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Área Profissional > PERFIL ACADÊMICO
FORMAÇÃO ACADÊMICA E PREOCUPAÇÕES INTELECTUAIS
Graduação em Ciência Política
Departamento de Ciência Política e Rel. Internacionais, Universidade de
Brasília (1988-92)
Durante minha graduação o meu interesse foi direcionado para a área de
estudo sobre partidos políticos, o que culminou na elaboração da minha
dissertação (Ideologia e fracionamento: o PT-DF nas eleições de 1990,
orientada pela profa. Maria Izabel Valladão de Carvalho, 1992). Tratou-se de
um trabalho que tomava como objeto de investigação o Partido dos
Trabalhadores no Distrito Federal, sob a perspectiva dos dilemas internos
enfrentados às vésperas das eleições de 1990, particularmente quanto à
escolha do seu candidato a governador. No estudo procurei identificar as
tensões entre as tendências internas do PT, que levaram a um turbulento
processo de escolha de seus candidatos à eleição majoritária no DF, como
tendo sua raiz no problema que se apresenta à atuação eleitoral dos
partidos que se esforçam por manter um perfil ideológico estritamente
delimitado e que pretendem sustentar-se no apoio de setores sociais
claramente definidos.
Mas a minha reflexão esteve marcada também por um outro tipo de questão, a
saber, a da relação entre ciência e valores. Por um lado, devido sobretudo à
minha formação religiosa, acompanhava-me a preocupação com a relevância do
trabalho acadêmico no campo das ciências sociais, no sentido de pensar que
ele deveria ser posto a serviço da realização de certos ideais normativos -
e nisso, compreensivelmente, Marx e a Escola de Frankfurt pareceram-me por
um breve momento sedutores. Porém, por outro lado, eu tomava por
insatisfatórias as fórmulas simplistas e saídas fáceis, geralmente de cunho
"esquerdizante", tão comumente encontradas no meio universitário - e aqui
Weber, tanto por seus trabalhos quanto pela postura científica que
propugnava, foi-me realmente desafiador.
Embora isso ainda não fosse totalmente consciente para mim na época, a minha
questão poderia ser resumida, então, como a procura de uma forma
intelectualmente rigorosa e consistente de fundamentação de uma ciência
social capaz de incorporar em si mesma a realização de ideais normativos.
Confrontando-se com as diferentes posições a respeito, e manifestando-se de
formas diferentes ao longo da graduação, essa preocupação algo contraditória
foi aos poucos se definindo pelo lado weberiano do rigor intelectual, o que
ficou expresso, na dissertação, pela concordância com a crítica de Fábio
Wanderley Reis à "concepção ideológica" que, baseada em uma visão imprecisa
e pouco realista a respeito da política, fundamenta a tradicional crítica de
fraqueza ou subdesenvolvimento dos partidos brasileiros.
Mas a questão ainda estava pendente. Um contato superficial com Habermas,
através dos professores Barbara Freitag e Jessé Souza (este também o
responsável pelo meu aprofundamento em Weber), do Departamento de Sociologia
da UnB, fez-me pensar que o desenvolvimento da reflexão daquele autor,
desvencilhando-se de algumas das dificuldades cruciais dos frankfurtianos,
poderia ser uma chave para a formulação de uma ciência social ao mesmo tempo
"crítica" e consistente (analítica e empiricamente). Foi assim que, para
finalmente encarar de frente a questão - o que eu reputava tarefa
indispensável antes de poder me dedicar com qualidade a um trabalho de
pesquisa empírica mais sério -, em 1993 ingressei no Mestrado em Sociologia
da UnB.
