Nascida a 12 de maio de 1820, em Florença, Itália, era filha
de ingleses. Possuía inteligência incomum, tenacidade de
propósitos, determinação e perseverança - o que lhe permitia
dialogar com políticos e oficiais do Exército, fazendo
prevalecer suas idéias. Dominava com facilidade o inglês, o
francês, o alemão, o italiano, além do grego e latim.
No desejo de realizar-se como enfermeira, passa o inverno de
1844 em Roma, estudando as atividades das Irmandades
Católicas. Em 1849 faz uma viagem ao Egito e decide-se a
servir a Deus, trabalhando em Kaiserswert, Alemanha, entre as
diaconisas.
Decidida a seguir sua vocação, procura completar seus
conhecimentos que julga ainda insuficientes. Visita o Hospital
de Dublin dirigido pela Irmãs de Misericórdia, Ordem Católica
de Enfermeiras, fundada 20 anos antes. Conhece as Irmãs de
Caridade de São Vicente de Paulo, na Maison de la Providence
em Paris.
Aos poucos vai se preparando para a sua grande missão. Em
1854, a Inglaterra, a França e a Turquia declaram guerra à
Rússia: é a Guerra da Criméia. Os soldados acham-se no maior
abandono. A mortalidade entre os hospitalizados é de 40%.
Florence partiu para Scutari com 38 voluntárias entre
religiosas e leigas vindas de diferentes hospitais. Algumas
enfermeiras foram despedidas por incapacidade de adaptação e
principalmente por indisciplina. A mortalidade decresce de 40%
para 2%. Os soldados fazem dela o seu anjo da guarda e ela
será imortalizada como a "Dama da Lâmpada" porque, de lanterna
na mão, percorre as enfermarias, atendendo os doentes. Durante
a guerra contrai tifo e ao retornar da Criméia, em 1856, leva
uma vida de inválida.
Dedica-se porém, com ardor, a trabalhos intelectuais. Pelos
trabalhos na Criméia, recebe um prêmio do Governo Inglês e,
graças a este prêmio, consegue iniciar o que para ela é a
única maneira de mudar os destinos da Enfermagem - uma Escola
de Enfermagem em 1959.
Após a guerra, Florence fundou uma escola de Enfermagem no
Hospital Saint Thomas, que passou a servir de modelo para as
demais escolas que foram fundadas posteriormente. A disciplina
rigorosa, do tipo militar, era uma das características da
escola nightingaleana, bem como a exigência de qualidades
morais das candidatas. O curso, de um ano de duração,
consistia em aulas diárias ministradas por médicos.
Nas primeiras escolas de Enfermagem, o médico foi de fato a
única pessoa qualificada para ensinar. A ele cabia então
decidir quais das suas funções poderiam colocar nas mãos das
enfermeiras. Florence morre em 13 de agosto de 1910, deixando
florescente o ensino de Enfermagem. Assim, a Enfermagem surge
não mais como uma atividade empírica, desvinculada do saber
especializado, mas como uma ocupação assalariada que vem
atender a necessidade de mão-de-obra nos hospitais,
constituindo-se como uma prática social institucionalizada e
específica.