Robinson de Sá Almeida
Professor de Ciência Política
Departamento de Ciências Sociais, FCHF, Universidade Federal de Goiás
Última atualização em 27 de janeiro de 2007.

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FORMAÇÃO ACADÊMICA E PREOCUPAÇÕES INTELECTUAIS  

Graduação em Ciência Política
Departamento de Ciência Política e Rel. Internacionais, Universidade de Brasília (1988-92)

Durante minha graduação o meu interesse foi direcionado para a área de estudo sobre partidos políticos, o que culminou na elaboração da minha dissertação (Ideologia e fracionamento: o PT-DF nas eleições de 1990, orientada pela profa. Maria Izabel Valladão de Carvalho, 1992). Tratou-se de um trabalho que tomava como objeto de investigação o Partido dos Trabalhadores no Distrito Federal, sob a perspectiva dos dilemas internos enfrentados às vésperas das eleições de 1990, particularmente quanto à escolha do seu candidato a governador. No estudo procurei identificar as tensões entre as tendências internas do PT, que levaram a um turbulento processo de escolha de seus candidatos à eleição majoritária no DF, como tendo sua raiz no problema que se apresenta à atuação eleitoral dos partidos que se esforçam por manter um perfil ideológico estritamente delimitado e que pretendem sustentar-se no apoio de setores sociais claramente definidos.

Mas a minha reflexão esteve marcada também por um outro tipo de questão, a saber, a da relação entre ciência e valores. Por um lado, devido sobretudo à minha formação religiosa, acompanhava-me a preocupação com a relevância do trabalho acadêmico no campo das ciências sociais, no sentido de pensar que ele deveria ser posto a serviço da realização de certos ideais normativos - e nisso, compreensivelmente, Marx e a Escola de Frankfurt pareceram-me por um breve momento sedutores. Porém, por outro lado, eu tomava por insatisfatórias as fórmulas simplistas e saídas fáceis, geralmente de cunho "esquerdizante", tão comumente encontradas no meio universitário - e aqui Weber, tanto por seus trabalhos quanto pela postura científica que propugnava, foi-me realmente desafiador.

Embora isso ainda não fosse totalmente consciente para mim na época, a minha questão poderia ser resumida, então, como a procura de uma forma intelectualmente rigorosa e consistente de fundamentação de uma ciência social capaz de incorporar em si mesma a realização de ideais normativos. Confrontando-se com as diferentes posições a respeito, e manifestando-se de formas diferentes ao longo da graduação, essa preocupação algo contraditória foi aos poucos se definindo pelo lado weberiano do rigor intelectual, o que ficou expresso, na dissertação, pela concordância com a crítica de Fábio Wanderley Reis à "concepção ideológica" que, baseada em uma visão imprecisa e pouco realista a respeito da política, fundamenta a tradicional crítica de fraqueza ou subdesenvolvimento dos partidos brasileiros.

Mas a questão ainda estava pendente. Um contato superficial com Habermas, através dos professores Barbara Freitag e Jessé Souza (este também o responsável pelo meu aprofundamento em Weber), do Departamento de Sociologia da UnB, fez-me pensar que o desenvolvimento da reflexão daquele autor, desvencilhando-se de algumas das dificuldades cruciais dos frankfurtianos, poderia ser uma chave para a formulação de uma ciência social ao mesmo tempo "crítica" e consistente (analítica e empiricamente). Foi assim que, para finalmente encarar de frente a questão - o que eu reputava tarefa indispensável antes de poder me dedicar com qualidade a um trabalho de pesquisa empírica mais sério -, em 1993 ingressei no Mestrado em Sociologia da UnB.


