CRT inicia processo de privatização

Edital para contratação de empresa que vai avaliar a estatal será publicado hoje

O processo de abertura de capital da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) começa a ser efetivado hoje, com a publicação do edital para contratação da empresa que vai realizar a avaliação patrimonial da estatal e preparar a venda de ações da companhia no mercado. Além disso, será escolhido o banco que vai negociar os papéis no mercado nacional e internacional. "A intenção é até o final do ano licitar o parceiro que vai estar na CRT", diz o secretário de Minas, Energia e Comunicações, Assis Roberto de Souza. O governo estadual tem atualmente 85% das ações ordinárias nominativas da CRT, e deverá vender 35% deste total. Com isso, o governo gaúcho e a Telebrás continuarão com mais de 51% do total de ações nominativas da companhia, ou seja, a CRT continuará sob controle estatal.

O presidente da CRT, Cristiano Tatsch, lembra que o último cálculo do valor patrimonial da companhia indicou que a empresa valia R$ 1,3 bilhão. Mas ele estima que a companhia deva alcançar uma avaliação bastante superior, entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões. "A empresa não tem só valor contábil, mas também valor estratégico e político", ressalta Tatsch. O secretário Assis Roberto de Souza lembra que diversas empresas internacionais já manifestaram interesse em conquistar participação na CRT, como a GTE, Stet, France Telecom e CTC.

As propostas das empresas interessadas em participar do processo de avaliação da CRT serão recebidas no dia 13 de março. Depois disso será preciso um prazo de até 45 dias para avaliar e homologar a licitação. Serão exigidos diversos pré-requisitos das empresas que se interessarem em participar do projeto, como experiência em privatização, preferencialmente na área de telecomunicações. Devido à lista de exigências, a expectativa do governo é que se formem consórcios interessados na licitação. Também será avaliado o valor a ser cobrado do governo. As empresas que solicitarem valores muito altos ou muito baixos serão excluídas da seleção.

O edital de licitação está aprovado pela Procuradoria Geral do Estado e pela equipe técnica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. De acordo com foram observados todos os detalhes para evitar que falhas pudessem atrasar o andamento da licitação. A empresa, grupo ou consórcio que for escolhida na licitação para coordenar a abertura do capital da CRT vai determinar não somente o valor da companhia e o modelo de venda das ações, como também deverá indicar quais os cargos que serão ocupados na empresa pelo futuro parceiro privado.

Jornal: Zero Hora

Data: 26/01/1997

Página: 24

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