Deputados decidem hoje futuro da CRT
Projeto de abertura de capital vai a votação
O projeto de lei que permite a abertura de capital da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT) será votado hoje à tarde na Assembléia Legislativa. Uma reunião realizada ontem entre a Mesa Diretora da Assembléia e os líderes de bancada determinou a inclusão do projeto na ordem do dia de hoje, junto com outras três matérias. A abertura do capital da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) deverá ser apreciada na próxima semana. O projeto que abre o capital da CRT é simples: apenas define que o Estado manterá o controle acionário da companhia, permanecendo com 51% das ações ordinárias (com direito a voto). Apesar da resistência da oposição, é pouco provável que o projeto seja rejeitado. O governo tem conseguido manter maioria estável na Assembléia, principalmente graças aos votos da bancada do PTB, que se declara neutra mas quase sempre vota com a situação. O PDT, PT, PSB e PC do B devem votar contra o projeto. "Não só votamos contra como estamos fazendo a denúncia de que a venda neste momento é irresponsável, porque não vai fortalecer a empresa, os recursos vão sumir no saco sem fundo da dívida do Estado", afirma Carlos Eduardo Vieira da Cunha (PDT), presidente da Comissão de Economia da Assembléia. "Na exposição de motivos do projeto, o governo assegura que parte dos recursos da venda das ações será reinvestida na empresa", rebate o secretário de Minas e Energia, Assis Roberto de Souza. Assis Roberto de Souza pondera que a abertura de capital da CRT é a grande chance da empresa para enfrentar a competição. "No primeiro semestre de 1996 já haverá licitação para a banda B da telefonia celular", lembra Assis Roberto de Souza. O presidente da CRT, Cristiano Tatsch, argumenta que o monopólio das telecomunicações está caindo em todo o mundo. "Dêem uma chance à CRT", pediu Tatsch ontem. "Não permitir a abertura do capital é comprometer o futuro da empresa." O presidente da CRT destaca que o projeto não é uma simples capitalização da companhia, como chegou a ser planejado em ocasiões anteriores. "Vamos buscar um parceiro estratégico, que possa aportar capital, tecnologia e melhores processos de administração", explica Tatsch. A avaliação interna da CRT situa hoje o valor da empresa em US$ 2,5 bilhões. O governo detém 85% das ações ordinárias (com direito a voto) da empresa. Como o Estado pretende manter o controle, ficará com 51% e deve vender 34% das ações. Caso a abertura seja aprovada, o primeiro passo depois da votação será a licitação para o serviço de consultoria internacional. A empresa vencedora é que deverá formular o modelo de venda do capital e seu valor.
Jornal: Zero Hora
Data: 20/12/1995
Página: 30
Voltar para a página sobre a participação de Assis Roberto de Souza na melhoria dos serviços públicos