Mestrado em Sociologia
Departamento de Sociologia, Universidade de Brasília (1993-95)

Minha intenção inicial no mestrado era desenvolver uma visão comparativa entre as concepções de Weber e Habermas sobre a relação entre ciência e valores, e refletir sobre sua aplicabilidade e/ou conseqüência no estudo científico da política. Evidentemente, logo eu tive de repensar tal intenção, devido à sua amplitude. Porém o mais decisivo nesse sentido foi a palestra que, ainda em 1993, o professor Fábio Wanderley Reis pronunciou na UnB sobre "política e racionalidade" - em que, seguindo o argumento de seu livro homônimo, ele apresentou suas críticas ao projeto habermasiano de construção de uma teoria crítica a partir da noção de uma racionalidade ("comunicativa") alternativa à chamada "racionalidade instrumental". Tais críticas foram impactantes para mim, e eu decidi então fazer uma leitura atenta do volume de Reis, que resultou no meu afastamento em relação a Habermas (apresentei minha posição no texto Para um conceito de política: considerações sobre o esquema analítico de Fábio Wanderley Reis, publicado em Série Sociológica, nº118, Departamento de Sociologia/UnB, 1995). Assim, minhas pretensões quanto à dissertação de mestrado foram reduzidas às formulações de Weber sobre a relação entre ciência e valores - ou seja, sobre a "neutralidade axiológica" - e a seus possíveis reflexos no estudo da política - agora tomando explicitamente a intenção de Reis de construir uma sociologia "crítica" da política.

Não obstante, mesmo essa tarefa ainda se mostrou demasiado exigente, na medida em que fui cada vez mais me aprofundando no estudo das formulações weberianas. Assim, na dissertação de mestrado (Vontade e Realidade: um estudo sobre a questão da neutralidade axiológica em Max Weber, orientada pelo prof. Jessé Souza, 1995) limitei-me a trabalhar sobre a compreensão de Weber, concluindo que o problema da relação entre ciência e valores deve ser tratado assumindo-se a busca da verdade, em si, como um valor a ser incorporado ao conjunto dos ideais normativos que dêem significado à conduta do cientista. Se, com isso, o meu conflito não foi definitivamente resolvido, foi pelo menos "apaziguado", de uma forma que, após "acertar as contas com minha própria consciência", eu poderia voltar a me dedicar à pesquisa empírica no campo da política.


Professor Assistente de Ciência Política
Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de Goiás (1996- )

A oportunidade para essa volta surgiu quando fui aprovado no concurso para professor assistente de ciência política aberto pelo Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, logo ao final do meu mestrado (dezembro de 1995). Os cientistas políticos do quadro do departamento dedicavam-se há alguns anos exatamente a pesquisas sobre eleições em Goiás, o que foi decisivo para a retomada do meu interesse pela área de partidos e comportamento eleitoral - além de eu apenas tê-lo "suspendido" durante o mestrado, pareceu promissora a possibilidade de participar de um trabalho de equipe e assumir um compromisso tanto com os colegas quanto com o novo contexto em que passei a me encontrar: Goiás.

Mas os estudos já existentes careciam de embasamento teórico, consistindo basicamente na compilação de dados, com uma preocupação descritiva e uma análise no máximo superficial, o que me pareceu insatisfatório. Daí, passei ao estudo dos referenciais teóricos para a pesquisa do comportamento eleitoral. E, frente à tendência comum de distinguir as "diferentes abordagens" (sociológica, escolha racional), pareceu-me que para dar conta dos partidos e eleições em um contexto pelo menos aparentemente marcado por traços típicos da "política tradicional" seria indispensável formular uma compreensão em termos de algo como uma "teoria da modernização". Para isso contribuíram também os contatos que, desde o mestrado, tive a oportunidade de manter com o professor Fábio Wanderley Reis, e que me encaminharam para pensar o comportamento eleitoral como um dos indicadores de um processo mais amplo de desenvolvimento político. Um dos resultados dessa orientação foi minha participação na sessão "Novas e velhas metodologias na análise do comportamento eleitoral", no III Seminário Nacional sobre Comportamento Político (Florianópolis, SC, 11 a 13 de junho de 1997). Outro foi o projeto com o qual ingressei no Doutorado em Ciências Humanas: Sociologia e Política, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais.


Doutorado em Ciências Humanas: Sociologia e Política
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais (1999-2007)

Veja a página sobre minha tese de doutorado clicando aqui.

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