Mestrado em Sociologia
Departamento de Sociologia, Universidade de Brasília (1993-95)
Minha intenção inicial no mestrado era desenvolver uma visão comparativa
entre as concepções de Weber e Habermas sobre a relação entre ciência e
valores, e refletir sobre sua aplicabilidade e/ou conseqüência no estudo
científico da política. Evidentemente, logo eu tive de repensar tal
intenção, devido à sua amplitude. Porém o mais decisivo nesse sentido foi a
palestra que, ainda em 1993, o professor Fábio Wanderley Reis pronunciou na
UnB sobre "política e racionalidade" - em que, seguindo o argumento de seu
livro homônimo, ele apresentou suas críticas ao projeto habermasiano de
construção de uma teoria crítica a partir da noção de uma racionalidade
("comunicativa") alternativa à chamada "racionalidade instrumental". Tais
críticas foram impactantes para mim, e eu decidi então fazer uma leitura
atenta do volume de Reis, que resultou no meu afastamento em relação a
Habermas (apresentei minha posição no texto Para um conceito de política:
considerações sobre o esquema analítico de Fábio Wanderley Reis,
publicado em Série Sociológica, nº118, Departamento de
Sociologia/UnB, 1995). Assim, minhas pretensões quanto à dissertação de
mestrado foram reduzidas às formulações de Weber sobre a relação entre
ciência e valores - ou seja, sobre a "neutralidade axiológica" - e a seus
possíveis reflexos no estudo da política - agora tomando explicitamente a
intenção de Reis de construir uma sociologia "crítica" da política.
Não obstante, mesmo essa tarefa ainda se mostrou demasiado exigente, na
medida em que fui cada vez mais me aprofundando no estudo das formulações
weberianas. Assim, na dissertação de mestrado (Vontade e Realidade: um
estudo sobre a questão da neutralidade axiológica em Max Weber,
orientada pelo prof. Jessé Souza, 1995) limitei-me a trabalhar sobre a
compreensão de Weber, concluindo que o problema da relação entre ciência e
valores deve ser tratado assumindo-se a busca da verdade, em si, como um
valor a ser incorporado ao conjunto dos ideais normativos que dêem
significado à conduta do cientista. Se, com isso, o meu conflito não foi
definitivamente resolvido, foi pelo menos "apaziguado", de uma forma que,
após "acertar as contas com minha própria consciência", eu poderia voltar a
me dedicar à pesquisa empírica no campo da política.
Professor Assistente de Ciência Política
Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de Goiás (1996- )
A oportunidade para essa volta surgiu quando fui aprovado no concurso para
professor assistente de ciência política aberto pelo Departamento de
Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás, logo ao final do meu
mestrado (dezembro de 1995). Os cientistas políticos do quadro do
departamento dedicavam-se há alguns anos exatamente a pesquisas sobre
eleições em Goiás, o que foi decisivo para a retomada do meu interesse pela
área de partidos e comportamento eleitoral - além de eu apenas tê-lo
"suspendido" durante o mestrado, pareceu promissora a possibilidade de
participar de um trabalho de equipe e assumir um compromisso tanto com os
colegas quanto com o novo contexto em que passei a me encontrar: Goiás.
Mas os estudos já existentes careciam de embasamento teórico, consistindo
basicamente na compilação de dados, com uma preocupação descritiva e uma
análise no máximo superficial, o que me pareceu insatisfatório. Daí, passei
ao estudo dos referenciais teóricos para a pesquisa do comportamento
eleitoral. E, frente à tendência comum de distinguir as "diferentes
abordagens" (sociológica, escolha racional), pareceu-me que para dar conta
dos partidos e eleições em um contexto pelo menos aparentemente marcado
por traços típicos da "política tradicional" seria indispensável formular
uma compreensão em termos de algo como uma "teoria da modernização". Para
isso contribuíram também os contatos que, desde o mestrado, tive a
oportunidade de manter com o professor Fábio Wanderley Reis, e que me
encaminharam para pensar o comportamento eleitoral como um dos indicadores
de um processo mais amplo de desenvolvimento político. Um dos
resultados dessa orientação foi minha participação na sessão "Novas e velhas
metodologias na análise do comportamento eleitoral", no III Seminário
Nacional sobre Comportamento Político (Florianópolis, SC, 11 a 13 de junho
de 1997). Outro foi o projeto com o qual ingressei no Doutorado em Ciências
Humanas: Sociologia e Política, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
da Universidade Federal de Minas Gerais.
Doutorado em Ciências Humanas: Sociologia e Política
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas
Gerais (1999-2007)
Veja a página sobre minha tese de doutorado clicando aqui.
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