,72%).

Jornal: Zero Hora

Data: 20/04/1996

Página: 18

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